« Viagem a Catirifufu Sierioja era | Main | Ran, Forrest, Ran Numa dessas »
outubro 17, 2003
É por aqui que vai
É por aqui que vai pra lá? entrevista
Três da tarde de uma atarefada terça-feira qualquer de agosto, minha secretária avisa que há visita para mim.
- Quem?
- O senhor Luís Fernando Veríssimo - ela responde com um leve tremor na voz, essa vendida.
Passei alguns segundos admirando a janela. A vista da sede mundial de É por aqui que vai pra lá? é muito bonita, o gramado verdinho da Hípica Paulistana,o bairro do Brooklin Novo, etc.. Eu na verdade meditava em como atender àquela inesperada visita. Acabei por pedir que o encaminhassem para a sala de reuniões 9.
- Desculpe, LFV, se você tivesse avisado eu teria reservado a sala de reuniões nº 1, que é mais confortável, tem redes de balançar, coqueiros e suco de mangaba...
- Oh, eu é que tenho que me desculpar por vir sem avisar! Mas é que eu li aquela fantástica entrevista com o Chico Buarque [desculpe, não sei linkar postes. Vai aí o link da página, aí vc desceu até a dita entrevista, se quiser conferir: http://www.eporaquiquevaiprala.blogger.com.br/2003_07_01_archive.html] e desde então não paro de pensar na possibilidade de ser, eu também, entrevistado. Aproveitei que estava em São Paulo para o lançamento de meu novo livro e tomei a liberdade de vir até aqui.
- Certo, entendi. Bom, vamos lá, então. Sua obra...
- É boa, mas pode ficar muito melhor. Agora que tenho este blog para visitar sempre, minhas referências crescem em qualidade. Conseqüentemente, meus textos também melhoram. A propósito, como é o seu processo criativo, como consegue ser tão inteligente, mordaz e perspicaz?
- Bem - eu respondi - sigo os conselhos de Rainer Maria Rilke, que em suas "Cartas a um jovem poeta" diz que devemos mergulhar em nossa infância e buscar ali o tesouro que norteará a nossa obra criativa no presente.
- Então, você procura falar bastante de sua própria infância?
- Não exatamente. Eu mergulho em minha infância e tento adequar minha mentalidade à de então. Assim, eu penso como um garoto de cinco anos e meus escritos refletem isso.
- Genial! E como misturar realidade histórica, como no caso de Viagem a Catirifufu e A montanha das Sete Provações, com esse humor refinado e classudo?
- Bem, o importante é deixar falar a voz do coração. A realidade é engraçada, assim não precisamos ter medo de ser engraçados, tanto mais quando falamos da realidade como ela é.
- Certo. Que conselhos você daria a um escritor iniciante, com apenas alguns milhares de exemplares vendidos mundo afora?
- Eu diria, Verissimo, para priorizar o conteúdo em detrimento da forma, e para só escrever se isso realmente for uma necessidade de seu espírito, se for inevítável. Para blogar é preciso traquejo, habilidade e este olhar magnético e atraente.
- Peraí que eu tô anotando tudo!
- Veríssimo, não acha que eu deveria fazer-lhe uma pergunta?
- Pra que? Bobagem! Está ótimo, ó-ti-mo. Agora sim peguei o jeito da coisa. Posso te ligar se tiver alguma dúvida? Quando essa entrevista vai ao ar?
- Ora, a pauta está toda tomada até dia 17/10. Tenha paciência.
Ele se foi ao cabo de alguns instantes, muito satisfeito. Achei um pouco estranho, mas dei de ombros e voltei a trabalhar.
--------
Posted by marcol at outubro 17, 2003 2:53 PM