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março 22, 2004
Vivo não mais eu Ele
Vivo não mais eu
Ele ia distraído, como sempre, tropeçando a cada falha da calçada, mas a queda do homem maltrapilho da bicicleta sobre a qual levava umas latinhas para reciclagem não dava pra ignorar. O homem caiu no meio da rua e começou a convulsionar.
Mais tarde admirou-se um pouco de haver cruzado a rua na sua direção sem sequer pestanejar e de, vendo a boca espumante emoldurada pela barba desgrenhada e suja, sequer hesitar antes de introduzir a própria mão para evitar que ele mordesse a língua e viesse a sufocar. Admirou-se da calma ao colocar a cabeça daquele estranho no próprio colo, segurando-o até a convulsão terminar. Admirou-se de não notar a presença daquelas pessoas em volta, da distância repugnada, da forma como não desviou os olhos da face daquele homem de outra raça, de outro mundo, com uma pena avassaladora.
Mas não admirou-se quando o homem do bar negou-lhe entrada para lavar a mão.
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Tô fofo, tô fofo!
O poste sobre paternidade, alguns centímetros aí abaixo, foi, pra grande honra minha, publicado no Jornaleco. A Mécia só pediu pra eu dar-lhe uma engordada, e confirmou-se o que eu já dizia no próprio texto: ao repassar o que havia escrito para acrescentar novas sensações e impressões, senti os olhos marejarem. Enfim, foi-se completamente a minha frialdade glacial de macho (no mau sentido, claro). Ficou algo melhor.
Confiram a ótima ilustração que o Maurício Berni fez pra abrilhantar meu texto mas reparem que a idéia de paternidade dele é um tanto menos poética que a minha.
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Como começar uma semana meio deprê
Tome seu desjejum assistindo ao jornal local e repare que todas (eu disse TODAS) notícias são tristes e revoltantes, começando com o último acidente nas estradas e terminando pelos resultados da rodada do futebol.
Só mesmo adotando a filosofia "shit happens" pra levar esse rojão.
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Posted by marcol at março 22, 2004 1:03 PM