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março 12, 2004

Haha? Ontem viajei, passei o

Haha?

Ontem viajei, passei o dia desplugado. Logo, eu não poderia haver postado o mais brilhante poste que já visitou esta modesta casa, as quatro letras: "haha". Imaginem, pois, minha surpresa ao acessar hoje a paradinha e dar de cara com a tal espirituosa e brilhante intervenção. Corri no blogger para alterar minha senha e descubro pasmo que não há um link para isso. Pelo menos não facilmente localizável, e olha que fucei. Agora entro aqui nos postes do É por aqui que vai pra lá? e vejo que o "haha" não está entre os meus postes. Em suma, alguém, de fora, botou esse negócio aqui, e eu não consigo sequer editar. Ao menos notei que, ao publicar este poste de hoje, o "haha" desapareceu, e com ele os comentários do Hélio e da Pats, que lá estavam. Mistério um tanto quanto assustador.

Se eu começar a postar coisas estúpidas, creditem ao fantasma, ora pois.

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Breve incursão ao coração da massa falida

O táxi me deixou na Rua da Relação, centro velho do Rio de Janeiro. O número da delegacia de repressão aos crimes de informática, meu destino, batia com o de um prédio muito antigo. Tive uma impressão fúnebre adentrando ali. O prédio é da época do império e o estado de absoluto abandono servia para reforçar a sensação estranha, misto de medo com repulsa. O elevador era daqueles tipo gaiola, que você abre uma cerquinha com a mão mesmo. Não foi sem algum receio que entrei nele, o chão estava afundado, ele não inspirava lá muita segurança. Procurei o botão oito, já que ia ao oitavo andar, mas só havia três.

Tornei a abrir a cerquinha e comecei a perambular pelo lugar onde não se via viv'alma. Percebi que o prédio era quadrado e tinha um pátio bem no meio. Andando por ali ouvi vozes e enfim achei uns tipos manipulando umas pastas de inquéritos policiais. Disse onde queria ir aí então me explicaram que ficava no "prédio novo", atrás daquele.

O "prédio novo" devia ter uns 30 anos, calculei. Passei por uma barafunda de reportéres televisivos (não descobri o que acontecia) e por um cidadão vestido com uma camiseta do corinthians e uma calça vermelha berrando para um interlocutor invisível, dentro do prédio, que ia matar alguém ainda e coisas assim. Parei na fila do elevador. Quando ele abriu, os que estavam atrás de mim correram e entraram na minha frente, na maior cara de pau. Entrei no elevador de serviço mais sujo que já vi e quase não consegui descer no oitavo andar, porque em frente à porta do elevador havia algumas pilhas de uns livros de registro antiquíssimos. Enquanto saltava como podia, imaginava Floriano Peixoto, Café Filho e outras figuras obscuras de nossa história manuseando aquelas coisas.

A delegacia era minúscula, o forro descascado, o carpete descolando, uns poucos gatos pingados batendo em máquinas de escrever Olivetti e menos ainda à frente de computadores. Os funcionários pareciam não ligar para a falta de estrutura, ao contrário, deram-me um atendimento excelente, mas ficou aquele senso de estranhamento quanto ao tipo de país em que vivo. Uma das maiores cargas tributárias do mundo redunda nisso.

A delegada me explicou que o prédio onde eu havia adentrado antes era onde havia funcionado o DOPS do Rio. Não estranhei. Também o DOPS de São Paulo, onde o fascínora delegado Sérgio Paranhos Fleury montou sua escolinha de tortura e homicídios, é um prédio antigo, com os degraus de mármore comidos, as paredes parece que a ponto de cair, e também adentrando lá a gente tem uma sensação esquisita, como se a violência ali perpetrada não houvesse conseguido desgrudar do concreto, impregnando o ar.

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Já que o papo hoje é melancólico...

Lágrimas por Madrid. Lágrimas pela humanidade. Perdoa-lhes Pai, porque não sabem o que fazem.
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Posted by marcol at março 12, 2004 9:40 AM