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março 5, 2004

Há muita coisa podre no

Há muita coisa podre no reino da Dinamarca

Você acha que já viu tudo que a televisão pode fazer? Então que tal chamar uns caras perturbados como os do Dogma 5 para dirigirem uma série dando-lhes carta branca para roteiro e técnicas de filmagem?

Morten Arnfred e Lars Von Trier (de Dançando no Escuro e Dogville) assinam Riget, aquilo que deveria ser só uma série televisiva sobre o dia-a-dia de um hospital. Mas esses caras gostam de qualquer coisa, menos do convencional. Riget significa "o reino", e é o nome do tal hospital, construído pouco antes da primeira guerra para ser o melhor do reino da Dinamarca. É um lugar labiríntico e sombrio, no qual as mais esquisitas histórias acontecem ao mesmo tempo.

A enfermeira grávida de três meses que aborta um homem adulto de feições monstruosas, os pacientes que ouvem gritos durante a noite, um bonde cheio de fantasmas que anda pelos corredores infindáveis na noite do hospital e tudo filmado do jeito claustrofóbico e vertiginoso desses dinamarqueses malucos.

As histórias se cruzam mas não se explicam. Os episódios sempre acabavam com o entrelaçamento dos enredos, mas isso não serve para apaziguar o telespectador amargurado. Você fica sem saber porque acontece o que acontece, as pessoas parecem não se importar umas com as outras, quando parece que o enredo vai ter um defecho e ficar claro acontece o oposto e você acaba mais confuso do que começou.

A série resvala no tragicômico, na comédia light, no terror mais horripilante e no drama realista, tudo num único episódio. Tudo ao mesmo tempo. Uma das experiências mais criativas da telinha, tornou-se cult mundo afora e arrebanha fãs aos borbotões.

Ouvi falar nisso hoje e me peguei imaginando uma coisa assim na TV brasileira. Aí parei e pensei: não, isso sim é que é surreal.


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Posted by marcol at março 5, 2004 2:48 PM