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agosto 8, 2003

A Montanha das Sete

A Montanha das Sete Provações - 3º fascículo

- Sherazade, minha musa, que tal uma massagem com creminho aqui no meu pezinho?
- Sim, meu amo.
- E que tal continuar aquela história de ontem? Tô doidim pra saber que barulho foi esse que o coitado do Kalil ouviu depois que saltou do tal pássaro.
- Ah, sim! Voltemos, então, meu sultão, à temível Montanha das Sete Provações...

Kalil virou-se sobressaltado e viu-se face a face com uma serpente gigantesca, sibilando com sua língua bipartida do tamanho de dezesseis elefantes. E ela não estava sozinha, havia outras, igualmente gigantes. Ele estava numa espécie de desfiladeiro cheio de esqueletos de guerreiros. Atrás de Kalil, uma enorme parede de pedra, deixando-o sem saída. Ele, contudo, não era visto, estava protegido por uma penha. Sentia, contudo, o hálito quente e mortal dos monstros.

Kalil esgueirou-se até encontrar a ponta da cauda de uma das serpentes.

- A ponta da cauda? ôch! Endoideceu?
- Calma, meu amo. Kalil tinha de arguto o tanto que tinha de valentia.

Ele notou que a referida cauda estava sob a cabeça de outro mostrengo. Sacou, então, da algibeira sua adaga e a enterrou com fúria na cauda à vista, sacando a adaga em seguida e escondendo-se atrás de uma pedra. O monstrou deu um terrível salto, que fez estremecer o chão, e passou a atacar a outra serpente, acreditando que ela o mordera. Logo toda a região havia se tornado um grande yakisoba de cobras furiosas a picarem-se umas às outras.

Sem perder um só momento, o bravo Kalil Aben H'Suam disparou em direção à estreita saída daquele desfiladeiro sinistro. Uma das serpentes, contudo, percebeu-o ali e, desvencilhando-se da batalha, começou a persegui-lo. Kalil correu como um cervo assustado por entre as rochas, mas a serpente vinha atrás, sem pressa, porque para ela seria fácil alcançá-lo. Kalil passou a entrada do desfiladeiro e começou a subir a encosta da Montanha o mais rápido que podia. Vendo que seria alcançado e fatalmente morto em pouquíssimo tempo, Kalil tomou um grande galho de árvore caído e postou-se atrás de uma grande rocha, fazendo sinais para a serpente como a chamá-la. Quando ela abriu sua bocarra para o devorar, Kalil usou o galho como alavanca, atirando a rocha para dentro da goela da bicha, que se contorceu em agonia e desceu o caminho de volta dando agudos gritos de dor.

Kalil, arfante, tirou do peito o lenço que Homadad lhe dera, beijou-o e em seguida secou o suor da fronte.

- Duas provações passaram, cinco ainda faltam. Pelo amor de Homadad e pela glória do califa! ele exclamou.

Ouviu, então, uma suave canção que vinha de trás de uma penha...

- Chega, amo. Já é tarde e seu pé está mais massageado que seu ego. Amanhã continuamos.
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Posted by marcol at agosto 8, 2003 9:06 AM