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fevereiro 28, 2009

Ficção e realidade

O Dr. Guerra alertou em seu blog. Mas parece que a Polícia Civil de São Paulo quer fazer do livro "Ponto Quarenta" mais do que uma obra ficcional. Um investigador envolvido com corrupção delata todo mundo, respingando no intocável governador?? Eu devia processar esse partido por plágio, e o paulistano por burrice:

"Três delegados são suspeitos de compra de cargos de chefia

Acusação foi feita por ex-policial preso por suspeita de extorsão, que afirma que eles pagaram a superior para assumir postos

Chefia da 5ª Seccional custou R$ 250 mil, segundo acusador; Ministério Público e Corregedoria da Polícia Civil investigam o caso. " na Folha de São Paulo de 28/02/2009 (só para assinantes)

Policial ameaçado é transferido
[investigador] Pena, que acusa ex-secretário adjunto, foi retirado do presídio da polícia; delegado do caso perde o cargo.

Ameaçado de morte depois de ter delatado 20 delegados e investigadores e de ter acusado de corrupção o ex-secretário adjunto da Segurança Pública Lauro Malheiros Neto, o investigador Augusto Pena foi transferido às pressas ontem do presídio especial da Polícia Civil (PEPC), no Carandiru, para a Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba, a mesma que abrigou o publicitário Marcos Valério. O motivo da transferência é que Pena corria risco porque seus colegas policiais não admitiriam sua permanência no presídio da polícia. O delegado que investigava o caso, Gérson Carvalho, foi transferido ontem da Corregedoria." no O Estado de São Paulo de 28/02/2009.

fevereiro 26, 2009

Ponto Quarenta - convite para o lançamento

flyer_cultcoolfreak

Até que enfim, a tão esperada quiabada. O boteco é confortável, cerveja barata e gente bacana. Se caso você tiver problemas com a polícia, recomendo que não apareça. A casa estará cheia de gente armada com vontade prender. Mas se tiver problemas, e mesmo assim quiser dar o ar da graça para ter o livro autografado, não se acanhe. Darei um jeito de arredondar o seu B.O. e passar um pano para meu querido leitor bandido.

Dia 04 de março (quarta-feira). À partir das 18h00, com entrada franca. R$ 16,00, lá na minha mão é mais barato. Policiais da corregedoria pagam mais caro e do DENARC levam de graça, para nunca deixarem de sorrir, já que o livro é uma homenagem à narcótica paulistana.

Corre lá, porque tá acabando. O Canto da Madalena é o melhor lugar para esse tipo de evento. Não pude agendar para uma quinta-feira, porque é dia de MPB. Mas é muito fácil de chegar:

Gostaria que todos os amigos da grande Blogsfera Policial estivessem lá. Seria ótimo conversar ao vivo com essa galera guerreira. Conto, então, com a presença dos paulistanos, nem que seja só para um abraço. O bom tira sabe voar e dar o gato no plantão. Qualqquer coisa, diga que foi buscar o QSA na pizzaria.

Até lá.

fevereiro 25, 2009

Chefes inseguros em barracas

Quem já teve a oportunidade de passar pela Avenida São João em São Paulo, pela manhã, vai se lembrar de ter visto centenas de pessoas dormindo sobre o viaduto conhecido por minhocão. Enfileiradas como se estivessem participando de uma intervenção de algum artista plástico metido a besta, todas as noites improvisa-se naquele lugar um hospital de guerra que se extende por quilômetros.

Na Capital, a principal função de um investigador do DECAP (o departamento responsável pelos distritos policiais) é limpar a rua da população residual, como os sem-tetos e os menores. Nada daquele romantismo de inquerir com perspicácia criminosos geniais. Como sempre disse, caso o polícia não tenha as costas quentes, vai ficar cuidando da parte indesejável da cidade.

Enfim, sobre os mendigos: depois de revistar pelo menos uns dois mil moradores de rua ao longo da promíscua carreira de investigador, ganhei uma certa intimidade (não que queresse tê-la) com esse nicho. Ao ponto de, em uma noite gelada em que me deparei com a humilhante missão de colher as impressões digitais de um morador de rua que cheirava à merda, a raiva fez com que eu perguntasse:

- Caralho! Porque você não vai para um albergue e passa a noite lá? Porque insiste em morar na rua?

O sujeito abriu a boca sem dente, e disse que não iria porque não possuía RG. E no albergue municipal só entra quem é civilmente identificado.

Como ele era muito experto, não me disse mais nada. Mas não precisou. Vejam: eu não tenho patrimônio ou dinheiro algum. Ao mesmo tempo, não tenho a falta de caráter suficiente para mentir e puxar o tapete de pessoas no trabalho, de forma que as perspectiva de crescimento não são muitas. Não gosto da cidade onde moro e aqui os amigos são raros, senão inexistentes. Minha família está longe e tenho vergonha de contar meus fracassos a eles. O que sobraria? Para mim é óbvio: renunciar a vida de homem ocidentalizado e viver à margem do mundo de trabalhar-doze-horas-por-dia.

Não foi preciso o mendigo responder nada. Acho que compreendi sua necessidade de morar na rua. Ele é a negação da política, a afirmação de uma outra possibilidade de existência distante do que conhecemos como sociedade. Aliás, a única experiência de vida fora da sociedade capitalista são os mendigos. O sujeito não vai para o albergue porque tem preguiça de tirar um novo RG, retomando sua conexão com o sistema. Ele não se subemete ao pseudo conforto da moradia coletiva provisória porque não aceita se submeter às mesmas regras que eu e você, breve leitor, nos deixamos ser engolidos.

Eu volto amanhã ao trabalho, depois de uma semana de carnaval. E já estou triste por antecipação em ter que vivenciar mais um período com sensações que facilmente me levariam matar alguém, mesmo que a mim mesmo. Para nós é normal sermos humilhados por chefes inseguros e carreiristas, ficar 12, 13 horas sentados em uma sala gelada em frente a um computador para ganhar um salário que não paga suas constas. No final das contas, entendi que a proposta de vida oferecida pelos moradores de rua não é tão esdrúxula assim.

Pesquisando na net sobre essas pessoas que negam o modo paulistano de viver, encontrei um projeto francês chamado "The children of Don Quichotte." São voluntários que distribuem barracas para os moradores de rua de Paris, oferecendo uma existência menos dura à essas pessoas. Sem o melancolismo barato da filantropia burra, é ao mesmo tempo dar uma noite menos fria e úmida à pessoas desenganadas, e golpear gente que nunca se deu conta que são tão humanos quanto os mendigos.

homeless2.jpgAs barracas parecem mais agressivas do que os caixotes de papelão em que eles se efiam para dormir. É um produto criado para a classe média desfrutar de suas horas não trabalhadas, em lazer e diversão. Todavia, quando disposta em linha reta, lembram acampamentos de campanhas. É impossível não se incomodar com a visão de centenas de estruturas ovais idênticas alinhadas uma à outra no meio da rua. É menos agressivo do que os restos de papelão e lixão inerente a imagem dos mendigos. Mas não deixa de incomodar o fato de saber que agora os moradores de rua podem ter mais conforto e uma existência mais duradoura. Talvez o lixo em que viviam antes não deixasse-nos lembrar que li havia um ser humano, tal como nós.

FUR1M8PF0VQ3G98.MEDIUM.jpgBem mais barata é a Shell House living portable. pela bagatela de US$ 35,00 e feita de papelão, é a saída menos pesada e mais barata. Dobrável, pode ser levada para qualquer lugar nas costas. O único problema é a durabilidade, que não aguenta uma noite de chuva paulistana. E ela vem com wifii. Pode ser uma brincadeira de mal gosto gastar dinheiro no projeto para incorporar esse conforto, mas é a prova de que basta pensar e agir para que mudanças acontençam no mundo.
E minha mente que não para já começou a visualizar milhões de barracas nas noites das ruas tristes de São Paulo, com o símbolo de algo enígmático estampada na lona. Noite a noite o número de barracas crescendo, ultrapassando os limites do centro, e chegando a lugares asséptico como Higienópolis, Itains, Jardins...

fevereiro 24, 2009

Partido político. Por que não?

Todos tem a sensação de que a política está morta. Não há nenhum parlamentar que se preze ao comprometimento com causas tão necessárias e úteis a sociedade, como a reforma completa da estrutura da segurança pública brasiliera, troca de arquivos na internet, união civil em relação homoafetiva, reforma política, tributária e afins. Todos os partidos estão vendidos a uma fisiologia de base, em que é probidido ao candidato defender, abertamente, causas que poderiam trazer prejuízos a imgens de grupos que apoiaram seu sucesso na eleição. Com isso, perde o cidadão, já que ocorre uma pasteurização de propostas.

Quer um exemplo? A blogosfera policial, composta principalmente por policiais que atuam nas instituições estaduais, tem propostas ótimas de como resolver problemas corriqueiros da segurança pública, sem recorrer à obviedade de aumento salarial. Todavia, tais propostas incidem diretamente na dissolução de conceitos que estão sedimentados há muito tempo, e por isso estão superados e imprestáveis.

Sabe no que pensei então? Em criar um novo partido. Sim, um novo partido político, sem o propósito inicial de eleger alguém. Simplesmente para deixar as pessoas tranquilas, em saber que ainda existem pessoas que pensam como quer o eleitor. Um partido consicente da atuação do estado na economia, na reformulação de paradigmas centenários e revolução, por meio das ferramentas que o estado democrático de direito oferece, do meio em que vivemos. Apenas para fazer barulho e se fazer ouvido. E acabar que a palhaçada de vermos pessoas sendo eleitas com o voto de protesto, por não existir pessoas idôneas em quem votar.

Aí então neguinho vai dizer: lá vem outro folgado querendo viver às custas do povo.

Não meu amigo. Somos pessoas que querem garantir a nova geração que, sim, é possível mudar. Que a morte da política e da história é uma falácia, e que o mundo está assim hoje por falta de opções, e não porque é o correto. Conseguiu entender?

Quer acabar com o bonde na polícia? Quer ver o policial crescendo na carreira apenas por seu mérito pessoal, sem o perigo de indicações políticas? Quer eleger o delegado geral de polícia e o comandante geral da PM? Não seria interessante ter o MP, a OAB e a Defensoria pública atuando diretamente na fiscalização dos trabalhos das corregedorias? Quantos desejam ganhar horas extras pelo trabalho adicional que é obrigado a realizar na instituição, por falta de funcionários? Quem deseja falar o que lhe incomoda na direção política das intituições policiais, sem ter medo de ser removido compulsoriamente?

Entenderam o que desejo. É organizar um grupo comprometido com causas, independentes se vão eleger alguém. Apenas para mostrar à sociedade que há saída, alternativas viáveis.

A pedra fundamental foi lançada. Agora vamos começar a mover idéias.

fevereiro 21, 2009

Como arquivar suas sindicâncias/PAs

CAPÍTULO I
Amarre seu rabo com o delegado

Todos sabemos que a PCSP não é padrão de moralidade. Nada mais hipócrita do que se submeter à legislação interna da instituição, cujo ordenamento que organizou as infrações funcionais estão na Lei Orgânica da Polícia de São Paulo, datada de 1.979, e promulgada pelo Coronel Antonio Erasmo Dia, famoso por ter sido m dos fundadores do Arena

Curiosamente, a mal fadada Lei foi direcionada à polícia de São Paulo, englobando a civil e a militar. O jegue que bolou o dispositivo não considerou que as duas instituições, apesar de subordinadas à secretaria de segurança pública, são completamente diferentes, sem conexão hierárquica alguma, além de uma ter caráter eminentemente militar, e a outra civil, como são os professores e médicos do serviço público, por exemplo. Soma-se a isso fato de, na época que a Lei surgiu, era comum e aceitável pelo estado de exceção imposto pelo golpe de 64 desaparecer com pessoas que pensassem de maneira diferente daqueles que comandavam o país.

Caso você não seja um policia que rouba por prazer (incluído o furto na modalidade de crimes contra a administração pública), dá paulada por mero divertimento, e não vê problemas em extorquir da vítima ou do ladrão, meus apontamentos não servem para seu problema. Mas pode continuar lendo, porque a administração da PCSP merece pessoas como você em seus quadros de funcionários, já que esse é o perfil de polícial que ela dá chances de crescimento.

Enfim, a maioria das sindicâncias e PAs que conheci foi por mera perseguição, ou prestações de contas para a imprensa. O primeiro passo é respirar fundo, e não se desesperar. Tenho certeza que você não cometeu a conduta sozinho, e que muita gente contribuiu para que o fato ocorresse. Identificado quem são as pessoas que fizeram parte do ato, fica fácil:

CASOS EM QUE A LEI ORGÂNICA NÃO FOI RECEPCIONADA PELA CF-88

Batata!! Sorte sua. Casos de crimes de opinião, cumprimento de leis contrárias à constituição federal são facilmente contornados quando o assunto chega na mídia. Mas seja corajoso. Decline nomes dos delegados que cometeram o abuso ao aplicar tais artigos e faça questão que tais pessoas constem nos autos. A maioria dos delegados cometem crime de abuso de autoridade ao autorizarem a aplicação, ou mera apuração sobre fato declaradamente ilegal. Na hipótese de ter sido removido compulsoriamente de onde trabalhava, solte rojões!! Isso é crime, pois garanto que o superior que autorizou o "bonde", quando quaestionado pela justiça sobre a motivação da remoção, vai tentar enrolar o assunto até que ele prescreva.


CASOS EM QUE A LOP FOI RECEPCIONADA PELA CF-88

Entre as aquelas pessoas que estão envolvidas, ou mesmo que deram ensejo a suposta prática da infração funcional, selecione que estão acima de você na hierarquia. Já adianto que eles são os delegados. Tente construir uma linha histórica dos acontecimentos, até chegar no carteira vermelha. Para ficar mais fácil, faça as seguintes perguntas:
(i) de quem partiu a ordem?
(ii) existe respaldo legal para o cumprimento da ordem?
(iii) eu poderia ter feito de outra maneira?

Normalmente, nessa etapa, já se consegue identificar que o que você fez não pode ser imputado somente a uma pessoa, como querem lá na corró. Aí, meu colega, quando começar a dizer que o "delegado fulano" e o "delegado cicrano" receberam vantagens com o que você fazia, magicamente tudo será silenciado. Caso não faça nenhuma outra cagada até o negócio prescrever, ninguém saberá que você existe por um bom tempo. Nesse ínterim, poderá cavar o apoio político necessário para voltar à gloriosa nos postos mais agradáveis.

Espero que tenha ajudado. No mais, duvide sempre dos advogados de sindicatos e associações. São raros os profissionais que não estão com o rabo preso. Tente encontrar alguém que é fora do meio policial, e que esteja em conato maior com o direito administrativo moderno e o direito penal mínimo.

fevereiro 15, 2009

Leia no volume máximo

Insistimos no projeto do podcast, para você se divertir com minha voz de pato. A música que ouvem ao fundo é de uma banda finlandesa chamada "Frozen silence". Eles disponibilizam todas as músicas de graça em seu site na Internet, e assim vão ganhando a vida com shows. É a Internet ensinando como se ganha a vida, esnobando as grandes gravadoras.

Por falar em esnobar as grandes, o livro "Ponto Quarenta - a Polícia Civil de São Paulo para leigos" vai de vento em popa. Para um livro que está circulando apenas de boca em boca, de delegacia em delegacia, as vendas não tem decepcionado. Temos recebido vários elogios vindos de blogueiros e também policiais, e blogueiros policiais. Aliás, vivem me perguntando se os polícia não se ofenderam com o livro. Eu sempre respondo: pelo contrário. Acho que a sensação do polícia honesto ao se ver retratado com tanta intimidade toca na individualidade de cada um. Pelos menos até agora não recebi nenhum comentário ofensivo sobre a obra. E se receber, será bem vindo. Tenho vendido muito mais para pessoas que me são estranhas do que para amigos. E isso me deixa mais contente, porque são leitores que chegaram ao livro na base da curiosidade, e não da camaradagem.

A experiência de se vender livros no esquema on demand é bem mais divertida do que com uma grande editora. Aqui eu tenho certeza de quem são meus leitores, onde moram, seus contatos e, principalmente, quantos livros foram realmente vendidos, coisa cara quando se trabalha com uma editora gigante. Faço de questão de enviar um pequeno e-mail a todos eles, agradecendo o interesse, e pedindo seus apontamentos sobre a obra. Diga-me quando uma grande editora possibilitaria isso ao autor.

E segue a política do bonde sem rumo na policia civil de São Paulo. Eu sempre alerto: a remoção compulsória é crime de abuso de direito, caro colega. Qualquer ato administrativo deve ser motivo, e seu único objetivo é o interesse público. Assim, se por um acaso sua chefia te mandou para outro canto do estado, ou mesmo para outro DP sem o mínimo de justificação, meta-lhe um mandado de segurança guela abaixo, e ainda receberá uma indenização por assédio moral. Não deixe isso barato, colega. Já há várias decisões judiciais nesse sentido, e seu caso não é o único. Aprenda: policial vendido só tem medo do judiciário.

fevereiro 14, 2009

Ponto Quarenta, a escritora e o investigador

romance policial

Saiu no Jornal da Tarde de hoje, no caderno "Curiocidade" uma matéria bem legal do Marcelo Duarte sobre nós. A íntegra, com foto, pode ser vista aqui.

Confesso que quando soube da intenção do jornal, fiquei temeroso. Afinal, minha experiência com a imprensa e as coisas que escrevo não são das melhores. Mas gostei do resultado. Conseguiram captar o espirito de nosso processo de criação, e a cara bem humorada que damos aos livros.

Agora aguardo a intimação que certamente ocorrerá, por usurpação de função pública, já que não ficou devidamente esclarecido que hoje sou advogado. Mas tá valendo. Já me vejo no novo depoimento:

- Mas doutor delegado, o jornalista sabia que hoje sou advogado, e dos bons.
- Mas lá tá escrito que você é investigador, porra! Aí não dá pra arredondar.
- Eu gostei do resultado. Apesar de dizer insistentemente ao repórter que não pertenço mais à gloriosa.
- Então põe cinquinha na minha mão, que você saí daqui como entrou, sem algemas. (risada fatal)

E o livro "Ponto Quarenta" tá vendendo como água no deserto. Já estamos na segunda edição. Para um livro que não teve nenhuma referência na mídia, eu diria que é um sucesso de vendas. Sendo mais otimista, quase um best seller. O que mais me chamou a atenção foi que a maioria dos compradores são pessoas de outros estados, gente que nunca tinha ouvido falar. Mandei para todos um e-mail pedindo seus apontamentos sobre a leitura. Não vou ficar rico com o livro, mas certamente farei ótimas amizades.

Desde ja, agradeço a todos pelo interesse na obra, e aguardo as opiniões.

Agora dá para ler o primeiro capítulo aqui. Mas nada se compara à história completa, que se amarra desde a primeira linha.

O lançamento continua marcado para o dia 05 de março, no Canto da Madalena. Quando nos aproximarmos da data, conclamarei os contribuintes de forma mais precisa. Divirtam-se:

"Romance policial - A escritora e o investigador

A história de Olívia Maia, 23 anos, e Roger Franchini, 31, renderia um romance. Ou melhor: um romance policial. Ele morava em Franca (SP), cursava a Faculdade de Direito e trabalhava como investigador da polícia. Ela fazia cursinho e encontrou no amigo virtual uma fonte inspiradora para escrever suas histórias policiais.

O relacionamento que começou pela internet foi transformado em casamento há dois anos e meio. Nesse período, Olívia já publicou dois livros policiais: O Desumano, em 2006, e Operação P2, em 2007. "Eu contava as minhas ideias e ia pedindo detalhes para ele", diz Olívia. "Muitos dos textos que escrevo no meu blog (www.verbeat.org/blogs/forsit) são coisas que ele me contou. Histórias que muita gente acha que saíram da minha imaginação." A paixão da escritora pelo tema começou quando ela ainda era criança. "Sempre gostei daquela literatura infanto-juvenil que tem algo de policial, principalmente Pedro Bandeira", explica Olívia. "Por isso, acabei indo também para esse lado."

O Desumano conta a história de um menino que está sendo acusado de matar a própria mãe. Operação P2 fala sobre a investigação da morte de um professor de jornalismo, envolvido com uma pesquisa sobre a ditadura militar. Olívia começou a escrever agora um livro que tem um personagem inspirado no marido. Ele será um investigador do interior que ajuda o personagem principal numa operação. "Roger é a minha referência... As pessoas pensam até que me casei por interesse", diverte-se a escritora.

Mas quem disse que Roger também não pede ajuda para a esposa? Ele lançou o livro Ponto Quarenta - A Polícia Civil para Leigos, que traz revelações do cotidiano da Polícia Civil pelos olhos de um investigador. "Ele só saiu por causa da Olívia", agradece. "Costumo dizer que escrevo boletins de ocorrência. Foi ela quem me apresentou todas as referências para escrever um romance policial." O lançamento do livro acontecerá no dia 5 de março, no Canto da Madalena, na Vila Madalena. Mas o livro já está à venda no endereço www.verbeat.org/blogs/cultcoolfreak/pontoquarenta. O livro O Desumano pode ser encontrado em qualquer livraria virtual, enquanto Operação P2 está à venda somente no site www.osviralata.com.br."

fevereiro 6, 2009

PONTO QUARENTA - O livro

Acabou de nascer. Foi um parto. Já tínhamos anunciado há muito tempo, e a coisa emperrou na burocracia, entre um processo administrativo aqui, um inquérito policial ali. Logo chegaremos na Corte Interamericana de Direitos Humanos
Acho que o título do livro é melhor do que todo o miolo. Não posso falar da capa, porque el_Rey fez outra de suas genialidades e bolou umas das mais legais que já vi para um romance policial. Aliás, foi a única cousa que restou de mim naquele lugar. Durante os cinco anos, fiquei 24h com essa quadrada enfiada na bunda, no bom sentido. Bocuda, era o nome da criança. Gritava alto sem rebolar.
O livro é um arremedo de pequenas histórias até a metade. Então, há um plot point que o obriga a seguir na linearidade da narrativa. Um assassinato logo na apresentação, para prender o leitor desatento. Um pouquinho de sexo depravado e infantil, palavrões, corrupção e humor inteligente. A fórmula perfeita para um romance policial de sucesso. Descobri que só sei escrever boletins de ocorrências.
Como sou gato escaldado na corregedoria, fiz um disclaimer logo na segunda página, bem didático, quase desenhado, para deixar bem claro que tudo não passa de uma fantasiosa ficção. Tenho certeza que alguns tiras safados e outros delegados lixos vão se identificar com algumas citações. Bem como todo policial honesto e sofredor da linha de frente pode se reconhecer em cada passo que o investigador protagonista dá.

Por via das dúvidas, negarei até desaparecerem comigo. Ficção, ficção, ficção. Ele iria sair pelo selo Vira-Latas, mas o editor disse que não está acostumado a receber ameaças de morte. Por isso tive que ancorá-lo aqui, na nossa casinha mesmo

Podem comprar clicando aqui por R$ 22,00 para receber no conforto da sua delegacia, em até absurdos 12 vezes (milagres do pagseguro), com entrega em carta registrada.


Divirtam-se.


fevereiro 1, 2009

O Advogado é um cretino

Acompanhei a exclamação do título na mesa ao lado da minha, no boteco de um dia desses:

"Advogado é a pior profissão. Diferente de médico. Médico salva vidas. Advogados põe bandidos na rua."

Uma mocinha de olhos claros e roupa de ginástica, explicava para a patotinha as vantagens de seu novo namorado, aluno de medicina, em detrimento do antigo. Interessante ver como a verdadeira profissão da técnica jurídica é notada pela população.Um rato, que busca brechas na lei para trazer de volta a sociedade aqueles que a maculam.

Lembrei uma história de quando ainda era investigador de polícia:um sujeito fora flagrado transando com uma garota de 13 anos dentro da casa dela. Foi linchado pelas ruas, levou um tiro, até que a PM apareceu. Levado para delegacia, tive que acompanhá-lo até o hospital para que lhe fosse feito os primeiros socorros.

Expliquei ao médico que nos atendeu os motivos da cara arrebentada do infeliz, e o porquê da algema. Ele então resolveu por uma cirgurgia para retirar o projétil. Pediu-me para que algemasse o sujeito na cama, e começou a cirurgia sem qualquer anestesia. O desgraçado gritava como porco no Natal. Depois de fechado o peito do homem, o médico veio ter comigo:

"Esse daí eu não dou duas semanas. Antes de usar a tesoura nele, eu a enfiei em um monte de bosta"

Não sei que fim levou o 213. Tampouco se a profecia do médico se concretizou.

O que importa é saber que, tal como os médicos, advogados não podem escolher se devem ou lutar pela vida de quem comete ilicitudes. Independe do aspecto moral. A luta, na verdade, é pela aplicação correta das leis, na medida exata do Estado Democrático de Direito. Fale-se muito pelo papel do Ministério Público na atualidade, mas acompanhando seu processo de contrução histórica, esta instituição conseguiu, ao longo do processo de redemocratização do Brasil, monopolizar quase todas as ferramentas jurídicas de combate ao despotismo. Os advogados, por sua vez, foram reservado à melancólica figura de coadjuvantes da justiça, distorcendo a clássica separação de poderes. Não podemos nos esquecer que o ministério público é órgão do poder executivo, e seu chefe maximo (seja no âmbito federal ou estadual) é sempre escolhido pelo chefe do executivo. Não há a total autonomia, como se propala por aí. Prova do desvirtuamento de suas responsabilidades foi o monopólio que tentaram impor à titularidade da Ação Civil Pública, nos anos 80, e que agora foi derrubada pela Lei 11.448/2007. (Para quem gostou do assunto, veja também parecer da Ada Pellegrini Grinover sobre a legitimidade concorrente das defensorias públicas no assunto)

Com esta escolha de modelo de vigilância, a sociedade fica distante da fiscalização, por exemplo, dos atos das polícias. Um cidadão qualquer que se sinta ameaçado não tem o poder de provocar a administração pública a lhe prestar contas, a não ser batendo às portas do judiciário, armado com um advogado.

O plano teórico do estado moderno está fundamentado na legalidade. Assim, nada é mais importante do que aquele que trabalha com as leis. Antes do juiz, vem o advogado para lhe ensinar que, naquela causa, qual o correto direito a ser aplicado. Não cabe o ao julgador dizer quem está certo ou errado, mas sim, reconhecer que um defensor interpretou o dispositivo legal da forma mais adequada ao caso.

Addvogados não escolhem deixar bandidos na cadeia, quando estes estão presos por crime adverso do que cometeram. Médicos não optam por matar seus pacientes, porque eles estupram, vendem drogas ou matam. Acima de tudo isso há o Direito de todos a viver e morrer na estrita consequência de seus atos, independente do que a loirinha do bar pensa sobre sexo e democracia.