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abril 5, 2004
Não existe pecado ao sul
Não existe pecado ao sul do Equador
Certa vez ouvi uma palestra de um biólogo americano graúdo. Não me pergunte o que eu, advogado que ao ouvir o nome Mendell só consegue lembrar de ervilhas e abecedário, sem muita conexão um com o outro, fazia no auditório. Lá pelas tantas o palestrante saiu com a seguinte idéia: uma das crises do pensamento evolucionista é o de que, colocando os conflitos todos no campo dos instintos, a moral se torna absolutamente desnecessária. Se eu parto do pressuposto de que sou fruto de uma extensa cadeia evolutiva calcada primeiramente no acaso, e segundamente na força, por que raios eu precisaria me preocupar com valores abstratos? Se não há nada acima de mim, um ser superior, me ditando regras naturais de ordem moral, então por que eu deveria me abster de fazer aquilo que me favorece? A idéia de "contrato social" num ambiente de sobrevivência do mais forte, consciente de que se é fruto desse estado de coisas, parece realmente absurda.
O quase desconhecido filme "Minhas idéias assassinas" mostra o Michael Caine chegando a essa conclusão singela. Sua esposa chata, o chefe que o boicota e até, mais tarde, o amigo melhor posicionado na escala de promoções da empresa sofrem as conseqüências.
O Fantástico de ontem exibiu uma matéria sobre assassinos incapazes da menor sombra de remorso e à luz do raciocínio desenvolvido pelo tal biólogo não deveríamos ficar chocados. É lógica fria.
Daí porque o brilhantismo de Goethe resumir: somos moldados por aquilo que amamos. Se não há nada acima de nós mesmos para amarmos, as conveniências nos moldam. Nossos deuses têm nossas fraquezas, não há elevados padrões a perseguir, ética se torna uma quase impossibilidade e apenas o medo mantém o que chamamos civilização dentro dos limites aceitáveis.
Tenho cá pra mim que medo é um dique muito frágil.
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Pois é, segunda-feira de pensamentos bem distantes de Salloon de Jack Cabeça de Jabuti. Sorry, Jonas.
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Lindinhos, fofinhos e cutecutes todos vocês que deixaram comentários congratulando-nos (a nós, os 1246 colaboradores de É por aqui que vai pra lá? Inc.) pelas dez mil visitas. Tentei responder a cada um aí no negócio de comentários.
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Fazia um bom tempo que uma partida de futebol não me dava tanto prazer. Não apenas pelo resultado, mas principalmente pelas reviravoltas do jogo, Palmeiras e Paulista foram um belo deleite vespertino. O empate no último instante levando a porcaiada aos pênaltis, a vantagem deles nas cobranças, o goleiro de Jundiaí crescendo no último instante, os erros fatais, a explosão do Zetti. Catzo, isso foi muito bom!
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Posted by marcol at abril 5, 2004 1:41 PM