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outubro 27, 2003

Meus filmes de cabeceira 4

Meus filmes de cabeceira 4 - Cinema Paradiso

Eu havia combinado de ir ao cinema com a Nancy e a Simone. Elas viriam do longínquo Capão Redondo para o shopping Paulista. Eu estava há não muito tempo cursando direito no Mackenzie e pensei que o shopping paulista não devia de ser muito distante, resolvi ir andando. Ainda fiz o caminho mais longo: subi a Consolação até a Paulista e andei a Paulista todinha. Encontrei as minas e a Nancy veio com essa: tá passado Cinema Paradiso no Belas Artes, vamos andando?

Por aí vc vê que não foi com a melhor das boas vontades que fui ver o filme. Eu nunca havia ouvido falar dele, achei que era alguma esquisitice européia e além disso teria que andar a Paulista inteirinha de volta até a Consolação. Mas desde sempre quem manda são as mulheres. Havia pouca gente no cinema. Alguns bancos mais à frente, um velhinho com a mão cheia de moedas as fazia tilintar. Pois é, lembro direitinho tudo o que aconteceu até o filme começar, mas não lembro de nada do que aconteceu depois que ele acabou, como foi que voltamos pra casa, necas. Nas nuvens.

Assisti oito vezes depois dessa. Junte-se belas atuações (notadamente de Salvatore Cascio, o Toto enquanto menino, e de Philip Noiret, o Alfredo), linda fotografia, a trilha sonora daquele que tenho como o maior gênio compositor a serviço do cinema, Enio Morricone, o natural carisma do povo da Sicíia e um roteiro inventivo, que mistura nostalgia com poesia, ao mesmo tempo em que homenageia a própria sétima arte em diálogos metalinguísticos lindos de morrer e temos um dos melhores filmes que já vi. Que alguns críticos rotulam de "sentimentalismo parnasialóide". E eu com isso? O filme me pegou pelo fígado, virou tudo lá dentro, deu aquele nó na garganta. Tou nem aí.

Cenas inesquecíveis: Toto anda pela rua meio torta depois de levar um fora, enquanto copos e pratos começam a ser jogados das janelas e fogos espoucam acima das casas - era revèillon; Toto menino, escondido atrás da cortina, assiste a uma sessão privativa do novo filme, que era só para o padre fazer a censura das cenas picantes, o padre levanta o sino e quem badala é o sino da escola; Toto homem feito deitado em sua cama recorda a história enquanto a sombra de um daqueles sininhos de porta é projetada sobre seu rosto pelos relâmpagos; o beijo na chuva; o ônibus azul chegando na praça; a sessão de cinema projetada contra a fachada de uma casa na praça (um tanto inverossímil, mas bela, vá lá); o pique-nique no mato e o diálogo ao lado do Mediterrâneo, quando Alfredo tem as falas mais belas do filme.

Licença, vou botar a trilha do filme aqui e dar uma viajada a Giancaldo.

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Posted by marcol at outubro 27, 2003 9:28 AM