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março 30, 2004

Mais Haroldos Maranhão A belíssima

Mais Haroldos Maranhão

A belíssima Meg, dona e senhora do SubRosa e principal agitadora do Concurso de Narrativas Curtas Haroldo Maranhão, cometeu a fofice de me mandar os dois textos que eu havia remetido ao concurso e que não haviam sido premiados, já que eu, antamente, não os havia guardado. Mais que isso, ela pediu para sua amiga Magaly dar uma criticada nos ditos, o que foi feito com muita graça, sensibilidade e sobretudo misericórdia.

Tão aí, Helio Serafino. Foi você quem instou para que eu fosse atrás desses filhos desgarrados.

Não há de ser nada

Adriano suspirava fundo olhando os pingos que a chuva pintava na vidraça. A mente fixa na caixa que dali via, a uns dez metros.
- Vai estudar, moleque - a mãe dizia, ele não ouvia.
Num salto abriu a porta e saiu, sem sentir a chuva, andou e dizia de si pra si:
- Quarta-feira, 25, é mesmo o melhor dia pra se receber uma carta da Regina.
Alcançou o carcereiro de sua atenção, a caixa do correio, abriu a portinhola, olhou em baixo, abaixou pra olhar em cima, dos lados, nada. Tornou à casa, onde, pingando, ante o intrigado olhar da mãe, pensou:
- A quinta-feira 26 sim, é o dia ideal pra se receber uma carta da Regina!

La bella luna

De repente se viu no quarto em que ela, ninguém menos que ELA dormia. O racional: sair correndo. O que fez: chegou perto - respirando sua respiração, sentindo um perfume que estava na sua cabeça, sorvendo sua aura toda - perto, muito perto, e tão perto que sem perceber estava ali, beijando seus lábios entreabertos e sonhando sonhos inefáveis.
Mas entreabertos também estavam os olhos dela, percebeu com horror. Tropeçou desastradamente para fora e foi se enfiar na cama.
No café-da-manhã do dia seguinte, à fila do bandejão, ela olhou pra ele, abriu a boca pra falar alguma coisa e ele, mais que depressa, fingiu ter esquecido alguma coisa e saiu correndo. Ela resmungou pra amiga: eu ia dizer que sonhei com esse garoto essa noite. Que coisa.

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Comentários da Magaly:

Não há de ser nada

Esta é também uma deliciosa mostra do talento de Marco Aurélio. Ele capta a ansiedade natural do adolescente em suas primeiras incursões amorosas e constrói um quadro cênico,
onde a alma expectante se aliena da realidade, age inusitadamente e termina por fazer da frustração uma esperança para uma ocasião futura, no caso, o dia vindouro.

La bella luna

Outra experiência de jovem, com tempero diferente:
receio / indecisão X atração / pulsão, transformando-se no ditame: comedimento - uso do racional X cometimento - apelo à audácia.
A graça toda reside no fato de a garota, em sua sonolência, ter confundido com sonho a afoiteza do agora arredio colega de alojamento.


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Posted by marcol at março 30, 2004 5:16 PM