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julho 18, 2003
Da série Fábulas Consagradas
Da série Fábulas Consagradas
A vaquinha Ednancy

Ednancy era uma vaquinha muito tranqüila que habitava nos pastos verdejantes. Seu maior sonho era conseguir comer a grama do pasto vizinho, ao qual ela não tinha acesso por conta de uma malvada cerca. Ela não tirava aquilo da cabeça, ficava remoendo a idéia. Todas as vaquinhas a julgavam louca, porque a grama do lado de lá haveria de ter o mesmíssimo sabor da grama do lado de cá, mas nada a demovia da idéia de que cá, a grama não verdejava como lá, eis que lá cantava o sabiá. Mas cantava não sobre palmeiras, não só porque os sabiás de palmeiras não cantam, mas porque não havia palmeiras, que haviam sido todas arrancadas e mandadas para a segunda divisão da fazenda.
Um belo dia (e não é força de expressão, o dia estava belo mesmo), pararam a picape do lado da cerca e os baços olhos de Ednancy brilharam. Numa velocidade vertiginosa, alucinante, ela percorreu os seis metros que a separavam da picape em trinta minutos, e pôs-se a subir a rampa que havia sido deixada parece que de propósito ali na caçamba da picape. Viu-se, pois, em cima da caçamba. Trepou na cerca e com muita agilidade jogou-se para o lado de lado. Aí caiu e quebrou o pescoço e foi enterrada pelo fazendeiro do lado de lá que achou que era uma das suas.
A ironia foi que ela não comeu a grama do lado de lá, foi a grama do lado de lá que a comeu.
Moral da história (pois toda fábula tem que ter moral): Cuidado com o que parece que é e não é, porque sendo, aquilo pode deixar de ser o que nunca foi.
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Posted by marcol at julho 18, 2003 11:20 AM