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março 16, 2004
Breve tratado sobre o mitologia
Breve tratado sobre o mitologia capônica
Após dezoito anos de ingentes pesquisas, consegui traçar aqui um esboço do panteão capônico. Alguns afirmam que o próprio Capão Redondo não existe senão na imaginação doentia de uns desvairados; prefeitos de São Paulo, por exemplo, afirmam que o lugar não passa de fábula. Realidade ou não, contudo, logramos listar alguns dos principais deuses do Capão:
Meus
O panteão capônico é encimado por Meus, o deus egoísta. Ele habita no monte, digo, no morro tOlimpo, onde pra subir você tem que garantir que tá limpo, ou seja, que não está armado. Ninguém jamais vê Meus, só se ouve os sons que emite, geralmente de madrugada. É dele aquele trovejar que soa rotundo na madrugada e que alguns confundem com rojões. Esse trovejar indica que Meus quer distribuir muitas de suas graças, chamadas baguios, aos de boa vontade, digo, aos de bom saldo bancário. Meus é muito temperamental e irascível, mas não se mete com os mortais, desde que eles não entrem no caminho dele.
Merdusa
A deusa do Espanto. Seu cabelo jamais viu pente ou algo que o valha e mais parece uma porção de serpentes espetadas. Suas carnes flácidas distribuem-se saltando para fora das calças e da camiseta do Maluf que jamais tirou. As pessoas evitam olhá-la de frente por razões óbvias. Reza a lenda que Balaco, o deus da cachaça, ousou encará-la em um momento etílicamente alto e ficou petrificado. Mentira, na verdade ele desenvolveu foi só pedras nos rins. Mesmo assim, o povo evita encarar Merdusa, a deusa mocréia e banguela.
Prometeu
O deus da política. Ele aparece de quatro em quatro anos apenas, gesticulando muito e dizendo que vai asfaltar as ruas que faltam, canalizar os córregos e consertar o asfalto.
Frô Dite
A deusa biscoituda. Sempre com calças uns seis números menor, marcas de calcinha enterrada à mostra, top deixando costas e umbigo ao ar livre, unhas e boca vermelhas, Frô Dite exerce poder diametralmente oposto ao de Merdusa, atraindo olhares e provocando acidentes; de fato, quem a encara não fica petrificado, mas derretido. Os adoradores de Balaco são os que mais sofrem com a passagem de Frô Dite em frente ao seu templo, e quando a vêem proferem seus mantras de duplo sentido.
Zícaro
O deus mirim que queria ser aviãozinho, mas acabou caindo na vala comum.
Pragod
O deus do samba. Ele reina soberano nas noites de sexta-feira e sábado, e às vezes até mesmo em outras noites, fazendo com que os mortais permaneçam acordados e vigilantes. Anda sempre com o deus Balaco e é freqüente convidar o deus Quebrapau.
Conhece algum outro? Dizaí.
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Posted by marcol at março 16, 2004 4:49 PM