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setembro 16, 2003

Postício * Buarquianas O sol

Postício *

Buarquianas
O sol ainda não tinha nascido hoje e eu estava ali, meio sonolento, assistindo ao Pasquale na Cultura (série Grandes Cursos Cultura) e ele comentava a letra de "Paratodos", do sêo Chico. Você aí, acha difícil rimar, mesmo terminando os versos com verbos como "rimar", "falar", "sonhar", ou então com palavras terminadas em "ão", tipo "coração", "paixão", "Janjão" (esta foi em homenagem à blog série de maior sucesso na blogosfera, Janjão Jones - o espião que me espiava, que você só encontra em Ernestinho e suas mulatas besuntadas)? Pois bem, repare que nessa construção do Chico, como ele mesmo anuncia ali na segunda estrofe, não só os versos rimam e formam um belo sentido, que aponta para a soma de misturas que é o Brasil e, conseqüentemente, o "artista brasileiro" (o próprio Chico, como ele afirma no último verso), mas todos os versos são redondilhas puras, ou seja, versos de 7 sílabas poéticas.

Faça as contas:

O - meu - pai - e - ra - pau - lis - ta (até "lis", sílaba tônica da última palavra: 7)
Meu - a - vô - per -nan - bu - ca - no (7)
O - meu - bi - sa - vô - mi - nei - ro (7)
Meu - ta - ta - ra - vô - bai- a - no (7)
Meu - ma - es - tro - so - be - ra - no (7)
Foi - An - tô - nio - Bra - si - lei - ro (7)
Foi - An - tô - nio - Bra - si - lei - ro (7)
Quem - so - prou - es- ta - to - a - da (7)
Que - co - bri - de - re - don - di - lhas ....

Aí você se dá conta de sua mediocridade e vive mais feliz. Pronto!

I just call...

Triiiim
- Alô.
- Marcão, aqui é o Nick Fury, da S.H.I.E.L.D.
- Ah, oi, Nick. Puxa, como você fala bem o português.
- Adoro Buenos Aires! Escuta, precisamos de sua ajuda!
- Chora!
- Sabe o Galactus, o "devorador de mundos"?
- Tô ligado.
- Pois é, ele tá aí no quintal da gente, querendo destruir o mundo, aquela coisa toda...
- Tá, mas por que você não chama o Quarteto Fantástico?
- Não dá, o Homem Elástico tá com lombalgia, a Mulher Invisível não se enxerga, o Tocha Humana é muito esquentadinho e o Coisa, enquanto Coisa, não atinge o clímax do ser a nível de sublimação objetiva.
- Poxa. Homem Aranha?
- Não é o expertise dele, Marcão.
- Meninas Superpoderosas...
- Tá brincando! Elas adoram o Galactus, têm pôster do cara lá no quarto delas e tudo. Sem chance, você é a nossa melhor opção.
- Ah, tá bom. Olha, faz o seguinte, pega o reator retro-ativador de prótons em feixes beta-gama com sete cabeças e conversor francês-chinês mandarim que tem ali no edifício Baxter.
- O que tem alça monocromática de metal escovado com frisos laterais azul-turquesa?
- Não, não, esse é o reator pró-sônico de ondas lítio-magnéticas com refil e bateria extra. O que eu disse é o que tem santo antônio vermelho com três bicos frontais e um adesivo "Jet Pilot" em baixo.
- Tá. Achei.
- Bom, aponta isso pro Galactus, depois liga as turbinas meta-supurosas de íons cabeludos e, quando ele estiver distraído, faça cócegas nas costelas do seu lado esquerdo usando uma mão mecânica que eu vi uma vez ali na Liga da Justiça.
- Tá beleza. Você misturou Marvel com DC, mas tá valendo. Obrigado!
- Sem problema, mas me diz uma coisa: por que vc me ligou às duas e meia da matina?
- Putz, desculpa! Esse fuso horário! A gente fica aqui no Porta-aviões aéreo da S.H.I.E.L.D. e esquece da vida...
- Firmeza. Vai lá.

Proustianas

"Estava num desses períodos da mocidade, vagos, desprovidos de um amor particular, em que, por toda parte, como o enamorado com a mulher por quem se apaixonou - se deseja, se procura, se vê a beleza. Que um único traço real - o pouco que se distingue de uma mulher vista ao longe, ou de costas - nos permita projetar a Beleza diante de nós, imaginamos tê-la reconhecido, bate-nos o coração, apressamos o passo, e ficaremos sempre meio persuadidos que era ela..."
Marcel Proust - À sombra das raparigas em flor

(*) coletivo de post, assim como cardume é coletivo de lobos e enxame é coletivo de pingüins
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Posted by marcol at setembro 16, 2003 8:54 AM