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fevereiro 4, 2004

Livros essenciais: Ana Karenina, de

Livros essenciais: Ana Karenina, de Leon Tolstoi

Um de meus livros prediletos é Ana Karenina, do brilhante russo Liev Tolstói. Eu o li quanto tinha apenas 15 anos mas a impressão profunda que me causou jamais esvaneceu. É um tijolão de cerca de 600 páginas que começa com uma citação de Deuteronômio 32:35, que diz: ¿Minha é a vingança e a recompensa¿.

A personagem título, Ana Karenina, fez uma viagem a Moscou a fim de tentar salvar o casamento de seu irmão, que estava em crise. Conseguiu, mas acabou pondo a perder o seu próprio, apaixonando-se perdidamente por um aristocrático militar por quem larga marido e o filho pequeno. Ambos vão viver no exterior sua intensa paixão, embora mesmo no auge dela um quê de melancolia envolva o casal.

Quando a ¿química¿ da atração de dilui, contudo, o relacionamento deteriora e com isso o desespero de Ana Karenina pelo aparentemente inevitável final de sua aventura toma conta dela. O rompimento vem e Ana acaba atirando-se à frente de um trem. Vingança divina?

O que seria o fim do livro não é, contudo. Continuamos acompanhando o desfecho da história de outro personagem, Lievin, um rico e jovem proprietário de terras rurais que vive às voltas com problemas de conflitos de classe com seus lavradores e também, principalmente, com questionamentos existenciais profundos. Nós assistimos quando ele começa a apaixonar-se pela simpática e cheia de vida Kitty, vemos aliviados que após uma série de reviravoltas eles acabam casando-se e aí sim estamos prontos para o ¿the end¿, certos de que a mensagem do livro seria algo como: a pecadora teve de Deus a vingança e o homem honesto teve a recompensa.

Mas ainda não é o final. Vemos Lievin muito feliz no casamento, mas sentindo todos os questionamentos e dúvidas voltarem à tona e tirarem-lhe o sossego. Até que um dia, participando da colheita em seus campos, um velho mujique expressa em termos muito singelos sua fé simples em Deus, sua confiança de que Ele cuidaria da saúde de sua adoentada esposa, e aquilo serve como um ¿clique¿ na cabeça de Lievin. Ele entrevê, ante o toque do Espírito Santo, que as respostas que tanto buscavam estavam na simplicidade da fé de quem tem a convicção de que há Alguém ao leme. Ele corre a abraçar sua esposa grávida e só então temos o final da história.

Linda mensagem. Belíssima visão de amor e felicidade. Especialmente quando se sabe que Tolstoi chegou quase lá.


Leon Tolstoi, modelo e romancista
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Posted by marcol at fevereiro 4, 2004 2:54 PM