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março 19, 2004
Zeca Pagodinho: traíra ou boi
Zeca Pagodinho: traíra ou boi de piranha?
Sim, sim, sim, três vezes sim. O assunto do momento é o imbróglio ético-moral protagonizado por Zeca Pagodinho na briga das cervejas. Todos já se pronunciaram e também eu quero tecer profundas considerações a respeito, mas permitam-me fazê-lo através de uma metáfora:
Breve e rasteira metáfora sobre a ética da fidelidade e o ensobreamento do caráter humano à luz de postulados e axiomas emoldurados pela cultura ocidental cristã a níve de sei lá
Pirulitino era um velho palhaço cansado de sua profissão. O riso das crianças e dos adultos obesos - que em cada vez menor número acorriam aos espetáculos do circo - não mais o satisfaziam. Ele queria fazer algo verdadeiramente grande, que insculpisse seu nome na História. Estava cheio de fazer o mesmo número havia 36 anos.
Um dia, após um espetáculo muito triste, enquanto tirava a maquiagem em seu camarim, Pirulitino teve uma vontade irresistível de sair pelas ruas sem destino. Do jeito que estava, meio maquiado e meio sem, com a roupa de palhaço, saiu às ruas e foi andando.
Cerca de uma hora depois, sem que qualquer pessoa sequer o notasse, saltou à sua frente uma menina de uns oito anos e lhe disse:
- Matusalém viveu 969 anos.
Pirulitino entendeu que aquilo era um recado do além e saiu meditando em tudo. Aí passou um Dodge 69 e o atropelou.
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Eu vi capivaras
O detalhe mais curioso: na margem do Pinheiros. Fiquei ali, na estação de trem da Berrini, admirando longamente aquela cena surreal. Cheguei em casa todo empolgado e contei pra patroa.
- O que? Você nunca tinha visto? Eu sempre vejo.
Me senti traído.
Aí passei anteontem na estação Berrini e vi um cara embasbacado na escadaria.
- Capivaras!
- Claro, elas estão sempre aí nesse canto - eu disse, me sentindo um canalha.
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Lugar de gente feliz
Eu trabalhei no grupo Pão de Açúcar. É uma empresa muito grande, não dá pra asseverar que a impressão que tive se aplica a toda ela, mas a impressão que persiste é que é um lugar rabugento. As confraternizações eram meras formalidades e o pessoal da cúpula tinha jeito de odiar pessoas que sorriam e diziam bom dia. Ficávamos imaginando o que se passava em suas mentes: "grrrrrrr, gente feliz, bons sentimentos, que coisas horrível, isso me dá asco!"
Meu velho colega que está por lá ainda acaba de me relatar um diálogo sintomático que ouviu num restaurante ali nas redondezas da Brigadeiro Luiz Antonio, entre, claro, "gente feliz" com o crachá da empresa pendurado:
- E o Fulano? Pô, o cara é tão legal que dá até raiva!
- É verdade, não aguento. Toda vez que ele passa ele cumprimenta!
- Coisa mais chata, o cara é todo educadinho, vive sorrindo!
- Só.
E eu digo: só.
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Posted by marcol at março 19, 2004 12:06 PM