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dezembro 30, 2003
Prêmio Supimpas do Ano É
Prêmio Supimpas do Ano
É por aqui que vai pra lá? adere à febre premiadora que toma conta de todo e qualquer veículo midiático nessa época do ano e resolve premiar os melhores. Contudo, querendo fazer as coisas direito, optamos por adaptar à votação dos melhores do ano os princípios processuais da lei brasileira (com sua infinidade de recursos), buscando analisar categoria por categoria com o mesmo vagar e apurado cuidado que o judiciário brasileiro pratica nos processos que lhe são levados a apreciar. Também aproveitamos e incorporamos ao sistema de eleição todos os critérios regimentais que norteiam o processo legislativo brasileiro, que, você sabe, é célere, ágil e certeiro. Taí o Novo Código Civil (que começou a ser votado em 1977), que não me deixa mentir.
Para conseguir fechar a eleição antes do dia 31/12/03 observando todos esses pormenores que visam garantir a lisura e integridade do ranqueamento, iniciamos o processo em 1976. Enfim, portanto, temos os eleitos. Sem mais delongas, vamos a eles!
Previsões para o ano novo
É por aqui que vai pra lá? adere também à febre previsionista, fazendo previsões tão certeiras quanto a mira dos usuários do mictório da rodoviária de São Paulo. Confira!
Cenas que não veremos em 2004
1. Jogo pelas elimiatórias à Copa do Mundo entre Brasil e Argentina. Após a execução dos hinos nacionais, ao invés da tradicional foto dos times, os jogadores se juntam para uma única foto conjunta, todos abraçados.
2. Palófi vem à TV e faz o seguinte pronunciamento: após uma crise de consciência, o presidente baixou uma Medida Provisória que entra em vigor amanhã. Nessa MP extingue-se todo imposto em cascata (incluindo-se a CPMF), reduz-se a alíquota do IR, atualiza-se a tabela de deduções do mesmo, desonera-se a cadeia produtiva e aprova-se a reforma trabalhista, política e eleitoral. Ah, a MP também prevê a extinção das MPs, de modo que esta foi a última. Boa noite.
3. A revista Caras sai com a capa em branco e os seguintes dizeres: "Infelizmente nenhuma celebridade consentiu em ser fotograda para a revista em poses ridículas e afetadamente naturais. Nem Adriane Galisteu consentiu em deixar nossa equipe invadir sua intimidade, mostrar seu armário e também ninguém aceitou nossos convites desesperados a visitar a ilha e o castelo de Caras. Todas as celebridades, mesmo as loiras, só admitiram falar à revista sobre arte, ciência, filosofia, política ou economia. Assim, vislumbrando a perda da razão de ser desta publicação, damos por encerrada a história de CARAS. Agora, para ver a Sasha, só fazendo plantão em frente a sua casa."
Mais previsões fenomenais poderão vir a lume a qualquer momento.
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Posted by marcol at 10:40 AM
dezembro 22, 2003
Natalino O guri dizia que
Natalino
O guri dizia que seria vaqueiro a quem perguntasse e a quem não perguntasse também. Tinha uma corda com laço que ganhara das mãos do próprio Nestor, o peão mais campeão das paragens, e com o laço ele vivia a usar pra laçar pedras, tocos de árvore e a cabeça do pobre do Ruço, o jegue. Inseparáveis, o guri, a corda e o sonho.
Até o dia em que levava pro engenho uma tanga de cana, com a corda amarrada à cintura, tropeçou na dita e caiu dentro da roda. Foi-se duma lufada só: o braço direito e a corda. Teria ido o sonho também, caso não fosse dezembro e o natal chegando com a esperança secreta do guri.
O padre foi quem achou o garoto rezando na capela e ouviu o pedido: um braço novo, pra mor dele ser vaqueiro um dia. Tentou explicar pro guri que aquilo não era coisa que se pedisse, mas o guri contou que ouviu dizer dos milagres que Jesus fizera, e que Ele costumava dar presentes no natal.
Na manhã do 25 saiu disparado à capela e quem tinha coração olhava o guri na primeira fila e se doía, que era uma fé muito grande, mesmo quando abaixava os olhinhos para olhar o toquinho do braço. Acabou a missa, o menino rezava enquanto os outros saíam abanando a cabeça.
O garoto resolveu ir falar de pertinho com o menino Jesus, no presépio. O padre chegou perto pra ver se dizia um consolo ao guri, embora não atinasse com qual seria, mas não precisou, viu a face do guri irradiando, um sorriso todo novo ali. Perguntou o que foi. O guri apontou com o queixo o menino Jesus de plástico na manjedoura: sem o braço direito. O padre quase caiu pra trás, todo arrepiado. Conferira o presépio antes do serviço e o menino Jesus tava intacto! O menino abraçou o padre, que leu no seu olho a desistência do pedido e a desnecessidade de qualquer consolo. Logo ele saiu correndo a corrida alegre de antes e o padre voltou pra olhar o presépio.
Pela frincha do telhado uma nesga do sol iluminava o sorriso do bonequinho vestido com trapos.
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Posted by marcol at 10:42 AM
dezembro 19, 2003
Livros essenciais - O fiel
Livros essenciais - O fiel e a pedra de Osman Lins
Foi numa dessas antologias de contos feitas sob medida para professoras de língua portuguesa que descobri Osman Lins. Havia ali um texto chamado "Conto de Circo", que é daquele tipo que te rouba a respiração, te deixa com um nó na garganta, enfim um daqueles deliciosos bofetões na cara.
Rodei os sebos e achei "O fiel e a pedra", romance do autor e que se revelou um dos melhores que já li. Aliás, por que raios não li mais nada dele até hoje? Boa pergunta. Mas isso mostra que o Brasil tem uma infinidade de bons escritores que ninguém conhece. Eles são festejados lá fora, comentados, discutidos, mas nessa terra de não-leitores eles estão fadados ao semi-ostracismo. Experimente botar Osman Lins no Google e o primeiro resultado vai ser uma entrevista do escritor pernambucano a um veículo estrangeiro. Normal.
Mas falemos um pouco de O fiel e a pedra, terceiro romance dele e que ele dizia ser um marco em sua carreira, aquele divisor de águas entre "quase lá" e maturidade. Narra a história de um homem contratado para cuidar de uma fazenda e que começa a sofrer uma série de pressões de todos os lados para liberar a tomada das terras pelos poderosos da região. Ele corre risco de vida, sua família corre risco de vida, mas para o protagonista, o que é certo é certo, e o certo não admite concessões nem lero-leros. Seu dever é proteger as terras, ele vai protegê-las. Enfim, uma história de caráter, outra coisa muito, muito rara nesta nossa terra. A redação é de mestre, o enredo não aceita soluções fáceis e o livro te prende a partir da metade dizendo: está vendo o que é um herói de verdade? E dizem que o melhor livro de Osman é Avalovara, hein? A ler. Fica aí a recomendação.
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Posted by marcol at 9:19 AM
dezembro 17, 2003
Ah, a fama! Ernestinho e
Ah, a fama!
Ernestinho e suas multas besuntadas, depois de ser aclamado pelas mais brilhantes cabeças pensantes do mundo todo, alcançou a atenção do Bloggerman, que o botou lá no Blogs of Notes. Isso não quer dizer grandes coisas, a não ser que temos lá agora uma enxurrada de comentários cretinos do tipo "meu, muito loko esse blg. Visita o meu!" Precisaremos saber lidar com a fama e saber separar as coisas, evitando inclusive o assédio das ninfetas despudoradas que certamente hão de ver as nossas fotos lá expostas.
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Posted by marcol at 9:47 AM
dezembro 16, 2003
Fábulas consagradas - a andorinha
Fábulas consagradas - a andorinha Edinancy
A andorinha Edinancy estava sobrevoando a baía quando viu o marinheiro tailandês Hoo Koo Min lavando o convés do navio saudita "San Maradona". Um calor percorreu-lhe o corpo todo, ela sentiu ruborizar. Estava apaixonada! Pousou com graça e suavidade sobre a borda do navio e começou a fazer charminho. Hoo Koo Min, que tinha o senso de humor de uma monitora de biblioteca finlandesa, molhou o esfregão no balde e espirrou a água em Edinancy, obrigando-a a bater asas enquanto grossas lágrimas corriam-lhe dos olhinhos.
Edinancy era meio paranóica e psicopata, na verdade. Correu, ou melhor, voou até o porto, pegou no bico uma bazuca que tinha vindo no carregamento da Engesa, e partiu pra cima do pobre marinheiro. Hoo Koo Min, vendo aquilo, apavorou-se a arrojou-se ao mar. Edinancy deu um grito de horror e soltou a bazuca mergulhando loucamente no mar para buscar o seu amado. Que, na verdade, era o quepe de Hoo Koo Min. Ele estava boiando serenamente enquanto o tailandês nadava desesperadamente para fugir da andorinha doidivanas. Edinancy tomou o quepe no bico e, cheia de ternura e amor nos olhos, levou-o para seu cafofo. Ali os dois foram muito felizes até que o quepe resolveu trocar Edinancy por um vento alísio que passou.
Edinancy foi até o boteco e tomou todas.
Moral da história: o amor é como o umbigo; se você parar para pensar, ele não serve pra nada.
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Posted by marcol at 5:01 PM
dezembro 15, 2003
Mas então... Perigo! Perigo! Estamos
Mas então...
Perigo! Perigo!
Estamos às vésperas de natal e o perigo espreita, sibila, ronda.
Não me refiro aos acidentes nas estradas nem à possiblidade quase certa de ganhar aquele par de meias de bolinhas no amigo secreto da firma, mas ao maior de todos os perigos desta época do ano: as leis. Os valorosos edis e deputados de todas as instâncias aproveitam esse período para nas madrugadas, à sorrelfa, na surdina, votar leis escalafobéticas que aumentam a carga tributária ou legitimam descalabros.
Contra esse perigo, nem reza braba adianta. Aliás, o governo de São Paulo (tão pobrinho, coitado!) já começou o trem da alegria, aderiu à sanha tributeira e aprovou um aumentinho docinho de 200% no valor do IPVA. Se prepara aí, chegado, que janeiro há de ser amargo!
Diálogo verossímil
O careca procura piolhos na cabeça do Saddam e, consternado com o abatimento do ancião, tenta puxar papo:
- E aí, Sada? Como é que vai essa força?
- Grrrnf.
- Diz aí, cê ficou naquele buraco esses meses todos?
- Grnnrfffr.
- Pô, dureza, hein? Sem tv, sem um radinho, sem um guardinha em quem mandar... Pior, sem internet! Sabe o que rolou durante esses meses de emburacamento?
- ?
- Bom, basicamente É por aqui que vai pra lá? e Ernestinho e suas mulatas besuntadas.
- Ah - abrindo um sorriso - mas eu ouvi falar.
- Ah é?
- Claro, lá do Brasil, terra do futebol e do Passat e do Santana. Só podia vir coisa boa mesmo.
- Tô começando a simpatizar contigo, Sada!
Melancolia
Terminou o brasileirão. A tabela final mostra o terceiro colocado 22 pontos atrás do primeiro colocado. O vice ficou 13 pontos atrás. Tomamos todos um fortíssimo chocolate mineiro com pêlo de raposa, coisa mais indigesta! Na última rodada meu time ainda protagonizou um papelão, meu artilheiro perdeu pênalti e o Grêmio escapou do rebaixamento. Preferiria amargar um mês sem futebol de forma mais felizinha um pouco.
Alegria
Beleza são os musicais de natal. Quarta-feira estive no shopping SP Market onde o grupo infantil "Turminha Ká Entre nós" mandou bonito umas músicas natalinas. Eles lançaram CD e DVD de natal, uma boa dica de presente para crianças.
No sabadão o Coral Carlos Gomes, que já gozou do nome de melhor do Brasil e já contou com um dos melhores baixos do hemisfério sul (cof cof) apresentou seu repertório de natal no culto da igreja adventista do Unasp. Belíssimo programa, em muitos momentos emocionante. Seu repertório requintado, que foge do convencional, e a execução perfeita das músicas acabam garantindo uma bela experiência para os demais adoradores.
E sábado que vem já tô sabendo que é a vez do tradicionalíssimo coral Acasp. Nham nham.
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Posted by marcol at 8:29 AM
dezembro 12, 2003
Campanha EU ODEIO AS CASAS
Sim, sim, EU ODEIO AS CASAS BAHIA. Odeio, sobretudo, a aparentemente inesgotável verba publicitária que ela tem e que nos obriga a assistir a um comercial dela a cada dois que são veiculados em horário nobre na televisão. Sabe, antes eu até simpatizava, achava o carinha do comercial deles simpático, bem melhor que aquelas menininhas mongoletas, Zezé di Camargo e Luciano dando tapinhas na mão um do outro e o César Filho das Lojas Marabraz, mas paciência tem limite. Os caras conseguem ter dois ou três filmes diferentes no horário nobre e é um tal bombardeamento, uma tal lavagem cerebral que após uma intensa exposição ao seu slogan (que me recuso a repetir), fui ao banheiro e notei em meu semblante um ar psicótico. Luna, é assim que nascem os assassinos.
Essa semana, então, o inferno estava armado na minha televisão: durante os meus telejornais prediletos (da Record e da Rede TV!), o horário comercial era um das casas Bahia, um do PDT (com o Brizola falando metade da frase em close, a outra metade mais de longe), um dum, um doutro - o horário comercial inteirinho!
Por essas e outras é que estou lançando a campanha EU ODEIO AS CASAS BAHIA. Faça a sua adesão, crie bottons, imagens, manifestos e junte-se a mim, que a causa é nobre e urgente!
Tá bom, sei que a idéia não é original. Eu fui o visitante 176.486 dum blog feito especialmente para desfilar o ódio aqui propalado. Se bem que a responsável pelo negócio tenha focado não nas Casas Bahia, o verdadeiro mal, mas no tál do Fabiano Augusto, o atorzinho que ganha R$ 100.000,00/mês pra aparecer 890 vezes por dia na TV. Pra ver como a Campanha tem tudo pra dar certo. COMPANHEIROS, NÃO ESTAMOS SOZINHOS!!

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Posted by marcol at 10:19 AM
dezembro 11, 2003
Meus filmes de cabeceira -
Meus filmes de cabeceira - Monty Python em busca do cálice sagrado
Decerto influenciado pelo poste-desabafo que rola agora lá no Ernestinho, acometeu-me o infrene desejo de falar de mais um dos meus filmes de cabeceira. Dessa vez, trata-se do rei das comédias, o melhor filme de todos os tempos desse gênero, o grande, o fabuloso, o fantástico, o maravilhoso

Sim, sim, sim, três vezes sim! A obra prima dos tresloucados ingleses do Monty Python (ok, puristas, tem um americano entre eles, perdoem-me) merece entrar em qualquer panteão da obra cinematográfica universal.
Antes de assistir eu ouvia falar dele e dizia: não é possível, não pode ser tanto assim. Vi, vini, fui vencido.
Os caras não deixavam nada de pé. Resolveram detonar o mito do Rei Arthur, que tem muito inglês que até hoje acha que ele vai ressuscitar pra salvar a Inglaterra. Contudo, o filme é besteirol puro. Nada de cavalos, um cara faz de conta que está trotando e outro vai atrás batendo uns côcos pra fazer a sonoplastia. O roteiro não tem pé nem cabeça, mas tem um coelho assassino, um inusitadíssimo julgamento de uma bruxa, camponeses comunistas, um "texugo de tróia", desenhos animados que são difíceis de definir (como um sol e nuvens pulando sobre a terra e não deixando o monge escrever no pergaminho), monges que se penitenciam com tábuas de carne na cara, um príncipe gay, um historiador degolado e muito mais coisas absurdamente engraçadas (atenção especial para o termo "absurdamente". Vai que você pega o filme paga mó grana na locação e depois não dá uma risadinha sequer. Não tenho nada com isso). Claro, menção honrosa para os insondáveis cavaleiros que dizem ní, que até inspiraram um dos melhores blogues/coluna da Época brasileiros.
Abaixo, a clássica cena do duelo entre o rei Arthur e o temível Cavaleiro Negro, que teimava em dizer que não havia perdido o braço, a despeito do sangue jorrar duma mangueirinha no coto do ombro. Mais abaixo, um dos temíveis monstros que só a idade média tinha e que decerto matariam os heróis da história, não fosse um providencial ataque cardíaco vitimar o desenhista.

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Posted by marcol at 1:42 PM
dezembro 10, 2003
Os melhores nomes para sua
Os melhores nomes para sua iniciativa musical (sic)
Pois bem, sabido é que os assim nominados artistas envolvidos no mercado fonológico nacional, que preferem dizer "meio musical" (sic), com raríssimas exceções precisam prezar com todo zelo e afinco pela manutenção da incolumidade de seus parcos neurônios. Esses devem ser aplicados rigorosa e exclusivamente na confecção de refroes que esbanjem "uô", "ôu", "iê" e rimas infelizes e também na criação de novas e sacolejantes coreografias. Com vistas, pois, a poupá-los de terem que pensar em qualquer outra coisa, fazemos o trabalho sujo por eles e aqui sugerimos alguns nomes de bandas e grupos. Assim eles podem fazer o que fazem melhor. Portanto, alguns prováveis nomes para...
bandas de forró:
a)Banda Ostras com Melado
b)Banda Atum com Farinha
c)Banda Manga com Leite
d)Banda Avestruz com Azeite
e)Banda Frango desossado à passarinha com molho de azeite dendê na moranga
cinco nomes de bandas de punk, hardcore, trashmetal, metal, industrial e/ou aquele negócio que o Marilin Manson faz e que é difícil de rotular:
a)Anjos caídos
b)Garras do Tinhoso
c)The Worms Eating My Liver
d)Blood Explosion Joy
e)Vômito do Diabo
cinco nomes para tecladistas/cantores de forró:
a)Ted Santos - o capivarinha frenética dos teclados
b)Roger Oliveira - o garotinho sensação dos teclados
c)Bob Soares - o leãozinho paid'égua dos teclados
d)Fred Camargo - o carrapatinho dos teclados
e)Bill de Deus - o bichinho quente do forró
cinco nomes de bandas de rap:
a)Passionais MCs
b)Emocionais MCs (rap feminino)
c)Fraternais MCs (rap católico carismático)
d)Anormais MCs (rap erótico de terceira linha)
e)Sacais MCs (rap filosófico da linha wittgensteiniana)
cinco nomes de duplas sertanejas:
a)Breno & Torroney
b)Rosencratz & Guildenstern (música caipira de temática shakesperiana)
c)Pinky & Cérebro (música sertaneja de visual extravagante e com idéia fixa em dominar o mundo)
d)Torresminho & Rococó (dupla com forte problema de identidade musical)
e)Proletário & Zé Ninguém
Agora é só escolher o seu e mandar bala, encher os bolsos de dinheiro e começar a freqüentar o Gugu.
Obs: Cópia na maior cara de pau de idéia já exercitada no novo blogue recomendado com selo de qualidade É por aqui que vai pra lá?, assinado pelo Tiagón. Aliás, ele disse que também roubou a idéia, entonces, aquele papo de ladrão que rouba ladrão e fica tudo bão (ele diz que plagiou foi o Aran).
Obs2.: né por nada não, mas o poste de ontem do Ernestinho tá demais da conta, sô!
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Posted by marcol at 9:29 AM
dezembro 9, 2003
Para gostar de ler O
Para gostar de ler
O que determina o gosto pela leitura? Me peguei perguntado isso depois de ler mais um belo poste do sempre qualitativo blog do Milton Ribeiro. A primeira lembrança que tenho do assunto não é boa não. A tia Dorinha, professora do segundo ano daquilo que então convencionava-se chamar "primário" (aliás, maledettos pedagogos que parece não terem outra coisa a fazer se não mudar os nomes das coisas), mandou a gente ler um livro nas férias do meio do ano. Minha mãe me fez pegar um livrão grandão e cheio de figurinhas da história do Ivanhoé. Isso decerto pra não ter que comer um livro novo, aproveitou um que tava por ali. Eu não entendi patavinas, que fez o resumo do livro foi ela. Pareceu-me chato, maçante.
A lembrança seguinte que tenho, contudo, é bam diferente. Eu tou numa festa, minha mãe me chama e me apresenta pruma tiazinha que ela diz ser professora, diz a ela que eu gosto muito de ler (!) e pede umas dicas de livros bons para piás na terceira série. Lembro perfeitamente quais foram a sugestões da tal professora: O menino do dedo verde (maurice druón, salvo engano) e Papai me compra um amigo (Pedro Bloch, por certo).
Sei que li os dois e encantei-me. As lembranças seguintes que tenho sou eu indo a uma livraria com meu pai e saindo de lá com uns vinte ou trinta livros.
Durante toda aquela época e pegando a pré-adolescência dei preferências a livros de aventura, como O corsário negro, Rei Artur e seus cavaleiros, Os três mosqueteiros, O máscara de ferro, O conde de Monte Cristo, Carlos Magno e seus cavaleiros, Capitão Tormenta, entre outros. Aí passei pruma fase Agatha Christie, na qual me diverti muito, lendo também O Gênio do Crime, Arsene Lupin, etc.
Torci o nariz quando, com uns 14 anos, minha mãe deixou um Olhai os Lírios do Campo sobre o criado mudo. Putz, literatura brasileira? Respirei fundo e comecei a ler. Acho que só voltei a respirar quando a primeira parte do livro acabou. Senti-me nas nuvens, uma revolução tomou de assalto meu peito, minha consciência. Estava ali um herói de carne e osso, cheio de defeitos e - seria isso mesmo - terrivelmente parecido comigo.
Dali em diante passei a ter a companhia incomparável dos personagens de Ana Karenina, Clarissa, Música ao Longe, O Cristo Recrucificado, Os miseráveis, Crime e Castigo, Em busca do tempo perdido, O retrato de Dorian Grey, todos de Dickens, Balzac, Coetzee, García Marquez, Borges, Machado de Assis, os versos de Drummond, Clarice, Cecília, Lygia... e centenas de outros.
Ali pelo meio da faculdade experimentei um outro salto em termos de nível de literatura e mergulhei em escritos teológicos que juntaram aa - xi! deu zica no teclado, cadê a crase... e a interrogação! - forma que eu agora amava, o conteúdo, a mensagem.
O me fez gostar de ler, eu pergunto. Sei que a mamma aparece em várias fases lá do comecinho e só posso pensar que, como em tudo o que é bom, para uma criança passar a gostar de ler, alguém precisa estar do lado, mão no ombro, incentivando. E torcendo para essa criança em especial ser uma das iluminadas.
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Posted by marcol at 2:14 PM
dezembro 8, 2003
É você? Foi ali, na
É você?
Foi ali, na Estrada de Itapecerica, que Milto tomou o Jardim das Rosas onde Mercedes ia agarrada a uma sacola de compras. Ele logo a reconheceu, mas perguntou mesmo assim:
- Mercedes, é você?
Ela considerou por um longo tempo aquela face enrugada, o sorriso enorme de poucos dentes, os cabelos brancos em desalinho e não viu nada de familiar. Havia, no entanto, algo de muito familiar naquela pergunta, mas ela não saberia dizer se era na voz (dificilmente, a voz era rouca e esfacelada), nas palavras, na entonação ou se na combinação de alguns desses fatores.
- Milto!?
Sua resposta saiu assim, meio pergunta meio exclamação. Fazia bem uns quarenta e cinco anos desde a última vez em que se viram e o encontrou serviu como um imediato abrir de comportas, inundando-os de de velhas sensações e de memórias.
Houve uma tarde como aquela, de primavera, quarenta e seis anos antes, em que Mercedes caminhava respirando fundo o perfume do corredor das flores do Mercadão. O sol entrava por frinchas no telhado e conferia um ar onírico ao ambiente povoado de sons, coalhado de margaridas, lírios, dálias e gérberas. De repente Milto apareceu, num terninho bem cortado, chapéu na mão e um lindo sorriso (cheio de dentes!), perguntando a mesma pergunta:
- É você?
Como agora, no Jardim das Rosas que sacolejava pela Vila das Belezas, a reação de Mercedes custou a vi:
- Eu o que?
- É você ¿ o sorriso dele abriu ainda mais ¿ que vai pegar na minha mão o resto da vida? Que vai se encaixar aqui, embaixo do meu braço, que vai me dar motivo pra suar, por quem eu vou querer mover o mundo, que quando eu tiver dias ruins vai estar lá pra me receber, que vai carregar minhas chinelas quando eu envelhecer e que vai me dizer saúde quando toda vez que eu espirrar...?
Ela sentiu enrubescer, camuflando-a contra a banca de rosas, mas desejou imediata e ardentemente ser ela, ser aquela pessoa. E foi, durante um ano.
Até o dia em que saíam da igreja adventista que a família dela freqüentava na rua Taguá, quando, na frente de outras pessoas, o pai dela perguntou se ele estava interessado na moça ou no dinheiro dele. Conversa entre portugueses turrões de sangue quente: Milto disse que ele jamais o veria de novo; virou-se para Mercedes, disse um ¿sinto muito¿, ela chorou e no dia seguinte Milto pegou um navio que ia pro Chile.
Milto sentou-se ao lado de Mercedes sempre sorridente. Contou-lhe que rodara o mundo como marinheiro, depois tentou um comércio na Vila Prudente, foi instrutor de natação no clube Pinheiros ¿ onde dizia haver desenvolvido um método infalível e ultra rápido de ensinar qualquer um a nadar ¿ andou pelo interior, voltou, tornou a sair e hoje tocava a vida construindo casinhas na periferia e botando pra alugar. Contou que não deu sorte com mulheres, havia se separado de duas, uma das quais o havia roubado, não falava com os filhos e agora estava com uma que lhe dava mais desgosto que alegria.
Mercedes contou que passara a vida como professora do colégio adventista, onde agora era secretária, e contou que morava lá dentro. Abaixando um pouco a voz e com um ar grave respondeu a uma pergunta dele dizendo que não, que nunca havia se casado.
Ele quis dizer umas coisas, mas não disse. Ela quis dizer também, mas calou. Ele quis foi pedir desculpas por deixar o orgulho sobrepujar o amor. Ela quis dizer que não, que infelizmente para ela, a resposta à pergunta que ele lhe fizera no Mercadão era negativa.
- Ela morreu faz uns trës meses, fiquei sabendo ¿ ele me disse quando nos conhecemos, na imobiliária que administrava seus aluguéis. Aí seu aparentemente eterno sorrisinho fraquejou um pouco. E ele arrematou: que coisa, não?
X X X X X X X X XX X
Havia escrito isso pra participar dum concurso da Revista da Folha, quando descobri que o prazo pra enviar os trabalhos havia-se encerrado no dia anterior. É uma adaptação duma velha e terrível história. Terrível porque é verdadeiríssima.
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Posted by marcol at 8:42 AM
dezembro 5, 2003
Cinco mil il il Isso
Cinco mil il il
Isso requer biscoituda! Vortemos a La Schiffer. Regozijem-se comigo, cumpadres.

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Posted by marcol at 1:42 PM
dezembro 4, 2003
A evolução dos baratos Por
A evolução dos baratos
Por exemplo: há vinte anos, uma coisa boa eu chamava de "legal". Depois comecei a chamar de outras coisas. Na adolescência, uma coisa boa poderia ser "muito massa", por exemplo. Depois, passou a ser "mó barato", "bem lôco", em seguida "muuuuuuuito bom", aí "hipermeigo" ou "moderno". "Manêro" eu confesso que também freqüentou meu léxico vernacular durante algum tempo, por influência carioca advinda da empresa na qual trabalhei. Atualmente uso um termo que acho que meus pais usavam: "bacana". Será que isso indica o fim do conflito de gerações e minha rendição à estética dos meus progenitores! (aqui dentro algo grita NÃO!, jamais sucumbirei ao Ray Connif e ao Richard Clayderman!).
Com os antônimos não foi diferente; uma coisa muito ruim começou sendo "uma droga", depois passou a ser "maior várzea" (que poderia ser "várzea total", "completely várzean" ou "meu! é a várzea"), então "o cabinho da cereja", "o bagaço da laranja", "mó zica", "um lixo".
O insondável termo "blaments" serviu tanto em um grupo quanto em outro, indistintamente. Durante algum tempo, TUDO era blaments.
E aquele cidadão passível de ser execrado? Poderia ser, dependendo do timing, um "xarope", um "mané", um "zé ruela", uma "anta", uma "gralha", um "mongolóide" ou um "resto de aborto".
Consola saber que não cheguei a empregar termos que caíram na boca do povo e são usados com extrema freqüência, como "tudo de bom" (e suas variantes, como "tudibão") ou "o ó do borogodó".
Diz aí como evoluiu ou involuiu aí o teu vocabulário, mano. Esse poste pra você é "uma meleca", "porcaria", "lixo", "cocô" ou "ninguém merece"?
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Posted by marcol at 2:00 PM
dezembro 3, 2003
Depois de dar uma passada
Depois de dar uma passada d'olhos pelos jornais do dia, sentindo aquela melancolia característica ameaçar invadir, suspirei cá no meu canto e lembrei da música que me acordou hoje. Ela não tem nada que ver com a enxurrada de assassinatos, ataques a policiais, rebeliões em cadeias, enchentes, incêndios e coisas afins que toma espaço no noticiário. Antes, bem ao contrário. O ideal seria você a ouvir, mas caso não tenha acesso a "A força que nunca seca", CD da Maria Betânia de irretocável qualidade, fique aí com a letra dessa pérola. Acho que é uma canção portuguesa, não só porque um dos autores chama-se Jorge Portugal, mas pela guitarra portuguesa que tempera a interpretação magistral da Betânia. Confira:
Vila do Adeus
(Roberto Mendes - Jorge Portugal)
Estórias que não contam mais
Quando o barco perde a praia
Quando tudo diz adeus
O céu desmaia, a luz do dia não raia
Pois se apaga a luz do céu
A dor se espraia feito pé de samambaia
E antes que a noite caia
Apago a lua
E a saudade então flutua
Como um bólido luzente
Dentro dela a gente vai
Estórias que não voltam mais
Quando os lenços cortam os laços
Num definitivo adeus
Nenhum abraço, nenhum sol nos olhos baços
Nem um traço, nem um véu
Apenas o silêncio e o som de Deus
Apenas o silêncio e o som de Deus...
(A força que nunca seca - BMG - 1999)
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Posted by marcol at 8:10 AM
dezembro 1, 2003
Drummoniana Dezembro. E o que
Drummoniana
Dezembro.
E o que perdido
foi, volta, iluminado
pelo claro pensar
e reanima-se o jogo
eterno (e vão?)
o jogo da vida
renascendo de si mesma.
Carlos Drummond de Andrade
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Posted by marcol at 7:40 AM