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abril 30, 2004
15.000 visitas, 15.000 visitas são
15.000 visitas, 15.000 visitas são
Mr. Bloggerman deu uma turbinada na visitação de É por aqui que vai pra lá? e assim o cabalístico número das 15.000 visitas foi atingido um pouco antes do planejando pela nossa equipe de Reengenharia e Marketing Institucional Aplicado à Configuração do Modelo de Negócio a Nível de Sei Lá (o RMIACMNSL).
A comemoração há de ser à moda da casa. Assim, brindamos às quinze mil com biscoitudas. Só que dessa vez optamos por another kind of biscoituda. Cê sabe que pra ser biscoituda às vezes desnecessário corpão violão, nariz biito, peitulância e outros predicados.
Estas três são biscoitudas porque quando sentam ao piano e saem cantando a gente sente o pâncreas mudar de lugar co baço. Pela ordem: Dianna Krall, Patricia Barber e a celebridade Norah Jones.

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Aproveitando o ensejo, por culpa do poste de ontem foi que eu descobri o site do Stanford Mixed Co.. Foi aí que descobri que o grupo tem muitos e excelentes CDs gravados, todos no mesmo estilo (de cair o queixo). Lá no site você pode conferir uma palhinha de cada música dos últimos quatro trabalhos. Canções como No more I love you, Hunter, Walk on the ocean, Flood (do Jars of Clay), If I ever lose my faith on you e Sixth Avenue Heartache nos arranjos acappella. Corra lá!
Pra facilitar tua vida, o link.
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Posted by marcol at 3:25 PM
abril 29, 2004
Coralices Qual a idéia que
Coralices
Qual a idéia que você faz de um coral? Criancinhas penduradas em janelas lá em Curitiba, perto do natal? Velhinhas esganiçadas cantando Besame Mucho na escadaria do Teatro Municipal? Três criaturas em modelitos que valorizam suas formas roliças e adiposas cantando Nos bailes da vida na chatérrima cerimônia de formatura? Ou quem sabe frades em uníssono num mosteiro com alguma cantilena zen?
A voz humana é o instrumento mais fabuloso que existe. A imensa gama de possibilidades que ela apresenta, se juntada com maestria, é capaz de causar um impacto dificilmente comparável com outra exibição qualquer.
Claro, ouvir a Sinfônica de Berlim ou a sonoridade requintada e densa de um Rush, por exemplo, atropelam qualquer um, mas o tipo de impacto que belas vozes cantando em harmonia, fazendo crescendos e diminuendos com perfeição, com expressão facial e até mesmo corporal, tudo isso executando uma bela canção, rapaz, isso num tem preço que pague. É uma experiência.
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Pena que pouca gente descobriu isso. Tive ocasião de cantar durante doze anos em um dos melhores corais do país, o Carlos Gomes (o site é excelente, visite!), do Unasp campus 1, que teve, entre tantas glórias nos seus mais de 50 anos de existência, a felicidade de vencer o concurso nacional de corais patrocinado pela prefeitura de São Paulo, há alguns anos.
Quantas vezes não fiquei arrupiado dos pés à cabeça executando uma canção mais bonita? Quantas vezes não vi que a reação de quem nos ouvia era tão grande quanto, ou até maior, a ponto de metade do auditório chorar copiosamente e a outra metade fungar o nariz e engolir em seco?
No caso específico do Coral Carlos Gomes, que canta essencialmente músicas de cunho religioso, o virtuosismo musical do grupo está sempre a serviço duma mensagem, o que torna tudo muito mais significativo e, consequentemente, impactante.
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Assistir a um bom concurso de corais é uma experiência que eu recomendo a todos. Há grupos de estilos muito diferentes, todos empolgantes, porque, como já disse, as possibilidades são inúmeras, e há muito boa gente trabalhando sério e firme nessa área.
Corais também são escolas excelentes. Boa parte dos melhores músicos que se conhece por aí saíram de corais, muitas vezes de igrejas protestantes.
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Quer descobrir do que um coral é capaz? Procure no Kazaa, por exemplo, a versão para With or Without You, do U2 interpretada por um grupo chamado The Stanford Mixed Co., um coral universitário dos muitos que há nas escolas americanas. Você vai cair pra trás ouvindo isso.
Outras ótimas pedidas: assistir a um show do Grupo Beijo, do Coralusp (será que ainda existe?), ou qualquer apresentação do Coralusp. Baixar no Kazaa qualquer coisa do Take 6, considerado o melhor grupo vocal de todos os tempos. Sugiro especialmente as faixas So much 2 say, Get away Jordan e If we ever. Outro grupo que merece uma bela ouvida é o Acappella, que, como o próprio nome diz, canta sempre sem acompanhamento instrumental algum (o que é extremamente difícil. Aliás, o Take 6 acima citado fez sua fama cantando assim). A sonoridade requer tempo para acostumar, mas você não vai querer largar mais. Garganta Profunda não é filme pornô apenas, mas um grupo vocal excelente que desfilava aqui pelo Brasil há alguns anos.
Ai, que saudade que dá.
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Posted by marcol at 3:12 PM
abril 28, 2004
Momentos depois, no saloon de
Momentos depois, no saloon de Jack Cabeça de Jabuti
Entediada, Rosa, a Rumorosa, aproximou-se de Paco, o Cucaracha, que distraía-se afiando uma foice no seu canto.
- Ei, bonitão - Paco olhou para trás para certificar-se que era com ele - Sabe, eu tenho um horário livre hoje à noite...
Paco, o Cucaracha, enrubesceu muito. Rosa, a Rumorosa, pediu um drink que Paco, o Cucaracha, dispôs-se a pagar e, não podendo conter-se de alegria, pediu a Jimmy Mãos de Borboleta que tocasse "Cornute song", sua música predileta. Enquanto a introdução era executada com maestria por Jimmy Mãos de Borboleta, que atendeu ao pedido com uma ruga de estranhamento na testa, o xerife Bill "Murros" Wilkinson começou a cutucar o ouvido com sua faca de 30 cm. Quando menos se esperava, Paco, o Cucaracha, começou a cantar com sua rouquenha voz as estrofes da canção, que, em cucarachez é cheia de rimas, mas que poderia ser traduzida mais ou menos assim:
Quando eu fui jovem
Chifrado fui
E quem não foi?
As mulheres zombavam de mim
Só porque tenho orelhas grandes
Grandes, oh, sim, grandes
E se algumas vezes no amor falhei
Por falta do carinho da mamãe
É que falhei, oh sim"
Ele terminou a canção cantando a plenos pulmões, pois tamanha era sua alegria. Contudo, qual não foi sua surpresa ao ver Rosa, a Rumorosa, deixando o Saloon de braços dados com ninguém mais que Juanito Manos Leves, que sorria faceiro. Paco, o Cucaracha, passou então a morder seu chapéu, tomado de grande raiva, enquanto Jimmy Mãos de Borboleta, começando a executar Old Joe, little friend, abanou a cabeça e observou em alto e bom som:
- Quem canta seus males, é uma anta.
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Os comentários mais oligofrênicos (para usar um jargão tipicamente Serafiniano) ao comentário anterior foram pura troça. Mécia, Inagaki, Nelson Moraes, Theo, entre outros aproveitaram para tirar um sarro. Todos eles sabem muito bem que beijão se escreve assim, com a - o - til, e não beijaum.
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Aliás, como eu escrevo mal! O poste de ontem não foi uma lamúria pelo Blogs of Notes, como pareceu a muitos comentaristas, bem ao contrário.
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Ainda estou me recuperando do soco na boca do estômago que é A Paixão de Cristo. Mesmo sabendo já o filme inteirinho de cor de tanto ter ouvido falar dele, o impacto foi profundo. Aliás, espero que perene.
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Às vezes dava vontade de não passar de uma canção, e que alegrasse alguém de verdade.
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Posted by marcol at 2:17 PM
abril 27, 2004
Tô fofo! Tô fofo!! Você
Tô fofo! Tô fofo!!
Você percebe que há alguma coisa muito errada quando dá aquela entradinha no teu blogue no final da tarde e acha um comentário do tipo "Teu blog tá super 10. Bjinhos". Mas ok, não é a primeira vez, vai saber como o povo vem parar aqui. Aí no dia seguinte alguma coisa está definitivamente errada: teu último poste tem mais de vinte comentários.
Blogs of Notes? Me?!
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Isso é lisonjeiro, claro. Ter pencas de comentários é lisonjeiro também. Mas a qualidade dos comentários que a gente recebe é deveras frustrante. Ok, não vou afetar a falsa modéstia doutros tempos quando, falando em nome do Ernestinho e Suas Mulatas Besuntadas, suplicava ao BloggerMan que nos esquecesse.
Agora o Ernestinho anda às moscas, a despeito de postes engraçadíssimos como o último capítulo de Maria de Auschiwtz e bate uma certa nostalgia dos comentários descabeçados.
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Evidentemente você não se prestou a ler os deixados recebidos no meu último poste. Encontrei ali dezenas de súplicas por visitas e comentários nos respectivos blogues dos circunstantes, observações redundantes, três ou quatro impropérios (sempre anônimos. Curioso, não?) e até mesmo um pedido descarado pra eu liberar pra pessoa um e-mail da globo.com (da qual não sou assinante) para ela poder ter blogue aqui pelo blogger.
Salva-se, contudo, um punhado de observações interessantes que valem a pena. A sensação de eco, de se estar falando sozinho, mesmo na esfera virtual, é sempre angustiante. Sou, portanto, pela enxurrada de comentários, se dela puder pescar um ou dois cérebros, ou quem sabe um ou dois simpáticos.
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Prova inconteste é eu haver conhecido chegados virtuais da melhor cepa justamente durante a enchente lá no Ernestinho. Vanildo Byonico e Tiagón Bereteador são os exemplos mais arrematados.
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Posted by marcol at 1:19 PM
abril 26, 2004
A marcha do tempo Este
A marcha do tempo
Este final de semana conversava com meu pai sobre a incrível mudança que se processou no mundo nos últimos anos. Eu lhe dizia que não conseguia lembrar como é que eu pesquisava pra fazer os trabalhos da faculdade, ou mesmo minhas primeiras defesas, já como advogado. Agora é só clicar duas palavras-chave no site correto e a coisa pipoca na tela, como era então naquele remotíssimo 1997? Ele, por sua vez, falou de um fosso muito mais profundo. Disse que quando morou em Salvador e sua mãe conseguiu uma enceradeira elétrica, a janela da sala, que dava para a rua, ficava apinhada de cabeças curiosas. Disse que quando conseguiram uma geladeira a querosene as pessoas da igreja visitavam-nos para ver aquela maravilha. Disse que veio a saber o que era ter telefone em casa há menos de vinte anos.
Olhei meu filho ali do lado, traçando um tomate, e me esforcei pra imaginar o mundo no qual ele terá filhos, caso a coisa não tenha antes o feliz fim do qual Cristo falou em Mateus 24:42 a 44. Meu pai percebeu o que eu fazia e disse para eu desistir, é inútil tentar prever.
Mais tarde eu tentava ensinar a ele e à minha mãe como baixar o messenger pra poderem falar com meu irmão lá no Mexico e tremi vendo o estranhamento deles ante a tela do computador e pensando, de novo, nas coisas que vêm por aí.
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Ficções nº 1
Ao ver o Carrefour despontar sentiu um arrepio subindo a espinha. A mão suada apertou mais forte o balaústre, os olhos se fecharam.
- Estação Giovanni Gronchi - a voz no alto falante.
Céus. Que "G". Que voz encorpada, que calor nas sílabas pronunciadas como quem pisca um olho, como quem morde um lábio.
Ele estava apaixonado pela locutora dos nomes das estações. Olhava as mulheres bonitas no trem apenas para imaginar se seu rosto combinava com a voz, mas preferia mesmo imaginar do nada, cabelo, queixo, olhar, narinas, orelha, altura, tez, cheiro, tônus, tudo. Estava totalmente tomado pela paixão, começou a chegar mais tarde em casa, já que ia até a última estação e na hora de sair não conseguia, permanecia ali, voltava o caminho inteiro, estremecendo a cada nova estação anunciada.
A situação já era insustentável. Alguma coisa teria que acontecer, porque a permanecer naquele pé ele enlouqueceria ou alguma tragédia ocorreria.
Mas isso foi até o dia 26 de março, quando completou treze anos e ganhou da mãe o playstation que havia pedido fazia seis meses. E só foi ligar pra essas coisas de amor outra vez anos mais tarde.
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Posted by marcol at 1:10 PM
abril 23, 2004
Antes que o MST invada
Antes que o MST invada este blog improdutivo (se é que eles ligam presse negócio de produtividade):
Determinismo
No entender de todo mundo é a oportunidade perfeita para Renato solidificar o reinado e cortar pela raiz a falação de que está amolecendo. Ele não tem alternativa: é certo que a manhã de sábado amanheceria pra encontrá-lo de pé no campinho do Germânia, a velha e infalível lâmina na mão e o sangue do Jota e do irmão dele escorrendo sem parar pelo areão.
Sabe, essa vida é amargosa, trabalhosa. Um homem precisa de tempo e vontade férrea pra saber o que seja respeito. Aí ele tem o que se convém chamar poder; gente que o teme, que o obedece, que quer agradá-lo. Seja num círculo pequeno, seja num grande, isso não tem preço.
Você há de, na sua pressa típica, rotular o círculo de Renato como pequeno, já que é gente parda da periferia que mata e morre todo santo dia, fala sua língua estranha e chafurda na sua lama sem fim. Daqui, contudo, de trás desse balcão de bar, onde as pessoas vêm comentar tudo o que acontece na adjacência, eu tenho que discordar. Na verdade, le garanto que Renato tem grande círculo de respeito, porque a gente que orbita em volta dele é muita, irmão, muita!
Custou o couro de seis homens. Seis homens. Quer dizer, pela mão dele, que pelas dos comparsas foi mais. Começou cedo, com quatorze foi o primeiro e nem se há de dizer que foi um pirralho, mas o Mutum, sujeito tinhoso que mais de uma vez me quebrou o bar em briga, ligeiro em sacar o berro e em passar a mão em mulher dos outros.
Agora tem seu domínio, coisa cara. Quanta gente você não vê no alto de suas fortalezas blindadas, com insulfilme e olhar aparvalhado, que jamais há de saber o que seja isso? Respeito? Temor?
E não só isso. Amor, também, que Renato é homem admirado, modelo pra muito guri que cresce sem referência nesse sarjetão. Daí porque o que Renato tem, le digo, não se joga fora de hora para outra, como quem cospe um bagaço de cana.
Por essas e outras que todos têm como certo que o sábado há de amanhecer para encontrar Renato dando curso ao seu destino, fazendo calar a boca de quem o desafia, confirmando a sua história ou morrendo por ela.
Euzébio diz que acha que não. Que Renato tem perdido tempo demais em leroleros com a menina crente. Água e óleo, ele diz, água e óleo. Seria o caso de o dito estar virando óleo também, pra poder se misturar.
Sei que eu agora olho para ele ali, sentado a uma de minhas mesas, comendo um palito de dente com o olho meio perdido na selva da favela e o que estará pensando?
Estará vendo a mãe, abominando o pai dele, que ele não conheceu. Estará vendo os dias de barriga vazia e a necessidade de estar com os que o desprezavam. Estará vendo as surras que levou naquele mesmo campinho, as pedras dadas e recebidas, a vida esgueirenta por entre os barracos, pulando as lajes, vendo a marcha de um mundo que o põe revel e calado, que não quer saber da sua voz. Estará vendo tudo o que o fez ser o que é.
- Ela quer casar na igreja, diz, sem saber que eu ouço enquanto seco um copo.
O sábado amanhece com falação. Jota e o irmão cospem no chão, agitam os braços e esbravejam.
Renato não apareceu.
Ao saberem que tomou a menina crente na noite e correu alguma estrada desse mundo todos dirão que se acovardou, que pensou aqueles dois coisa demais pra faca dele e que era o seu sangue quem perigava irrigar o campinho.
Mas eu, que sei, direi de trás do meu balcão apenas que Renato exorcizou seus fantasmas, mudou a escrita.
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The inspiral carpets
A solidão é igual em Manchester, Tokyo ou Nova York. Quem disse isso foram os caras do Inspiral Carpets, uma banda que mal apareceu, sumiu, tudo na primeira metade dos anos 90. Estavam na fervilhante cena de Manchester pós-Smiths, onde cada banda que emplacava uma música era saudada como os novos Smiths. Havia novos Smiths a cada semana, portanto. Para conseguir emplacar alguma música, os Inspiral Carpets aproveitaram um contato que tinham numa distribuidora de leite e estamparam publicidade de seu disco na caixinha de leite. Foi por isso que o símbolo da banda se tornou uma vaca com os olhos em espiral. A estratégia tanto deu certo como hoje um habitante da periferia duma grande cidade da América Latina tá falando deles.
Esta foto aí é uma raridade, eles dificilmente davam as caras e decerto não era estratégia de valorização da imagem, mas porque eram feios pra dedéu. O importante é que a sonoridade cultivada pela banda era muito interessante: órgãos fafisa em primeiro plano, voz (bastante boa) e guitarra em segundo, variações inusitadas de ritmo, enfim, recursos em abundância, longe muito longe da obviedade da música americana.
Os Inspiral Carpets gravaram ao menos um grande disco. Chamava-se The Beast Inside e foi dali que saiu Caravan, música que tocou relativamente bem por aqui. Mas há ali também canções interessantes como Please Be Cruel e Born Yesterday e belas canções como Niagara e Sleep Well Tonight. Esta última é uma das mais lindas que me lembro de haver ouvido, faz parte da trilha sonora do filme que nunca filmei, especialmente naquela cena da menina de longos cabelos loiros colocando a cabeça para fora da janela do carro que cruza uma estrada imensa no verde e claro interior de São Paulo.
Descobri que eles ainda existem, estão ativos, fazendo shows. Decerto descobriram que não levam jeito pra contadores ou massagistas. Confira aqui. E corra no kazaa pra buscar Sleep well tonight e Rain Song.
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Posted by marcol at 2:23 PM
abril 20, 2004
Survivor Os dois textos que
Survivor
Os dois textos que botei aqui na semana passada (História Triste e Alguma Coisa que Você Nunca Entendeu), eu confesso, eram coisa velha, tirada de um disquete quadradinho empoeirado. Tive de recorrer a ele porque foi uma das semanas mais entupidas da minha vida.
O leitor culto e sensível certamente há de conhecer a teoria dos dias de vazão e dias de entupimento, cunhada pelo brilhante sociólogo e encanador birmanês Greg Smithson. Sim, há os dias de vazão, em que nada ou pouca coisa ocorre, e os dias contrários, nos quais tudo, ou pouco menos que isso, acontece.
Sete audiências pelo Brasil afora, o chefe vindo da Argentina dar nabadas em portunhol, quatro reuniões importantes e a programação de sexta à noite e sábado o dia todo em minha igreja sob meu encargo resultaram em um vácuo mental ímpar, afora as seqüelas físicas (se você vir um mané de olheiras profundas e 1,91m andando na rua segurando um suportezinho pra soro injetado na veia, soy yo).
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Corpo Dourado
O título desta seção do poste é francamente oportunista. Esqueça o Corpo e concentre-se no Dourado. Em Autran Dourado, mais especificamente.
Atendendo à ótima indicação do blogueiro e guru Milton Ribeiro, aproveitei um tempinho livre lá em Porto Alegre e me embarafustei pelos bem organizados e riquíssimos corredores do Beco dos Livros, um sebo dos bons, como tantos outros que há na cosmopolita capital gaúcha.
Além de "O Urso com Música na Barriga", do Erico Verissimo, que eu queria para já começar uma biblioteca bem arranjada pro meu rebento, contei minhas moedinhas e vi que dava pra mais alguma coisa. Sabia que perderia o avião se ficasse escolhendo muito, por isso saltou-me às mãos "Solidão, Solitude", do já mencionado Autran Dourado.
Eu só havia lido "A barca dos homens", dele, livro que conseguiu o título de "excelente com louvor" em minha modesta apreciação. Sabia que a obra de Autran Dourado era extensa e me pareceu medida mais que salutar retomar a leitura dele por essa coletânea de contos arranjados em grupos de três, ligados por referências internas e temáticas abordadas.
O resultado é o deliciamento de respirar mais uma vez a riquíssima literatura brasileira do século XX enquanto o metrô me carrega por aí.
Autran Dourado tem um estilo impecável e retrata com maestria a melancolia tropical. Sim senhor, melancolia tropical.
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Já que eu fiquei devendo o Corpo...

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Posted by marcol at 9:15 AM
abril 16, 2004
Alguma coisa que você nunca
Alguma coisa que você nunca entendeu
Você não vai querer ler isto.
Histórias de velhos arrependidos existem aos borbotões por aí.
De qualquer forma escrevo, eis que cada um exorciza seus demônios dum jeito. Cada um dá um fim aos seus dejetos como melhor lhe parece. No fundo acho que entre outros tantos grupos há o dos que, pra se aliviar, escrevem, mas também o dos que lêem.
A menina é inteligente. Fica movendo aqueles olhinhos pretos brilhantes, aí fica disparando perguntas por entre os lábios vermelhos como de batom, num meio sorriso quase cínico. Tira tudo de mim. Tudo.
Pois é, ela vem aqui geralmente nas tardes de domingo. Entra sem cerimônia, pega uma maçã e senta na cadeira de balanço.
Minha aspereza não impressionou, ela parece se divertir. Se eu pergunto porque ela me visita ela dá de ombros e diz: "porque lá em casa tá muito chato". Eu ouço o barulho da televisão e concordo com ela.
Esta tarde estava perguntadeira como nunca. Me fez revirar toda a seqüência de nãos desta vida vã, sem piedade, sem um gesto de compadecimento sequer, o que me põe tonto, porque não entendo como essa absoluta ausência de hipocrisia, como essa curiosidade irrefreável podem ter tamanho efeito sobre mim.
"Tem alguma coisa que você nunca entendeu? Algo que te cause arrependimento?" largou de repente.
Aquela testa alta, os cabelos escuros caindo lisos pelos ombros, o raio do meio sorriso e a pergunta me fizeram chegar no colégio adventista em 54. Era uma tarde quente demais, a lousa estava cheia de rabiscos incompreensíveis e eu viajava na garupa de D'Artagnan, decerto. Ah, essa propensão à fantasia! Isso mata alguém.
De repente, o professor Gorski anunciou que o restante da aula seria dada ao ar livre, lá na "Praça da Bíblia", para satisfação geral da classe. Meninos pela escada dos meninos, meninas pela escada das meninas, todos encontraram-se na porta do prédio, falando pelos cotovelos. Eu não. Ia fechado, viajando na garupa de Dom Quixote, decerto.
- Fizeste o teste para o [coral] Carlos Gomes?
A voz quebrou a fantasia e só aí notei que ia ao lado de Eunice dos Reis. Ela apertava os olhinhos por causa do sol, mas o narizinho apontado para mim não deixava dúvidas de que falava era comigo mesmo.
Respondi que sim, mas que não esperava ser aprovado. Ela disse que o coral precisava de vozes bonitas. Sem entender o que ela queria dizer, concordei com um gesto de cabeça, secando as palmas das mãos nos bolsos da calça de tergal. Em seguida ela disse que às vezes conseguimos coisas que nos surpreendem. Imaginando que ela falava ainda do teste para o coral, observei que a concorrência era intensa. Ela sorriu.
Entende? Ela sorriu.
Uma colega se aproximou e começou a conversar com ela e eu voltei pra mim, mas não mais para Dom Quixote, D'Artagnan nem capa e espada nenhuma. A gente chegou na praça da Bíblia. Hora de sentar em roda no gramado. Eunice me lançou um olhar, eu fiquei todo embaraçado. Sem saber o que fazer, temendo cometer alguma estupidez e passar vergonha, passei por ela e fui sentar ao lado de uns colegas.
"Tem alguma coisa que você nunca entendeu?" Entre outras tantas, minha querida vizinha, tem aquele olhar de Eunice dos Reis, no meio duma tarde modorrenta. Só que isso eu jamais vou te contar.
Bom, eu avisei que você não ia querer ler isto. Mesmo assim, você insistiu. O mundo está abarrotado de histórias de velhos arrependidos. E está já bastante cheio também de histórias de velhos que encontram nos seus últimos dias pessoas idênticas aos seus respectivos grandes amores, e se perturbam feito crianças.
Tem horas que eu não entendo o olhar dessa menina, a minha vizinha.
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Posted by marcol at 2:20 PM
abril 8, 2004
She Amanhã, dia 09, parto
She
Amanhã, dia 09, parto com a patroa e o rebento para conhecer o latifúndio que o sogro do Helio tem no Paraná. Como sei que ele vai reclamar e dizer que não é do sogro, que o sogro é só um sócio, ok, vá lá, já tá retificado.
É assim, portanto, que respirando um ar distinto do que por aqui se respira (São Paulo. O único lugar em que você vê o ar que respira!) pretendemos comemorar 4 (cuatro) anos de casamento.
A propósito, a diferença de agora para exatos 20 anos atrás é que então eu não sabia que não ser feliz era uma possibilidade. A diferença de agora para exatos 10 anos atrás é que então eu temia que pudesse não ser plenamente feliz. A diferença de agora para 5 anos atrás é que então eu temia que a felicidade que se afigurava poderia desfazer-se como tudo o mais parecia desfazer-se, sumir no ar, obedecer tragicamente à lei da entropia. É que agora eu sei que vou ser feliz.
Tudo culpa dela.
Aos quatro anos de casado, portanto, só peço a Deus que daqui a 5 anos, daqui a 10 anos, daqui a 20 anos e sempre não mude mais nada nesse campo aí.
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Cordeirinho da Páscoa o que trazes pra mim?
A primeira páscoa foi comida (ou comemorada, como queira), nos últimos instantes do cativeiro de 400 anos que a recém-nata nação israelense sofreu nos domínios egípcios. Moisés pediu para que o Faraó liberasse o povo para ir adorar ao seu Deus no deserto e o Faraó disse não! Seguiu-se uma espantosa série de nove pragas, nove tragédias sobrenaturais que serviram para dar uma idéia clara do tipo de Deus com o qual o Faraó estava se metendo, ou seja, o Deus Todo Poderoso. Ainda assim, ele sacudiu a cabeça e disse: não!
Moisés falou, então, que a última praga que cairia sobre toda a terra do Egito seria a mais terrível, e custaria a vida de todo primogênito, fosse de animal fosse de pessoas.
Muita gente ao longo da história julgou a Deus como cruel e sanguinário por essa decisão, mas o relato bíblico responde dizendo que Deus, como Criador do Universo, não Se deixar escarnecer. E o Faraó está fazendo exatamente isso. Ademais, esse decreto não era absoluto: havia uma forma relativamente simples de evitar as conseqüências funestas do decreto: bastaria no dia dez daquele mês de habib separar um cordeiro macho, sem mancha alguma e sem defeito nenhum.
No dia quatorze, esse cordeiro deveria ser morto. Então o sangue dele seria colocado nos batentes da porta da casa. Na noite desse dia, após ter feito essas coisas, eles deviam assentar-se à mesa vestidos como se tivessem de sair correndo, e comerem com pressa o cordeiro assado, com pães sem fermento e ervas amargas.
O êxodo do povo de Israel do Egito que aconteceu naquela noite é identificado com um símbolo de nossa libertação do pecado. Assim como o povo de Israel foi liberto do cativeiro, nós somos libertos da prisão de nossas paixões e instintos. O pecado jogou sobre toda a raça humana uma sentença de morte e o sacrifício do cordeiro de Deus, Jesus Cristo, permite que sejamos salvos da morte certa assim como o cordeiro salvou o primogênito de cada casa que observou o ritual naquela noite no Egito. É assim que nos liberta da escravidão do pecado, das tendências e dos hábitos que temos e que conspiram para a nossa destruição.
Agora é Páscoa mais uma vez. Hora de lembrar dessa libertação. Hora de comemorar a libertação. Mas atenção! Apenas matar um cordeiro não adiantava de nada para as famílias do povo de Israel. Era preciso fixar o sangue desse cordeiro na porta da frente da casa, de modo que o anjo de Deus, passando, visse o sinal e não entrasse naquela casa, trazendo dor e pranto, executando o juízo do decreto que fora baixado pelo Rei do Universo.
O fato de que Jesus Cristo foi morto há coisa de 2000 anos, e de que Seu sangue inocente foi covardemente derramado sobre essa terra inglória não adianta de nada se você não faz dele uma aplicação pessoal, se você não toma esse sangue nas tuas mãos e o fixa nos batentes da porta da frente do teu coração. É preciso que esteja patente. É preciso que ninguém tenha duvida quanto a você obedecer ou não a esse Deus da vida, por estranhas que pareçam Suas ordens! É preciso que você decida aceitar o livramento.
Ao comer Sua última páscoa nesse mundo, Cristo indicou o caminho para isso, mostrando que esse ato se dá quando deixamos que o sangue dEle corra simbolicamente em nossas veias, e que Seu corpo, simbolicamente, seja parte de nosso próprio corpo. Ele disse que está esperando ardentemente até o dia mais feliz da historia do Universo, quando todos nós poderemos estar comendo uma outra páscoa com Ele, no paraíso onde Ele está agora, em comemoração pelo livramento final de tudo o que nos aflige. Ele espera por mim, com a mesa pronta, os braços abertos, os olhos, úmidos de lágrimas, suplicantes para que eu aceite a libertação.
Boa Páscoa para nós! Boas decisões... Porque, não nos enganemos, nós temos de tomá-las. Todos temos.
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Posted by marcol at 5:07 PM
Alguns minutos antes, no saloon
Alguns minutos antes, no saloon de Jack Cabeça de Jabuti
Jimmy Mãos de Borboleta tocava uma melancólica interpretação de "The cry of my aching painful and harmful sadness". Rosa, a Rumorosa, que ao ouvir essa música sempre lembrava de seu cãozinho Abraham, atropelado por um trenó no inverno de 54, chorava copiosamente assoando-se com a ponta da saia. Em outros momentos a visão das suas anáguas aparecendo encheria de alegria ao xerife Bill "Murros" Wilkinson, mas ele suspirava e entornava um fogo paulista atrás do outro, decerto recordando o tempo em que era uma simples e inocente criança que se divertia matando índios com a espingarda de papai.
Talvez influenciado pelo clima reinante, Paco, o cucaracha, deixava as lágrimas escorrerem enquanto espetava um enorme facão por entre os dedos da mão espalmada sobre a mesa.
Ora, aquele estado de coisas oprimia profundamente ao pequeno Juanito Manos Leves. Ele passou um bom tempo meditando em algo para falar que mudasse o ambiente e recolocasse a alegria na ordem do dia. Súbito, teve uma iluminação. Saltou de sobre a mesa onde estava assentado, limpou a garganta, estufou o peito e bradou:
- Luís Fabiano!
Imediatamente todos levantaram-se e começaram a dançar "The party of the unlimited joy" que Jimmy Mãos de Borboleta passou a martelar. O xerife sacou a arma e começou a dar tiros para o alto, Paco, o Cucaracha, passou a executar a coreografia de Footloose - directors cut - enquanto Rosa, a Rumorosa, sambava levantando as saias até a metade das coxas. E ouviram-se gritos de gozo e contentamento por muitas e muitas horas.
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Posted by marcol at 8:59 AM
abril 7, 2004
Histórico Quando Nizan Guanaes subiu
Histórico
Quando Nizan Guanaes subiu ao planalto, em 2007, houve início a chamada "Era da Imagem". Sua primeira medida foi pressionar para o projeto que tratava da fidelidade partidária ser engavetado. Em seguida a legislação sobre publicidade foi alterada e só então passamos a encontrar anúncios de empreendimentos imobiliários no asfalto das ruas, de relógios nos semáforos, de planos de saúde no envelope de intimação de multas de trânsito. O fenômeno se espraiou e passamos a achar publicidade de eletrônicos na parte de baixo da tampa da margarina, de remédio pra azia dentro da caixa de papelão do aparelho de som, de cerveja no teto do ônibus. A CPI para investigação de escândalos na utilização da esquadrilha da fumaça para escrever "Nestlé" no céu de Brasília em pleno desfile de 7 de setembro acabou arquivada com o lacônico despacho do relator: "o que importa não é se o governo é corrupto, mas que ele de fato parece não ser". Artigos que tratavam de publicidade e propaganda enganosas foram suprimidos do Código de Defesa do Consumidor e as famílias das vítimas da estrada São Paulo-Manaus, que tinha o bordão promocional "Segurança em primeiro lugar" e cuja campanha alardeava haver um posto de serviço e socorro a cada dez quilômetros ficaram sem ter como processar o governo ao perceberem que seus queridos morreram porque a estrada tinha curvas mortíferas e um posto de serviço e socorro a cada 1.000 quilômetros. O "leve-leite" foi substituído pelo "Faça plástica". Mas tudo isso já faz muito tempo.
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Renato Russo do além
Eu dirigia do Guarujá para Bertioga, ontem, e a chuva caía torrencialmente. Decidi tentar achar alguma estação de rádio que pegasse por aquele mundão, e tive a grata surpresa de achar uma musiquinha da Legião Urbana tocando no 103,7 em altíssimo e bom som, sem qualquer estática ou interferência.
A surpresa aumentou ao eu notar que não se tratava de uma música apenas, mas de todo o CD Descobrimento do Brasil, por sinal, o meu predileto da banda. Faixa por faixa, sem qualquer interrupção, sem qualquer blábláblá, sem explicação alguma, o CD foi tocando e eu fui ouvindo as musiquinhas que há tempos não ouvia esperando que a cada curva o sinal fosse sumir. Não sumiu.
Foi bem no meio da faixa-título, por sinal a minha predileta, que o som desapareceu. No lugar, apenas silêncio, nada de estática. Silêncio puro mesmo. Foi depois dos versos: quem está sempre ao teu lado? E quem pra sempre está? Quem pra sempre estará?
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Lembrança
Isso me fez lembrar dum filme francês que vi numa noite insone de sábado, sintonizando a TV Cultura. Era uma película cabeça em branco e preto; mostrava um cara que em plena segunda guerra mundial recebia enigmáticas mensagens pelo rádio. Ele tentava entender o significado daqueles símbolos todos, e enquanto mergulhava obsessivamente nas estranhas transmissões, coisas sobrenaturais começavam a acontecer ao seu redor.
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Não havia, contudo, qualquer mensagem do além no Descobrimento do Brasil e tampouco coisas sobrenaturais começaram a acontecer ao meu redor. A menos que o maravilhoso falafell no pão sírio que eu tracei em Riviera de São Lourenço seja, como desconfiei, algo de outro mundo. A menos, também, que minha chegada em casa, são e salvo, depois de experimentar o dilúvio sobre a cabeça, seja algo sobrenatural. Como bem pode ser.
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Posted by marcol at 2:10 PM
abril 5, 2004
Não existe pecado ao sul
Não existe pecado ao sul do Equador
Certa vez ouvi uma palestra de um biólogo americano graúdo. Não me pergunte o que eu, advogado que ao ouvir o nome Mendell só consegue lembrar de ervilhas e abecedário, sem muita conexão um com o outro, fazia no auditório. Lá pelas tantas o palestrante saiu com a seguinte idéia: uma das crises do pensamento evolucionista é o de que, colocando os conflitos todos no campo dos instintos, a moral se torna absolutamente desnecessária. Se eu parto do pressuposto de que sou fruto de uma extensa cadeia evolutiva calcada primeiramente no acaso, e segundamente na força, por que raios eu precisaria me preocupar com valores abstratos? Se não há nada acima de mim, um ser superior, me ditando regras naturais de ordem moral, então por que eu deveria me abster de fazer aquilo que me favorece? A idéia de "contrato social" num ambiente de sobrevivência do mais forte, consciente de que se é fruto desse estado de coisas, parece realmente absurda.
O quase desconhecido filme "Minhas idéias assassinas" mostra o Michael Caine chegando a essa conclusão singela. Sua esposa chata, o chefe que o boicota e até, mais tarde, o amigo melhor posicionado na escala de promoções da empresa sofrem as conseqüências.
O Fantástico de ontem exibiu uma matéria sobre assassinos incapazes da menor sombra de remorso e à luz do raciocínio desenvolvido pelo tal biólogo não deveríamos ficar chocados. É lógica fria.
Daí porque o brilhantismo de Goethe resumir: somos moldados por aquilo que amamos. Se não há nada acima de nós mesmos para amarmos, as conveniências nos moldam. Nossos deuses têm nossas fraquezas, não há elevados padrões a perseguir, ética se torna uma quase impossibilidade e apenas o medo mantém o que chamamos civilização dentro dos limites aceitáveis.
Tenho cá pra mim que medo é um dique muito frágil.
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Pois é, segunda-feira de pensamentos bem distantes de Salloon de Jack Cabeça de Jabuti. Sorry, Jonas.
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Lindinhos, fofinhos e cutecutes todos vocês que deixaram comentários congratulando-nos (a nós, os 1246 colaboradores de É por aqui que vai pra lá? Inc.) pelas dez mil visitas. Tentei responder a cada um aí no negócio de comentários.
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Fazia um bom tempo que uma partida de futebol não me dava tanto prazer. Não apenas pelo resultado, mas principalmente pelas reviravoltas do jogo, Palmeiras e Paulista foram um belo deleite vespertino. O empate no último instante levando a porcaiada aos pênaltis, a vantagem deles nas cobranças, o goleiro de Jundiaí crescendo no último instante, os erros fatais, a explosão do Zetti. Catzo, isso foi muito bom!
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Posted by marcol at 1:41 PM
abril 1, 2004
10.000 visitas. Por parível que
10.000 visitas. Por parível que encreça
A marca cabalística das 10.000 visitas foi atingida no exato instante profetizado pelo vidente da ilha Solitária. Sim, em 1657, um caolho de trinta e seis anos que ganhava a vida consertando telhados na Ilha Solitária, nas Bermudas, teve uma visão enquanto abotoava a camisa, e disse: no dia 1º de abril de 2004, às 14h08, a luz guia da modéstia humana alcançará seu quinhão supremo. Dez mil, sim, dez mil e não 9.999, tampouco 10.001 será o sinete do bom vento.
Infelizmente não havia ninguém por perto para ouvir o que o caolho disse e, como ele morreu dezesseis minutos depois, de trombose bilateral inguinal protopédica, vocês não vão acreditar em mim. Profetizado ou não, toda a equipe de É por aqui que vai pra lá?, que conta com 129 colaboradores entre jornalistas, pintores, overloquistas, iluminadores, cabo-men, depiladores, transformistas, imitadores do Tiririca e pilotos de aeromodelismo congratula-se com a marca atingida e brinda a ela no melhor estilo da casa. Biscoitudas, muitas biscoitudas.
Na verdade, um time de biscoitudas francesas, a saber: La Deneuve, La Bardot, La Beart e La Jacob.
Para o público feminino não ter faniquitos, vai aí um biscoitudo e tanto, na linha dantes palmilhada pelo preclaro Helio Serafino: o performático Higuita.
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Posted by marcol at 4:38 PM