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dezembro 4, 2003

A evolução dos baratos Por

A evolução dos baratos


Por exemplo: há vinte anos, uma coisa boa eu chamava de "legal". Depois comecei a chamar de outras coisas. Na adolescência, uma coisa boa poderia ser "muito massa", por exemplo. Depois, passou a ser "mó barato", "bem lôco", em seguida "muuuuuuuito bom", aí "hipermeigo" ou "moderno". "Manêro" eu confesso que também freqüentou meu léxico vernacular durante algum tempo, por influência carioca advinda da empresa na qual trabalhei. Atualmente uso um termo que acho que meus pais usavam: "bacana". Será que isso indica o fim do conflito de gerações e minha rendição à estética dos meus progenitores! (aqui dentro algo grita NÃO!, jamais sucumbirei ao Ray Connif e ao Richard Clayderman!).

Com os antônimos não foi diferente; uma coisa muito ruim começou sendo "uma droga", depois passou a ser "maior várzea" (que poderia ser "várzea total", "completely várzean" ou "meu! é a várzea"), então "o cabinho da cereja", "o bagaço da laranja", "mó zica", "um lixo".

O insondável termo "blaments" serviu tanto em um grupo quanto em outro, indistintamente. Durante algum tempo, TUDO era blaments.

E aquele cidadão passível de ser execrado? Poderia ser, dependendo do timing, um "xarope", um "mané", um "zé ruela", uma "anta", uma "gralha", um "mongolóide" ou um "resto de aborto".

Consola saber que não cheguei a empregar termos que caíram na boca do povo e são usados com extrema freqüência, como "tudo de bom" (e suas variantes, como "tudibão") ou "o ó do borogodó".

Diz aí como evoluiu ou involuiu aí o teu vocabulário, mano. Esse poste pra você é "uma meleca", "porcaria", "lixo", "cocô" ou "ninguém merece"?
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Posted by marcol at dezembro 4, 2003 2:00 PM