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maio 11, 2004

Demônios, pesadelos, medo, escuridão e

Demônios, pesadelos, medo, escuridão e outros estranhos habitantes de nossa mente

Curioso fascínio esse, o do medo. Particularmente odeio filmes de terror, não tenho prazer algum neles, mas não deixa de chamar a atenção o sucesso constante do gênero há séculos.

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Lendo a revista Mundo Estranho deste mês, descobri um fato interessantíssimo. Duas das figuras mais cultuadas desse universo nasceram numa mesma noite, em um mesmo lugar, e ambos tiveram a formatação que conhecemos graças a estranhos pesadelos: Frankenstein e Drácula. O poeta Lorde Byron alugou uma casa na Suíça, para onde convidou o poeta romântico Percy Shelley, sua namorada Mary e um escritor inciante chamado John William Polidori, que parecia ter um casinho com o anfitrião, a quem, aliás, ministrava ópio. Uma tempestade daquelas, de filme de terror mesmo, abateu-se sobre o lugar, e os quatro ficaram ilhados. Boatos da vizinhança contam de sexo, drogas e só faltou o rock n' roll porque ainda estamos em 1816. Byron teria lido em voz alta alguns contos de fantasmas e propôs que cada um escrevesse uma história de dar medo. O papo enveredou por vida após a morte, obscuros avanços científicos daquela época, o perigo de o conhecimento cair em mãos erradas e outras coisas sombrias. A jovem Mary, que mais tarde casou-se e passou a usar o sobrenome Shelley, teve um sonho horripilante por causa daquele caldeirão de influências. Passou a fazer pesquisas e ter conversas estimulantes por onde passava, até criar seu Frankenstein.

Naquela noite Lorde Byron escreveu um conto sobre mortos-vivos que impressionou bastante John Polidori. Três anos mais tarde ele escreveu um conto chamado The Vampire, que contava a história de um jovem libertino morto na Grécia e que se tornava um sugador de almas. O negócio tornou-se uma peça teatral de sucesso que influenciou bastante um sujeito irlandês chamado Bram Stoker. Depois de se entupir de livros e pesquisas sobre vampirismo e provavelmente após ter comido muita carne de porco no jantar, Bram Stoker sonhou com um tipo de personalidade forte cercado de escravas sexuais, que mordia o pescoço de um jovem bonito e lhe sugava o sangue. Boiolagem, portanto, na gênese desse mito, a quem ele denominou Drácula, mesclando informações a respeito de um sádico nobre romeno chamado Vlad III, a quem chamavam Drácula, que significa, sugestivamente, demônio ou dragão. Foi ele quem botou o vampiro-mor na Transilvânia (região da Romênia onde há muita superstição) e deu os contornos básicos do personagem. A única ilustração que permitiu constar de seu livro era a de um homem alto, metade morcego.

Tanto um personagem como o outro protagonizaram dezenas e dezenas de filmes e peças de teatro. Filmes como o atual campeão de bilheterias nos EUA, Van Helsing, demonstram que o fascínio está longe de acabar.

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Mas qual o prazer em sentir medo? Aonde está a origem dessa satisfação das massas por serem confrontadas com the dark side das coisas? Como não partilho desse gosto, taí um mistério que me põe medo.

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Pra não dizer que não gosto do gênero cinematográfico como um todo, gostei muito do primeiro Alien. Certamente porque o filme juntava à fórmula homem X coisa nojenta, cruel e aterrorizante os elementos de ficção científica que à época me fascinavam, além de ter sido filmado num estilo diferente, inovador, em que a câmera não focaliza muito bem a cena, corre, sobe, desce, enfim, imprime um ritmo opressor à película.

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A verdade é que desde que parei completamente de me alimentar desse tipo de coisas, jamais tive um único pesadelo sequer. Isso já faz pelo menos onze anos. Parei de me entupir de ficção por descobrir um inusitado prazer na leitura da Bíblia. Como ela diz, "a boca fala do que está cheio o coração" e poderia complementar com "a mente sonha o que está cheio o coração também". (Acho que se eu fosse ter um pesadelo agora, seria a gerente do banco me perseguindo pelas ruas com um olhar maléfico) Well, dada minha inapetência latente pelo gênero, não faço questão nenhuma de ter pesadelos e prefiro muito mais uma noitada de asneiras besteirólicas do que de causos de arrupiar os cabelos ao redor da lareira.

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Medo é um dos sentimentos mais básicos do ser humano. Contudo, se eu estivesse andando por um horripilante vale da Transilvânia em noite sem lua, ou pelos corredores da nave espacial assolada pelo Alien, ao lado do Superhomem, não teria porque temer.

Como ando o tempo todo tendo ao lado Alguém muito maior que Superhomem, a graça que o medo pudesse ter esvai-se por completo.
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Posted by marcol at maio 11, 2004 11:02 AM