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agosto 26, 2003
A apelação continua! Depois
A apelação continua!
Depois de requentar um poste ido (que rendeu 2[!] comentários novos não sobre o poste em si, mas sobre o fato de requentar um poste), é a vez de copiar um poste de outro. Mas dessa vez a apelação se justifica pela nobreza da causa: mostrar que quem não visitou ainda o blog Órbita, tocado pela Lux Luciana Dantas Teixeira, lá de Natal-RN, não sabe o que tá perdendo. Achei isso aqui lá, ontem:
Apontamentos tardios
- Niezcthe me diria que não basta a vontade poder, mas a vontade de exercê-lo. É fato público, notório e comprovado na História que as mulheres exercem domínio inenarrável sobre os homens. E toda mulher (razoavelmente inteligente) sente quanto está com a faca e o queijo na mão. Uma palavra, um gesto, um sorriso e tem-se aquilo que se quer, ainda que o homem vá chorar o resto de sua pobre vida ("Santo Deus, aquilo custava mais de três mil reais???"). Perdoai-me, Helenas; estando eu com a faca e o queijo na mão, sou daquelas que preferem comer chuchu.
- O ônibus é bom, eu não reclamo. Me conduz sem que eu precise prestar atenção nas placas, me deixa pensar e relembrar poemas, fechar os olhos enquanto o vento bate no rosto. O ônibus até inspira com sua turba falante, cheia de histórias, caretas, corpos, tiques e quetais. Mas ai, o banco do ônibus não comporta minhas pernas.
- Eu perdôo até o PMDB, mas não as pessoas que quebram o macarrão. Sabe? Antes de colocar na água para cozinhar quebram ele no meio - ou pior - em vários pedacinhos. Isso não se faz! Macarrão tem que ser inteiro e longilíneo, enrolar direitinho no garfo e dar trabalho pra entrar todinho na boca. Tem que ser inteiro para lambuzar a gente de molho. Que seria da dama e do vagabundo se o cozinheiro quebrasse o macarrão? Crianças, não quebrem o macarrão! Já basta nossas almas aos pedaços.
- Há pessoas perfeitas para amar à distância e pessoas formidáveis para amar de perto. Esta classificação não é politicamente correta, mas a mim, ao menos, parece real. Percebo isso quando estou com pessoas que há pouco tempo estavam longe e eu jurava serem o máximo, que me pareciam queridas, admiradas, até certo ponto endeusadas, mas de perto... são tão comuns! São até decepcionantes! E quando estou aqui, segura na minha solidão, penso que talvez seja melhor assim... e ainda tem aquelas quatro horas de viagem incômoda... mas de perto... de perto eu encontro meu lugar.
- Quando você conhece as avós elas já são velhinhas. Hoje eu só tenho uma, vó Maria. E seu abraço está entre as coisas mais deliciosas que já provei (seu feijão também). Mas é diferente quando sua avó é velhinha e você é criança: ela parece grande, forte, mágica, como uma fada-mãe pronta a fazer um encanto espantoso, como fazer aquela panelinha no fogão alimentar uma multidão de filhos, netos e bisnetos (não tenho idéia de quantos tios tenho). Quando, porém, sua avó é velhinha e você pensa que cresceu, ela parece pequena, frágil, ainda mágica, é verdade, mas você já conhece seus segredos tão bem quanto sua própria humanidade. E tudo que quer é o encanto espantoso de torná-la eterna, enquanto come o seu feijão com o mesmíssimo gosto bom imutável.
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Posted by marcol at agosto 26, 2003 2:21 PM