"Os atos mais censuráveis são tão freqüentemente absolvidos pelo sucesso, que o limite entre o que é proibido e o que é permitido, o que é justo e o que não é, não tem nada mais de fixo. Mas parece que pode ser deslocado quase que arbitrariamente pelos indivíduos. Uma moral tão imprecisa e tão inconsciente não poderia constituir uma disciplina. Disso resulta que toda esfera da vida coletiva está, em grande parte, subtraída à ação moderadora da regra."*
Para enterrar 2008 como ele merece, e desejar um 2009 endinheirado, sucesso, e se ainda der, muita saúde, fica o videozinho abaixo (indicado por El Rey), para que a sorte acompanhe a todos no ano que se aproxima:
Já falamos aqui sobre a patetada das senhas genéricas dadas aos policiais civis para descobrirem informações sobre os usuários de telefonia móvel sem autorização judicial. Dizem, os polícias, que tais informações estão disponíveis a todos na lista telefônica. Mas nunca vi um número de RG e CPF de usuário de celular em lista telefônica. Alías, nunca vi uma lista telefônica de usuários de telefonia móvel.
Pois é. Desde 2004 o querido Cultcoolfreak é tido como blog policial. Aliás, os mais afoitos dizem mesmo que ele fundou essa modalidade no Brasil. Não nego que gosto. Foi a maneira que encontrei de dizer que há algo de podre na força coercitiva tupiniquim.
Mas agora a coisa ficou grande. Fomos convidados pelo Inagaki para participar de uma mesa de discussão no Campus Blog 2009, do Campus Party Brasil 2009, sobre (arrá!) Blogosfera policial. Acompanhado dos queridos Alexandra de Souza, do Diário de um PM e o Danilo Ferrreira, do Abordagem Policial, estes sim, de inequívoco caráter policial.
Eu fiquei feliz! E hoje a corregedoria não me pega mais por falar o que penso sobre liberdade de expressão e conduta policial. Enfim, dia 22/01/2009, quinta-feira às 11. Nem eu ainda sei onde será, mas prometo contar quando souber.
Como prometido, aqui está a discussão no twitter sobre a participação do delegado Protógenes no Programa Roda Viva de hoje (22-12-2008), na TV Cultura. O bate papo só comprovou que a polícia federal, a exemplo de nossa polícia judiciária, é uma polícia de governo, e não está a disposição do estado democrático de direito.
Chegou a dizer que "bandido tem que ser exposto". Ainda bem que delegado não julga, e não é juiz, ao contrário do que eles pensam. Esse é o problema da segurança pública brasileira: quando os delegados terão a consciência de que são meras autoridades administrativas, e longe de autoridades judiciais? Se Gilmar Mendes quer ser presidente, Protógenes quer ser senador vitalício. Filho de militar que cresceu ouvindo o "Repórter Esso" e "Ave Maria" antes da "A Hora do Brasil". Triste é esperar a condenação do Daniel Dantas baseado na investigação de um fanático.
Enfim, fiquem com os comentários do Twitter ocorridos no calor da discussão do programa.
A experiência foi fantástica. Recomendo a todos que participem desses eventos. Um papo de boteco com milhões de pessoas ao mesmo tempo.
Não sei o motivo de tanto auê para deixarem claro, de uma vez por toda, que os advogados têm acesso ao inquérito policial dos clientes.
Será que nunca ouviram falar do prontuário? Ele é a cópia integral do IP que fica guardado na delegacia. As principais peças do procedimento investigativo não vão para o corpo do IP assim, rapidamente. O IP que os advogado têm acesso é aquele que o delegado permite ver. O resto do material, o qual pode realmente ter importância na condenação do malaco, fica escondido no armário do escrivão, até que sua publicização tenha algum interesse. Interesse este, ressalto, normalmente financeiro. Desta forma, pouco importa a concretização do direito do advogado ao acesso integral ao inquérito policial. O que importa, mesmo, é saber todos os passos da polícia. Mas como concretizar essa fiscalização, sem colocar em jogo a persecução criminal?
Quanto ao resto do expediente, quero dizer que o Luis Fernando Carvalho errou a mão na mini-série Capitu. Um teatro afetado e exagerado. Tenho lido muita gente rendendo elogios gratuitos. Meu único se dá à ousadia de buscar linguagens distantes do corriqueiro. Mas no caso de "Capitu', esse passo além despencou em um teatro ruim, com atores insuficientes. Pobre tv pública brasileira.
A coisa emperra, porque não é nova. Um livro como Dom Casmurro é infilmável, tenho pra mim. Brás Cubas, do Júlio Bressane, foi o que mais pŕoximo esteve o cinema nacional das palavras do Bruxo do Cosme Velho. Boa comparação. Será o surrealismo o único diálogo possível com Machado?
Quando se poderá novamente assistir, em opção à medíocre novelas das oito, obras como "Faust" (1.993 - à direita), do maluco Jan Svankmajer? Ou mesmo os telefilmes do Kieslowski, como foi ver, durante uma semana em uma TV National/preto branco, os dez episódio do "O decálogo". A pancada na orelha foi tão forte, que grande parte do que penso hoje em dia se deve ao que vi na TV na infância e adolescência.
Não tô jogando a responsabilidade de minhas incompetências na mídia brasileira, mas acho que "Capitu" poderia ser melhor, se houvesse menos teatro ruim. Aliás, eu primeiro considerei a possibilidade da obra do Luís Fernando Carvalho estar próximo do fime Faust, acima. Mas sinceramente, tá muito, muito parecido mesmo com o clipe da música tema "Elephant Gun" do Beirut, a única coisa que toca na série da Globo. Valeu pela noite mal dormida.
A última boa surpresa com o cinema foi "Cidade dos Sonhos" (Mulholland Drive - 2001), de David Lynch. Com um incrível atraso de quase sete anos, conheci esse filme, com o espanto de como tivesse a mesma idade de sete anos atrás. Se eu sentisse essa sensação de encantamento ao menos uma vez por mês, tenham certeza, breves leitores, que esse blog seria menos amargurado.
Vocês se lembram qual foi o último filme que lhes fez sair do cinema com orgulho de pertencer a raça humana? Eu também não. Tudo muito preguiçoso, ou muito pretensioso. Não encontro mais o desafio ao telespectador, que o coloca de frente com conflitos de percepção, e o obriga a reorganizar mentalmente o que está vendo, a fim de compreender o mínimo da trama.
Insisto. Mesmo quem não dá a mínima para a fantasia freudiana de um mundo pré-ordenado no caos do sub-inconsciente, a fita vale pela experiência única de uma genial aula de narração e montagem.
Ok. Confesso que o tempo que carregamos nas costas nas costas nos deixa mais exigente. Mas não quero acreditar que sou o único cara na face da terra que tá pouco se fodendo pra Flora da novela das oito. Os tempos são tão insanos que me flagro lendo sinopses destas porcarias de folhetins para não ficar sem assunto no almoço do escritório. Alíás, não esperem aqui que eu teça comentários sobre o filme de Lynch. Há pessoas na blogsfera que se dedica a isso com mais empenho e competência.
Em tempo: eu sempre fui contra cenas de sexo no cinema. Mas nesse caso, a tomada da transa entre as atrizes Laura Harring e Naomi Watts é essencial ao filme. Foi a única vez que constatei que, mesmo que elas não fossem duas delícias, a cena teria a mesma tensão.
Todo mundo ficou feliz quando o Decreto 6.523/2008 foi assinado. Afinal, seria o fim das longas esperas para resolver os problemas pelo telefone com as empresas de telefonia, bancos e aviação. Já me via dando risadas das atendentes que, no desespero de ouvir minha reclamação, registrá-la e solucionar o que me incomodava. Pediriam perdão por terem me deixado esperando na linha por 40 segundos. Pois bem. Hoje tentei cancelar um plano de banda larga móvel da Claro (o falso 3G que eles vendem).
MENU ELETRÔNICO - 4 opções.
7m53s de espera até ouvir o tendente Matheus - retransmitido para o suporte técnico. 17m28s de espera até ouvir o atentende Luciano do suporte técnico - retransmitido para o setor de cancelamento de banda larga. 12m32s de espera até ouvir a atendente Sheila (cancelamento de planos de celulares) - retransmitido (agora sim!) para o setor de cancelamento de banda larga. 22m11s de espera até ouvir a atendente Mônica - tentou me retransmitir para o setor de cancelamento de banda larga.
Desisti, forcei para que a última atendente registrasse uma reclamação pelo mau atendimento. Com número do protocolo na mão, corri para o site da Anatel, para reclamar da reclamação, e ele não funcionava. Apelei então para o atendimento via telefone.
12m09s de espera até que atendente Felipe me disse que só poderia registrar minha reclamação após o técnico da Claro confirmar, por meio de laudo, que o sinal da banda larga realmente não chega na área rural de Atibaia.
- Mas Felipe. Qual a credibilidade de uma laudo técnico produzido pela própria empresa?
(Silêncio)
- É esse o procedimento, senhor.
Foi aí que me lembrei. O Código Penal foi promulgado em 1940, proibindo o roubo e outros crimes. E justamente por isso eles nunca deixaram de existir. E antes disso? A vingança privada não me parece tão ruim assim...