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agosto 11, 2003
A montanha das sete
A montanha das sete provações - 4ª Fatia
- Sabe, Sherazade, tô com uma dor aqui no joelho... Eu não devia ter assinado todos aqueles três documentos que o grão-vizir me trouxe hoje, o trabalho foi estafante, não sabe?
- Oh, sultão, quer que eu faça uma massagem com óleos aromáticos?
- Não seria ruim...
- E quer que eu coloque aquele CD do Charles Aznavour? (nota do editor: essa frase está borrada no original. Talvez não tenha sido exatamente isso que estivesse ali.)
- Pode ser. Mas conte, nêga, e o Kalil, aquele bofe arretado que só?
- O senhor continua bem Bahia, não, sultão? Foi o que aconteceu desde que o óleo de babaçú acabou e começaram a cozinhar vossa real refeição no dendê. Bem, onde estávamos mesmo...?
Kalil ouve uma doce e suave melodia acima dele. Com o corpo cansado das duas primeiras provações, aquela música é como música aos seus ouvidos. Trata-se de uma flauta muito serena e relaxante. Ele sobe pelas penhas sentindo o corpo flutuar, como se pisasse em nuvens... Enfim, descobre de onde vinha o divino sonido. Era um anão de enorme turbante, assentado sobre um baú.
- Quem és? pergunta Kalil.
- Sou Mohamad, o flautista - responde o anão.
- Por que a música continua enquanto você fala?
O anão fez uma cara de contrariedade, então saltou do baú e deixou Kalil ver, atrás de si, um CD player (nota do editor: idem supra).
- Ah, não é você quem toca, mas essa caixinha?
- Sim, mestre. Eu fui mandado por Alá para suavizar vosso caminho. São tantas provações... Aqui, neste baú (ele bateu a pequena mãozinha na tampa do baú) existe repasto e refrigério.
Kalil Aben H'suam aproximou-se do baú sem de nada desconfiar. Quando levantou sua tampa, de dentro dele saltou um gárgula terrível e acorrenteu as mãos de Kalil.

(nota do editor: ao que parece, o ilustrador da história morreu na segunda provação, engolido por alguma serpente. O substituto claramente não dispunha da mesma qualidade artística...)
- Traição! Kalil gritou.
O gárgula começou a puxar Kalil pela corrente montanha acima. O anão seguia atrás e dizia:
- Agora vamos arrancar sua cabeça e jogar seu corpo no abismo, hahahaha
Levaram-no até uma rocha em forma de prancha. O gárgula levantou a mão para arrancar a cabeça de Kalil, mas este perguntou:
- Espere! Não pode arrancar minha cabeça com essas unhas sujas! Eu posso pegar alguma doença! Vocês não têm o mínimo de higiene!
O gárgula interrompeu o gesto mostrando confusão e olhando para o anão.
- Continue, idiota!
- Idiota? Vai deixar ele falar assim com você? Qualé, os gárgulas já mostraram que são gente boa, só sofrem de hálito ruim, não permita que falem assim com você! argumentou Kalil. O gárgula grunhiu olhando com despeito para o anão. Este falou:
- Ora, eu mesmo vou fazer o trabalho - e saiu em disparada na direção de Kalil, que apenas abriu as pernas e o anão, passando por entre elas, se precipitou abismo abaixo. O gárgula deu um urro de ódio e arremeteu-se contra Kalil, que num salto fez as correntes passarem pela garganta do gárgula. No desespero, ele saiu voando, e Kalil foi apertando mais e mais as correntes até que o terrível monstro sufocou e caiu com estrondo sobre os arvoredos na encosta da montanha maldita.
Kalil, ferido e exausto, bradou ao lado do corpo morto daquele terrível aborto da natureza:
- Três provações já passaram, quatro ainda faltam! Pelo amor de Homadad e pela glória do califa!
- to be continued
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Posted by marcol at agosto 11, 2003 9:56 AM