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abril 7, 2004

Histórico Quando Nizan Guanaes subiu

Histórico

Quando Nizan Guanaes subiu ao planalto, em 2007, houve início a chamada "Era da Imagem". Sua primeira medida foi pressionar para o projeto que tratava da fidelidade partidária ser engavetado. Em seguida a legislação sobre publicidade foi alterada e só então passamos a encontrar anúncios de empreendimentos imobiliários no asfalto das ruas, de relógios nos semáforos, de planos de saúde no envelope de intimação de multas de trânsito. O fenômeno se espraiou e passamos a achar publicidade de eletrônicos na parte de baixo da tampa da margarina, de remédio pra azia dentro da caixa de papelão do aparelho de som, de cerveja no teto do ônibus. A CPI para investigação de escândalos na utilização da esquadrilha da fumaça para escrever "Nestlé" no céu de Brasília em pleno desfile de 7 de setembro acabou arquivada com o lacônico despacho do relator: "o que importa não é se o governo é corrupto, mas que ele de fato parece não ser". Artigos que tratavam de publicidade e propaganda enganosas foram suprimidos do Código de Defesa do Consumidor e as famílias das vítimas da estrada São Paulo-Manaus, que tinha o bordão promocional "Segurança em primeiro lugar" e cuja campanha alardeava haver um posto de serviço e socorro a cada dez quilômetros ficaram sem ter como processar o governo ao perceberem que seus queridos morreram porque a estrada tinha curvas mortíferas e um posto de serviço e socorro a cada 1.000 quilômetros. O "leve-leite" foi substituído pelo "Faça plástica". Mas tudo isso já faz muito tempo.

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Renato Russo do além

Eu dirigia do Guarujá para Bertioga, ontem, e a chuva caía torrencialmente. Decidi tentar achar alguma estação de rádio que pegasse por aquele mundão, e tive a grata surpresa de achar uma musiquinha da Legião Urbana tocando no 103,7 em altíssimo e bom som, sem qualquer estática ou interferência.

A surpresa aumentou ao eu notar que não se tratava de uma música apenas, mas de todo o CD Descobrimento do Brasil, por sinal, o meu predileto da banda. Faixa por faixa, sem qualquer interrupção, sem qualquer blábláblá, sem explicação alguma, o CD foi tocando e eu fui ouvindo as musiquinhas que há tempos não ouvia esperando que a cada curva o sinal fosse sumir. Não sumiu.

Foi bem no meio da faixa-título, por sinal a minha predileta, que o som desapareceu. No lugar, apenas silêncio, nada de estática. Silêncio puro mesmo. Foi depois dos versos: quem está sempre ao teu lado? E quem pra sempre está? Quem pra sempre estará?

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Lembrança

Isso me fez lembrar dum filme francês que vi numa noite insone de sábado, sintonizando a TV Cultura. Era uma película cabeça em branco e preto; mostrava um cara que em plena segunda guerra mundial recebia enigmáticas mensagens pelo rádio. Ele tentava entender o significado daqueles símbolos todos, e enquanto mergulhava obsessivamente nas estranhas transmissões, coisas sobrenaturais começavam a acontecer ao seu redor.

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Não havia, contudo, qualquer mensagem do além no Descobrimento do Brasil e tampouco coisas sobrenaturais começaram a acontecer ao meu redor. A menos que o maravilhoso falafell no pão sírio que eu tracei em Riviera de São Lourenço seja, como desconfiei, algo de outro mundo. A menos, também, que minha chegada em casa, são e salvo, depois de experimentar o dilúvio sobre a cabeça, seja algo sobrenatural. Como bem pode ser.
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Posted by marcol at abril 7, 2004 2:10 PM