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abril 20, 2004

Survivor Os dois textos que

Survivor

Os dois textos que botei aqui na semana passada (História Triste e Alguma Coisa que Você Nunca Entendeu), eu confesso, eram coisa velha, tirada de um disquete quadradinho empoeirado. Tive de recorrer a ele porque foi uma das semanas mais entupidas da minha vida.

O leitor culto e sensível certamente há de conhecer a teoria dos dias de vazão e dias de entupimento, cunhada pelo brilhante sociólogo e encanador birmanês Greg Smithson. Sim, há os dias de vazão, em que nada ou pouca coisa ocorre, e os dias contrários, nos quais tudo, ou pouco menos que isso, acontece.

Sete audiências pelo Brasil afora, o chefe vindo da Argentina dar nabadas em portunhol, quatro reuniões importantes e a programação de sexta à noite e sábado o dia todo em minha igreja sob meu encargo resultaram em um vácuo mental ímpar, afora as seqüelas físicas (se você vir um mané de olheiras profundas e 1,91m andando na rua segurando um suportezinho pra soro injetado na veia, soy yo).

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Corpo Dourado

O título desta seção do poste é francamente oportunista. Esqueça o Corpo e concentre-se no Dourado. Em Autran Dourado, mais especificamente.

Atendendo à ótima indicação do blogueiro e guru Milton Ribeiro, aproveitei um tempinho livre lá em Porto Alegre e me embarafustei pelos bem organizados e riquíssimos corredores do Beco dos Livros, um sebo dos bons, como tantos outros que há na cosmopolita capital gaúcha.

Além de "O Urso com Música na Barriga", do Erico Verissimo, que eu queria para já começar uma biblioteca bem arranjada pro meu rebento, contei minhas moedinhas e vi que dava pra mais alguma coisa. Sabia que perderia o avião se ficasse escolhendo muito, por isso saltou-me às mãos "Solidão, Solitude", do já mencionado Autran Dourado.

Eu só havia lido "A barca dos homens", dele, livro que conseguiu o título de "excelente com louvor" em minha modesta apreciação. Sabia que a obra de Autran Dourado era extensa e me pareceu medida mais que salutar retomar a leitura dele por essa coletânea de contos arranjados em grupos de três, ligados por referências internas e temáticas abordadas.

O resultado é o deliciamento de respirar mais uma vez a riquíssima literatura brasileira do século XX enquanto o metrô me carrega por aí.

Autran Dourado tem um estilo impecável e retrata com maestria a melancolia tropical. Sim senhor, melancolia tropical.

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Já que eu fiquei devendo o Corpo...


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Posted by marcol at abril 20, 2004 9:15 AM