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agosto 20, 2003

Maleddetta globalizêichan! Quando fiquei


Maleddetta globalizêichan!

Quando fiquei sabendo que teria de ir a Aracaju segunda-feira passada, minha primeira reação foi de puro prazer. As perspectivas de regalar-me com pitombas, tapiocas quentinhas, cocadas suprasumáticas e tudo isso regado a muita água de côco ante um marzão rasgado eram, de fato, prazenteiras. Passei por Aracaju em julho de 1985 e apesar de ser ainda pouco mais que um espermatozóide (apesar de já ler gibis Marvel), lembrava nitidamente daqueles carrinhos de mão abarrotados de pitombas nas esquinas, vendendo cachos inteiros a preços módicos. Foi embalado por essa doce lembrança que voei até lá, percurso que começou às 05:30 da matina quando saí de casa e que acabou às 12:10, quando cheguei enfim.

O que tem pra conhecer aqui? perguntei pro motorista de táxi. Tem esse shopping aí - ele respondeu apontando pra um shopping center. Aí tem um restaurante de comida árabe... ele completou e eu vi a reluzente placa do Habibs. Depois da audiência (que, registre-se, não houve por culpa do Tribunal de Justiça do Sergipe, que resolveu cancelá-la) vagueei pelo centro de Aracaju. Vi camisas do São Paulo e do Corinthians falsificadas; vi CDs dos Tribalistas falsificados; ouvi as rádios das lojas tocando as músicas da novela das 8 (mas que passa às nove); enfim, não vi nada que não veria no Largo 13 de maio, em Sto Amaro. Só que o povo tava de chinelo e bermuda, só isso.

Achei um raio dum mercadão que tinha lá um artesanato bonitinho e aí lembrei que estava no nordeste. Tomei uma água de côco sem gosto nenhum, só ficando o consolo de ter pagado cinqüenta centavos.

Acabei melancolicamente almoçando na Casa do Pão de Queijo do aeroporto depois duma frustrada passagem pela orla marítima, que era, segundo os motoristas, o grande point turístico da cidade e onde vi nada mais que um monte de quiosques de lanches fechados, um mar muito escuro lá longe e um restaurante de frutos do mar de fachada suspeita, entregue às moscas.

Ah, comi cocada sim. Uma minúscula, que achei no aeroporto de Salvador. Mas cocada comprada em aeroporto, naquelas lojinhas de prateleiras bonitinhas, não tem a metade da graça.

Tõ me filiando em qualquer movimento anti-globalização agorinha mesmo!

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Posted by marcol at agosto 20, 2003 8:27 AM