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junho 29, 2008

Dos podcast's e o PLC do senador Azeredo

É incrível como ainda sabemos muito pouco do que a tecnologia da informação baseada na internet pode nos oferecer. Vejamos o caso dos pod cast.

A principio, o conceito parece ser algo próximo a uma sequência de arquivos em áudio disponíveis em um espaço na internet. O pessoal costuma dizer que o pod cast é legal, porque você pode baixá-lo para o seu Ipod, ou qualquer outro MP3 player (como se todo mundo tivesse um). Mais do que isso, pra mim o melhor do pod cast é poder ultrapassar os limites do texto escrito.

É muito difícil encontrar na net algum site que disponibilize maneiras de se guardar os arquivos de áudio em formato de tocador, e poder utilizar esse tocador em qualquer blog. Normalmente vc tem que criar um endereço próprio para o pod cast, o que eu acho um absurdo.

O áudio tinha que ser como os vídeos disponíveis no youtube. Qualquer um coloca um arquivo lá em formato de video, e pode cola-lo como objeto em qualquer outro site ou blog que lhe interesse... e o melhor, de graça.

Outro grave problema, é que o assunto que vc toca dentro do arquivo de áudio nunca será mapeado pelo google. Portanto, no caso deste post em audio, se eu não colocá-lo em texto no corpo do post, o google não poderá ter acesso as informações contidas nele para disponibiliza-lo nas pesquisas. Não que ele seja de grande importância para o mundo, mas é uma das limitações que vejo em se fazer pod cast.

Outra coisa chata: a impossibilidade de se fazer, no arquivo de áudio, hiperlinks, fazendo referências a outros sites. Seria legal ter um tocador de mp3 que estivese integrado com o conteúdo do áudio, e no determinado tempo do aquivo, ele tornasse possível fazer um link de qualquer outra página da net que faço referencia.


E quanto ao projeto de Lei que corre no senado sobre a criminalização de algumas condutas de usuários da internet, temos poucas informações sobre ele. Somente o zum zum zum que vem ocorrendo na internet, em que blogueiros esperneiam pela liberdade de expressão.

Não nos esqueçamos de que os provedores estão fazendo um lobby gigantesco para este projeto não ser aprovado. Se for, eles terão responsabilidade sobre os crimes cometidos por anônimos na net.

Enquanto eu não tiver acesso ao texto integral do projeto, não acho prudente ficar repassando ponto de vista de outras pessoas. Meus leitores são pouquinhos, mas podem ter certeza que este editor não dará uma de aonde "a vaca vai, o boi vai atrás." - e não to chamando ninguém de vaca, ou de boi.

O que sei é que a net é um ambiente propicio para crimes anônimos, e não falo do infundado temor ao fim do P2P. Falo de crimes pesados, como tráfico, sequestro, pedofilia e outros inúmeros, que são cometidos sob o manto protetor da internet. Há alguém que se levante para defender a liberdade de continuar anônimo, diante desses absurdos? Se há, peço que se manifestem aqui, mas não de forma anonima.

No mais, é isso aí...

fevereiro 19, 2008

"Blogar... uma profissão?" (ou falta de emprego melhor?)

(Atrevi-me a botar o bedelho na discussão, mesmo sem ser chamado)

Até ontem, por profissão, devia-se entender a atividade especial remunerada exercida por um indivíduo. No Brasil legal, escrever em blog não faz da pessoa um jornalista. Para isso é necessário ter um diploma. Essa obrigação foi uma vitória das entidades representativas dos jornalistas para garantir a reserva de mercado.

Para eles, o indivíduo só pode ter a capacidade de trazer a notícia ao público após cursar quatro anos de estudos em faculdades de jornalismo, seja ela qual for.

Isso significa que blogueiro não pode ter as prerrogativas de jornalista (como preservar a fonte anônima ou responder judicialmente perante a lei de imprensa), mas o jornalista pode ser um blogueiro, se é que isso tem alguma vantagem. Todos se lembram da campanha do jornal "O Estado de São Paulo" que colocava em cheque a credibilidade das informações fornecidas pela novíssima mídia. Nada mais claro para sintetizar o sentimento da imprensa com relação ao petulante blogueiro. E esta última figura, o melancólico blogueiro, pode ser uma profissão?

Eu pergunto: qual a diferença entre a informação trazida por um jornalista e a aquela dada por um blogueiro?
Eu respondo: o salário do jornalista.

O termo profissão está ficando tão etéreo quanto Marx imaginou. Mas o blog não consegue ocupar o espaço que a profissão deixou. Há um ou outro gato pingado ganhando alguma coisa com isso, mas nada significativo para o grande capitalista, que move montanhas. Ele não tem a capacidade de sustentar o sonho para o qual fomos criado (e de qual o capitalismo desesperadamente depende para sobreviver), de casa própria, carro, família e felicidade. Essa função ainda é das profissões tradicionais para a qual todos estudamos os malditos quatro, cinco, seis anos de faculdade. E sabe porque? A internet, por mais democrática que aparente ser, ainda é um dinossauro que se sustenta do básico do sistema capitalista: o consumo e exploração. O profissional, portanto, é quem pode viver exclusivamente desta função. E por isso só premia quem se integra à essa velha e combatida tese: só é cidadão quem pode comprar e vender. O resto é população residual.

Se é certo ou errado, tivemos o século vinte inteiro para tentar descobrir isso com guerras, regimes autoritários e muitas vidas dedicadas à defesa de ambos os lados. Não sei se chegamos a algum lugar melhor, mas pelo menos hoje é possível se enxergar diversos outros caminhos. E o que ficou de profissional? A crise.

A crise no conceito de trabalho e profissão, hoje em dia, caminha para um lugar desconhecido, mas bastante atraente. Essa nova fase coloca em cheque paradigmas seculares de ensino, no qual os jovens deveriam escolher, ainda crianças, a função que ocupariam no sociedade até morrer. E quem se disperssasse era visto como uma pessoa menor, de valor inferior... o famigerado "loser" americano, que as vezes tenta-se importar na nossa sociedade latino-americanas, de chances sociais injustas, e que faz jovens promissores matarem seus coleguinhas nos recreios das escolas.

Querem ver o quanto ainda estamos presos à carroça do destino?

A associação dos magistrados do Brasil, uma espécie de entidade representativa de juízes, começou a defender o fim do chamado "quinto constitucional".

(Rapidamente, o quinto constitucional é a parcela das vagas dos tribunais - STF, STJ, TST, etc_ destinada aos advogados e membros do judiciários).

Os magistrados argumentam que somente pode ser juiz quem prestou concurso para tal. Vejam só. O poder jurisdicional, dizem eles, somente pode ser laureada ao virtuoso indivíduo que usa toga e martelinho.

É indiferente se o pimpão foi seu colega no mesmo curso de direito que você, se tiveram as mesmas provas na faculdade, leram os mesmos livros, beberam nas mesmas festas. Nesse sentido parece que o direito é uma revelação sagrada, como aquela dos dez mandamentos que Moisés recebeu no monte Sinai, e ninguém mais tem acesso a esse código inatingível, que somente os juízes conseguem decifrar.

Há mesmo um juiz. Luiz Guilherme Marques, que afirma não conseguir entender o motivo de advogados ou qualquer um demonstrar uma vocação tardia para a magistratura. Como se fosse um sacerdócio, uma missão conferida por Deus em uma vida passada. Esquecendo-se que, fora os louros, o status e a glória da altar da magistratura, ser juiz é tão somente um trabalho técnico como qualquer outro. Técnico, mas que exige dedicação, competência, senso de justiça e paixão de quem o exerce. E não somente uma indicação sobrenatural que lhe foi conferido antes mesmo de nascer -

"Vai, filho, e sede juiz. E você, pirralho, serás blogueiro. E se encher mais meu saco, serás advogado ou policial!"

O que falta à blogsfera é senso de cooperação política. Não é estranho querer politizar, quando se traz o debate à luz da racionalização do mercado. Mas temo que, dada ao costumeiro temor adolescente às regras estabelecidas, os principais representantes dessa nova categoria de formadores de opinião fujam desta discussão.

Na verdade, o blogueiro que consegue o sucesso é um futuro ex-blogueiro, que acabará em outra mídia tradicional, TV ou impressa.

Não houve ninguém com coragem para criar uma entidade de apoio à classe. Já que não se pode criar sindicatos para quem é não categoria profissional, qual o problema de fazer surgir uma associação civil, nos termos do código civil, com estatuto, diretrizes e pessoas engajadas, capaz de contrair direitos e obrigações em defesa dos direito de quem quer fazer do blogs sua principal ocupação? "Bullshit!" dirão os hypes - "Isso é coisa de quem não entende nada de blog". Não faltam motivos a isso.

A relação entre blogueiros e jornalista é mais ou menos assim. Quem tem uma empresa bancando seus textos, prega a desqualificação dos demais informadores. E os blogueiros, caminhando de um lado para outro, na busca de se afirmarem como algo além do convencional.


PS: Palpitei na conversa que rolou pela Verbeat, há muito tempo. O Thalles me cobrou um link, fazendo referência a origem da conversa, que aliás, não tinha idéia de onde surgiu.