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agosto 14, 2003
A montanha das sete
A montanha das sete provações - 7º fragmento
- Vai, Sherazade, conta logo o restou da história!! - dando um tabefe na odalisca.
- Ai, sultão! Adoro ver o senhor assim, macho! Vamos lá...
A sexta e penúltima provação chegou logo. Da terra começaram a brotar estranhas criaturas sedentas por sangue. Elas murmuravam:
- Sangue! Sangue!
E foram pra cima do Kalil
- Virgi, Sherazade, essa história tá meio "Contos da Krypta", tá não?
- Cala a boca! esobefetando o sultão (nota do editor: as mil e uma noites são um libelo pró-feminismo dezoito séculos antes do negócio acontecer mesmo. Isso mostra como era uma obra avançada pra época).
Bom, onde estávamos mesmo? Ah, sim, criaturas nojentas e sanguinolentas.

(nota do editor: perdão pela ilustração, nosso ilustrador está apaixonado e sente-se incapaz de desenhar coisas sanguinolentas)
Kalil bradou:
- Pelas barbas crespas de Alá! São milhares!
O primeiro ser esbofeteou Kalil arremessando-o contra a pedra. Kalil começou a sangrar no canto da boca, sentindo-se atordoado. As criaturas o cercaram, o sol desapareceu ante a nuvem de inimigos do inferno!
- Credo, Sherazade, cê tá com os óio injetado, esse negócio tá muito...
- Não atrapalha! spleft!
Kalil estava pronto a desistir quando sentiu na ponta dos dedos o lenço que Homadad lhe havia dado! Uma onda de fúria invadiu seu corpo. Sacando a adaga da cinta, começou a distribuir golpes certeiros abrindo os cérebros, cortando cabeças, braços e pernas, furando olhos, furando orelhas, colocando brincos, abrindo sorrisos nas gargantas, inscrevendo "K" de Kalil nos ventres flácidos e pútridos.


(nota do editor: na falta de ilustrações condizentes, usamos umas aqui do arquivo. Espero que o leitor compreenda!)
Enfim, sobre um mar de cadáveres, exausto, banhado do sangue alheio, Kalil Aben H'suan murmurou por entre os dentes:
- Seis provações passaram. Apenas uma falta. Pelo amor de Homadad e pela glória do califa!
- Quer que eu continue? perguntou Sherazade voltando inopinadamente à doçura habitual.
- Não não, bem, deixa pra amanhã. Boa noite, tchau! Olha, já dormi!...
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Posted by marcol at agosto 14, 2003 9:21 AM