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agosto 7, 2003
A montanha das sete provações
A montanha das sete provações - 2ª partchê

- Vem cá, minha quenga. Continua aquela história da tal montanha que tú começou ontem. Mas fala fazendo aquele roçaroça gostoso na minha barriguinha.
- Oh, sultão, o senhor está tão Bahia, hoje! Mas vamos à história, meu rei.
Kalil Aben H'suam cavalgou quatro dias e quatro noites. Foi eventualmente parado por algumas tropas da coalisão, pedindo documentos, mas nada que o impedisse de enfim adentrar o Vale da Ossada. Ali, sobre a Colina da Gandaya, ele parou o galopar por alguns instantes e vislumbrou, lá ao fim do vale, a sombria Montanha das Sete Provações. Sua montaria pressentiu o lúgubre do lugar e empinou, o que acabou representando um quadro de plástica beleza, nosso herói de peito sarado, a blusa aberta contra o vento, os braços fortes agarrados às rédeas...
- Por favor, Sherazade, pula essas partes mais monótonas.
- Desculpe, sultão.
A terrível Montanha das Sete Provações era uma altíssima montanha negra, constantemente cercada de bruma, de dentro da qual ouvia-se estranhos sonidos, como se os pássaros engolidos pela Grande Inundação ali ainda habitassem.
Kalil abandonou a montaria ao pé da montanha e começou a subi-la com todos os reflexos acesos, pronto para enfrentar os perigos que faziam da Montanha das Sete Provações o lugar de onde homem algum jamais voltou.
- Então como é que se sabe que lá havia sete provações?
- Detalhes, meu rei, detalhes. Acho que isso estava no folheto turístico.
- Certo.
Súbito, ao afastar as folhas de vegetação que impediam seu caminhar, Kalil viu-se em um estreito e funesto corredor de pedra. As paredes eram molhadas, e o frio era intenso. Kalil passou a caminhar com ainda mais cautela. Um brilho azulado parecia indicar a saída. Um estranho movimento no alto chamou sua atenção, mas quando olhou, o chão cedeu sob os pés de nosso herói e ele começou a cair em um abismo sem fim.
Rápido e destemido, Kalil sacou a cimitarra da cinta e arremeteu-a contra a parede, segurando firmemente no cabo, evitando assim a queda e a morte certa. Não conseguia, contudo, firmar os pés naquela parede viscosa e molhada. Ouviu, então, um sonido estridente vindo debaixo de si. Um enorme vulto negro apareceu. Sem hesitar, Kalil saltou no abismo, retirando da cabeça o turbante e com ele improvisando uma pequena corda, que passou em torno do estranho animal que apareceu. Era um enorme e terrível pássaro de asas prateadas, que guindou Kalil por cima do abismo. Quando o chão enfim reapareceu, Kalil soltou a corda, caindo ao chão, e o pássaro se foi por entre a bruma.

- Uma provação já foi. Eis que faltam seis. Pelo amor de Homadad e pela glória do Califa! disse Kalil.
Antes que pudesse tornar a andar, contudo, ouviu um pavoroso grunhido...
to be continued
ESTE CAPÍTULO NÃO SERIA POSSÍVEL SEM ESPADAS GINSU - CORTAM ATÉ PEDRA!
E SEM TURBANTES VIVARINA - LAÇAM ATÉ PTERODÁTILO!
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Posted by marcol at agosto 7, 2003 8:39 AM