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08mar2009
Da heroica caguetagem do investigador Pena
O investigador Pena, da Polícia Civil paulista, apresentou gravações em vídeo, no qual comprova a comercialização de cargos públicos dentro da PC/SP. De quebra, ainda se descobriu o quanto a Corregedoria da instituição tem objetivos duvidosos, distantes do interesse público, conforme também se noticiou no Jornal Folha de São Paulo.
Para mim, é como se uma antiga lenda pudesse ser comprovada. Manja se um dia alguém se apresentasse como a loira do banheiro; ou se você dormisse com uma mulher linda, mas desconhecida, e acordasse dentro de uma banheira cheia de gelo e sem um dos rins. Dá para imaginar você ganhando um computador novinho da Microsoft, simplesmente porque alguém mandou você repassar um e-mail estúpido?
Pois bem, é assim que me sinto. Sempre ouço histórias do sujeito quinta-classe (hoje extinta), calça branca de tudo, acabado de sair da academia, que, por uma boa indicação ou cacife, é designado para atuar em um departamento, sem nunca ter puxado um plantão na vida.
Todos conhecem um tira que tem o mesmo tempo de janela do que você mas, curiosamente, vai trabalhar de pick-up importada, enquanto você chega de ônibus no DP.
O Pena é resultado do próprio sistema injusto da própria Polícia Civil de São Paulo, que trata seus homens como peças baratas de um joguinho político ancorado no poder e gana eleitoreira. Um governador não pretende ser menos do que é hoje. O grupo político ao qual ele é vinculado não pode poupar vidas, sob o risco de perder posições estratégicas.
"Pau no cu do surdo" - dirão os hipócritas paulistas que votam.
Ninguém é inocente na heroica caguetagem do investigador Pena: Os partidos, por ausência completa de propostas corajosas que poderiam expropriar os donos da polícia judiciária de São Paulo. Nós, por optarmos pela omissão e ideias vazias de transformação. Todos tememos a intervenção política, confiamos nas cômodas palavras de governantes monarquista-classe-média-asséptica; em uma mídia moribunda, parcial e cínica; em um STF pró-latifundiário e, para que tudo se encerre de maneira absurda, em uma assembleia legislativa que não se modifica desde a patética tentativa de golpe de 32.
Até agora, o único que pretendeu ajudar a polícia a não desaparecer foi o corajoso Pena.
Pense comigo. Entendo que você não queira ir para a cadeia, tampouco para a cova. Mas tenho certeza que gostaria muito de ver expurgado da chefia todos os policiais, assessores, secretários e governadores que tem vantagem com a corrupção cotidiana das delegacias.
Então, caso pudesse registrar em áudio/vídeo o que te incomoda no seu dia a dia, colega policial, você teria a coragem de enviar tudo para o MP, Defensoria, Judiciário, imprensa, Bispo e, de quebra, para garantir que nada desaparecerá, publicar em blogs, comunidades e outros canais de comunicação que não precisam se preocupar com patrocínio público? Tudo isso com a garantia que se mantivesse anônimo, sem o mínimo de identificação. Toparia?
Acho que sei qual sua resposta. É o final que todo policial pretende para sua história. Por isso eu não tenho pudores em atirar pedras. Porque tenho a certeza de que são com elas que uma nova polícia se construirá.








Comentários
A luta vai além, mas muito interesse seu artigo. O fato é que existem variáveis que vão além da política, mas que a meu ver iniciam-se nelas para os fins que você descreveu. O certo e o errado não fazem mais as claras para o devido julgamento, já que os mesmos pela idade avançada não desejam correr o risco da juventude idealista. Uma variável que pode vir a nosso favor, é que a juventude não termina mais nos 30, mas aos 40, e até alcançarmos essa idade, temos a oportunidade de ocupar o poder que por regras criadas por eles mesmos, tinham como pré requisito a idade e não o conhecimento ou o (bom) histórico, até porque não vivemos em um país que julga meritocrácia fator decisivo para o sucesso. Uma hora vamos mudar, crescer, evoluir, talvez com um burro puxando a carroça ladeira acima, talvez com um jovem idealista (de braços franzinos e cabeça abastardada) empurrando a mesma carroça na mesma ladeira acima(em uma cidade plana).
Por Henrique DAgostini | 08/mar/2009 22:49
A luta vai além, mas muito interesse seu artigo. O fato é que existem variáveis que vão além da política, mas que a meu ver iniciam-se nelas para os fins que você descreveu. O certo e o errado não fazem mais as claras para o devido julgamento, já que os mesmos pela idade avançada não desejam correr o risco da juventude idealista. Uma variável que pode vir a nosso favor, é que a juventude não termina mais nos 30, mas aos 40, e até alcançarmos essa idade, temos a oportunidade de ocupar o poder que por regras criadas por eles mesmos, tinham como pré requisito a idade e não o conhecimento ou o (bom) histórico, até porque não vivemos em um país que julga meritocrácia fator decisivo para o sucesso. Uma hora vamos mudar, crescer, evoluir, talvez com um burro puxando a carroça ladeira acima, talvez com um jovem idealista (de braços franzinos e cabeça abastardada) empurrando a mesma carroça na mesma ladeira acima(em uma cidade plana).
Por Henrique D´Agostini | 09/mar/2009 07:17
Registro mostra visita de policial preso a gabinete
AE - Agencia Estado
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SÃO PAULO - O investigador Augusto Pena devia estar em uma cela do Presídio Especial da Polícia Civil (PEPC), mas os computadores da Secretaria da Segurança registram que ele esteve no gabinete da pasta, no centro de São Paulo, em 11 de fevereiro de 2009. O documento diz que ele foi visitar o ex-secretário adjunto Lauro Malheiros Neto, nove meses depois de o adjunto ter deixado o cargo. Como e por que Pena teria saído do PEPC para um encontro em uma das sedes do governo, um dia após o jornal O Estado de S. Paulo publicar que o preso fez uma delação premiada - se o encontro ocorreu de fato -, é o que os promotores do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) estão apurando.
Pena foi ouvido ontem durante três horas e meia pelos promotores e pela Corregedoria da Polícia Civil. Confirmou todas as denúncias que fez. Disse que esteve inúmeras vezes na Secretaria da Segurança em 2007 e 2008 para entregar dinheiro de propina nas mãos de Malheiros Neto, mas negou que tenha saído às escondidas do PEPC para encontrar o ex-adjunto em fevereiro. Apesar da negativa, os promotores não descartam nenhuma possibilidade para explicar o registro da visita. Antes, afirmaram, é preciso apurar. ?Vou pagar pelo que fiz e não pelo que os outros fizeram?, disse Pena. À reportagem, Malheiros Neto se disse vítima de armação.
A assessoria do secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão, informou que ele determinou a apuração imediata do caso. Um inquérito policial militar foi aberto na Assessoria Militar da secretaria. Há dois registros de entrada de Pena em 11 de fevereiro: às 7h49 e às 7h56. Não há registro de saída do prédio. Os promotores também querem saber como é que não havia, exceto no backup, registro da passagem de Pena na portaria da secretaria. O computador foi apreendido por ordem de Marzagão e mandado para análise no Instituto de Criminalística (IC). Malheiros Neto foi afastado do cargo em maio de 2008, sob a suspeita de beneficiar Pena. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Por Zé pedágio | 11/mar/2009 17:52