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janeiro 28, 2010

Corregedoria investiga 800 dos 3.313 delegados da PCSP

24% dos delegados da Polícia Civil paulista são investigados pelos mais diversos crimes. De acordo com o jonalista André Camarante da Folha de São Paulo, essa força tarefa é a maior tentativa do governo tucano para tentar combater a corrupção que atinge diversos setores da corporação. Como sempre dissemos, se há algo que impedirá o governador José Serra de ser presidente, é a gloriosa.

O curioso é que grandes figuras da Polícia, conhecidos como "bispos" foram alvos das investigações. Os resultados práticos da medida ainda não são visíveis. Apenas se constatam remoções internas que não resultam em modificações culturais. De acordo com o jornalista (íntegra aqui, só para assinantes do jornal):


"Nessas trocas, delegados até então considerados intocáveis foram colocados na "geladeira" -postos de menor destaque. Exemplos: A) Ruy Ferraz Fontes, "xerife" do combate à facção criminosa PCC, hoje está em uma delegacia na periferia.
B) Everardo Tanganelli Jr., ex-Denarc, hoje no setor de cartas precatórias, é suspeito de enriquecimento ilícito. Em férias, não foi achado pela Folha. C) Maurício Lemos Freire, ex-n.º 1 da Civil, hoje no setor de helicópteros, é suspeito de não apurar fraude em concurso. Está em férias e não foi localizado. D) Antonio Carlos Bueno Torres, que ocupou cargo importante no Detran, está em função de menor importância. É suspeito de dispensar licitação. À reportagem, afirmou: "Vá cuidar da sua vida!".


O interessante nisso tudo são as interceptações telefônicas que vazaram para a imprensa. São delegados no dia a dia, tramando situações criminosas. Vamos ouví-las com a atenção necessária:


1º) Em abril de 2008, o delegado Elson Alexandre Sayão, agora no Dird (departamento de registro), aparece em escutas telefônicas alertando o delegado Carlos José Ramos da Silva, o Casé, sobre a apreensão de um lote de 200 carteiras de habilitação emitidas em Ferraz de Vasconcelos (Grande São Paulo):


2º) O delegado Antonio Carlos Bueno Torres alerta Casé sobre uma investigação da Corregedoria Geral da Polícia Civil contra outro delegado, suspeito de cobrar propinas de prostíbulos, desmanches de carros e de donos de máquinas caça-níqueis:


3º) O delegado Emídio Machado Neto é citado em conversas gravadas pela Polícia Federal, que apontam seu suposto envolvimento para acabar com investigação em casa noturna em Pinheiros (zona oeste de São Paulo):


Impressionado? Não se assuste. Não é nada que não se verifique na rotina das delegacias. O ministério público parece que não conhece tais artimanhas da nosa polícia judiciária. Foi preciso a polícia federal interferir no vespeiro para providências serem tomadas.

Aguarde os novos capítulos. Como estamos em ano de eleições gerais, novidades hão de acontecer. Pelo que tenho ouvido nas copas das delegacias (ainda mantenho esse hábito, não pelo café, que sempre é horrível, mas pelas amizades dos tiras, que são sinceras) coisas mais cabeludas ainda se escondem nos gravadores da polícia federal.

Tudo a seu tempo.

PS: Hoje à noite (28/01/2010), a secretaria de segurança pública emitiu nota em que contesta tais números.

novembro 8, 2009

Nota de Repúdio à UNIBAN (Universidade Bandeirantes)

Há tempos não via algo tão estranho. Tenho certeza que todos já ouviram falar de uma estudante que foi humilhada, chamada de "puta" pelos alunos da UNIBAN (São Bernardo do Campo). Consta dos autos que a rapariga foi à aula trajando um vestido por deveras curto, o que instigou os instintos mais primitivos dos pobres estudantes. Os alunos, em momento de rara catárse coletiva, passaram a xingá-la pela citada alcunha em uníssona histeria. Foi necessária a intervenção da Polícia Militar bandeirante para que conseguisse sair do prédio com a dvida escolta (veja o vídeo ao lado).

O bom senso dizia que o fato decorreu de atitude preconceituosa, machismo porco. Machismo ruim, breve leitor. Não o machismo saudável, moleque, que agrada as mulheres por valorizá-las. Consequência lógica do evento seria um pedido de desculpas da Universidade, para evitar processo de indenização, já que a entidade responde solidariamente a tudo o que ocorre em suas depências.

Pelo contrário. A UNIBAN expulsou a aluna do corpo discente considerando, em sindicância interna, que ela teve postura inadequada e provocativa, incitando a algazarra dos demais estudantes, os quais teriam se manifestado em prol do ambiente escolar, como se observa na nota da entidade divulgada na imprensa:

anuncio uniban folha.jpg


A estudante, chamada Geisy Arruda (foto abaixo divulgada pelo jornal Folha de São Paulo de 08/11/2009) recebeu o certificado oficial de "puta" da UNIBAN. Não há como entender o motivo que levou seus responsáveis a expô-la com o anúncio do resultado da sindicância. geisa.jpg De acordo com a matéria do jornal "O Diário de São Paulo", o proprietário da UNIBAN, Heitor Pinto e Silva Filho (candidato a vice-governador na chapa de Paulo Maluf nas eleições de 2002), possuia contra si, até a data de publicação da notícia (2002) 04 (quatro!) inquéritos policiais, sendo formalmente condenado em dois processos, um criminal e outro cível, além de constar como réu em outras 59 ações.

Sabemos que isso não é motivo que justifique a defesa da aluna, mas deve-se deixar claro que o julgamento pautou-se em parâmetros de moralidade canhestra, exarcebadamente hipócrita. Não bastasse o choque em descobrir que existem ambientes de ensino no qual as pessoas são julgadas pelas roupas que usa, saber que essas condições são apoiadas e incentivadas pela coordenação da entidade é de causar medo até no mais retrógrado dos conservadores.

Elaboramos uma Nota de Repúdio no site Pettion on line, onde estamos recolhendo assinaturas das pessoas que se sentiram ofendidas com a postura da UNIBAN. Vamos encaminhar ofício ao diretor da Universidade, ao MEC e ao ógrão do Ministério Público competente, solicitando providências imediatas, para que esse fato fique registrado como uma infelicidade da instituição de ensino, na intenção de que nunca mais se repitam julgamentos morais de tamanha incoerência.

Com disse meu amigo Doni, "Ontem, cigarros. Hoje, um minivestido. Amanhã serão tatuagens e piercings. Depois, negros, gays ou mesmo gordos."


outubro 15, 2009

Da abordagem

abordagemtratada.png

Comece com os olhos... volumes sobre a roupa indicam onde deverá tocar com objetividade. Descubra tudo sobre ele. Se não consguir, desista do serviço. Tira que entra em trampo de gaiato não deve sair para a rua, e tem que fazer BO no DP o resto da vida.

Preocupe-se com os arredores do mala. Nunca vá sozinho. Deixe sempre uma back up à disposição. Uma velinha, arma raspada para que, na eventualidade de uma merda, você possa despejá-la ao lado do corpo e dizer que ele atirou primeiro.

Caso seja impossível ter alguém no background, tenha a certeza de que terá a vantagem da surpresa. Imponha-se na solidão, garantindo que o infeliz sabe que você é maluco o suficiente para mandar a corregedoria tomar no cu e matá-lo por um mero suspiro inesperado que ele soltar.

Considerando o vasto universo da ciência da chegada e o ambiente que a envolve, vamos nos focar em seu instante específico. Você e o contido. Só isso.

Deixe ele ver o cano se aproximar com raiva de sua cabeça. Mas não é isso que o assustará. É sua capacidade de impor o terror. Não importa se você é pequeno, gordo, mirrado ou bombadinho. Quem manda é sua voz de comando. Ordene, nunca peça; deixe a loucura sair como esporro de seu corpo. Ele precisa saber que você está fora de controle. É como se dissesse baixinho em seu ouvido "vou te matar, seu filho da puta. E nem mesmo sei que é você"

É necessário que durante a revista ele não veja seu rosto. Você vai tremer, vai suar frio e sentir medo dele ter uma arma escondida e ser mais rápido do que você. Ele não pode sentir o cheiro desse temor. Mantenha-o de costas e chute o lado interno de seus pés com força. Ele entenderá. Na ausência de parede, mande se deitar de costas. Não deitou, derrube-o. Passe as mãos com força ao redor das pernas... suba até o saco. Não tenha vergonha de apertar suas bolas. E golpei-as para que ele perca o fôlego por alguns instantes.

Alise a cintura. O pescoço.

Não achou o que procurava? Agradeça a colaboração e mande-o desaparecer dali.

junho 7, 2009

Direto do plantão

Caro Roger

Desculpe-me pelo atraso em agradecer o autógrafo no livro.
Gostei muito! Sabe que sou seu fã...
Lembrei de vc agora heheheh ....estou no plantão e está rolando um flagrante de um cara que furtou dez reais de cima do caixa de um mercado....
Acho que vou chamar o Roxin para tirar um plantão no meu lugar... Ando meio cansado... hehehe

Um abraço.

maio 19, 2009

Cardápio da Academia de Soldados da PM/SP

Acho que descobri o motivo para os PMs de São Paulo sairem da academia com tanto sangue no zóio. Nenhum casamento resiste a tanta falta de criatividade no cardápio, já dizia a doce Maria da Penha.

maio 12, 2009

3 anos dos ataques do PCC

Era um sábado de maio de 2006. Por volta das sete da noite, eu havia saído de um plantão e estava cansado, moído, sozinho em casa. O telefone toca, era a agente do CEPOL dizendo que o delegado seccional exigia minha presença na delegacia.

- Exige? Pra quê? Eu acabei de sair do plantão e tô de folga, folga.
- Agora não dá pra explicar. Corre pra cá.

onibusfranca.jpg

Havia como não ir? Minha curiosidade não me deixou em casa. Só na delegacia soube das novidades. Ataques por toda a cidade. Um PM morto, dois ônibus incendiados. Denúncias de mais atques. Só depois descobri a grandeza do que ocorria. O estado inteiro estava sofrendo com a bandidagem anunciada e assumida pelo PCC (primeiro comando da capital). Fizemos rondas até as 06 da manhã com sangue no olho. Eu estava pronto para matar. Havia um clima de exceção que nos permitia isso. Ninguém foi preso.

Quando chego em casa para descansar, toca o telefone novamente: "a cadeia virou. Põe o colete e vai pra lá."

Em pleno dia de visita no das mães, mais de 500 presos se rebelaram e tomaram as próprias genitoras e crianças como reféns. Era óbvio que não iriam fazer nada contra elas. E por saberem que sabíamos disso, tomaram como refém também um carcereiro. Se não fosse por ele, teríamos entrado na cadeia e distribuído chumbo e cassetetada em todos.

onibusfranca2.jpgO domingo foi sumindo, e nem pensavam em negociar. A noite chegou fria, a mais gelada que tinha visto na vida. Fogo alto no pátio, bombeiros chovendo em todos, inclusive nas mulheres, o que deixou os detentos mais nervosos. Batiam no carcereiro como reprimenda. E nós jogando bombas. Cantavam Raul Seixas e Racionais. Todas as hipóteses de invasão se faziam inviáveis. Era inevitável que as mulheres intereferissem na frente da equipe de incursão como escudo. Lá fora, mais ataques. vem a notícia do setor de inteligência (?) de que três viaturas da PM da região de Presidente Prudente haviam sido clonadas, e o PCC a estava utilizando para matar policiais.

Veio o juiz na madrugada. Ex-capitão da PM, sozinho e armado em seu carro:
- Gente. O que vocês precisam é não deixá-los dormir. Se o cara não dormir, ele faz o que vocês quiserem. Eu não preciso ensinar isso a vocês, né?

Depois dessa sentença, sirenes foram ligadas durante a noite toda. Logo depois veio uma cartinha com as reivindicações dos rebelados. O juiz leu em voz alta. Em entre outras coisas, dizia:

" (...) queremos processos mais rápidos, marmitas melhores, e melhores condições de tratamanento. Quanto a libertação do refém, indefiro." - esses filhas da puta são muito petulantes, resmungou o juiz.

A bagunça só parou na terça-feira à noite. Por ordem do salve que receberam do celular. A nós, restou ficar observando. "Guerra civil", me confessou um tira deitado no chão do estacionamento. "A única diferença é que não querem o poder. O que querem, então??"

O Estado em pânico. Ruas vazias durante o dia como nunca tinha visto. depois de tudo, muitos bandidos morreram ao sair da cadeia. O governador fez um acordo com a mídia para não se falar mais no nome PCC, como se não mais existissem. Até hoje.


Adendo ao BO - A título de curiosidade, nos dias que se seguiram a essa situação surreal, o mesmo juiz da negociação expediu um "Mando de Busca e Apreensão Coletivo". Não sei se nosso ordenamento jurídico prevê esse tipo de ferramenta, mas o fato é que por 15 dias, os policiais poderiam entrar e vasculhar qualquer casa da cidade que lhe dessem na teia.

março 8, 2009

Da heroica caguetagem do investigador Pena

O investigador Pena, da Polícia Civil paulista, apresentou gravações em vídeo, no qual comprova a comercialização de cargos públicos dentro da PC/SP. De quebra, ainda se descobriu o quanto a Corregedoria da instituição tem objetivos duvidosos, distantes do interesse público, conforme também se noticiou no Jornal Folha de São Paulo.

Para mim, é como se uma antiga lenda pudesse ser comprovada. Manja se um dia alguém se apresentasse como a loira do banheiro; ou se você dormisse com uma mulher linda, mas desconhecida, e acordasse dentro de uma banheira cheia de gelo e sem um dos rins. Dá para imaginar você ganhando um computador novinho da Microsoft, simplesmente porque alguém mandou você repassar um e-mail estúpido?

Pois bem, é assim que me sinto. Sempre ouço histórias do sujeito quinta-classe (hoje extinta), calça branca de tudo, acabado de sair da academia, que, por uma boa indicação ou cacife, é designado para atuar em um departamento, sem nunca ter puxado um plantão na vida.

Todos conhecem um tira que tem o mesmo tempo de janela do que você mas, curiosamente, vai trabalhar de pick-up importada, enquanto você chega de ônibus no DP.

O Pena é resultado do próprio sistema injusto da própria Polícia Civil de São Paulo, que trata seus homens como peças baratas de um joguinho político ancorado no poder e gana eleitoreira. Um governador não pretende ser menos do que é hoje. O grupo político ao qual ele é vinculado não pode poupar vidas, sob o risco de perder posições estratégicas.

"Pau no cu do surdo" - dirão os hipócritas paulistas que votam.

Ninguém é inocente na heroica caguetagem do investigador Pena: Os partidos, por ausência completa de propostas corajosas que poderiam expropriar os donos da polícia judiciária de São Paulo. Nós, por optarmos pela omissão e ideias vazias de transformação. Todos tememos a intervenção política, confiamos nas cômodas palavras de governantes monarquista-classe-média-asséptica; em uma mídia moribunda, parcial e cínica; em um STF pró-latifundiário e, para que tudo se encerre de maneira absurda, em uma assembleia legislativa que não se modifica desde a patética tentativa de golpe de 32.

Até agora, o único que pretendeu ajudar a polícia a não desaparecer foi o corajoso Pena.

Pense comigo. Entendo que você não queira ir para a cadeia, tampouco para a cova. Mas tenho certeza que gostaria muito de ver expurgado da chefia todos os policiais, assessores, secretários e governadores que tem vantagem com a corrupção cotidiana das delegacias.

Então, caso pudesse registrar em áudio/vídeo o que te incomoda no seu dia a dia, colega policial, você teria a coragem de enviar tudo para o MP, Defensoria, Judiciário, imprensa, Bispo e, de quebra, para garantir que nada desaparecerá, publicar em blogs, comunidades e outros canais de comunicação que não precisam se preocupar com patrocínio público? Tudo isso com a garantia que se mantivesse anônimo, sem o mínimo de identificação. Toparia?

Acho que sei qual sua resposta. É o final que todo policial pretende para sua história. Por isso eu não tenho pudores em atirar pedras. Porque tenho a certeza de que são com elas que uma nova polícia se construirá.

fevereiro 28, 2009

Ficção e realidade

O Dr. Guerra alertou em seu blog. Mas parece que a Polícia Civil de São Paulo quer fazer do livro "Ponto Quarenta" mais do que uma obra ficcional. Um investigador envolvido com corrupção delata todo mundo, respingando no intocável governador?? Eu devia processar esse partido por plágio, e o paulistano por burrice:

"Três delegados são suspeitos de compra de cargos de chefia

Acusação foi feita por ex-policial preso por suspeita de extorsão, que afirma que eles pagaram a superior para assumir postos

Chefia da 5ª Seccional custou R$ 250 mil, segundo acusador; Ministério Público e Corregedoria da Polícia Civil investigam o caso. " na Folha de São Paulo de 28/02/2009 (só para assinantes)

Policial ameaçado é transferido
[investigador] Pena, que acusa ex-secretário adjunto, foi retirado do presídio da polícia; delegado do caso perde o cargo.

Ameaçado de morte depois de ter delatado 20 delegados e investigadores e de ter acusado de corrupção o ex-secretário adjunto da Segurança Pública Lauro Malheiros Neto, o investigador Augusto Pena foi transferido às pressas ontem do presídio especial da Polícia Civil (PEPC), no Carandiru, para a Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba, a mesma que abrigou o publicitário Marcos Valério. O motivo da transferência é que Pena corria risco porque seus colegas policiais não admitiriam sua permanência no presídio da polícia. O delegado que investigava o caso, Gérson Carvalho, foi transferido ontem da Corregedoria." no O Estado de São Paulo de 28/02/2009.

fevereiro 25, 2009

Chefes inseguros em barracas

Quem já teve a oportunidade de passar pela Avenida São João em São Paulo, pela manhã, vai se lembrar de ter visto centenas de pessoas dormindo sobre o viaduto conhecido por minhocão. Enfileiradas como se estivessem participando de uma intervenção de algum artista plástico metido a besta, todas as noites improvisa-se naquele lugar um hospital de guerra que se extende por quilômetros.

Na Capital, a principal função de um investigador do DECAP (o departamento responsável pelos distritos policiais) é limpar a rua da população residual, como os sem-tetos e os menores. Nada daquele romantismo de inquerir com perspicácia criminosos geniais. Como sempre disse, caso o polícia não tenha as costas quentes, vai ficar cuidando da parte indesejável da cidade.

Enfim, sobre os mendigos: depois de revistar pelo menos uns dois mil moradores de rua ao longo da promíscua carreira de investigador, ganhei uma certa intimidade (não que queresse tê-la) com esse nicho. Ao ponto de, em uma noite gelada em que me deparei com a humilhante missão de colher as impressões digitais de um morador de rua que cheirava à merda, a raiva fez com que eu perguntasse:

- Caralho! Porque você não vai para um albergue e passa a noite lá? Porque insiste em morar na rua?

O sujeito abriu a boca sem dente, e disse que não iria porque não possuía RG. E no albergue municipal só entra quem é civilmente identificado.

Como ele era muito experto, não me disse mais nada. Mas não precisou. Vejam: eu não tenho patrimônio ou dinheiro algum. Ao mesmo tempo, não tenho a falta de caráter suficiente para mentir e puxar o tapete de pessoas no trabalho, de forma que as perspectiva de crescimento não são muitas. Não gosto da cidade onde moro e aqui os amigos são raros, senão inexistentes. Minha família está longe e tenho vergonha de contar meus fracassos a eles. O que sobraria? Para mim é óbvio: renunciar a vida de homem ocidentalizado e viver à margem do mundo de trabalhar-doze-horas-por-dia.

Não foi preciso o mendigo responder nada. Acho que compreendi sua necessidade de morar na rua. Ele é a negação da política, a afirmação de uma outra possibilidade de existência distante do que conhecemos como sociedade. Aliás, a única experiência de vida fora da sociedade capitalista são os mendigos. O sujeito não vai para o albergue porque tem preguiça de tirar um novo RG, retomando sua conexão com o sistema. Ele não se subemete ao pseudo conforto da moradia coletiva provisória porque não aceita se submeter às mesmas regras que eu e você, breve leitor, nos deixamos ser engolidos.

Eu volto amanhã ao trabalho, depois de uma semana de carnaval. E já estou triste por antecipação em ter que vivenciar mais um período com sensações que facilmente me levariam matar alguém, mesmo que a mim mesmo. Para nós é normal sermos humilhados por chefes inseguros e carreiristas, ficar 12, 13 horas sentados em uma sala gelada em frente a um computador para ganhar um salário que não paga suas constas. No final das contas, entendi que a proposta de vida oferecida pelos moradores de rua não é tão esdrúxula assim.

Pesquisando na net sobre essas pessoas que negam o modo paulistano de viver, encontrei um projeto francês chamado "The children of Don Quichotte." São voluntários que distribuem barracas para os moradores de rua de Paris, oferecendo uma existência menos dura à essas pessoas. Sem o melancolismo barato da filantropia burra, é ao mesmo tempo dar uma noite menos fria e úmida à pessoas desenganadas, e golpear gente que nunca se deu conta que são tão humanos quanto os mendigos.

homeless2.jpgAs barracas parecem mais agressivas do que os caixotes de papelão em que eles se efiam para dormir. É um produto criado para a classe média desfrutar de suas horas não trabalhadas, em lazer e diversão. Todavia, quando disposta em linha reta, lembram acampamentos de campanhas. É impossível não se incomodar com a visão de centenas de estruturas ovais idênticas alinhadas uma à outra no meio da rua. É menos agressivo do que os restos de papelão e lixão inerente a imagem dos mendigos. Mas não deixa de incomodar o fato de saber que agora os moradores de rua podem ter mais conforto e uma existência mais duradoura. Talvez o lixo em que viviam antes não deixasse-nos lembrar que li havia um ser humano, tal como nós.

FUR1M8PF0VQ3G98.MEDIUM.jpgBem mais barata é a Shell House living portable. pela bagatela de US$ 35,00 e feita de papelão, é a saída menos pesada e mais barata. Dobrável, pode ser levada para qualquer lugar nas costas. O único problema é a durabilidade, que não aguenta uma noite de chuva paulistana. E ela vem com wifii. Pode ser uma brincadeira de mal gosto gastar dinheiro no projeto para incorporar esse conforto, mas é a prova de que basta pensar e agir para que mudanças acontençam no mundo.
E minha mente que não para já começou a visualizar milhões de barracas nas noites das ruas tristes de São Paulo, com o símbolo de algo enígmático estampada na lona. Noite a noite o número de barracas crescendo, ultrapassando os limites do centro, e chegando a lugares asséptico como Higienópolis, Itains, Jardins...

fevereiro 21, 2009

Como arquivar suas sindicâncias/PAs

CAPÍTULO I
Amarre seu rabo com o delegado

Todos sabemos que a PCSP não é padrão de moralidade. Nada mais hipócrita do que se submeter à legislação interna da instituição, cujo ordenamento que organizou as infrações funcionais estão na Lei Orgânica da Polícia de São Paulo, datada de 1.979, e promulgada pelo Coronel Antonio Erasmo Dia, famoso por ter sido m dos fundadores do Arena

Curiosamente, a mal fadada Lei foi direcionada à polícia de São Paulo, englobando a civil e a militar. O jegue que bolou o dispositivo não considerou que as duas instituições, apesar de subordinadas à secretaria de segurança pública, são completamente diferentes, sem conexão hierárquica alguma, além de uma ter caráter eminentemente militar, e a outra civil, como são os professores e médicos do serviço público, por exemplo. Soma-se a isso fato de, na época que a Lei surgiu, era comum e aceitável pelo estado de exceção imposto pelo golpe de 64 desaparecer com pessoas que pensassem de maneira diferente daqueles que comandavam o país.

Caso você não seja um policia que rouba por prazer (incluído o furto na modalidade de crimes contra a administração pública), dá paulada por mero divertimento, e não vê problemas em extorquir da vítima ou do ladrão, meus apontamentos não servem para seu problema. Mas pode continuar lendo, porque a administração da PCSP merece pessoas como você em seus quadros de funcionários, já que esse é o perfil de polícial que ela dá chances de crescimento.

Enfim, a maioria das sindicâncias e PAs que conheci foi por mera perseguição, ou prestações de contas para a imprensa. O primeiro passo é respirar fundo, e não se desesperar. Tenho certeza que você não cometeu a conduta sozinho, e que muita gente contribuiu para que o fato ocorresse. Identificado quem são as pessoas que fizeram parte do ato, fica fácil:

CASOS EM QUE A LEI ORGÂNICA NÃO FOI RECEPCIONADA PELA CF-88

Batata!! Sorte sua. Casos de crimes de opinião, cumprimento de leis contrárias à constituição federal são facilmente contornados quando o assunto chega na mídia. Mas seja corajoso. Decline nomes dos delegados que cometeram o abuso ao aplicar tais artigos e faça questão que tais pessoas constem nos autos. A maioria dos delegados cometem crime de abuso de autoridade ao autorizarem a aplicação, ou mera apuração sobre fato declaradamente ilegal. Na hipótese de ter sido removido compulsoriamente de onde trabalhava, solte rojões!! Isso é crime, pois garanto que o superior que autorizou o "bonde", quando quaestionado pela justiça sobre a motivação da remoção, vai tentar enrolar o assunto até que ele prescreva.


CASOS EM QUE A LOP FOI RECEPCIONADA PELA CF-88

Entre as aquelas pessoas que estão envolvidas, ou mesmo que deram ensejo a suposta prática da infração funcional, selecione que estão acima de você na hierarquia. Já adianto que eles são os delegados. Tente construir uma linha histórica dos acontecimentos, até chegar no carteira vermelha. Para ficar mais fácil, faça as seguintes perguntas:
(i) de quem partiu a ordem?
(ii) existe respaldo legal para o cumprimento da ordem?
(iii) eu poderia ter feito de outra maneira?

Normalmente, nessa etapa, já se consegue identificar que o que você fez não pode ser imputado somente a uma pessoa, como querem lá na corró. Aí, meu colega, quando começar a dizer que o "delegado fulano" e o "delegado cicrano" receberam vantagens com o que você fazia, magicamente tudo será silenciado. Caso não faça nenhuma outra cagada até o negócio prescrever, ninguém saberá que você existe por um bom tempo. Nesse ínterim, poderá cavar o apoio político necessário para voltar à gloriosa nos postos mais agradáveis.

Espero que tenha ajudado. No mais, duvide sempre dos advogados de sindicatos e associações. São raros os profissionais que não estão com o rabo preso. Tente encontrar alguém que é fora do meio policial, e que esteja em conato maior com o direito administrativo moderno e o direito penal mínimo.

janeiro 29, 2009

OAB quer diminuir atendimento as pessoas carentes

Segundo afirmou o jornal Folha de São Paulo nesta notícia (só para assinantes), a seccional da OAB em São Paulo pretende fazer com que a defensoria pública abaixe o valor do salário de referência ao atendimento jurídico de pessoas carentes.

Atualmente, só pode utilizar o benefício dos serviços de advogados gratuitos quem recebe até 3 salários mínimos, equivalentes à R$ 1.350. Contudo, segundo a OAB, este valor é muito alto, e o justo seria atender gratuitamente somente aqueles que recebem até R$ 900,00.

Nos termos da Lei 1.060/50 (que regula a gratuidade da assitência), o infeliz que deve ser laureado com tal portento é "todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo do sustento próprio ou da família." (Art. 2º, parágrafo único).

justo_verissimo.jpgEvidentemente, tal postura da única entidade que representa os adevogados trouxe dúvidas à imagem de defensora das garantias individuais que há tantos anos defende.
Tenho certeza que Raimundo Faoro dá pulos em sua cova, e tenta desamarrar sua história de luta contra o poder dominante, das atitudes da entidade chapa branca que a OAB se tornou. Flávio D´urso (o mesmo daquele elitista movimento Cansei!), presidente da entidade regional, temendo a repercussão negativa de sua decisão, postou uma cartinha de explicações no site da OAB/SP, justificando que a decisão que segrega vasta população do atendimento do poder jurdiciário era porque:

"não é justo que alguém que ganhe, por exemplo, R$ 1.350,00/mês e tenha grande patrimônio, imóveis, carros importados, seja atendido pelo Convênio, retirando a possibilidade de atendimento gratuito de alguém verdadeiramente carente."

Eu, patinho que sou, fiz minha cara de inteligente (polegar em oposição ao indicador, ambos segurando o queixo, com o olhar apertado de paquerador), e questionei:

- Puta que o pariu! Com alguém que recebe R$ 1.350,00 consegue construir um grande patrimônio??

E querem saber mais? De acordo com a tabela de honorários que a OAB impõe ao adéva, seria mais estranho ainda nos perguntarmos como uma classe média tão chulé conseguiria arrancar alguma linha de um defensor pago, se fosse obrigada a desembolsar, no mínimo, R$ 2.561,38 por umHabeas Corpus.

Mais um portentoso adereço ao episódio "coisas que devemos esquecer para o Brasil crescer".

janeiro 21, 2009

Começa a guerra

Entendeu?

O DENARC fez um grampo no DEIC, e por isso três policiais, incluindo um delegado fodão foi preso em um madeirada, tudo registrado em áudio.

E quem vai segurar a retaliação do DEIC? Nem o camarote, onde estou agora, parece ser um lugar seguro. Fica a pergunta: por quê e para quem?

janeiro 13, 2009

Quem te adora à própria morte?

lula.png serragrande.jpg

Sinceramente, esse país me assusta cada vez mais.

janeiro 9, 2009

Polícia, Blogsfera e a ONG Artigo 19

Já era tempo.

Conversando com representates da ONG Artigo 19, conhecida defensora dos Direitos referentes à liberdades de expressão, começamos um projeto para monitorar as constantes perseguições sofridas por policiais no tocante a crimes relacionados com o tema. Por aqui, sempre fizemos, ao longo destes 5 anos, o máximo para que ficasse comprovado que policiais não são cidadãos de segunda categoria e, como todo mundo, podem sim manifestar-se livremente sobre a instituição policial, mesmo que seja contrário à orientação política do atual grupo que detém o poder.

A competência do funcionário público não pode ser medida tendo como parâmetro o grupo político a que pertence, ou a que não pertence. É sabido que todos os cargos da policia civil de São Paulo dependem de prestígio e compadrismo para serem ocupados. Perguntem a quem quiser. As melhores vagas estão reservadas aqueles que se adequam às determinações do administrador, e não ao policial que trabalha dioturnamente. O mérito não se dá pelo trabalho, mas pela capacidade do funcionário em angariar influências.

Mesmo falar sobre esta situação própria de estados totalitaristas é um risco ao indivíduo que ocupa um cargo público nas instituições policiais. Mas não são poucos os casos.

Assim, peço a grande Blogsfera policial que encaminhe a nós os casos de perseguições aos policiais que ousaram expressar o que pensam (podem pegar o e-mail de contato no canto superior esquerdo da tela). Ou então, se preferirem, encaminhem diretamenet à ONG Artigo 19. O importante é fazer com que os administradores se sintam vigiados, afastando a arbitrariedade que todos conhecemos. Tentarei ao máximo oferecer amparo juríco aqueles que precisam, já que a matéria me é conhecida até a pele.

Conto com a divulgação da patota.

janeiro 2, 2009

Vai preso quem comprar de camelô


A trilha sonora do projeto "Coisas que devemos esquecer para o Brasil crescer. também aqui. Há muito tempo não ria tanto de nossas desgraças.

dezembro 22, 2008

Hipocrisia sem compromisso

Como prometido, aqui está a discussão no twitter sobre a participação do delegado Protógenes no Programa Roda Viva de hoje (22-12-2008), na TV Cultura. O bate papo só comprovou que a polícia federal, a exemplo de nossa polícia judiciária, é uma polícia de governo, e não está a disposição do estado democrático de direito.

Chegou a dizer que "bandido tem que ser exposto". Ainda bem que delegado não julga, e não é juiz, ao contrário do que eles pensam. Esse é o problema da segurança pública brasileira: quando os delegados terão a consciência de que são meras autoridades administrativas, e longe de autoridades judiciais? Se Gilmar Mendes quer ser presidente, Protógenes quer ser senador vitalício. Filho de militar que cresceu ouvindo o "Repórter Esso" e "Ave Maria" antes da "A Hora do Brasil". Triste é esperar a condenação do Daniel Dantas baseado na investigação de um fanático.

Enfim, fiquem com os comentários do Twitter ocorridos no calor da discussão do programa.

A experiência foi fantástica. Recomendo a todos que participem desses eventos. Um papo de boteco com milhões de pessoas ao mesmo tempo.

novembro 22, 2008

Vara da Polícia Cível

Tenho estado distante daqui. Depois de tantos anos rabiscando nesse espaço, noto que já não vejo necessidade em expor no blog a aspereza do cotidiano. Pior, constatei que já não posso escrever como antes escrevia. Um pouco pela vigilância da lei, ou devido à meu próprio policiamento. O que quero registrar é que a greve acabou de forma melancólica. Substancialmente, nada mudou. Delegados ainda são delegados. E os investigadores nunca deixarão de sê-los. Talvez a história guarde o lugar adequado para aqueles que participaram do movimento. Com uma ordem dessas vindo do STF, aguardo para ver como a E. Corte se posicionará diante de eventual movimento grevista da Polícia Federal. As duas são idênticas, mudando somente o salário e a amplitude de atuação.

E agora voltarei a escrever sobre algo que venho planejando há muito tempo. Um investigador que tenta elucidar um caso sobre vampiros, com a ajuda de um amigo monge. Sim, estúpido. Mas escrever sobre a realidade da polícia civil de São Paulo é deprimente. Deve ser por isso que os romances policiais brasileiros são tão distantes da realidade.

PS: Alguém consegue me explicar por que se escreve polícia CIVIL, mas a vara do juizado é CÍVEL, como também o direito privado é CÍVEL? Coisas assim me tiram do sério, principalmente quando sei que ninguém, no dia a dia, fala CÍVEL com a suave sonoridade que faz a língua ao raspar os incisivos na pronúncia do "EL".

novembro 9, 2008

Semântica e garantias individuais

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Imaginemos uma pessoa que confessa um crime e é presa. Festa nos jornais e na polícia. Logo depois surge um vídeo em que se afirma que a confissão foi sob tortura. Pergunto: qual seria a manchete mais apropriada para a notícia?

1) - "Vídeo traz dúvidas sobre a inocência dos réu" ou
2) - "Vídeo traz dúvidas sobre a culpa dos réus".

Pode parecer uma dúvida boba. Mas para alguém que ficou preso durante dois anos sob a acusação de homicídio e crime sexual, com medo de ver sua família sequestrada pela polícia, é de suma importância escolher as palavras que se referem à seu caso.

Entre provar a inocência e provar a culpa, é bom lembrar que a primeira é de responsabilidade do cidadão hipossuficiente. A segunda, do estado detentor do monopólio da violência e da força coercitiva.

Dependendo do jeito que a manchete é escrita, pode-se saber o que o jornal considera como mais vantajoso para seus interesses.

outubro 31, 2008

O bom em ser velho

A melhor coisa da velhice é não mais ter que se sujeitar à hipocrisia e poder ser sincero o tempo todo, já que é bem provável que não terá mais chances de catar mulher ou melhorar de emprego. Quer melhor exemplo do que este:

"Os tempos são outros. Aquela advocacia inteligente, ética e cavalheiresca está chegando ao seu fim, como estão pondo fim naquela magistratura paulista que fazia a jurisprudência vigente no país. A proliferação das faculdades de Direito aviltou o próprio Direito, banalizou a Justiça e transformou a advocacia numa mera prática burocrática"

setembro 13, 2008

Transporte alternativo para São Paulo

O negócio pode ser calibrado para várias distâncias diferentes. Meu amigo Doni, por exemplo, não teria mais que se preocupar com os horários de ônibus para Embu. Em tempos de lei seca, seria uma saída interessante para aqueles que insistem em dirigir sobre efeito de entorpecentes. Fica a sugestão para que os prédios coloquem fitas adesivas gigantescas em suas paredes, para evitar que o catapultado quique e se esborrache no chão.

setembro 5, 2008

A hipocrisia e a dança periquita na PM

Não poderia passar essa em branco. Uma das vítimas da tecnologia que acabou com os limites entre o público e o privado foi um Policial Militar aqui de São Paulo. Em alguns minutos do seu trabalho, ele deixou a máscara da robotização militar que a administração pública obriga a todos seus funcionários, e permitiu demonstrar um pouco de humanismo impensável para aquela corporação. Deu nos jornais, deu na mídia, e com certeza, ele sofrerá penalidades internas. No mínimo, a humilhação pública já começou. Confira:


PM dança mambo


PM faz a dança da periquita

Esse policial merecia um prêmio por conseguir manter o bom humor e o alto astral, mesmo estando sujeito ao baixo salário e as condições sub-humanas de trabalho que a governo do estado lhe impõe. E não uma sindicância.

agosto 31, 2008

Pra onde foi fulano?

Você sabe que está ficando velho quando reencontra amigos que não via desde os dez anos de idade, e começam a listar quais os amigos que morreram, e quais viraram gays. E lembrar que as amigas que acompanhamos o desabrochar de seu sexo, hoje são felizes mamães.

junho 14, 2008

Ex contínuo

Você pode ser um bilionário. Mas será para sempre um brasileiro.

junho 13, 2008

Prisão de Policial

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Ainda me toca ver cenas como essas. A polícia tem uma ética própria, distante de qualquer limite hipócrita da sociedade que ela tenta controlar. O que é errado lá dentro, não precisar ser aqui fora. Aliás, errado e certo tomam outra perspectiva no prédio da delegacia. É esse labirinto que assusta.

A cidade vai viver uns bons tempos com uma tremenda crise entre a polícia militar e a civil, por causa desta prisão. E isso nunca é bom. O clima de guerra que eventualmente surgirá entre as instituições pode ser desastroso para a população.

Conheci esse investigador de perto. Um dos melhores policiais com quem já contei em alguns trabalhos. Mas eu era o sujeira.

PS: O jornal disponibiliza a matéria de graça, mas tem que se cadastrar.

junho 8, 2008

Reformando - o livro vem aí!

Uma novidade para meus breves leitores. O livro está pronto. É uma expurgo dos quase seis anos como investigador na polícia civil de São Paulo, e espero que gostem. A patroa aprovou, então testou confiante. Gostei do final do trabalho. É a melhor parte. Gostaria de poder contar, mas tem gente que não gosta de ler livros, ou mesmo ver filmes, já sabendo o final. Neste caso, recomendo o final. É o sonho de todo policial honesto.

E de resto, ainda pasmo com a facilidade com que se descobre as podridões da gloriosa instituição, e a impossibildade de se fazer reformas estruturais. Não adianta limpar os móveis, se o chão é de terra. É preciso reconstruir.

fevereiro 28, 2008

Il Parrocho

"Caro roger,

Lei ha inviato una mail all'indirizzo sbagliato. La nostra parrocchia san giorgio è in un paese della provincia di Benevento, città dell'Italia del sud e non si trova a Bergantino, paese della provincia di Rovigo, a circa 1000 kilometri da qui.
Sono spiacente ma non posso fare nulla per lei. Auguri per la sua ricerca. Il parroco."

Acho que começo a descobrir de onde me vem essa doce maneira de ser grosso.

fevereiro 7, 2008

Metralhadora calibre 12

Auto-Assault-12-Shotgun.jpg A Auto Assault-12 é uma espingarda automática calibre 12 que dá tiros em seqüência, como se fosse uma metralhadora. É capaz de efetuar 360 disparos por minuto usando carregadores de 8 ou 20 cartuchos. O recuo característico de uma arma deste porte foi reduzido devido a um sistema sofisticado, o que permite a cadência de tiro com certa precisão. Por enquanto é uma arma exclusiva para uso em combates militares, como era a 45 há alguns anos atrás. Aqui, neste link, você encontra o vídeo institucional feito pela fabricante. Mas o que escolhi para mostrar tem mais cenas de uso prático. Como a espingarda calibre 12 é muito utilizada pelas forças políciais urbanas, principalmente na contenção de tumultos, não duvido que daqui algum tempo essa arma possa estar a disposição do profissional de segurança pública. É arma de campo aberto, que objetiva multidões. Típica máquina de guerra.

janeiro 31, 2008

Com a PC em greve, PM elabora auto de flagrante em Alagoas

Os policiais civis de Alagoas estão em greve há seis meses, reivindicando reajustes de 129%, equiparando-se assim aos salários de peritos criminais, cerca de R$ 3.000,00. Os peritos também estão em greve, reinvidicando por um salário igual ao do delegado de polícia.

O governo fez uma contra-proposta de 36,7%, parcelados em 36 meses, além de 7,2% de adicionais noturnos para os plantonistas. A proposta foi negada pelos policiais. Garantem que neste carnaval apenas 30% do efetivo estará a disposição da população.

À partir desta sexta-feira, os delegados de Alagoas também entrarão em greve, reinvidicando equiparação salarial com os defensores públicos, que ganham cerca de R$ 17.000,00. Diante deste quadro de paralisações, o governador anunciou a notícia que os majuras temiam!!

O governo alagoano eleborará um decreto, com o apoio da Polícia Federal em Alagoas, Exército, Tribunal de Justiça do Estado, Ministério Público Estadual e seccional alagoana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) declarando situação de 'perigo iminente' na segurança pública . O decreto dá autorização, além de compras de emergências, à Polícia Militar assinar termo de ocorrência em caso de prisões em flagrante.

Pensei na inconstitucionalidade da medida tomada às pressas pelo governador. Mas pondera-se: a carta magna somente dá exclusividade ao delegado de polícia para a presidência do inquérito. Em nenhum momento definiu de quem seria a atribuição da elaboração do flagrante.

(Em tempo, breve leitor. O ato de flagrante é a formalização, em papel, da prisão de alguém que está cometendo um delito. Qualquer um pode deter fisicamente quem está no ato flagrancial do crime e conduzí-lo até a presença de um delegado de polícia para que este tome conta da parte burocrática. E essa prisão e condução é o trabalho da Polícia Militar. Mas até hoje, nos crimes comuns - não militares, por exemplo - somente o delegado de polícia assinava a papelada que formaliza a detenção do criminoso, ou seja, a elaboração do flagrante)

Diante do caos instalado em Alagoas, o governador encontra uma solução óbvia, adotada no mundo inteiro: permitir que a polícia militar, além de efetuar a detenção física do criminoso durante a conduta caracterizadora do flagrante, também possa elaborar o auto competente (a parte burocrática) e encaminhá-lo ao fórum. O inquérito referente ao flagrante? Bem, essa uma outra história que o governo terá que resolver.

O que merece destaque é a noção, quase instintiva, de que o papel do delegado como autoridade administrativa não é privativa. Não detém poder jurisdicional, o que os diferem das autoridades judiciais (os juízes), função indelegável a outro servidor público. O constituinte considerou a figura do delegado de polícia um status de decisão ao qual o restante da legislação e toda a sociedade não aceita. Não há justificativa técnica para que a decisão da elaboração ou não do flagrante seja apenas do delegado de polícia. A equipe que compõe os quadros das atuais polciais civis brasileiras são diferentes daquelas que a fundaram. Os investigadores e escrivães não fazem mais parte dos jagunços exclusivos dos coronéis cafeicultores da revolução de 30, que deu forças ao estado de São Paulo e sua consagração burocrática.

São profissionais que primam pela formação acadêmica e intelectual. Como nas melhores polícias do mundo, nos quais os agentes de investigação são responsáveis pela elucidação do crime desde o início, sendo supervisionados e fiscalizados por um agente de investigação mais experiente. No Brasil, as mudanças que agilizariam o processo de investigação criminal pré-processual só não acontecem por mera vaidade dos delegados. É difícil convence-los, principalmente os mais velhos de casa, de que não são autoridades judiciais, e suas decisões podem ser delegadas e executadas por outras pessoas tão bem preparadas quanto. censuratx4.jpgMas sobre a ilegalidade do flagrante feito pela PM. Quem regula o auto de flagrante é o Código de Processo Penal. Nele, somente duas pessoas podem realizá-lo: o delegado de polícia e, eventualmente, o juiz. Por ser lei de matéria exclusiva da União, somente ela poderia alterá-la. Portanto, por mais boa vontade que o governador de Alagoas tenha em autorizar a PM a realizar o flagrante, enquanto o código de processo penal não for alterado no que diz respeito a atribuição para a elaboração do flagrante, tudo será cometido com nulidade, e portanto, ausente estará a justa causa para o feito

O delegado de polícia, por estar incorporado a nossa tradição cartorial, é figura indissociável da polícia judiciária. A ele deve ser reservado o gerenciamento de todo o procedimento investigativo, orientando e fiscalizando os trabalhos da equipe, sem no entanto isso ser o motivo para a centralização de decisões que hoje existe. Parece distante de nossa realidade?

Que respondam nossos colegas que trabalham em delegacias nas quais o delegado aparece a cada quinze dias, fato comum no interior do estado, em que o déficit de delegados é tão grande que os obriga a responderem por 3 ou quatro cidades ao mesmo tempo. O servidor que mora no município é quem dirige os afazeres corriqueiros da delegacia. Em caso de flagrante, normalmente, o próprio investigador ou escrivão (muitas vezes este nem policial concursado é, apenas AD HOC, remunerado quase sempre pela prefeitura) faz todas as peças do auto de prisão sozinho, cabendo ao delegado apenas assinar o feito quando possível. Ou então, também muito comum, após a elaboração de todas as peças, o funcionário leva o auto completo para o delegado na cidade onde ele se encontra, para que assine.

Eu trabalhei em cidades pequenas do interior. Elaborei autos de flagrantes em que o delegado estava em outra cidade e, pelo telefone, lhe dava ciência dos acontecimentos. Nos finais de semana eu, sozinho, era responsável pela escolta do preso até o IML, ou levava o entorpecente apreendido para ser efetuado o laudo de constatação no instituto de criminalística em outra cidade, sede da seccional. A descentralização das tarefas do delegado é um caminho que não tem volta. Em alguns lugares ela já começou. De forma ilegal, mas já existe.

Mas é de se pensar na atitude salutar da medida tomada em Alagoas. Foi uma solução encontrada diante do impasse das negociações. Provavelmente logo sua legalidade será contestada, e tudo retornará como antes estava. As reinvidicações são justas, e os policiais merecem o que exigem ganhar. Mas a melhor vitória veio antes do fim da greve.

E foi uma vitória para a segurança pública nacional: o começo do entendimento de que a polícia civil não é formada somente por delegados de polícias, e sim, por profissionais que buscam a verdade real do crime, independente do título que lhes são atribuídos.

janeiro 17, 2008

Mata, mas faz!

De democrata, acho que o PSDB pouco tem. Com atitudes como a exoneração do conselho do CETRAN por decidirem de acordo com a lei, mas contrário aos interesses do governo/prefeitura, imagino o que fariam esses administradores se tivessem a chance de um regime ditatorial em suas mãos.alckimim.jpg
Afinal, quem inventou a história da legitimação do perpétuo poder na América Latina foi o FHC, com a emenda da releição. E Chavez gostou da idéia. É uma monarquia que ignora o direito de discordar. Atua com o monopólio da força coercitiva do estado, quando devia dialogar e convencer com argumentos. E é sob o julgo de administradores assim que a polícia está submetida.

Estamos seguros com a estabilidade?

Pois bem. Em 2005 o então sr. Governador Alckim e seu melhor cavaleiro, Alexandre de Moraes, decidiram resolver o problema da FEBEM de uma maneira singular: exoneraram 1.500 tidos como "torturadores", sem o sagrado Direito de defesa, processo e contraditório. Alguém deve dito ter a eles que uma atitude assim ficaria bem para quem desejava ser presidente da república. 1.500 pais de família na rua, sem salários, da noite para o dia. 1.500 nomes taxados de criminosos e escritos no diário oficial como culpados.

Não são empregados comuns que conseguem trabalho em outra empresa dali alguns meses. Eram pessoas que vigiavam menores há mais de 10, 15 anos. Excelentes profissionais naquilo que faziam. Mas que só sabiam fazer aquilo. E não conheço nenhuma empresa que mantenha um complexo como a FEBEM no qual poderiam arrumar novos empregos.

serra.jpgNão se pode dizer que o governo não sabia o que estava fazendo. Alexandre de Moraes é um dos juristas mais respeitdos do Brasil, e o resultado desta ingerência seria óbvia para ele. Mas como como bom técnico das leis, ele sabia também que quando isso fosse resolvido na justiça, a morosidade do judiciário lhe daria tempo de sair da mídia. Suas palavras na época eram de um homem moralmente inqüestionável, louvado pela classe média que precisava ver uma atitude severa contra a horda de baderneiros dos sindicatos. Por causa de um punhado de maus funcionários, sacrificou-se a vida de mais de um milhar.

E não bastasse o prejuízo moral sofrido por essas famílias, o ululante aconteceu no final do ano passado, quando o judiciário, evidentemente, ordenou que todos eles fossem reintegrados ao seus antigos cargos, por total ilegalidade da medida tomada. Para o estado de São Paulo sobrou a conta de R$ 32.000.000,00 para pagar ao pessoal que retornaria aos seus empregos. Estes receberão em forma de precatórias, sabe-se lá quando. Foi um prejuízo que, para aquele governo, financeiramente não foi tão grande assim. A conta ficou para o devir.

Quando noticiou-se na imprensa que o CETRAN anulava multas do rodízio, não vi nada além do que qualquer pessoa de bom senso enxergaria: não há placas avisando. É mais ou menos como ter que saber a direção de determinada rua pelo hábito de uso do lugar, ou procurar nos jornais, na internet. E mais uma vez, o governo preferiu ao que está acostumado a fazer: mandar embora quem desagrada. Perde a sociedade paulista, acreditando que um órgão de julgamento como o CETRAN deveria ter independência nas decisões. De agora em diante, sabemos que os recursos de nossas multas só poderão ser julgadas com a devida responsabilidade no judiciário. Por que este órgão, que deveria ser o exemplo de diálogo com a população, é mero enfeite burocrático nas mãos do executivo. E ainda utilizam-se de uma retórica libiríntica para tentar escamotear o abuso:

FOLHA - A revelação de que os conselheiros anulavam as multas de rodízio interferiu?
MARREY - Não. O que há é que ela chamou a atenção para a atuação do Cetran. Daí houve um natural exame da legislação e a necessidade da adaptação. - (??? Sem dúvida, está muito claro.)

FOLHA - Há quem critique a perda de autonomia do Cetran.
MARREY -
Ninguém interfere no julgamento de multa. Mas o conselho é um órgão da administração, não é dotado de autonomia constitucional. E se houvesse uma patologia?
FOLHA - Nesse caso, houve?
MARREY -
Não vou afirmar isso. Mas, dez anos depois do início do rodízio, de uma hora para outra, adotaram essa posição? Acho essa mudança absurda e inusitada
.

Paulista é o tipo de gente que elege Maluf e Clodovil. E gosta de votar em gente que, desde que não seja em seu filho, bate, mata, mas faz!

janeiro 27, 2006

Liga para mim porque sinto sua falta.

Delegacia é o lugar de tudo o que não tem lugar nesse mundo. Principalmente da miséria. Comprou algo de que se arrependeu? Corre pra encher o saco da Polícia. Seu marido anda estranho no casamento? Fale com o delegado. Ouve vozes que lhe dizem coisas estranhas? Nada que um B.O.zinho não possa lhe satisfazer.

Nas estatíscas mensais da seccional onde trabalho, 39% das ocorrências registradas no mês de dezembro do ano passado foram fatos atípicos, ou seja, não eram crimes, apenas fatos que ocorrreram e as pessoas acharam por melhor nos avisar de que isso aconteceu, mesmo sabendo que isso não nos interessava. Folhas de cheques perdidas/extraviadas, vizinhos barulhentos, desentendimentos entre patrão e empregado, reclamações de filas do INSS, mau atendimentos em bancos, hospitais, e as famigeradas brigas entre casais. Essas sim são as piores, e que não deveriam ter nenhuma atenção por parte da polícia.

O que me interessa saber que a dona Maria tá dando para o o seu João das bicicletas e seu marido valente e brigão ficou sabendo??? Isso é problema de família, e se não conseguem resolver no fórum íntimo, precisam de um bom psicólogo, não da polícia.

Aliás, família é a base da maioria das ocorrências. Tráfico, homicídio, sequestro, furto, roubo... tudo começa em casa. Ou numa casa mal começada, na sala, entre pais e filhos sem objetivos e perspectivas em comum. A diferença na relação dos envolvidos com a polícia varia de acordo com o poder aquisitivo das partes. Para os mais pobres, tudo é delegacia!

Comeram a filha do seu Zé? Chamem a polícia!! Brigou com o vizinho por causa do varal de roupa, não adianta ir reclamar com o promotor, porque coisa de gente mal educada é com a polícia.

Classe média, não. Essa é bacaninha. Acima disso não conheço e nunca tive contado. Veja só: se comeram a filha do Dr., tudo fica em silêncio para ninguém ficar sabendo, né? Pois seria vergonhoso se na reunião anual de natal a turma ficasse sabendo que a menina não é tão perfeita quanto a da outra tia. A PM pegou o boizinho fumando maconha com os amiguinhos surfistas na praia? Afe, ignorantes fardados que não sabem distuinguir um usuário feliz com origem segura de um traficante da periferia.

Evitam o máximo entrar nesse prédio mofado enfeitado de máquinas de escrever e funcionários despreparados, mal-remunerados. Chegam a ligar para cá pedindo para irmos na porta de suas casas fazermos um "Boletim de Ocorência porque meu marido mandou nossa empregada embora e ela levou três latas de leite condensado".

Ah, se todos tivessem vergonha da polícia! Que maravilha...

dezembro 5, 2005

Eu ganho pouco mas me divirto.

Enquanto não apareço na Caras, fazemos sucesso na folha :


"Adolescente de 13 anos é preso, furta carro da polícia e foge

da Folha Online - 05/12/2005

Um garoto de 13 anos que havia sido detido acusado de furtar uma residência fugiu do Plantão Policial de Franca (400 km a norte de São Paulo) com um carro da polícia.

O adolescente foi levado para a delegacia na madrugada de domingo (4). Sem ser visto, adolescente saiu do plantão, onde aguardava seus pais, por uma porta que leva ao pátio onde estavam os carros.

O garoto encontrou um Kadett cuja chave estava dentro do veículo. Com o controle remoto do portão, ele conseguiu sair do pátio sem ser percebido.

O carro foi encontrado na cidade de Claraval (MG), que fica próxima a Franca. Segundo o delegado assistente, o adolescente só parou o carro porque passou por um mata-burro onde um dos pneus furou. O veículo foi achado por policiais militares. O adolescente foi detido próximo ao carro.

De acordo com a polícia, o menor tem várias passagens por furtos. Depois de recapturado, ele foi entregue à família."

E quer saber? Ninguém colocou a mão no moleque. Todos estavam rindo. Até eu, mas baixinho, porque já estou com o saco cheio de sindicância.

novembro 9, 2005

Plantão na Suécia.

Dupla de alces bêbados cerca idosos na Suécia

da BBC, em Londres

Um asilo para idosos na Suécia foi cercado por dois bêbados pouco comuns.
Uma dupla de alces se "embebedou" comendo maçãs fermentadas do lado de fora da casa em Sibbhult, no sul da Suécia.

A fêmea e seu filhote aparentemente gostaram tanto das frutas que a polícia não conseguiu espantá-los sem ajuda."

outubro 26, 2005

O mundo é sépio.

A Olívia está quase me convencendo de que tenho dificuldade para identificar tons de cores que se situam no espectro entre o verde - marrom - vermelho. Não que isso vá mudar a minha vida ao ponto de não me permitir a fazer coisas cotidianas, mas talvez eu fique mais atento quando for desarmar bombas com fios coloridos.

outubro 9, 2005

Pedagogia I

Certa vez minha reclamou que minha sobrinha , Letícia (3 anos), estava apanhando de um garotinho na escola. Ontem soube da notícia de que Letícia havia sido mandada para a Diretoria (?) porque fora encontrada beijando o mesmo garoto atrás da porta da sala de aula. Hoje tive a chance de conversar com essa menininha.
- Lê, o menino te bate sempre?
- Bati sim, tio. Arranha também.
- E você deu um beijo nele?
- Dei sim. Assim, ó - faz o biquinho típico dos beijoqueiros.
- E agora, Lê, o que você vai fazer?
- Vou sentar a mão na cara dele amanhã antes da aula.

Pensei comigo: é a prova contumaz de que as mulheres nascem com essa habilidade de nos assustar e nos fazer apaixonar. Malditas!

outubro 6, 2005

Pelo HT.

Bien, o TCC tá entregue na faculdade. Cortei o cabelo e comprei café. No HT a PC tá movimentada, com cara de ronda (são raras as rondas feitas pela PC, principalmente durante o dia). Abordaram um menor que olhava demais a viatura. Perguntaram por que ele encarava tanto assim o veículo.

- É que achei o carro de vocês muito bonito. - Estava levando a esposa, de 16 anos e grávida, ao médico.

Alguém no rádio brincou: "É...vocês não gostam de preto, mesmo!"

outubro 3, 2005

Prostitutas do México matam 5 clientes ao dopá-los com colírio.

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Seis prostitutas da Cidade do México foram detidas sob a acusação de usarem um colírio que provoca sono a fim de roubar seus clientes, disse um jornal na segunda-feira. O uso da substância acabou matando cinco homens.

Um bairro da região central da capital registrou 17 casos neste ano, incluindo as cinco mortes provocadas pela ingestão da substância ciclopentolato -- um relaxante muscular usado em exames de olho para dilatar a pupila.

"Depois que eles entram no hotel, parece que a substância é colocada na bebida do cliente. Segundo nossas informações, elas estão usando um tipo de colírio", afirmou ao jornal El Universal o promotor Fernando Lopez.

A mistura do colírio com o álcool pode ser fatal para pessoas com certos tipos de problema cardíaco, dizem os especialistas.

Um homem de 39 anos que sobreviveu ao golpe e acordou dopado e sem a carteira disse que vigiou seu copo o tempo todo. Mas acabou ingerindo a droga depois de a prostituta tê-la colocado, sem ele perceber, nos mamilos .

setembro 27, 2005

meu querido parceiro...

Na nova delegacia, meu parceiro, Moisés, tem 56 anos. Homem simples, daqueles que fala "prantão" e "praca" e coloca a pochete no ombro. Um grande coração, mas as vezes temo que ele me coloque numa fria devido a sua falta de habilidade diplomática. Dia desses andávamos à tarde em uma rua da cidade. Um grupo de bóias-frias aproveitava por terem recebido seus salários e bebiam pinga em frente a um bar. Meu companheiro, sem pestanejar ao ver aquele punhado de cabeça chata dando risada, disparou em voz alta para todos ouvirem:

- Olha ai, cambada. Se é para ficar vagabundando, volta pra Pernambuco.

A turma cercou o policial com ódio suficiente para quebrar todos nossos ossos. Só tive tempo de levá-lo dali para dentro da viatura antes que os bóias-frias nos alcançassem.

Legal mesmo foi quando apreendemos uns objetos de furto na casa de um infeliz. Moisés ia me dizendo o que achamos na residencia enquanto eu preenchia o auto de exibição e apreensão:

- Um relógio marca Oméga. Uma corrente de ouro. Um crucifixo marca INRI...

setembro 26, 2005

É tão bom ser rude...

Sabe aquele sentimento que aparece quando você percebe que o ralo do banheiro entupiu porque resolveu fazer a barba no chuveiro? E que se não tivesse feito a barba, não teria que sofrer desentupindo? É fácil demais quando se sabe que todos são iguais de perto. Culpa desse meu daltonismo que não me deixa enxergar a cor óbvia das pessoas. Passo a vida inteira para tentar descobrir qual o lápis cor de pele. Quando penso ter descoberto, alguém me diz que é lilás. Merda de mundo cíclico.

Então. O verdadeiro poder sobre alguém só se consegue fazendo-o sofrer. E não foi eu quem disse isso.

setembro 20, 2005

Enxofre e carbonato.

Hoje vi morrer um homem. Não simplesmente morrer. Eu vi ele morrer assim, olhando para mim profundamente. Queria saber se todas as mortes são iguais. Na mesa do IML ou jogado em meio a poças de sangue no chão, todos tem o mesmo cheiro e de mim ganham a mesma indiferença.

Num curtume abandonado aqui da cidade existe uma galeria subterrânea onde despejavam resíduos tóxicos. Após seis anos, resolveram reativar a fábrica e limpar a galeria. Colocaram uma bomba de sucção lá dentro e então sugavam o caldo de veneno que estava guardado há tanto tempo. Em certo momento a bomba entopiu, um dos funcionários entrou para arrumar. Não voltou.

Outro entrou para ajudar o amigo. Também ficou. Mais um desceu e não voltou.

Quando cheguei, um bombeiro gordo vestido como astronauta, de máscara, macacão e oxigênio, subia as escadas da galeria com dois operários pintados com uma borra fedorenta e cinza nos ombros e os despejou ao meu lado. Tive dó daquelas massas cinzentas que lembravam homens. Mais dó pela pancada que ambos receberam na cabeça por causa da queda ao solo. Barulho de coco sem água. Quis lavar a boca de um deles com uma mangueira que estava ali, depois que vi o caldo cinza escoar pelas fuças do infeliz.

- Esquece, Steve...esse aí zerou. - PMs gostam de nos chamar de Steve - Os dois aqui estão zerados. Vou descer lá pra ver se tem alguem que nao deu óbito.

E foi mesmo. O prmeiro homem corajoso que vi na vida, mas acho que ele não se deu conta da minha admiração. Trouxe um pelos mesmos ombros e pôs ao meu lado. O outro PM que aguardava na viatura aproximou-se com o tubo de oxigênio, pediu para eu segurar a máscara com o gás na cara do imundo.

Enquanto jogava a água no rosto do rapaz pude notar que seu corpo gelado dava espasmos periódicos com a parte de baixo do ventre. Os olhos ja estavam secos e gelatinosos como eu nunca tinha visto. Parecia que seus pulmões queriam aspirar algo maior que seu nariz. Puxava com insistência. Sei lá porquê, resolvi abri os olhos dele como se fazia com os duelistas mortos nos filmes de bangue-bangue. Ele não a mexia a pupila nem qualquer outra parte que mostrasse vida.

Deveria estar me sentindo um inútil neste instante, já que abri o tubo de oxigênio para permitir que mais gás saisse pela mangueirinha. O carinha piscou os olhos e o preto do globo branco girou em minha direção. Olhou-me de maneira desesperada, talvez se perguntando quem era eu. Respirou, respirou, respirou...e parou.

- Esse aí também zerou, Steve. Esse aí também zerou.

Não tinha ninguém ali por perto com isqueiro para eu acender meu cigarro.

agosto 28, 2005

O tambor vai girar e o aço vai queimar sua cara. Certo?


Afastei-me do teatro por um desprazer crescente. Pode-se aceitar de tudo para tornar os clássicos mastigáveis. Até entendo o esforço de quem os realiza. Deve ser dificil competir com mídias tão intensas como o cinema, a TV a cabo, o DVD, a internet. O teatro cheira obsleto quando o assunto é entretenimento. E eu exalo mofo quando chamo teatro de entretenimento, arriscando levar alguma pedrada pelas costas daquela gente que usa sandália rasteira e roupas indianas com a estampa: "Fuck capitalism".


Tá legal. Dá para perdoar muita coisa. Mas será que não existe outra forma de fazer peças gregas sem colocar o coro cantanto rap? Mano por mano, os Beast Boys são mais autênticos.

agosto 20, 2005

Iscas de porco com molho vermelho...

Há cerca de um mês atrás uma mulher foi fazer um B.O. de desaparecimento de pessoa tendo como a vítima seu marido. Era um homem que já conhecíamos. Viciado, metido em pequenos furtos, sempre em más companias. Sumiu de casa após discutir com alguns traficantes do bairro. Normalmente não dou nenhum tipo de atenção a essas ocorrências. A pessoa costuma sumir por vontade própria, seja por dívidas, assuntos mal resolvidos, e não quer ser encontrada. Mas a mulher tinha um bebê de sete meses no colo, que sorria todas as vezes que olhava para mim.

Resolvi então ir com a esposa até a casa onde moravam para ver se levantavamos alguma coisa. Na verdade era somente uma encenação corriqueira para tranquilizar os envolvidos. Não ia trabalhar naquele caso mais do que os próximos vinte minutos. Meu salário e os horários de ônibus para a minha cidade não me permitem gastar muito tempo com coisas assim. E já estava quase na hora de eu pegar ônibus para ir para a faculdade. Eu tinha prova de Direito do Consumidor e tinha que me apressar.

Na saída da casa, um garotinho com uma pipa em uma mão e uma latinha com linha enrolada na outra olhava curioso para dentro da minha viatura. Após ter conseguido tranquilizar a mulher, dizendo que estaríamos empenhado neste caso com carinho especial, o moleque dirigiu-se até onde estavamos.

- Seu guarda. Eu tropecei num corpo ali naquele canavial. - A mulher não deu atenção as palavras do pivete, talvez por estar pertubada, talvez por não querer que aquilo fosse verdade.
- Ah, seu moleque - respondi , aproveitando a raiva por temer perder o ônibus - Some daqui, não ta vendo que a senhora está nervosa. Gente malvada... e fui embora.

Ontem, ao chegar na delegacia, em cima da minha mesa estava o B.O. de encontro de cadáver elaborado durante a madrugada. No mesmo canavial que o moleque havia dito, algumas pessoas encontraram o corpo em uma cova rasa. As dez e meia da manhã chamei a mulher e fomos ao IML reconhecer o podrão. Fedia pra caralho (não me importo em ver a massa disforme de cane. Pra quem esta acostumado às abstrações cubista de perfis múltiplos, não há nada de novo), mas o cheiro é insuportável, dois tiros certeiros atrás da orelha esquerda confirmavam a execução. A mulher reconheceu o marido pelos tênis. Às onze e meia fui almoçar...

agosto 9, 2005

Quem tem OAB levanta a mão.

Conseguimos pegar o moleque de dezesseis anos que assaltou uma fazenda, bateu no caseiro de 70 anos, em sua esposa de 60, além de ter roubado a casa toda. Já na delegacia, seu advogado (dativo), ao saber das peripécias do jovenzinho fedido e cabelos sujos de terra, disse para ele ir atrás de outro defensor. Acabou ficando sozinho nas sala da investigação conosco, pobrezinho.

Era o que queríamos para conversar com mais empenho até que ele abraçasse todos os B.Os que nos devia. Entre eles, dois homicidios. Assustei quando um senhor grande, de barriga proeminente e bem vestdio entrou na sala com os olhos lacrimejando. Era o filhodo caseiro que havia sido roubado.

- Então esse é o Quico? - disse com a voz rouca, mas empostada e com decisão. - Eu só queria ver a cara desse safado. Ele já tem advogado?

Respondi que não, indeciso. Afinal, não sabia quais eram as verdadeiras intenções do outro advogado que havia ido embora.

- Não tem ainda? Então eu faço questão de pagar um advogado para ele. Quanto é? Três mil reais? Eu pago, eu pago! Quero esse filho da puta na rua o mais rápido possível. Já tenho gente lá fora esperando por ele. Você gosta de bater em velhos, né, malandro? Espera que o seu já tá reservado.

Juro que foi a primeira vez que tive uma grande vontade de ter em mão meu número da OAB...só pra ganhar os três paus prometido pelo velho e poder comprar o resto dos livros de Direito que preciso.

maio 30, 2005

Finalmente resolvi jogar o tal

Finalmente resolvi jogar o tal do paciencia spider. Jogo estranho, mas o campeonato desse jogo na delegacia não me deixava pensar em outra coisa. No plantão de domingo, comecei com um naipe apenas. tantas fileiras, tantas fileiras...

O telefone toca, era o cabo Freitas da PM:
- Franchini, a tropa ta precisando de você lá na Vila Chora Neném.
- Pra que? - quem sabe não desanimava o soldado a desistir de minha presença na operação realizada por eles...
- Eles querem entrar na casa do Tigudum.
- É droga? Flagrante?
- Não. O Tigudum bateu no soldado Edgard. Você acha que eles podem entrar?

Entrar na casa de alguem sem flagrante? Apenas por vaidade de um policial? Perigoso. No mínimo eles esperavam que eu aprovasse a idéia, e sei lá, deferir uma espécie de Mandado de Busca e Espancamento. Acabei por ir, afinal, a gente nunca sabe de quando vamos precisar de uma tropa armada e furiosa para nos ajudar. E o Edgard era um amigo, dos bons.

Quatro viaturas na favela. Três corsas e uma Blaser. Não gosto das Blasers...são grande, bonitas, mas capotavam facilmente em qualquer manobra mais ousada. Corsas eram pequenas, e não causam impacto na chegada da abordagem. O bom mesmo era a Ipanema. Robusta, de arranque poderoso e motor baruhento. 12 policiais olhavem-me com ansiedade - e aí, Franchini...vamos entrar?

- Deixa pra lá, Edgard...olha a sua volta, tá cheio de gente olhando. Acalma esse coração, uma hora o tatu sai da toca, na madrugada...e aí, serão só vocês e ele - Eu deveria ser pastor evangélico. Os policiais se recolheram, as viaturas foram embora. Eu voltei pro spider. Perdi três partidas seguidas.

Na madrugada, aparecem a PM trazendo o Tigudum algemado para a Delegacia. - Aê, Franchini, bem que você falou...o filho da puta tá aqui. Após longa sessão de argumentaçõ ostensiva, o Tigudum desculpou-se pelas agressões cometidads contra o Edgard, saiu agradecendo-o pelo tratamento "não sei onde estava com minha cabeça, foi mal, Ed"

Quem sabe se eu começar a me preocupar com uma só fileira por vez. Assim fica mais facil começar do rei, para a rainha, valete...mas esse maldito nove que nunca aparece!!

maio 22, 2005

tem dias que o dia

Tem dias que o dia fodeu...nem sei o que errei...mas queria que ele não tivesse começado. Mas se começasse, faria tudo de outra maneira. Como faria com minha vida...faria tudo de outro jeito...à merda esse negócio de nunca se arrepender, ou se arrepender somente daquilo que deixou de fazer...papo de hipócrita que se envergonha calado.

Quero recomeçar...

maio 21, 2005

Processo 0456/2005 - tentativa de homicidio.

Durante uma audiência no fórum local, o garoto relatava a juiza que suas declarações na delegacia eram mentirosas, pois tudo o que ele havia dito fora feito sob coação, ou seja, o investigador Franchini havia levado ele para o mato para que falasse onde estava a arma de fogo (um revólver 38) com o qual tentara matar pessoa que não vem ao caso.

- O investigador Franchini levou o senhor para o mato?
- É...me levou.
- Pra que ele te levou pro mato.
- Ele me obrigou a assinar isso aí que ta escrito, é tudo mentira.
- Por que ele te levou para o mato?
- Não sei. Ele me fez assinar esse papel..
- O senhor leu o que estava escrito antes de assinar?
- Sim, li.
- Por que ele te levou para o mato? Ele te ameaçou?
- Não excelência. Ele só me levou pro mato.

(o oficial de justiça que acompanhava a audiência disse que, neste instante, uma pertubadora frustação preencheu a voz do garoto)

abril 28, 2005

Técnicas de entrevista e interrogatório.

Quando quiser conseguir obter informações de alguem por meio de questonamentos verbais, comece por conhecer antecipadamente sua entrevistada, sua origem, possiveis reações durante a entrevista, que devem ter propósitos definidos, controladas por quem a reliza.

1) - Não faça perguntas que tenham respostas diretas e monossilábicas - SIM/NÃO. Comece por utilizar um tema que desperte um ineteresse da interessada e que poderia leva-la a falar sobre o objetivo da entrevista, como por exemplo: "como faço para dar um beijo nesse boca linda?"

2) - Atenção ao vocabulário empregado e ao nível cultural e de informação da entrevistada. Quando no decorer do diálogo ela lhe disser que a etrutura maximizante da semântica da modernidde em Proust lhe deixa excitada, simplesmente balance a cabeça com entusiasmo e pergunte algo que reconduza ao seu propósito: "Seus olhos sempre brilham feito estrelas quando está excitada?"

3) - Maximize o fluxo de informações interessantes (tarefa de produção), trocando com a entrevistadas dados referentes ao tamanho da roupa intima que estão usando, inicio da vida sexual, frustações em antigos relacionamentos. Atente para a necessidade de sempre falar nesses assuntos com sorrateiros e acidentais toques em partes inocentes da entrevistada, tais como ombros, parte interna dos antebraços, coxas, etc.

4) - Certas entrevistas podem ocorrer em pé. Nesses casos, a postura adequada consiste em manter o corpo erguido, cabeça postada como prolongamento do corpo, pernas discretamente abertas, mantendo uma proeminência da pélvis à frente, em direção do corpo da entrevistada, para que ela possa, quando desejar, observar no entrevistado aquilo que realmente objetiva do resultado do envento.

5) - Evite preconceitos de cor, raça e credo, mas mantenha seu ódio aparente no que se refere a orientação sexual. Quanto a este último quesito, pode ser desconsiderado pelo agente provocador da entrevista caso a entrevistada lhe ofereça uma noitada na companhia de uma amiga nifomaníaca.

6) - As agressões verbais advindas da entrevistada durante o evento põe a prova a capacidade de autocontrole do entrevistador. Guarde seu repertório de palavrões para quando a mesma estiver em situação frágil, quase em delírio, sem esquecer, claro, dos leves tapinhas em seu bumbum.

Não será somente com estudos de doutrinas e técnicas que o agnte provocador da entrevista aprenderá a obter informações e favores de uma pessoa relutante, insegura, mentirosa ou tendente a menospreza-lo por não possuir carro do ano. É necessário que o interrogador aprimore seus sentidos, poder de persuasão e raciocínio lógico. Na maioria das vezes em que precisar se retirar. lembre-se: suma em meio a multidão e tente encontrar outra entrevistada que esteja desesperada em ceder as informações que precise. Tenha um bom dia.

abril 9, 2005

antes do mundo

"Decidiu que nada a faria sair de casa. Nada mesmo. Queria curtir a ausência dos outros da casa para completar aquela sensação que lhe dava tamanho prazer. A gata podia ficar, pois não incomodava. Não lhe fazia perguntas e justamente isso era o que a tornava sua companhia mais agradável. Gente é falar. Falar é ruim, porque palavras foram feitas para serem escritas, não sonorizadas. Escrever organiza pensamento enquanto a voz os confunde mais ainda. Um dia inteiro sem precisar falar com ninguém.

Seus melhores amigos estavam distantes e ali, na tela do computador, ao alcance de seus dedos. Dos quase cem, conversava ao mesmo tempo com sete ou nove, dependendo do dia. Sábado à noite poucos ficavam, a maioria sai para se divertir. Sobram aqueles mais solitários (que normalmente são os mais chatos) e os que eventualmente, por obrigação de ofício, encontravam na Internet uma boa distração. O meio termo disso era o rapaz que conhecera a pouco tempo. Policial. Isso a deixou temerosa, mas sua curiosidade foi maior. Parecia simpático. Bem articulado e mais velho. Aos poucos, a menina tentou não sentir aquela sensação de perda quando ele se desconectava. Um simples "tá, abraço" é sempre suficiente."

março 17, 2005

The Crime Day.

Tenho medo de dias assim. Quando sopra uma brisa geleda, o sol não acorda e a casa parece mais desarrumada que de costume. Preciso me segurar para não deixar a fúria tomar conta, e fluir a vontade de socar o queixo de alguem.

Daquele jeito gostoso, perfeitamente encaixado, ascendente como um missil certeiro. Agarrar o colarinho da camisa do infeliz com a esquerda, atravessar a fuça com a direita...o sangue chapiscando o ar, pulando da boca desgraçada.Tudo tão simples, quebrar-lhe o joelho enquanto ele olha em meus olhos, de mansinho, vagarosamente....o chefe chato, o parceiro inseguro, o cobrador do onibus que insiste em não em dar os cinco centavos de troco, o idiota que liga pra mimnha namorada a meia noite para perguntar com ela está, o professsor que diz que minha pergunta é inocente...

Um dia, somente um dia para extinguir-se a punibilidade e deixar extravasar o crime espontâneo. O amanhã é depois.

março 12, 2005

Cheiro de Amoníaco...

(...) Sertãozinho estava quente como de costume. Uma cidade imóvel, triste de pesar. Minhas idas aquele lugar eram poucas e rápidas - cada esquina me espreitava, rostos conhecidos que fingiam me ignorar. Mulheres que amei, professores que riram de minhas histórias sem finais felizes...depois que meus pais morreram, nunca mais tive motivos para querer voltar. Apenas algumas vezes quando um QRU começado em Ribeirão terminava em Sertãozinho. Como agora era.

Minha arma suava no coldre atrás de minha cintura. A ponto quarenta é um excelente equipamento, alto poder de impacto, derruba no ato imediato após o encontro com a massa corporal. No interior do corpo, explode como um pequeno míssil, sem transpassar (pelo menos, assim reza a lenda). Arma urbana, para ferir apenas o alvo desejado sem o risco de machucar ninguém que inocentemente esteja atrás do objetivo. Eu ainda não tinha uma cabrita, nunca pensei na hipótese de precisar de uma vela. Por enquanto essa era a única arma que eu possuía.

Deixei o carro distante dos barracos, debaixo de uma sombra fresca. Caminhei até o lugar fedendo esgoto e restos de comida onde morava a namorada de Filé. Ele já tinha combinado com o delegado para voltarmos juntos, minha presença era mera burocracia.

"Filé não tá. Foi na casa de uma amiga. O sr é o moço da polícia?" - Era uma jovem gorda, de cabelos crespos alisados por alguma coisa melada. Uma criança me olhava pela fresta da porta, imundamente nua. O cachorro dormia em seu pequenino colo tísico.

"Sim. Nós já conversamos."
"Ele me falou. Pediu para você esperar uns minutinhos"
"Onde ele está?"
"Foi entregar um bagulho na casa de uma amiga. Faz pouco tempo que está aqui e já arrumou esses cachos."

A moça sabia que o coração de filé não tinha exclusividade. Possuía várias amantes, uma mais viciada que a outra. Nesse mundo, amar significa proteção, garantia de vida com um mínimo de recursos. E pareciam não se importar em dividir . Poderiam aceitar aquilo por não conhecer o carinho terno e descompromissado. Ou por saberem que a rejeição dói menos que a solidão que os acometeriam, já que amar e pezar são sentimentos gêmeos; um é o medo de sermos estranho aos iguais, para tanto, nos tornamos parte deles. O outro é o medo de sermos iguais, por isso nos distanciamos.

Minha paciência não era mais forte que o calor que estava sentindo. Pedi o telefone de Filé.
"O dele não tá recebendo chamada, mas se o sr. quiser eu tenho o da casa da moça. Dá uma ligadinha lá." - Trouxe de dentro do barraco escuro um pedaço de folha de caderno com um número rabiscado. - "Toma, pode ligar. Já deve ter chegado lá. Mas ele vai achar ruim. Filé é tão fogoso, espera uns deiz minutos e liga."

Coincidências podem ser curiosas. Ou trágicas. Os filmes americanos parecem impossíveis de serem realizados sem os fatos que surgem e se encaixam aleatoriamente para ajudar o enredo. Tudo parece ter motivo pré-estabelecido; sempre se descobre algo inimaginável de maneira acidental, o amor distante que aparece em situações improváveis, o encontro casual. Será catastrófico os fatos apenas irem acontecendo e os personagens se manifestarem pelas suas atitudes diante do corriqueiro?
Essas lembranças surgiram quando tomei consciência (após entender a péssima caligrafia da mulata) de que o telefone da atual namorada de filé era o mesmo número da casa da Cláudia. A moça deve ter percebido que algo de errado acontecera comigo.
"O sr. conhece ela?"
"Ela?"
"A Cráudia. Deve conhecer, na polícia todo mundo sabe quem usa pedra, não é? Eu não, tô sossegada com minha cervejinha, meus filhos..."
"A Cláudia usa crack?"
"Crack? Claro. Vive ligando aqui. Ela que vende pras patis do centro. Qualquer dia ainda vô dar uns esporros nela, onde já se viu. Tá certo que o Filé é gostoso, mas porra, que falta de respeito."

Cláudia usa crack. Cláudia viciada em crack. Cláudia namorando com Filé? "A senhora já viu como ela é fisicamente?"

"Não, mas sei que mora no Jardim Azaléia".

A minha Cláudia estava envolvida com essa sujeira. Dessa vez, chorei por dentro. Pela mesma que me fez chorar a primeira. O calor desapareceu, a favela sumiu, a gorda feia, seu cachorro magro e seu filho fedido não existiam mais. Meu queixo tremia, segurei a única lágrima que pensou em despencar.

O carro era difícil de controlar, o mecanismo do cambio endureceu como ferro fundido. O pedal do freio não estava lá, a embreagem não funcionava, o acelerador estava sem pressão, mole como o asfalto. Tudo era estranho, menos a casa de Cláudia.

Do mesmo modo, o portão alto cor de madeira nobre, o muro rachado , verde. Quando Cláudia esquecia a chave, dávamos a volta pela rua de trás, com a qual sua casa fazia fundos. O muro não era tão alto, pulávamos e depois era só atravessar um pequeno pomar para chegar até a casa. Fiz o trajeto com as lembranças de todas as vezes que entramos por lá amargando minha boca, inúmeras, bêbados, enfurecidos com alguma atitude que o outro fazia. Era a primeira vez em 4 anos que nos veríamos. Não me ocorreu a hipótese de estar enganado.

A porta da cozinha, como de costume, estava entreaberta. Parei silenciosamente para ouvir os murmúrios que saiam do final do corredor. Caminhei pequeno, alto entre as paredes. Do quarto de Cláudia, reconheci sua voz. Parecia grunhir sons vazios, intermitentes. Uma voz masculina surgiu. Ninguém que morasse ali seria dono dela. Uma risada de homem, diferente da primeira voz. -"anda logo, vaca".

Uma brisa ardida golpeou meu nariz. Era crack. Cheiro forte, amoniacado. No beiral da porta, ouvia o homem repetir: -"vamo, vai logo que não acabou, depois você fuma mais."

Ao olhar minha mão, uma mancha prateada apontava para a frente. Não lembrara quando havia sacado a arma. Estava lá, leve, destravada.

Suavemente coloquei-me por inteiro na moldura da porta do quarto para observar aquele quadro chocante de cores barrocas: Três pessoas nuas. Cláudia sentada na cama, tinha uma marica enfiada na boca e um isqueiro na mão. Os olhos serrados foram se abrindo diafragmamente. Pode ter me visto, mas não esboçou a atitude esperada por mim. Filé, também na cama, estava quase em seu colo e sentado a sua frente. Outro homem (?), um negro desconhecido, em pé, preparando carreiras de farinha na cômoda ao lado.

O meu primeiro tiro ensurdeceu por causa da reverberação do estampido. Eu ainda estava no corredor de paredes próximas. O projétil atravessou o ambiente e atingiu Filé no topo da nuca. Vi seu sangue tingir Cláudia de um roxo profundo deixando seu cabelo melado como o da negra gorda do barraco. Ela gritava sem sons. Sua boca abria em exagero.

Ela empurrou o corpo pastoso de Filé que havia caído sobre si com a ogiriza que sabia ter de baratas e bichos alados, minúsculos. Meu segundo tiro acertou a testa de Cláudia; desta vez pude ouvir o som metálico da cápsula tilintar no chão. Ví quando suas orelhas cuspiram sangue e pedaços de carne mole saltarem para os lados. O terceiro tiro só ouvi. O preto da farinha na cômoda acertara meu peito.
Achava que a dor seria pior. Algo insuportável. Veio a decepção. Minha garganta saturou de um líquido quente. Uma clarão de luz atordoou meu equilíbrio e caí.

Antes do preto fugir, tomou minha arma que a mão fraca já não mais conseguia segurar. Pude ver seus olhos de mais perto. Eram saltados, talvez pelo efeito do pó; tinha cílios compridos e um lábio enorme. Tive azar dele não me matar neste momento; preferiu correr.

Esperei deitado o segredo da noite eterna se revelar, finalmente. Não tinha forças para ver o estado de Cláudia. Cheguei a agradecer a atitude do preto fujão; eu mesmo não teria coragem de resolver essa situação assim. E me pareceu ser a mais coerente. O tom do vermelho na minha camiseta branca era mais forte do que aquele que escorria pelo chão. Seria difícil reproduzir com fidelidade na película uma paleta para isto. Talvez mel com groselha, água para dissolver. Transparente demais, precisaria de algo celeste. Tem cheiro de carne de frango. Salsicha...será simples morrer? Que pena, sempre esperei epifanias, cordões de prata saindo de meu corpo. Por enquanto é só uma moleza gostosa. Imaginei quantos irão ao meu velório. Talvez meus pais...preciso vê-los com mais frequência... com quantas mulheres eu teria transado? Patrícia na zona, Andréia, Cláudia, Manuela, Amanda...com seis ou sete garotas até hoje. Será impossível localiza-las. Poderia levantar-me e ligar para alguém, para pedir ajuda ou convidar para meu enterro.

O celular no bolso incomodava. Peguei sem saber para quem ligar. Chamou duas vezes - :" tô morrendo, levei tiro...tô na casa da Cláudia. Casa da Cláudia". Lucas, o investigador, ficou desesperado. Meu dedo parecia feito de pano, visto que não consegui desligar o telefone. Pude ouvir o desespero de Lucas na linha. Pedia-me calma.

Agora parecia ser definitivo. O fole esfaziou-se. A festa acabou. Não vieram anjos, nem diabos. Parece que nunca vou morrer. Sou eterno como o tempo. Tudo era regido por uma batuta estranha, sem cadência. Quando nascemos, não sabemos o que é tempo. Único e fungível. Depois vemos que o sol se põe frequencialmente compassado. Fica noite, fica dia. Tomamos esse pêndulo binário como parâmetro único. A sensação de movimento corrobora nossa expectativa cotidiana.

Vital deve ter chegado a essa conclusão quando questionou o tempo da narrativa. Por que devemos sempre ter o mesmo ritmo, se a mensagem possui várias espécies de linguagens? Tempo, espaço e lugar não caminham tão juntos assim, mas como isso aplica-se fora da obra de arte, até então estática? Seria o cinema apenas um teatro filmado?

Tive que parar de pensar sobre isso devido uma intensa dor que sobreveio. Estava leve e agradável; satisfeito, pois sabia que o fim seria breve. Ouvi vozes doces, aveludadas, pude voar.

Quando acordei já estava na Santa Casa; dois tiros no peito e um pulmão perfurado. Morreram Cláudia, Filé e o preto, que depois soube chamar-se Tigudum. Este último não fora eu, e sim a PM, quando o encontrou pelado e armado, escondido dentro de uma casa vizinha.

Fui afastado da polícia por tempo indeterminado até que fosse apurado o que realmente acontecera. Procedimento comum em casos assim. Matei a Cláudia. Eu nunca vou morrer.

"Sinto por Filé ter matado sua ex-namorada." - era meu delegado avisando como a situação ficou resolvida.

fevereiro 14, 2005

Até onde vai o homem...

Marcos é pastor de uma igreja evangélica. Nas horas de folgas, é pintor. Eu o encontrei em um plantão de sábado a noite, quando voltava de uma ronda tediosa para a delegacia. Ele, sentado no banco do corredor, com camisa de botões e calça social. Escondia os olhos, de forma que eu notava seu pedido para falar comigo, quase sem falar. Quando finalmente pude ouvir sua voz, estava molhada com um choro sufocado, fazendo os olhos apertarem na humilhante umidade própria de homens fortes.- Quero fazer um B.O.

Convidei-o até a minha sala. Um homem enorme, de dimensões gorilescas, caminhando firme e decidido. Ao ver seu RG, a foto era de um rapaz magro, de rosto delgado, narinas que me lembravam covas recém descobertas. Quando se sentou, percebi que escondia a mão direita no bolso da calça. Esse gesto despertou minha curiosidade. Logo percebi o motivo de sua obsessão: uma tatuagem. Daquelas rudimentares, feitas com ponta de agulha de costura e caneta BIC. Próprias de ex-detentos que flagelam seus corpos para serem iguais no inferno da cadeia, pela purgação provocada pela dor punctura que à todos atingem.

- Sou pastor da Assembléia de Deus. Como o senhor pode ver, fui cadeieiro, já puxei 12, 157, 155...Mas hoje sou pastor. E sou convertido. Sou pastor, como o senhor está vendo (já não escondia a mão). Eu estava descendo a Rua Marechal quando vi um amigo com minha escada de trabalho. Pedi a escada e disse que ele não deveria pegar as coisas dos outros sem pedir (chorava temeroso). Ele me jogou a escada nas costas, me derrubou e me deu um tapa. Eu não posso reagir, porque sou pastor. Ele me pisou, pisou nas minhas costas...eu não posso reagir, entende, doutor...eu sou pastor. Como posso reagir?

Gostaria de ter aquela compleição. Uau! Penso o que seria de mim, se tivesse aquele tamanho todo. Mas naquele instante, eu era maior que o pastor que chorava com as mãos no rosto, ali, na minha frente. Tive vontade de dizer coisas para menorizar sua aflição. Uma genialidade instantânea, as vezes sou capaz.

- Vou fazer um T.C. de Lesão Corporal. Depois o senhor vai até o hospital e pede para o médico fazer esse exame de corpo de delito no senhor. Depois aguarde ser chamado no fórum para a audiência.
- Ele vai ser preso?
- Se o senhor perdoá-lo, não.

Enxugou suas lágrimas medrosas, pegou a papelada do exame e saiu. Aprendi um lição de misericordia que missa nenhuma em todos esses bem vividos anos puderam me fazer compreender. Do outro lado da delegacia, Willian "Nóia", um preso faxina (preso viciado que as vezes faz o serviço sujo da polícia, tipo entregar droga para um traficante para que possamos prende-lo), dava risadas escondido.

- Porra Franchini, você não levou essa lorota desse sem vergonha a sério. Ele é usuário. Sempre foi. Pedra, meu irmão. Adora fumar antes do culto. Fica pagando de bom moço na rua e depois que apanha na cara não tem coragem de reagir, porque sabe que merece apanhar na cara. Filho da Puta. Depois vem chorar aqui.

Descobri que sou forte, e imenso. Porque apanho na cara e choro. Ninguém vê, nem eu, mas choro sinceramente.

janeiro 23, 2005

Quem precisa da vítima?

À quem interessa punir? Todo mundo? Ao Estado? Penso no motivo de haverem leis que prendem e seguram longe da sociedade quem efetuou ato contrário ao ordinário. Pela Constituição Federal, existe uma hierarquia de bens jurídicos escalonado sabe-se lá por quem. Provavelmente, pela mesma cabeça constiuinte originária que propôs a prisão especial para quem possui ensino superior, ou a aberração de não se permitir a policia, mesmo garantida de ordem judicil, entrar em casa de pessoa alguma, mesmo que ela esteja sendo procurada pela justiça.

Do crime, a vítima é quem mais sai perdendo. Nos casos de Ações Penais Públicas, o mal feito à sociedade garante a capacidade do MP para ser parte do processo. Nas Ações Privadas, a vítima em questão só serve ao Estado enquanto ajuda na elucidação da autoria do delito. Se não acrescenta coisa alguma, é descartada o mais rápido que se possa conseguir. Vítima só serve para atrapalhar, quando nào ajuda. Não consegue ser indiferente ao processo investigativo, pela própria condição emocional em que se encontra.

Já que estamos em tempos de monetarização das relações, devíamos repensar o verdadeiro valor desta pessoa que tem seus bens subtraídos, corpo ferido, moral agredida...

Por fim, o ministério público deve sim presidir o inquérito...desde que registre-s eo Boletim de Ocorrencia no gabinete do promotor, tome conta dos bebados que dirigem na madrugada, acalme os usuários de crack em um plantão....tudo é dialogável!

janeiro 21, 2005

Do tópico: Não entendo meu Delegado.

Hoje foi dia de guerra. As 08h00 meu Delegado me chama na sala dele pra me avisar da nova sindicância que vou tomar. Bate boca, ganho adjetivos horriveis sobre minha competência, ameaças de transferência para o raio que me parta...por fim, ele me expulsa da sala.

Às 12h00 vou até a seccional conversar com o Delegado chefe para lhe mostrar que eu tinha razão. Não encontro o chefe, férias.

Voltei pro DP e o meu Delegado me aguarda na sala. Outros esporros, palavrões. Percebi que começou a adoçar o tom da voz. Colocou a mão em meu ombro e disse que ia me liberar para onde eu quisesse ir.

Às 19h00, bebemos cinco cervejas no buteco da praça. Contou-me sobre sua infância em Ituverava, de quando nadava na repressa, corria na mata, tiro de guerra...

Humanos são estranhos.