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novembro 20, 2003
Agora, os livros Minha cabeceira
Agora, os livros
Minha cabeceira não conta apenas com filmes. Na verdade conta sobretudo com livros, muitos livros, sem os quais eu seria um ou dois trinta avos de Marco. É bom falar das coisas que gostamos. Tem uma música da Noviça Rebelde que fala só sobre isso. A gente se sente à vontade, esses objetos são nossos velhos conhecidos, somos íntimos. Além disso, faltando assunto pra postar, falar de algo que gostamos acaba sendo a saída ideal: fácil, rápido, indolor e rende até uns comentariozinhos! Só não espere resenha alguma aprofundada. Falo de livros aqui como falo de filmes, ou seja, tratando das impressões que eles me causaram, não do objeto cultural em si, com aquele frio e freqüentemente prolixo olhar acadêmico.
Well, não consigo começar por outra coisa qualquer. Este é o MEU livro, o predileto, o preferido, o que influenciou, marcou e apontou caminhos. Quando descobri a literatura brasileira, peguei um livro didático de português do colegial do meu irmão mais velho e comecei a fuçar. Havia lá um trechinho de Abdias. Aquele pequeno desvão da obra me pareceu muito bom, e guardei a referência para futuras utilizações. Achei-o num sebo posteriormente.
Li duas vezes, com um intervalo de alguns anos e a impressão ficou confirmada: trata-se de uma obra prima de um autor genial. Cyro dos Anjos escreveu muito pouco e seu livro menos desconhecido é O amanuense Belmiro. Ele dizia que escrevia pouco para ser um leitor mais puro, o que não o impediu de ocupar, merecidamente, uma cadeira na ABL. Pertencente à segunda geração modernista, Abdias sai daquela abençoada década de 30, de onde saíram outras coisas fantásticas como boa parte da produção de Drummond, Érico Verissimo e Jorge Amado.
O livro é uma espécie de diário de um professor de português de seus quase 40 anos em um aristocrático colégio para moças de Belo Horizonte. Ali ele tem como aluna a filha de sua grande paixão juvenil, muito parecida com ela. Difícil falar mais sobre o enredo, pois aqui o que importa é a condução da narrativa mostrando os rodopios que o tal Abdias dá para enganar-se a si próprio quanto aos sentimentos que começava a nutrir pela moça. A dosagem dos sentimentos é perfeita, mostra profunda reflexão e conhecimento do gênero humano.
Obra de mestre arrematado e que bem mereceria ser redescoberta. Procurando uma imagem do livro para colar aqui, encontrei apenas essa capa feia aí, acho que da editora L± a resenha, então, que está na Submarino, é péssima, mas o precinho tá camarada, R$ 15,00 em boa parte das livrarias on line. Que tal dar-se esse presentinho de natal?
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Posted by marcol at novembro 20, 2003 1:46 PM