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março 2, 2004

Mais discursos E, por falar

Mais discursos

E, por falar em discursos de agradecimento pelo Oscar, nem precisei assistir à cerimônia toda para eleger o melhor da noite: o do diretor de Procurando Nemo, que depois de agradecer um povo disse que precisava agradecer de forma toda especial a sua esposa, e falou algo mais ou menos assim: "Eu escrevi no seu caderno da 8ª série que te amava, mas agora quero te dizer isso na frente de um bilhão de pessoas: eu te amo!" A câmera pegou a dita cuja, um gorduchinha simpática, se derretendo toda, escondendo o rosto com a mão enquanto ria e chorava.

Nós, homens casados que amam suas esposas, não conseguimos deixar de vibrar com algo assim.

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Murphy

Enquanto tentava encaixar a lente de meu óculos de sol, que queria descolar, escorregar e espatifar-se ao chão, eu encontrei uma das aplicações mais exatas à Lei de Murphy: a durabilidade de um óculos de sol é inversamente proporcional ao tanto de dinheiro que ele te custou.

Esse Murphy, desde que virou o Robocop, é um ser amargo e desiludido, mesmo.

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Mini-conto de terror

Foi à meia-noite daquele dia de frio intenso que o pequeno Nicolau teve a visão mais apavorante de toda sua vida. Levantou-se da cama dar uma mijada e começou o trajeto não sem algum ressabio. O maldito galho da árvore batia na janela e a escuridão do corredor era espêssa e soturnamente ruidosa. Cuidadosamente tentou guiar-se até o banheiro, mas estava naquela casa havia poucas horas e ainda não a conhecia bem. Maldita, maldita a hora em que seus pais decidiram visitar os estranhos parentes de Ouro Preto. Viu uma fraca luminosidade à esquerda e calculou que pudesse ser o banheiro. Afastou a porta, que rangeu alto, e foi aí que todos os cabelos de seu corpo arrepiaram-se e ele quase caiu desfalecido pelo susto. O que o pequeno Nicolau teria visto?

Eu lhes conto: viu sua tia sessentona e solteirona só de calcinha, depilando a perna com uma gilete azul escura. Foi isso o que ele viu e desde então não consegue deixar de ter pesadelos.


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Posted by marcol at março 2, 2004 2:23 PM