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maio 19, 2004

Elegância sem pedância No basquetão

Elegância sem pedância

No basquetão de domingo alguém levou a Veja. Entre uma e outra enterrada de costas saltando da linha dos três pontos, dei uma folheada na vejinha, que trazia a sugestiva matéria de capa: os 50 mais elegantes de São Paulo. Nem parei para ver como foram escolhidos, só passeei os olhos - bocejando - por aquele desfile de vaidade e arrogância. Veja fez as mesmas três perguntas a todos: o que não pode faltar em seu armário? o que nunca usaria? e que dica você dá pros manés? (não com essas palavras, claro), e tirou uma foto de cada agraciado com tão alto lauréu.

As perguntas eram sempre respondidas com as peças de roupa preferidas de cada um, o que achavam cafona e a dica que davam era sempre de uma lavanderia, uma sapataria, um alfaiate ou algo do gênero.

Dentre todos que fizeram caras e bocas, vestidos de forma moderosa ou simplesmente clássica, percebi alguém que destoou radicalmente dos demais listados. Era o arquiteto Isay Weinfeld, que fez questão de ser fotografado com uma calça bege e uma blusa de lã sem nada de mais. Suas respostas às tais perguntas, contudo, é que mais me chamaram a atenção:

O que não pode faltar no meu guarda-roupa: "Cabide"

Jamais usaria: "Peruca"

Minha dica: "Antes de consumir qualquer coisa, diga 'bom-dia' ao vendedor, 'por favor' ao escolher a peça e 'muito obrigado' ao recebê-la. Já é um grande passo para se tornar elegante".

Espirituosidade, humildade e ojeriza ao pedantismo típicos dos que buscam holofotes a todo custo, na lista dos 50 mais elegantes da Veja São Paulo? Flores no asfalto, diria Drummond.

Taí o dito cujo, ao lado de outra laureada.
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Posted by marcol at maio 19, 2004 10:45 AM