« Poemas para fazer belo o | Main | Era uma vez... ... »

agosto 4, 2003

Minha entrevista ao The Economist

Minha entrevista ao The Economist

Cansado do assédio da imprensa, que vem crescendo mais e mais desde a inauguração de É por aqui que vai pra lá?, resolvi atender aos rogos dos esforçados repórteres da The Economist. Pra quem não sabe, trata-se de uma publicação galesa sobre corte e costura. Foi o que me disseram. Transcrevo abaixo tudo o que foi dito, que é para você, leitor de aguçado espírito crítico, comparar com o texto que eles vão publicar. Eu os recebi (Sir Alex Zoonicrêisan, Mr. Frank Einstein e o fotógrafo Edouard MonAmi) no Castelo de Jerivadame numa plácida manhã de domingo, vestindo um robe de chambre, com chinelas, e petiscando brotos de bambú selvagem, regados a muito suco de tremoço. Antes, contudo, a foto que eles tiraram:

TE: Sr. Marcão, é verdade que, para a confecção de É por aqui que vai pra lá? o senhor foi beber na fonte dos minimalistas alemães?
Mim: Eu sou o que eu vi, ouvi e li. Se sobressai algo dos minimalistas alemães, isso seria natural. Mas vocês vão encontrar algo de Woof, Weitgenstein, Imelda Marcos, Borges, Cervantes, Burgess, Brooks (yes, Mel) e até mesmo de Sófocles, se olharem com cuidado postes como "Fábulas Consagradas"...
TE: Como o senhor tem lidado com a fama, o assédio das mulheres e a fortuna amealhada com este blog de indiscutível contribuição para o enriquecimento do patrimônio cultural mundial?
Mim: Por favor, tente não puxar muito meu saco [eu tive de traduzir a expressão para eles: to pull my bag]. Bem, eu tenho agido com naturalidade. Foi para isso que mamãe me criou. Sei que amanhã ou depois o Helio Serafino pode fazer o seu próprio blog e aí todo esse assédio vai embora. Sei também que a genialidade de meus postes pode [e provavelmente vai] ser incompreendida pela massa alienada, e, portanto, tento não alimentar ilusões de que é o meio exterior que me fortalece, mas sim o meu meio interior que fortalece o exterior, e vice versa ou não.
TE: Como o senhor se sente sendo autor de pérolas como a entrevista de Chico Buarque e os poemas da última sexta-feira, criando todo esse universo no seio da sociedade futebol-carnaval?
Mim: Veja, melhor criar tudo isso aqui do que lá na tua terra, que não tem sol.
TE: Puxa, que reposta inteligente! Mais uma pergunta: você, como Pirandello, acredita que os densos personagens de Persela, a Vesga, adquiriram vida própria e agora habitam no imaginário popular como entes palpáveis?
Mim: Não. Embora eu tropece todo dia em "personagens engimáticos", hahahaha
TE: Pra acabar. Como faz pra ter esse abdomen definidinho?
Mim: Tava demorando. Retirem-se! E deixem os brotos de bambú aí! Essa frutaiada européia, blargh!
--------

Posted by marcol at agosto 4, 2003 10:52 AM