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maio 31, 2004

Andanças Sumi daqui por estar

Andanças

Sumi daqui por estar comendo a poeira dos caminhos desde quarta-feira passada, quando bandeei-me outra vez para o reino encantando da Tchêlandia.

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A noite fria de Porto Alegre me levou a um Café Colonial, ali na Cristóvão Colombo. Apesar de ser meia-boca, deu pra eu encher o buxo e passar a noite gemendo no hotel. Quando chegou a bandeja com os quentes, perguntei o que ali não tinha pedaços de cadáveres, vegan que soy, e percebi que o cidadão foi tirando uma por uma das iguarias até que restou apenas um pratinho com pães de queijo. Meio mornos, já. Ruizinhos, até.

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Prestei atenção no caminho que o táxi fazia do hotel até lá e aproveitei a enorme bagagem ventral que levava e que pesava não só o estômago mas principalmente a consciência para fazer uma das coisas que mais gosto: andar por cidades estranhas. Não há melhor maneira de conhecer um lugar, de capturar-lhe a alma, sentir-lhe a atmosfera, que esse. Refiz o caminho de volta inteiro a pé, o que me rendeu uns quarenta minutos de bate-perna (tempo infelizmente insuficiente para evitar a gemeção noturna, como já mencionado).

Na primeira esquina, algumas bexigas brancas, soltas de alguma comemoração por ali, flutuavam sobre a calçada, ao sabor da aragem fria que batia. Meio sem saber porque, peguei uma na mão e fui andando.

Passei por pouca gente, o frio não convidava às ruas, mesmo assim cruzei com pelo menos umas cinco belíssimas mulheres e uns três tipos estranhos, do tipo "sí, yo tengo mucha personalidad". Passei por umas pizzarias simpáticas e uns botecos nem tanto, e também por um shopping center com o modestíssimo nome de Total.

Foram poucas quadras, mas desenvolvi com a bexiga branca uma relação meio Tom Hanks e Mr. Wilson, entende? Imagine pois minha indignação quando um ônibus passou zunindo e arrancou a minha colega ainda sem nome das minhas mãos. Ela voou para o meio da avenida e eu fiquei observando sua partida melancolicamente. Só que não podia sair correndo atrás dela por algumas razões:

1. Eu não tinha uma barba até o meio do peito, como o Tom, atrás da qual me esconder e prestar-me ao ridículo de estar correndo atrás de uma bexiga.
2. Tinha jogo do São Paulo pela Libertadores, no time to loose.

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Refestelei-me na cama, já de banhinho tomado, já de pijaminha botado, já com a água sem gás do lado e aguardei o começo do prometido chocolate tricolor sobre o timeco venezuelano. O-oh. Globo: XV de Campobom versus Santo André. Ok, o XV de Campobom é um time gaúcho, vá lá. Corramos pro Sportv: XV de Campobom versus Santo André. NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!

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Nem os gols os maledettos não mostraram, malemal falavam que tinha saído gol. Meno male que o chocolate aconteceu.

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De manhãzinha, toco, de ônibus, pra Pelotas. Na viagem assisti ao inesquecível "uma vida em sete dias". É tão inesquecível que tive de consultar o baú pra conseguir acertar o nome.

Em Pelotas tava um frio do cão. Fiquei perambulando pelo centro da cidade, que tem três coisas em abundância: mulheres biscoitudas, casarões imperiais em péssimo estado de conservação e docerias, confeitarias e que tais.

Procurei não respirar muito fundo nem beber água, que dizem que o ar e a água por lá são muito frescos, mas a verdade é que não vi nenhum gay, a despeito da fama do lugar. Também não fiquei procurando, tchê!

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Quase meia-noite zarpa meu vôo para logo ali, Recife. Vôo lotado, com muitas crianças e escala no Rio. Em suma, duro de dormir. Quatro e meia da matina estou lá em Pernambuco, carregando minha infinidade de casacos com aquela sensação de ser um idiota, já que o frio de lá era de 26 graus.

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Não me perguntem por praias nem nada, em Recife só tive tempo de visitar a velhíssima amiga Luciana Lux Lunae, owner dos excelentes blogs Órbita e Luz e Céu (que ela criou pra narrar as peripécias do casamento, que aconteceu há poucos dias, com o Tibério, a quem conheci). Ela mandou bem num rango típico potiguar-pernambucano (foi o que me garantiram).

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Senti-me saindo de um post do Homem Chavão quando suspirei um "Lar, doce lar" ao esticar as canelas ao lado da patroa e do patrãozinho após um vôo com duas escalas de volta.

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Se Goethe está certo e "para um homem inteligente, viajar dá a melhor educação"; se mamãe está certa e eu sou um cara inteligente (ela jamais mentiu pra mim, sou tentado a acreditar); logo, estou ficando cada vez menos mal educado.
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Posted by marcol at maio 31, 2004 1:10 PM