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08nov2009
Nota de Repúdio à UNIBAN (Universidade Bandeirantes)
Há tempos não via algo tão estranho. Tenho certeza que todos já ouviram falar de uma estudante que foi humilhada, chamada de "puta" pelos alunos da UNIBAN (São Bernardo do Campo). Consta dos autos que a rapariga foi à aula trajando um vestido por deveras curto, o que instigou os instintos mais primitivos dos pobres estudantes. Os alunos, em momento de rara catárse coletiva, passaram a xingá-la pela citada alcunha em uníssona histeria. Foi necessária a intervenção da Polícia Militar bandeirante para que conseguisse sair do prédio com a dvida escolta (veja o vídeo ao lado).
O bom senso dizia que o fato decorreu de atitude preconceituosa, machismo porco. Machismo ruim, breve leitor. Não o machismo saudável, moleque, que agrada as mulheres por valorizá-las. Consequência lógica do evento seria um pedido de desculpas da Universidade, para evitar processo de indenização, já que a entidade responde solidariamente a tudo o que ocorre em suas depências.
Pelo contrário. A UNIBAN expulsou a aluna do corpo discente considerando, em sindicância interna, que ela teve postura inadequada e provocativa, incitando a algazarra dos demais estudantes, os quais teriam se manifestado em prol do ambiente escolar, como se observa na nota da entidade divulgada na imprensa:

A estudante, chamada Geisy Arruda (foto abaixo divulgada pelo jornal Folha de São Paulo de 08/11/2009) recebeu o certificado oficial de "puta" da UNIBAN. Não há como entender o motivo que levou seus responsáveis a expô-la com o anúncio do resultado da sindicância.
De acordo com a matéria do jornal "O Diário de São Paulo", o proprietário da UNIBAN, Heitor Pinto e Silva Filho (candidato a vice-governador na chapa de Paulo Maluf nas eleições de 2002), possuia contra si, até a data de publicação da notícia (2002) 04 (quatro!) inquéritos policiais, sendo formalmente condenado em dois processos, um criminal e outro cível, além de constar como réu em outras 59 ações.
Sabemos que isso não é motivo que justifique a defesa da aluna, mas deve-se deixar claro que o julgamento pautou-se em parâmetros de moralidade canhestra, exarcebadamente hipócrita. Não bastasse o choque em descobrir que existem ambientes de ensino no qual as pessoas são julgadas pelas roupas que usa, saber que essas condições são apoiadas e incentivadas pela coordenação da entidade é de causar medo até no mais retrógrado dos conservadores.
Elaboramos uma Nota de Repúdio no site Pettion on line, onde estamos recolhendo assinaturas das pessoas que se sentiram ofendidas com a postura da UNIBAN. Vamos encaminhar ofício ao diretor da Universidade, ao MEC e ao ógrão do Ministério Público competente, solicitando providências imediatas, para que esse fato fique registrado como uma infelicidade da instituição de ensino, na intenção de que nunca mais se repitam julgamentos morais de tamanha incoerência.
Com disse meu amigo Doni, "Ontem, cigarros. Hoje, um minivestido. Amanhã serão tatuagens e piercings. Depois, negros, gays ou mesmo gordos."








Comentários
UNIBAN NÃO É UNIVERSIDADE
Segundo a definição dos dicionários, UNIVERSIDADE é o espaço para o desenvolvimento do pensamento universal, a UNIVERSALIDADE, a TOTALIDADE, o PENSAMENTO LIVRE.
Aquela escola em São Bernardo pertence a um conjunto de “escolas” que se autodenomina UNIVERSIDADE. Alguém tem que retificar esta bandeira, arrancar este emblema. Eles podem ser tudo, menos uma UNIVERSIDAE!
Sinto muito mais a Uniban não é uma universidade, é apenas mais um lugar para a conservação de pensamentos arcaicos, singulares, unilaterais e obtusos. A elegia à involução do pensamento livre.
O episodio da moça da saia curta do principio ao fim é um absurdo, uma tristeza, a uma vergonha para a educação no Brasil.
Que droga de pseudo universidade é essa?
Devemos todos nos levantar a tempo de impedir que esta veia de ignorância se alastre por outras escolas, devemos fazer uma campanha publica para mudar o nome desta escola que se autodenomina "universidade", para Escolinha Bandeirante, medida absoluta de seu pensamento equivocado.
E houve estudantes daquele espaço que molda os pensamentos à medida de sua ignorância, culpando Atal moça e apontando o seu comportamento como inadequado e, mas que tudo eximindo aquele espaço a não universalidade de suas culpas. O LOCO!!!!!!!!!!
Estudantes do Brasil Uni-vos em prol da Universalidade, em prol do pensamento livre e protestem com todas as letras contra este episodio vergonhoso nas páginas das escolas brasileiras.
Abaixo os falsas profetas, os demagogos vazios e vulgares, os preconceitos velados, os valores retrógrados e as verdades hipócritas.
Revoltemo-nos todos e juntos vamos arrancar dos ares esta bandeira contra a UNIVERSALIDADE>
MARCIA VITAL
uma cidadã horrorizada
Por MARCIA VITAL | 09/nov/2009 16:14
A aluna que vestia mini-saia.
Eu também quero falar. Afinal de contas todos estão dando sua opinião. O caso de Geisy exige que eu atualize meus conceitos sobre moralidade. Sou psicólogo e professor. Confesso que essa palavra tem roubado, aos estreitos limites de minha mente, muita seiva e energia. Ao observarmos a notícia da garota da UNIBAN, vimos que todos estiveram , durante suas vidas, em um mesmo confinamento - ela, os colegas e a direção da escola.
Na verdade eu e você também tivemos em nossos processos educativos uma "moralidade" que não fluía e, como disse o Osho, acabou por transformar-se numa "velha ameixa seca".
Já explico. Todas aquelas pessoas, personagens do mesmo drama, agiram como um todo muito "conveniente", inflexível e severo. Tirando a questão da mão de Freud e "passando a bola" - a análise -, para um bom qualquer cineasta, de um momento para o outro, todos passaram a ver a realidade em branco e preto.
O negócio é o seguinte: lá no fundo o que subiu e desceu nas rampas daquela escola que é parecida com todas as escolas - ditas e muitas vezes reconhecidas pelos nossos ministérios como de nível superior -, foi que de uma momento ao outro passou a funcionar em cada um o mesmo termômetro da mente de todos nós que acusa o belo nível de nossas criações sob rígidos padrões a respeito do que é bom e do que é mau, do que é pecado e do que é virtude, do que é aceitável e não-aceitável, do que é moral e do que é imoral.
Eu vi as imagens do tumulto. Fiquei pensando como eu iria reagir caso estivesse no local da cena. Já tenho a resposta: estaria reagindo com um julgamento que também teria algumas das cores daquela "palheta de vergonha" - afinal eu também não escapei do mesmo condicionamento em minha educação.
Águas passadas... logo, é tempo de aproveitarmos esse e outros ocorridos para crescermos mais um pouco.Quando aplicarmos julgamentos aos outros ou a nós mesmos, vamos fazer o possível para incluir mais tons de beleza de nossa natureza que também é divina. Outras respostas também serão possíveis se rompermos com a prisão do tal condicionamento - que fez com que a menina, os alunos e a direção representassem um drama parecido com qualquer estória de Nelson Rodrigues e passarmos para outros estágios mais humanos onde ficaremos próximos das verdades dos nossos próprios corações - um lugar onde passaremos a ver a VIDA como ela realmente é.
A menina vai voltar a escola. Isso fez-me lembrar uma ilustração de um livro de Rolo May onde um motorista que se rebelou de sua rotina, deixa de ser punido com a condição de que volte a fazer o seu rotineiro percurso. Não é isso que eu desejo às categorias arroladas acima.
Quem sabe esse episódio "medieval" não está chegando em uma boa hora para que discutamos a qualidade das escolas de nível superior brasileiras que deveriam já terem transcendido suas masmorras moralistas, puritanas, etc.. Afinal o vídeo que vi no You Tube mostrou bem que nós não somos "boas pessoas" ou nenhum "fazedores do bem" se continuarmos passando longe da raíz de todos os problemas.
Como medida de proteção para todas as escolas, deliro aqui uma tomada de posição imediata. Antes das "roletas eletrônicas" que nada sabem de qualquer personalidade dos que por ali transitam, poderá ser coldada um placa com as seguintes palavras:
"Desperte aqui em você uma consciência que destrua sua moralidade falsa".
Ai assim, as atividades do estabelecimento contribuiria em muito para que destruamos de uma vez por todas essa nossa cultura de moralidade que é feita sem consciência.
Não precisamos de uma certa disciplina. Temos mesmo é que aprender a respondermos às situações a partir de nossas próprias consciências e o que quer façamos será bom!
"A consciência não é capaz de fazer nada que seja ruim." Osho
Fico por aqui fantasiando como serão as imagens desses novos estabelecimentos. Desses locais que passarão a contribuir muito mais para que honremos nossas vidas. Não veríamos jamais as cenas que me fizeram chorar. Pois nossas telas ficarão cheia da verdadeira beleza... isso tudo sem nenhum esforço... sem nenhum treinamento com tecnologias tão especiais... sem tanta midia... sem tanta certificações.
Deixo uma mensagem aqui para a Geisy, seus pais, seus colegas, seus mestres, para direção da escola, para todos nós que de qualquer instância demos nossas opiniões e fizemos valer nossas "leis":
"Não podem folhas e galhos, cortem a raiz. E para cortarem a raiz, não existe caminho alternativo além do único método: o método de manterem-se alerta, de estarem percebendo o que acontece, de estarem conscientes." Osho
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Jak Jony Faria Mota
Psicólogo e Professor
Formação Clínica, Licenciatura, Bacharelado em Psicologia/FAMATH - Especialização e Mestrado em Ciência da religião/UFJF
Por Jak Jony Faria Mota | 10/nov/2009 15:32
Uma mostra clara de como não se deve lidar com um problema e uma mostra incrível de ncompetência e intolerância.
Por Arthurius Maximus | 12/nov/2009 12:23
Esta ação dos estudantes desta casa, que não posso considerar universidade só um despejo de conhecimentos pré-determinados, não forma pensadores, forma sim turba(s) e turba para mim não passa de uma massa humana sem razão, lógica, discernimento e sentimentos, pois quando este organismo é criado somando-se centenas e/ou milhares de seres humanos, é perdida toda capacidade intelectual, e racional.
Acho que uma universidade digo, qualquer estabelecimento de ensino deve acima da própria grade curricular forma pensadores independentes. não monstros gigantescos onde cada célula é um individuo que perdeu a razão e favor de um cérebro, um individuo ou vários que domina a turba. A UNiBAN deveria antes de pensar em expulsar a aluna tentar fazer com que seus alunos tivessem a capacidade de pensar por si, e não pela turba, ainda é tempo desta entidade rever seus conceitos;.
Por Marcus Menezes | 14/nov/2009 08:40