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janeiro 13, 2004

Daquilo que Já Fomos e

Daquilo que Já Fomos
e talvez um dia reencontraremos numa gaveta de recordações

-- Estica a mão, vai!

Helena, obedecendo à ordem, esticou o braço. Esticou, esticou e percebeu que quanto mais ela fazia força, mais longe sua mão chegava. Continuou, forçou até quase doer, e finalmente conseguiu tocar uma estrela. Tinha medo de se queimar; primeiro, encostou um dedo, e notou que parecia frio. Vendo que não havia perigo, colocou a palma da mão inteira. A estrela brilhava forte, fazendo Helena tentar proteger, inutilmente, seus olhos. Seus dedos sentiam a superfície: acidentada, dura como pedra, e com uma espécie de halo em sua volta. Um halo... quase mágico, que emitia uma energia incessante, boa, tranqüilizadora. Ela sorriu para a estrela, tentando estabelecer contato. Inclinou a cabeça levemente para o lado, piscou um olho. Inocentemente, disse: "Olá, estrelinha! Será que você tem nome? Será que os cientistas já te encontraram?" A estrela nada respondeu, mas para Helena isso não fazia diferença. Ela já estava feliz de poder tocá-la, e seria realmente demais se ela conversasse também.

Um vento forte que começou a soprar trouxe-a de volta. Seus olhos brilhavam candidamente; pareciam ter trazido um pouco do brilho da estrela consigo. (Alguns dias depois, o velho avô sentenciaria: "Nesses teus olhos, Helena, dá pra ver o mapa do céu! Quantos namorados encantarás com eles!")

Ainda sorrindo, a garota olha para a areia e sente-a escorrer entre os dedos dos pés. O pai lhe dá a mão, num sinal de que já é hora de voltar para casa. Num outro olhar para o céu, uma idéia lhe passa pela cabeça:

-- E a Lua, papai? E se eu quiser tocar a Lua, será que eu consigo?

Mais um texto roubado na cara de pau e à mão armada (de mouse), do Tiagón e seu bello blog, Bereteando.
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Posted by marcol at janeiro 13, 2004 12:06 PM