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novembro 24, 2003

Intocáveis Curioso o fenômeno que

Intocáveis

Curioso o fenômeno que faz com que algumas pessoas atinjam um nível tal de unanimidade que seja pecado tecer qualquer crítica a ela. É o caso do jogador de futebol da vez e dura até ele chegar à seleção, quando ele volta a ser perna de pau imediatamente e pode ser criticado; o jogador de futebol da vez é Robinho, do Santos, que no jogo contra o Fluminense ontem entrou de sola no tornozelo do colega de seleção sub sei lá o que, Carlos Alberto, deixou o cara no chão urrando de dor e recebeu os seguintes comentários dos globais: involuntário - choque normal - entrou por cima mas visando a bola... Jô Soares, Caetano Veloso, Vera Fischer e outras figurinhas, tudo que façam há de ser lindo e maravilhoso. Que vida chata devem ter.

Há a contramão disso, também, aqueles sobre quem se você não falar mal estará assinando seu atestado de estupidez. Um dos intocáveis acima mencionado, Caetano, de vez em quando ousa macular esse princípio áureo da convivência midiática, por exemplo quando elogiou as vozes de Sandy e da Tiazinha. Os malhados da vez creio que sejam os reboladores do Br'oz, grupo vocal que nasceu da parceria Warner-SBT, no programa PopStars. Aliás, tudo o que vem do SBT deve necessariamente ser vaiado e tomateado - outra regra áurea da inteligentsia tupiniquim.

Este sábado eu assisti o tal do Popstars, como já havia assistido ao menos em parte outras vezes e sacramentei a minha opinião: os caras cantam muito. Mais uma vez sinto que a unanimidade é burra, os caras são muito talentosos, com especial referência ao mané de cabelo meio espetado, meio moicano, sei lá, e para o mestiço de índio; são ambos solistas excelentes. Ora, temos no Brasil dúzias de boas cantoras, mas cantores são raridade; desde Renato Russo temos aí o filho do César Camargo Mariano e da Elis e só. Mais ninguém. Então, os tais popstars aparecem num buraco e aparecem muito bem.

Tá certo, o grupo é feito pra vender e a música é descartável, mas o que é que se tem feito hoje em dia que foge a isso? Compare a música que eles fazem lá, rebolando, e o que 98,9% do rock nacional faz. Excetuando-se o nicho mineiro do Pato Fu e do Skank, o rock nacional é incompetente, constituído de maus músicos, maus instrumentistas, maus cantores e péssimos compositores, além de plagiadores arrematados. Quê dizer se a banda que mais toca é uma banda dos anos 80, portanto cheia de quarentões, e que na época não cheirava nem fedia?

Antes de jogar os tomates, considere que este poste é, na verdade, sobre tocáveis e intocáveis, em suma, sobre preconceitos, e não sobre Br'oz ou CPM22.

Ah, mais uma coisinha: PopStars também inspirou o melhor concurso de blogueiros do universo, o POPwritersSTARS, que você só confere no Ernestinho e Suas Mulatas Besuntadas.
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Posted by marcol at novembro 24, 2003 9:00 AM