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novembro 28, 2003

Deu no Ernestinho e você

Deu no Ernestinho e você não viu porque tava preocupado demais cutucando a unha do pé

A incrível e inacreditável história de Andrzej

Recebi uma bolsa do Instituto Indiana Jones para efetuar pesquisas relevantíssimas sobre o comportamento escolar das crianças paraibanas na década de quarenta. A missão era difícil mas altamente recompensadora, já que eu teria uma bolsa de R$ 60,00 por semana, paga em espécie (rapadura). Peguei um ita no norte, seja lá o que isso queira dizer, e fui dar, ops, melhor dizendo, cheguei à ensolarada Paraíba em 18/03/1999.

Minhas credenciais do IIJ abriram muitas portas, de modo que tive acesso a farta documentação, tais como anais escolares, cópias de boletins, cópias mimeografadas de provas e do Hino Nacional, Hino à Bandeira, Hino da Independência, Hino da República, Hino da Paraíba e de um certo "Pequeno Tratado do Cabeça-chatismo", de Emílio Assado.

Foi ali que tomei conhecimento da incrível história de Andrzej Wojciechowski, um garoto filho de imigrantes poloneses que inclusive recebeu esse nome em homenagem a um grande herói de guerra polonês, Andrzej, que, sozinho e armado apenas com uma baioneta e uma partitura da Marselhesa, impediu a invasão russa em Praga em 1867. Mas isso não vem ao caso. A história de nosso Andrzej é que interessa, e conta ela que este garoto sofreu horríveis maus tratos por parte de seus coleguinhas do agreste, devido à alvura de sua pele. Apelidaram-no de Baba de Bode e aplicaram-lhe surras sistemáticas até que ele se tornou um temível cangaceiro, revoltado contra tudo e contra todos. Agia sozinho e consta que após dizimar uma cidade inteira, cantava uma melancólica canção polonesa sobre uma menina que perdeu seu barquinho de madeira nas correntezas do rio Pó.

Andrzej teria sido morto tocaiado. Quase o não reconheceram, já que o sol da caatinga mudara-lhe terrivelmente o aspecto, crestando-lhe a alva pele. Mas o ardiloso tenente Capristano, responsável pela tocaia, fê-lo soletrar Androceu, Nefelibata, Draconiano, Resma, Zabumba, Ernestinho e Jactância, pegando o jovem cangaceiro em seu ponto fraco. Foi só quando ele foi incapaz de dizer Chibolete é que veio a ordem para atirar. Até lá os soldados tinham se divertido, rindo estrepitosamente.

Andrzej morreu com apenas treze anos, mas tornou-se uma lenda no sertão. Ninguém nunca pronuncia as palavras acima juntamente, pois reza a lenda que, se assim o fizerem, o espírito de Andrzej aparece e dá na cabeça do cabra da peste com um nacão de charque.

Êita, que cheiro de carne seca é esse?... TAPLEFT!

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Posted by marcol at 3:14 PM

novembro 27, 2003

Vote em mim Hoje tem

Vote em mim

Hoje tem eleições na OAB/SP. Vai ser a terceira vez que voto (a OAB não é mais "democrática" que nosso país. Voto é direito E dever, ou seja, é obrigatório prática que tenho como moralmente indefensável). Esta é, de longe, a eleição mais cara. O povo tá enfiando a mão no bolso, fazendo campanhas milionárias. Quem mora por aqui decerto já viu uma penca de outdoors com as estampas dos postulantes e decerto já amaldiçoou a OAB por isso, já que o muito melhor é que os outdoors sejam tomados pelas campanhas habituais da época, como de bronzeadores e biquínis. Há um candidato em especial, o situacionista, que há meses tem ocupado todas mídias pensadas e até as impensadas para promover sua campanha. Até spam ele mandou. Não existe um santo dia na última semana e meia que eu não receba uma mala direta de um dos candidatos, o que é muito bom, porque eu andava sem ter com o que pegar o cocô do Bernardo, meu cãozinho.

Todas essas malas diretas falam de boatos horríveis e mentiras deslavadas que andam correndo por aí contra o candidato e é tanto boato e tanta mentira que eu jamais ouvi falar nada de nenhum deles. Normal, sou muito distante das rodas políticas; passei ao largo até mesmo das eleições para o diretório acadêmico na faculdade e por essas e outras acho a eleição da OAB uma inutilidade, já que não faço a menor idéia das diferenças entre um candidato e outro e pior: não faço a menor idéia do que um presidente da OAB faz, além de aparecer na TV criticando o legislativo e o judiciário.

Isso dá uma pista da razão pela qual os caras disputam a tapa o cargo. Ser presidente da OAB/SP dá visibilidade, espaço na mídia comum; serviu, por exemplo, de plataforma de um dos ex para deputado federal (ele hoje é o presidente estadual do PDT, e aparece na propaganda política falando com cabelo lambido e conseguindo mexer só a boca, tipo aqueles desenhos do Namor). No mais, o que faz a OAB/SP além de cobrar a taxa de exercício profissional mais cara do país (são 500 paus/ano, chegado!)? Sei que quando tenho um problema com um juiz, um forum com regras estapafúrdias e coisas assim, eu recorro é à Associação dos Advogados de São Paulo, que parece trabalhar bem mais (e cobrar bem menos, sem falar que não é obrigatório pagar).

Na OAB, como na política convencional, também existem chavões. Assim como todo candidato a deputado fala em segurança, saúde e educação, todo candidato à OAB fala em preservar a dignidade da classe, as prerrogativas da classe e coisas assim. Na primeira eleição que votei, tinha até grupo de pagode em frente do local da votação. Oh, céus, oh vida, o que me espera hoje?

Pra evitar a chatice, nas próximas eleições saio candidato. Minha plataforma: Todo advogado deve ter direito a usar bermuda social no Forum; toda advogada tem direito a tratamento no Le Ru pra salvar a dignidade da classe; os novos advogados têm que bater continência pra quem já tem um ano de carteira; São Paulo precisa de um forum único, que centralize todos os outros, que seja perto da minha casa e ao lado tenha um piscinão, tipo o de Ramos, com um monte de coqueiros, tipo os da Marta mesmo, e entre eles redes para aguardarmos balouçando serôdiamente enquanto as audiências não começam. Ah, outra coisa: advogado que utilizar termos como "nobre colega", "ínclito julgador", "veneranda coorte" ou "data maxima venia" enquanto estiver falando, vai preso na hora.

O que você acha? Levo jeito?

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Posted by marcol at 8:11 AM

novembro 25, 2003

Meus filmes de cabeceira -

Meus filmes de cabeceira - O fabuloso destino de Amèlie Poulain

De longe, o filme mais recente que integra o rol dos meus favoritos, Amèlie foi sucesso não de público e crítica, mas de marido e mulher. A Tatiana adorou e eu também. Pra dizer o quão bom é, basta que se diga que é francês sem ser chato e é divertido sem ser burro. Em suma, manteve o que o cinema europeu tem de melhor mas esqueceu o que ele tem de aparteável (digno de apartes, entende?). Além desses predicados, é um filme modernoso, com recursos de videoclipe utilizados com moderação, o que o torna ágil sem ser barroco.

Amèlie é uma moça do interior que vai morar em Paris e leva uma vida insôssa até descobrir em seu banheiro uma caixa com objetos de um garoto que havia morado ali nos anos 50. Ela resolve tentar encontrar o garoto e bota aquela missão como divisora de águas em sua vida: se tiver êxito - ela decide - vai viver ajudando as pessoas. Seria o tal do sentido da vida.

Personagens engraçados circundam o café em que trabalha (atenção para o ex-namorado ciumento da outra garçonete, que é vivido pelo ator do personagem tocador de serrote em Delicatessen), o prédio onde ela mora e o caminho que ela faz todo dia (como o rapaz que coleciona fotos 3x4 rejeitadas nas máquinas automáticas), tornando o painel humano do filme riquíssimo e extremamente divertido. O pai de Amèlie, por exemplo, que é um eremita e passa a vida cuidando dum anão de jardim horroroso, um dia descobre que roubaram o dito cujo de seu jardim, o que lhe causa profundo desgosto. Mais tarde ele começa a receber pelo correio fotos do anão tiradas em diversos cantos do mundo. A inventidade do roteiro anda por aí e vai longe, muito longe e tem a simpática Audrey Tatou no papel-título. Abra o olho pra menina e também pro diretor do filme, Jean-Pierre Jeunet, que também assina o balacobáquico roteiro.

Anotou aí, chegado?
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Posted by marcol at 1:18 PM

novembro 24, 2003

Intocáveis Curioso o fenômeno que

Intocáveis

Curioso o fenômeno que faz com que algumas pessoas atinjam um nível tal de unanimidade que seja pecado tecer qualquer crítica a ela. É o caso do jogador de futebol da vez e dura até ele chegar à seleção, quando ele volta a ser perna de pau imediatamente e pode ser criticado; o jogador de futebol da vez é Robinho, do Santos, que no jogo contra o Fluminense ontem entrou de sola no tornozelo do colega de seleção sub sei lá o que, Carlos Alberto, deixou o cara no chão urrando de dor e recebeu os seguintes comentários dos globais: involuntário - choque normal - entrou por cima mas visando a bola... Jô Soares, Caetano Veloso, Vera Fischer e outras figurinhas, tudo que façam há de ser lindo e maravilhoso. Que vida chata devem ter.

Há a contramão disso, também, aqueles sobre quem se você não falar mal estará assinando seu atestado de estupidez. Um dos intocáveis acima mencionado, Caetano, de vez em quando ousa macular esse princípio áureo da convivência midiática, por exemplo quando elogiou as vozes de Sandy e da Tiazinha. Os malhados da vez creio que sejam os reboladores do Br'oz, grupo vocal que nasceu da parceria Warner-SBT, no programa PopStars. Aliás, tudo o que vem do SBT deve necessariamente ser vaiado e tomateado - outra regra áurea da inteligentsia tupiniquim.

Este sábado eu assisti o tal do Popstars, como já havia assistido ao menos em parte outras vezes e sacramentei a minha opinião: os caras cantam muito. Mais uma vez sinto que a unanimidade é burra, os caras são muito talentosos, com especial referência ao mané de cabelo meio espetado, meio moicano, sei lá, e para o mestiço de índio; são ambos solistas excelentes. Ora, temos no Brasil dúzias de boas cantoras, mas cantores são raridade; desde Renato Russo temos aí o filho do César Camargo Mariano e da Elis e só. Mais ninguém. Então, os tais popstars aparecem num buraco e aparecem muito bem.

Tá certo, o grupo é feito pra vender e a música é descartável, mas o que é que se tem feito hoje em dia que foge a isso? Compare a música que eles fazem lá, rebolando, e o que 98,9% do rock nacional faz. Excetuando-se o nicho mineiro do Pato Fu e do Skank, o rock nacional é incompetente, constituído de maus músicos, maus instrumentistas, maus cantores e péssimos compositores, além de plagiadores arrematados. Quê dizer se a banda que mais toca é uma banda dos anos 80, portanto cheia de quarentões, e que na época não cheirava nem fedia?

Antes de jogar os tomates, considere que este poste é, na verdade, sobre tocáveis e intocáveis, em suma, sobre preconceitos, e não sobre Br'oz ou CPM22.

Ah, mais uma coisinha: PopStars também inspirou o melhor concurso de blogueiros do universo, o POPwritersSTARS, que você só confere no Ernestinho e Suas Mulatas Besuntadas.
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Posted by marcol at 9:00 AM

novembro 21, 2003

Postício "velhos tempos" Dei uma

Postício "velhos tempos"

Dei uma sapecada nos meus primeiros postes para ver que raios eu escrevia há, vejamos, seis meses (yes, temos mais ou menos isso de vida). Deu vontade de ressuscitar algumas temáticas profundas e cheias de sentido que então por aqui se praticavam:

1. Da série: Túnel do Tempo

Impressionante, mas há exatos oito anos, neste mesmo horário do dia 21/11/1995, eu estava pensando: "hum... será? acho que não..." É mesmo im-pres-sio-nan-te!

2. Recadinhos do Senhor Spock

Ok, crianças, vida longa e próspera! Passei aqui para dizer que ao aproximar-se o trem, o ideal é não se deitar com a cabeça sobre os trilhos! Depois eu volto com mais dicas supimpas.

Eu tenho um blogue!

E pensar que a qualquer momento o Liam Neesom pode estar de saco cheio na sua casa, aí digita a esmo http://www.eporaquiquevaiprala.blogger.com.br e, emocionado com o que aqui lê, embora sem entender necas, resolve parar de comer margarina! Ou então, imagina se o Mikhail Gorbatchev dá uma busca no Google, acha este poste e, travando contato com É por aqui que vai pra lá? resolve mudar pro Brasil e implorar para eu ensiná-lo a arte do blogueio inteligente?

Da série pessoas notórias que ninguém conhece


Este é Laércio Juremo Jonas, o homem que poderia ter-se sagrado tricampeão de fórmula 1 não tivesse morrido de rubéola com treze anos.
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Posted by marcol at 3:12 PM

novembro 20, 2003

Agora, os livros Minha cabeceira

Agora, os livros

Minha cabeceira não conta apenas com filmes. Na verdade conta sobretudo com livros, muitos livros, sem os quais eu seria um ou dois trinta avos de Marco. É bom falar das coisas que gostamos. Tem uma música da Noviça Rebelde que fala só sobre isso. A gente se sente à vontade, esses objetos são nossos velhos conhecidos, somos íntimos. Além disso, faltando assunto pra postar, falar de algo que gostamos acaba sendo a saída ideal: fácil, rápido, indolor e rende até uns comentariozinhos! Só não espere resenha alguma aprofundada. Falo de livros aqui como falo de filmes, ou seja, tratando das impressões que eles me causaram, não do objeto cultural em si, com aquele frio e freqüentemente prolixo olhar acadêmico.

Well, não consigo começar por outra coisa qualquer. Este é o MEU livro, o predileto, o preferido, o que influenciou, marcou e apontou caminhos. Quando descobri a literatura brasileira, peguei um livro didático de português do colegial do meu irmão mais velho e comecei a fuçar. Havia lá um trechinho de Abdias. Aquele pequeno desvão da obra me pareceu muito bom, e guardei a referência para futuras utilizações. Achei-o num sebo posteriormente.

Li duas vezes, com um intervalo de alguns anos e a impressão ficou confirmada: trata-se de uma obra prima de um autor genial. Cyro dos Anjos escreveu muito pouco e seu livro menos desconhecido é O amanuense Belmiro. Ele dizia que escrevia pouco para ser um leitor mais puro, o que não o impediu de ocupar, merecidamente, uma cadeira na ABL. Pertencente à segunda geração modernista, Abdias sai daquela abençoada década de 30, de onde saíram outras coisas fantásticas como boa parte da produção de Drummond, Érico Verissimo e Jorge Amado.

O livro é uma espécie de diário de um professor de português de seus quase 40 anos em um aristocrático colégio para moças de Belo Horizonte. Ali ele tem como aluna a filha de sua grande paixão juvenil, muito parecida com ela. Difícil falar mais sobre o enredo, pois aqui o que importa é a condução da narrativa mostrando os rodopios que o tal Abdias dá para enganar-se a si próprio quanto aos sentimentos que começava a nutrir pela moça. A dosagem dos sentimentos é perfeita, mostra profunda reflexão e conhecimento do gênero humano.

Obra de mestre arrematado e que bem mereceria ser redescoberta. Procurando uma imagem do livro para colar aqui, encontrei apenas essa capa feia aí, acho que da editora L± a resenha, então, que está na Submarino, é péssima, mas o precinho tá camarada, R$ 15,00 em boa parte das livrarias on line. Que tal dar-se esse presentinho de natal?
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Posted by marcol at 1:46 PM

novembro 19, 2003

Reflexões rasas em torno da

Reflexões rasas em torno da arte

Giorgio Bassani, no seu prefácio a O Leopardo (Il Gattopardo) do Príncipe de Lampedusa, filmado com respiros de gênio por Lucchino Visconti, diz: "A vida é musical, como se sabe". Seu conterrâneo genial, Giovani Papini (autor de um dos melhores livros de contos já escritos: Palavras e Sangue), afirmava sem parar que a música era a forma artística mais perfeita. Complexo de inferioridade do escritor? Tenho pra mim que era constatação da fria realidade.

A música é uma forma de comunicação que toca cordas nossas intocáveis por outros meios, cordas internas distantes, freqüentemente empoeiradas pelo cinza dia-a-dia. Quando sua finalidade é mais que arte pela arte, quando tem mensagem, especialmente quando visa louvar a Deus, atinge sua expressão máxima. Não à toa Valdecir Lima (autor de algumas das letras de música mais inspiradas que já ouvi) chama o louvor de "sorriso da alma", e explica: quando alguém faz uma coisa muito boa pra você o que você faz? Você diz: muito obrigado - e com isso está dizendo: olha, foi muito bom o que você me fez e eu me sinto obrigado a retribuí-lo. Aí vem o teu Criador e diz: filho, eu tomei a tua forma, comi a poeira dos teus caminhos, fui incompreendido, perseguido, rejeitado, conheci o que é cansaço, dor, solidão, fome e enfim fui espancado e torturado até a morte por você. O que você responde? "Muito obrigado"? Nosso linguajar perde o sentido nessa hora! A única coisa sensata é então louvar. Louvamos. A resposta é dada assim, música, e Ele aceita.

Há na superioridade da música sobre outras formas artísticas algo de nossa habitual sede por heróis. O músico é um só. O cara deve respirar uma atmosfera mais elevada pra ser capaz de compor coisas geniais. Essa aura atinge também o cantor, daí menininhas morrerem de emoção no show do KLB ou perderem a voz no show dos Beatles. Daí caras saírem no tapa no bar por divergirem sobre quem foi melhor, Wagner ou Mozart. O mesmo tipo de sentimento creio que acompanhe o admirador de algum escritor, o cara solitário que escreve coisas inefáveis.

Tenho uma amiga que não gosta de cinema, e não entendo como isso possa ser. Cinema é tudo isso. Começa com um belo roteiro, passa por ótimas locações, figurino, trilha sonora, montagem, som, fotografia, atuações e direção. Um bom filme só será um bom filme se tiver um bom time por trás, pessoas geniais em diferentes áreas trabalhando juntas.

Oscar Wilde termina sua introdução a O retrato de Dorian Grey afirmando que toda arte é inútil. "A gente não quer só comida", contudo! Arnaldo Antunes tem razão, o Criador nos deu mais do que só comida.
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Posted by marcol at 1:53 PM

novembro 17, 2003

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Posted by marcol at 1:40 PM

Meus filmes de cabeceira -

Meus filmes de cabeceira - Vestígios do Dia

James Ivory é tido como o mais inglês dos diretores norte-americanos. Gosta sobretudo da época vitoriana, quando a Inglaterra era a locomotiva da Revolução Industrial no mundo e um choque de costumes acontecia, uma revolução com pouca adrenalina, como só ingleses seriam capazes de fazer. Filmou primeiro Uma janela para o amor (título estúpido para A room with a view) e depois o fantástico Retorno a Howards End.

Em Vestígios do Dia, adaptação do romance de Kazuo Ishiguro, ele retoma o casal de atores de Howards End, os excelentes Anthony Hopkins e Ema Thompson (oscar em Howards End) e os coloca como criados de um aristocrata inglês no período entre guerras. Há um interessante pano de fundo político, já que o tal aristocrata é pró Alemanha e lidera um movimento para arrecadar fundos para restabelecer a economia dos chucrutes fustigados pela primeira guerra. Um encontro político com diplomatas de diversos países reúne-se para esse fim. Destaca-se ali a presença de Christopher Reeve, como o americano que tenta por todas as formas convencê-los da estupidez daquela idéia. Creio que tenha sido seu último papel antes do acidente que o vitimou.

Mas a história mesmo está por trás do rosto quase sem expressão do mordomo Anthony Hopkins. Neste "quase", contudo, está a mais impressionante atuação que eu já vi (e não admira que não tenha ganho o Oscar, já que o óbvio ululante enfada os membros da academia). Ele é um robô, criado para servir, não para ter sentimentos. Seu pai está morrendo´num quartinho lá em cima, mas ele permanece imóvel esperando um dos tais diplomatas terminar um enorme discurso para poder empurrar-lhe a cadeira quando quiser sentar. Está em frangalhos por dentro, mas tem que se mostrar sempre com aquele irritante sorrisinho solícito que cai bem em criados.

Quando percebe que sua vida restringe-se às paredes daquela casa, resolve viajar para encontrar a governanta que fez o impensável: chorou por ele. O filme é narrado em forma linear, mas o romance foi escrito como se ele estivesse lembrando de sua vida durante aquela viagem definitiva, daí o título, que, no filme, fica meio sem pé nem cabeça. Destaque todo especial pra cena em que Christopher Reeve, de volta à casa depois de passada a guerra, liberta uma pomba que havia ficado presa num dos aposentos. Adoro filmes que discursam com uma cena.

Fotografia, direção exímia, montagem, figurino, atuações, roteiro, enfim, aplausos de pé.


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Posted by marcol at 8:32 AM

novembro 14, 2003

Jair e o emprego Nos

Jair e o emprego

Nos quarenta e dois processos seletivos dos quais participou nos últimos quatorze meses, Jair Medeiros passou por umas situações esquisitas. Certa vez o entrevistador pediu pra passar a mão na sua orelha; Jair franziu o cenho e disse que não entendia no que isso poderia ajudar no processo seletivo, aí o entrevistador anotou no seu caderinho umas coisas e encerrou a entrevista logo mais.

Em outra ocasião a entrevistadora perguntou-lhe o que faria se fosse preso na Namíbia por tráfico internacional de escravos. Jair deu uma risadinha desconsertada e disse que achava essa uma hipótese pouco factível (usou essa palavra aí). A entrevistadora anotou no caderninho e pareceu desinteressada no restante da entrevista.

Houve também uma vez quando, numa dinâmica de grupo, pediram a todos os candidatos que imitassem um pato albino com dor de barriga. Jair virou as costas e saiu. No corredor ainda ouvia os sonidos ridículos que vinham da sala.

Agora Jair está empregado. A menina do RH virou pra ele e perguntou se costumava entrar nos bueiros de São Paulo. Ele respondeu, com toda naturalidade, que sim, que sempre ia lá espairecer e que conhecia um lugar ótimo, se ela não queria ir lá com ele.

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Posted by marcol at 10:13 AM

novembro 12, 2003

Orgúio Botei umas foto fresquinha

Orgúio

Botei umas foto fresquinha dos meus orgúio aqui. Dá uma bizoiada lá e diz se é ou não é uma beleuza!
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Posted by marcol at 5:17 PM

Aí eu lembrei da piadícula

Aí eu lembrei da piadícula que passo a narrar:

No concurso internacional de arco-e-flecha chegou o primeiro candidato, puxou uma pessoa da platéia, colocou-a de costas para uma árvore, equilibrou uma maçã sobre sua cabeça, afastou-se centenas de metros, retesou o arco, posicionou a flecha e zás! Maçã espetada, cobaia intacto (embora um tanto desnorteado pela descarga de adrenalina).

- Oh! - foi a aclamação geral.
Fazendo uma mesura, o autor da façanha diz:
- I am... William Tell!

Vem o segundo candidato e pede que o cobaia continue onde está. O público prende a respiração. O candidato retesa o arco, posiciona a flecha e zás! A flecha de Guilherme Tell cortada ao meio, cobaia intacto, embora duplamente agitado.

- Oh!! foi a aclamação geral.
Numa mesura acentuada, o autor diz:
- I am... Robin Hood!

Vem o terceiro candidato, pede que o cobaia não se mexa, retesa o arco, posiciona a flecha e zás! Maçã intacta, flechas anteriores também, cabeça do cobaia partida ao meio.

- Oh! foi a aclamação geral (esses ingleses...).
Numa mesura um tanto desmesurada, o autor da desgraça diz:
- I am... sorry!
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Posted by marcol at 11:09 AM

novembro 11, 2003

Você não pediu! Nós atendemos!

Você não pediu! Nós atendemos! - Mais um roteiro genial para um filme quase lá

Depois do sucesso avassalador do meu último roteiro cinematográfico (que eu não lembro qual foi), meu telefone vermelho, que fica dentro de uma bandeja pra bolo (originalidade sempre foi meu forte) não pára de tocar. Trata-se da linha direta com Hollywood. Torraram meus picuás diretores de estilos tão díspares como Wes Craven (sére Pânico), Woody Allen, Irmãos Wachowsky, os caras de Quem vai ficar com Mary?, o agente da Meryl Streep, Costa Gravas e Quentin Tarantino. Como ando muito assoberbado com os postes inteligentíssimos de É por aqui que vai pra lá? e os postes sublimes de Ernestinho e Suas Mulatas Besuntadas, resolvi atendê-los todos duma vez só. O resultado você, leitor refinado e classudo, confere em primeira mão. Chama-se...

O ocaso dos cágados sacripantas

Jovens colegiais de Primaveirópolis, cidade do interior de Goiás, estão às voltas com as festividades da formatura. Enquanto decoram o ginásio da escola, ficamos conhecendo os personagens: Marilene, a loira biscoituda e devassa que se veste de forma pouca própria; Juremiel, o capitão do time de futebol, popular, xavequeiro e dado a usar camisetas agarradas com as mangas dobradas para realçar os bíceps; Leonora, a intelectual e politizada, alvo das paixões doentias de ; Deoclécio, o esquisitão de feições nerd e hacker de ocasião; e, claro: um obeso, um negão, um punk, uma freira e um pasteleiro chinês.

Leonora diz: gente, não é hora de irmos embora? Vocês ouviram falar no que aconteceu àqueles fazendeiros, está perigoso andar por aí de noite...

Juremiel: bobagem, vamos acabar isso aqui - e dá uma risadinha safada na direção de Marilene.

O pasteleiro resolve ir ao banheiro. A câmera fica postada atrás de uma porta, só vemos pela fresta o que acontece. O chinês posiciona-se ao mictório e a porta se abre lentamente e vai-se aproximando. De repente, uma mão com um enorme ancinho aparece. O china olha no espelho e vê uma assombrosa figura vestida de bumba meu boi, mas antes que possa gritar o ancinho desce violentamente espirrando sangue pela parede branca do banheiro.

O punk acha estranho que o china não aparece, então começa a procurá-lo. Ele morre com uma barra de ferro atravessada no crânio. O obeso tenta escapar e é cortado ao meio por um cabo de aço da tabela de basquete, que se desprende a um toque do tenebroso bumba-meu-boi. Os demais tentam escapar, mas as portas do ginásio estão trancadas. A quadra é regada com o sangue juvenil. Cada corpo deveria ter uns 90 litros de sangue, e todos eles estão agora borbulhando de seus cadáveres dilacerados. Restaram apenas Leonora e Deoclécio, que abraçam-se a um canto tremendo e gritando. Quem é você!? grita Deoclécio. O bumba-meu-boi vem chegando e, parando dramaticamente, com uma foice na mão, começa, com a outra, a tirar a máscara. Close em Leonora. Pela lente de seu óculos vemos do lado de fora da janela, um homem vestido de sobretudo preto e óculos escuros.

Ele está andando pelas ruas desertas de forma decidida. Pára em frente a uma casa comum, de frente para o coreto da cidade. Pula o muro e bate na janela ao lado. Aparece um rapaz com grandes olheiras: o que foi? Quem é você? - Siga-me! o homem diz. - Mas... o rapaz diz, mas o homem atalha: - Siga-me, você corre perigo! e, dizendo isso, ele se vira. O rapaz vê então, tatuado na nuca dele, uma anta branca. Num flash back somos levado ao sonho que o rapaz estava tentando quando bateram-lhe na janela.

Ele estava no bico de um enorme navio, com os braços abertos, e por trás dele uma mulher azul sussurrava: a anta! a anta branca!
Sem mais pensar ele pula a janela e segue o homem de preto. Estão quase chegando à esquina, ele quer perguntar o que está acontecendo, mas o homem faz sinal para que ele fique quieto e o faz pular para dentro do quintal de uma outra casa. Olham para a casa dele, à frente da qual estacionou um caminhão de onde saem trinta homens vestidos com uniformes militares futuristas; eles fazem uma linha à frente da casa e começam a metralhá-la. Em poucos e barulhentos instantes, a casa está no chão, eles voltam ao caminhão e saem. O rapaz está atônito. O homem de preto o leva até uma antiga igreja desativada. Ali, sob uma luz tugúria, diz: você tem perguntas. Faça! O rapaz começa então a despejar nervosamente: quem é você? O que quer comigo? Quem eram aqueles homens? Por que isso está acontecendo?

Toca um celular. O homem de preto atende e sua cara de durão de repente se derrete: ok, vou já pra aí - ele diz. Sem mais nem mais ele tira o sobretudo de couro preto e veste um paletó de lã xadrez, pega um ramalhete de flores, sai da igreja e vai até uma casa. Toca a campainha, uma bela mulher atende e pede um segundinho. Volta segundos depois com uma bolsa e um xale. Ele diz, estendendo as flores: são para você. Ela sorri, diz que são lindas, volta para dentro de casa para guardá-las e finalmente saem.

- Você sabe que isso vai ser complicado, não sabe, Edmundo?

- Cecília! Ele diz colocando-se à frente dela e segurando firmemente seus braços - seria preciso mais do que um mundo de diferenças a nos separar para me fazer desistir de tentar. Que me importa se você foi casada com o inimigo mortal do meu pai, que me importa se o seu pai é diretor do Vila Nova e eu sou sócio do Goiás, que me importa se você tem a metade da minha altura, se é doutora em psiquiatria clínica e eu sou analfabeto? Essas coisas todas pertencem ao mundo das abstrações, das quimeras, dos imponderáveis, ao passo que existe algo que é fato, mais concreto do que o paralelepípedo sobre o qual pisamos, e esse algo é: eu te amo.

Começa a chover e eles se beijam. Cecília começa a tossir, diz que não se sente bem e vai pra casa. O sol amanhece e seu pai aparece com um envelope na mão, dizendo: filha, o resultado do exame é o que eu temia. Aquela chuva te deixou com câncer. Existe uma chance em 18.000 de você se salvar, mas estou sabendo de um tratamento experimental em um hospital da Antioquia. Vou dar um jeito de levantar os fundos necessários para irmos até lá. - Oh, papai - ela diz e começa a chorar. O velho sai e começa a fazer ligações, colocar faixas nas ruas, distribuir santinhos com a foto da sua filha e mobilizar toda a sociedade de Primaveirópolis. Seu amigo Sandoval o convence a tentar levantar o dinheiro no concurso de duplas sertanejas mistas da cidade, mas para isso um dos dois tem que se vestir de mulher e o outro disfarçar-se de corno. O diretor do concurso começa então a dar em cima da "mulher" sem saber que se trata de seu cunhado Sandoval. Chega a hora da grande final, eles sobem ao palco e começam a cantar "Por que você me largou?" quando o concurso é interrompido por uma marcha de sem terras. Eles estão a caminho de Brasília e lutam por dignidade e justiça. O seu líder, Libério Guevara, é alvo de uma emboscada dos fazendeiros latifundiários, mas conta com a ajuda do repórter Jair Vladílson, de A Folha de Primaveirópolis, que começa a publicar bombásticos artigos contra o prefeito e os fazendeiros, revelando um esquema de lavagem de dinheiro, extorsão, tráfico de crianças, de escravas brancas e de rapadura.

Ele vê que está sendo seguido por capangas do prefeito e sobe num jegue para fugir. Começa uma emocionante perseguição de jegues pelas ruas tortuosas da cidade. Enfim, Jair Vladílson esconde-se na casa de Francisco Emérito, o filósofo e pensador da comunicação, que, sentado em uma cadeira de balanço na varanda de sua casa, começa a tergiversar sobre a arte, o pensamento, a expressão e a aparente falta de sentido nas construções artísticas contemporâneas. No fundo, ele diz, tudo se encaixa. E, dizendo isso, pisca para a câmera, que escurece em fade enquanto sobem os créditos e toca "Vai passar", do Legião Urbana.
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Posted by marcol at 9:43 AM

novembro 10, 2003

Óxente! 4.000 visitas! Está demonstrado

Óxente!

4.000 visitas! Está demonstrado que o conteúdo de profundidade piscinal (regan) e de espirituosidade borbulhante (sidra cerezer) deste blogue é já um fato consumado na blogosfera tupiniquim e alcançou seu merecido assento dentre o Olimpo dos esforços midiáticos caseiros! Isso merece ser comemorado! Que tal com a nâmber faive do concurso anual que a revista americana FHM faz para eleger as 100 mais biscoitudas? A moça é simpática, interessa-se por livros de auto-ajuda e adora sorvete de baunilha. Chama-se Carmen Electra.

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Posted by marcol at 11:48 AM

novembro 6, 2003

De repente, um pouco menos

De repente, um pouco menos que de repente

Até então orgulho é um sentimentozinho besta, mesquinho, vil. Ele advém de coisas sem virtude, e onde falta a virtude inexistem alturas, gozos reais, o sublime e o que há de mais perto do eterno. Até então a corrida ou tem um sentido que aponta para fugazes e tolos troféus ou então carece de qualquer sentido. Na perspectiva, assim me parece.

Estou falando da minha realidade há exato um ano. Mas deu 00h12 do dia 6 de novembro de 2002 e eu pude ver, por cima da tremida tela da filmadora, uma cabecinha despontando neste mundo escuro. O mundo ficou mais claro, o orgulho num repente revestiu-se de roupas dignas e meritórias e os sentidos puseram-se todos nos seus devidos lugares, todos mais altos e solenes. Eu nasci um pouco há um ano.

Desde então tenho descoberto novos desvãos por onde mirar a glória a cada santo dia. Você já recebeu um uta apertado, ele com a boca aberta e os olhos fechados? De alguém com o cabelo que você costumava ter no começo de tudo? Só que agora melhorado com os traços da pessoa que ama e que escolheu pra coçar as costas na velhice? Experimente.

Parabéns Eduardo. Deus te abençoe, meu filho, e me dê o que for necessário para não atrapalhar sua apropriação serena e certa dessa benção.


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Posted by marcol at 9:46 AM

novembro 5, 2003

Carta enigmática - Da série

Carta enigmática - Da série "Postes dãr" ou "Um dia eu vou aprender a editar as imagens"

Adivinha quem fez esse poste????

M +


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Posted by marcol at 10:24 AM

novembro 4, 2003

Colírio para os olhos, alimento

Colírio para os olhos, alimento para a mente, bálsamo para o coração partido

Assim é Maria de Auschwitz, a blognovela de maior sucesso desde Persela, a Vesga, e que está em andamento no estimulante Ernestinho e suas mulatas besuntadas.

Aliás, no referido Ernestinho vossa senhoria há de conferir o triste fim da dupla Super Gêmeos, a quantas anda o concurso mais pop da blogosfera, o POPwritersSTARS, bem como as venturas e desventuras de Janjão Jones, o agente secreto albanês cheio de fleuma russa e de charme japonês. Tudo isso, além dos comentários mais desmiolados e das intervenções menos convencionais que se podia esperar dum blogue com um nome desses.

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Posted by marcol at 10:14 AM

Disfarce. Você está sendo vigiado

Disfarce. Você está sendo vigiado - a verdadeira história do "leitor estressado"

Por algum tempo inquietei-me tentando descobrir quem seria o enigmático (hum... lembrei os bons tempos de Persela, a Vesga) leitor que tem registrado comentários algo deselegantes algo ameaçadores nos meus últimos postes. Ele começou corrigindo a grafia de uma palavra em alemão que eu inventei de botar num poste, o que me deixou bastante constrangido. Como assinasse "leitor estressado", fiz minha parte sugerindo-lhe uma boa clínica para relaxar. Ele afirmou depois haver seguido o conselho, mas, só pra contrariar, optou por outra clínica. Agora, assinando apenas "leitor", abandonou a rabugice ortográfica (mas não de todo) e passou a dar a entender que`conhece certos detalhes sórdidos de meu passado que seriam capazes de destruir minha carreira gloriosa de capitão do melhor blogue que já fizeram com o nome de É por aqui que vai pra lá?. Sim, fê-lo através da menção a Apolônio.

Para provar que minha vida é um livro aberto, digo de antemão que Apolônio é o personagem que representei em um mega-musical há algum tempo, com estrepitoso sucesso de crítica e de público e direito a bis e tudo mais.

Pois bem, depois de cismar por mais de três minutos com a coisa toda, primeiramente alegrei-me, já que consegui enfim assunto para mais um poste. Depois foi só juntar os fatos aproveitando o método de raciocínio de micieur Hercule Poirot, que aprendi após ler cerca de 13 livros de Agatha Christie. Assim, cheguei à conclusão de que o retro mencionado "leitor..." nada mais é que...
Koo Lin San Chu, meu arqui-inimigo franco-coreano e concorrente com o blogue Is this way I must to take to go there?, que não linkarei por motivos óbvios.

Todos sabem que Koo, como é conhecido, é o braço blogueiro da yakusa coreana em Guadalajara. Ele comanda uma gangue que invade karaokês e monopoliza as perfomances, dando ênfase especial a canções de Barry Manilow. Ele também pune os traidores do grupo obrigando-os a comer sopa com palitinhos. Enfiados no nariz. Ele usa ridículas calças de couro branco e está sempre com uma jaqueta vermelha com os dizeres "Jet Pilot". Koo é realmente muito mau! Ele masca chiclete de boca aberta e adora espetar a goma no cabelo das velhinhas que transitam pelo Bairro Oriental de Guadalajara.

Há algum tempo, percebendo o sucesso deste blogue, contratou um detetive albino para me seguir. Manjei tudo desde o primeiro dia e espalhei dicas falsas por aí. Fi-lo pensar que meu nome era Nuno Leal Maia e que a inspiração para meus postes inspirados era assistir a Bonanza de cabeça pra baixo. Percebendo o insucesso de suas incursões detetivescas, Koo agora ataca de "leitor..." Vou mostrar minha magnanimidade ignorando-o e não falando nem uma palavra sobre ele. ops.
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Posted by marcol at 9:18 AM

novembro 3, 2003

Ainda il Paradiso E por

Ainda il Paradiso

E por falar em Cinema Paradiso, hoje dei uma olhada meio sonolenta na prateleira da banca de jornais e lá estava o DVD do dito cujo, sorrindo pra mim. Agora eu tenho Cinema Paradiso, hohohoho. Quem quiser ver, o ingresso lá em casa é qualquer pote de meio quilo do sorvete de macadâmia da Haggen Dänz (perdão leitor estressado, desde já, caso esteja grafado errado).

Consta que o supra mencionado Cinema Paradiso tem uma versão mais extensa e que não foi lançada no Brasil, chamada Il Nuovo Cinema Paradiso. Ali algumas lacunas da história são supridas. Na versão que conhecemos aqui no Brasil, enquanto sobem os créditos vão aparecendo algumas cenas do filme, mas entre elas duas que não estavam lá: numa, aparece uma mulher loira. Seria Helena mais velha? Na outra, Toto versão anos 90 aparece recostado a um balcão de bar. Decerto são cenas que estão nessa tal outra versão e que não foram permitidas aos pobres latino americanos conferir. Uma amiga que anda lá pelas terras de tio Sam disse que viu e é algo assim de sublime.
Tá na listinha das coisas a serem vistas antes de expirar.
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Posted by marcol at 11:37 AM

Jovem Guarda Prestei meus relevantes

Jovem Guarda

Prestei meus relevantes serviços ao Grupo Pão de Açúcar durante paradisíacos meses de minha existência e chamava a atenção a quantidade considerável de decanos, funcionários de muitos costados, com diversas primaveras de casa nas costas. Isso é bom, claro, revela que a empresa aposta na mão de obra experiente e serve de consolo para todos os que se lembram que um dia terão as cãs grisalhas também e continuarão precisando comer e se vestir. Mas é que havia algumas peças cuja razão para continuarem nos quadros da empresa, aliás, de qualquer empresa, nos causavam admiração.

Pois bem, fontes que preciso preservar fizeram o seguinte exercício num momento de ócio ou saco-cheio homéricos: digitaram no outlook, na lista de ramais, os prefixos "seu" e "dona". Apareceram nomes dos quais você só lembraria folheando aqueles velhos álbuns de fotografia da sua bisavó. Veja só: ABADIA, ABELARDO, ABIGAIL, ADAILDES, ADALGISA, ADAMASTOR, ADELAIDE, ADEMAR, AGOSTINHO, ALVANI, AMBROZINA, AMÉRICO, ANITA, ANSELMO, ARISTEU, AURELINA, AVELINO, BLANDINA, CELESTE, CLEONICE, CRISÓSTOMO, DILZA, DINA, DIVINA, DOMÊNICA, DORA, EFIGÊNIA, ELDA, ELENI, ESMERALDA, EUCLIDES, ERMENEGILGA, EXPEDITO, FRANCELINO, FRUTUOSA, GERTRUDES, GERVÁSIO, GUIDO, HEPAMINONDAS, ILDA, IMACULADA, JOALDO, LEDA, LEUDA, NAIR, NANCY, NÉLIO, NIVALDA, OCIMAR, ODAIR, ODÍLIA, OTONIEL, PETRONE, PETRUCIA, SILVAL, ULISSES, VALDETE, VALENTIM, VENÂNCIO, ZENAIDE.

Onde mais existiria uma folha de pagamento com esses nomes senão numa empresa que zela pela memória?
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Posted by marcol at 10:30 AM