Cultcoolfreak

Ponto Quarenta
por Roger Franchini

Já à venda


São Paulo - Brasil

Assine o feed

Ou digite aqui seu e-mail para receber as atualizações do Blog:

Fale conosco


Social


Últimos posts

Novamente, o judiciário cala blog policial
Corregedoria investiga 800 dos 3.313 delegados da PCSP
Lei antifumo de São Paulo é suspensa
funcionou?
DELERRUPTO
Nota de Repúdio à UNIBAN (Universidade Bandeirantes)
Da abordagem
Copacabana, Belchior, dezembro de 2008
AGU afirma que Lei antifumo é inconstitucional
Até a última ponta da Lei antifumo

Arquivo

janeiro 2010
novembro 2009
outubro 2009
agosto 2009
junho 2009

Arquivos mais antigos.

Recomendações

Desumano
Olivia Maia

Operação P2
Olivia Maia

Meias vermelhas & histórias inteiras
Marcos Donizetti

Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone
Branco Leone

« Curso de combate a lavagem de dinheiro - SENASP | Principal | Blogs de policiais se multiplicam no Jornal da Tarde »

12mai2009

3 anos dos ataques do PCC

Era um sábado de maio de 2006. Por volta das sete da noite, eu havia saído de um plantão e estava cansado, moído, sozinho em casa. O telefone toca, era a agente do CEPOL dizendo que o delegado seccional exigia minha presença na delegacia.

- Exige? Pra quê? Eu acabei de sair do plantão e tô de folga, folga.
- Agora não dá pra explicar. Corre pra cá.

onibusfranca.jpg

Havia como não ir? Minha curiosidade não me deixou em casa. Só na delegacia soube das novidades. Ataques por toda a cidade. Um PM morto, dois ônibus incendiados. Denúncias de mais atques. Só depois descobri a grandeza do que ocorria. O estado inteiro estava sofrendo com a bandidagem anunciada e assumida pelo PCC (primeiro comando da capital). Fizemos rondas até as 06 da manhã com sangue no olho. Eu estava pronto para matar. Havia um clima de exceção que nos permitia isso. Ninguém foi preso.

Quando chego em casa para descansar, toca o telefone novamente: "a cadeia virou. Põe o colete e vai pra lá."

Em pleno dia de visita no das mães, mais de 500 presos se rebelaram e tomaram as próprias genitoras e crianças como reféns. Era óbvio que não iriam fazer nada contra elas. E por saberem que sabíamos disso, tomaram como refém também um carcereiro. Se não fosse por ele, teríamos entrado na cadeia e distribuído chumbo e cassetetada em todos.

onibusfranca2.jpgO domingo foi sumindo, e nem pensavam em negociar. A noite chegou fria, a mais gelada que tinha visto na vida. Fogo alto no pátio, bombeiros chovendo em todos, inclusive nas mulheres, o que deixou os detentos mais nervosos. Batiam no carcereiro como reprimenda. E nós jogando bombas. Cantavam Raul Seixas e Racionais. Todas as hipóteses de invasão se faziam inviáveis. Era inevitável que as mulheres intereferissem na frente da equipe de incursão como escudo. Lá fora, mais ataques. vem a notícia do setor de inteligência (?) de que três viaturas da PM da região de Presidente Prudente haviam sido clonadas, e o PCC a estava utilizando para matar policiais.

Veio o juiz na madrugada. Ex-capitão da PM, sozinho e armado em seu carro:
- Gente. O que vocês precisam é não deixá-los dormir. Se o cara não dormir, ele faz o que vocês quiserem. Eu não preciso ensinar isso a vocês, né?

Depois dessa sentença, sirenes foram ligadas durante a noite toda. Logo depois veio uma cartinha com as reivindicações dos rebelados. O juiz leu em voz alta. Em entre outras coisas, dizia:

" (...) queremos processos mais rápidos, marmitas melhores, e melhores condições de tratamanento. Quanto a libertação do refém, indefiro." - esses filhas da puta são muito petulantes, resmungou o juiz.

A bagunça só parou na terça-feira à noite. Por ordem do salve que receberam do celular. A nós, restou ficar observando. "Guerra civil", me confessou um tira deitado no chão do estacionamento. "A única diferença é que não querem o poder. O que querem, então??"

O Estado em pânico. Ruas vazias durante o dia como nunca tinha visto. depois de tudo, muitos bandidos morreram ao sair da cadeia. O governador fez um acordo com a mídia para não se falar mais no nome PCC, como se não mais existissem. Até hoje.


Adendo ao BO - A título de curiosidade, nos dias que se seguiram a essa situação surreal, o mesmo juiz da negociação expediu um "Mando de Busca e Apreensão Coletivo". Não sei se nosso ordenamento jurídico prevê esse tipo de ferramenta, mas o fato é que por 15 dias, os policiais poderiam entrar e vasculhar qualquer casa da cidade que lhe dessem na teia.

Comentários

Como sempre, a mídia compactua com os absurdos e as maquiagens vindas dos palácios para arrecadar mais "verbinhas" com propagandas.

Estamos abandonados.

Grande Roger!

Obrigado pro compartilhar essa sua experiência.
è muito importante que todos saibam para que não fique esquecido na história...

Abraços

Escreva seu comentário

As opinões manifestadas nos comentários são de responsabilidade de seus autores. Sua mensagem pode demorar alguns minutos para ir ao ar



*Obrigatórios

Digite o código:


Type the characters you see in the picture above.