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04out2008

Inspetor de quarteirão/Ganso - vegonha alheia

listei aqui algumas coisas que teríamos que esquecer, caso quiséssemos nos tornar um país respeitável.

Quero incluir agora uma profissão antiga, que por sua própria natureza envergonha-nos até hoje pela desconexão com princípios básicos da democracia e república: o inspetor de quarteirão.

Hoje em dia a policia paulista precisa de uma figura denominada "ganso". Ele é um pouco diferente do informante, porque normalmente faz serviços junto com o policial. Anda armado, de viatura, faz plantão. Oficialmente ele não existe. Não há registros de sua passagem nos autos. E caso o contribuinte o veja dentro de uma delegacia, não saberá diferenciá-lo do policial. Normalmente ele é remunerado com a arrecadação das investigações. Faz o serviço de infiltração no meio criminoso, porque nenhum policial é idiota o bastante para se arriscar a isso recebendo o salário pago pelo estado. Apesar de ser muito mal visto pelos bons policiais, ele é uma persona necessária.

Ligo suas origens à curiosa pessoa do título. O inspector de quarteirão fazia as vezes de policia na rua, apesar de não ser remunerado. Regulamentado pelo Decreto 6.746, de 16 de setembro de 1975, outra obra prima do legado normativo do estado ditatorial, o dito cujo podia, de acordo com o artigo 3º do dispositivo:

"I - informar a autoridade policial sobre as contravenções e delitos de que tiverem conhecimento, bem como a existência ou permanência de contraventores ou criminosos na sua área de atuação;

II - conter as pessoas embriagadas ou turbulentas que, por palavras ou ações, ofendam a tranqüilidade e o decoro públicos;

III - diligenciar para a prevenção dos crimes e contravenções;

IV - elaborar o cadastro de seu quarteirão e informar à autoridade as alterações julgadas necessárias."

Em tempos de polícia comunitária, essa legislação soa como ridícula. Era o reconhecimento estatal do ganso, que vigiava a população e ostentava uma funcional. Consolidou a estigmatização de Raimundo Faoro, no qual a coisa pública no Brasil é tomada pelos administradores como se fossem particulares. Os cargos públicos são tão vinculados a seus servidores, que ultrapassam o mero interesse público. O inspetor de quarteirão era indicado pelo delegado do município (como ainda é feito hoje com todos os cargos na polícia civil), conseguindo assim o prestígio político junto a comunidade. A lei, apesar de não ter sido claramente revogada, não foi recepcionada pela CF-88, servindo apenas de documento histórico da formação moral da administração pública.

Desta forma, este é outro ítem que deve ser extirpado de nossos anais, entrando para nossa sessão VERGONHA ALHEIA.

Comentários

Eu conheço vários gansos!!! Mas um, em especial, merece destaque! Ele ainda exibe uma carteira de inspetor de quarteirão... Vc sabe quem é né Roger!!! hahaha... Um abraço.

Será que é o mesmo que me lembro? Aquele era célebre. Mais antigo do que qualquer outro policial da delegacia. Gente boa, mas eu tinha medo dele. Sabia tudo, de todos os casos já investigados naquele DP. Conhecia todos os malas, seus modos operandis. Gente assim não pode ser esquecida. A polícia deve muito a eles.

Caro Doutor
Aqui em Santos o que mais tem é Ganso...
Ganso pelado, ganso de mão peluda, Ganso com autoridade e ate mesmo em escala de distrito...
Tem ate Ganso dando ordem para calça branca......
Tem Ganso assinando O.S. e Intimações.
Não é dificil encontrar.....tem ganso trobando com Ganso....
Uma Abraço Doutor
Parabens!!!!!!!

gansos....
Pergunta PERTINENTE ;- Por que o ganso Paranaense tem as pontas das asas avermelhadas?

....
Quem se habilita a responder a questiono do ganso paranaense?
gansos....
Doutor, presta atenção.
O ganso adora viajar na parte de trás das vtrs...geralmente vão com braços para fora, ou seja as asas.
Logo as pontas das asas vão arrastando se ao chão e ficam vermelhas.....paraná terra vermelha lembram-se?
Então e isso, ganso também e cultura. Sabe por que o ganso não vai na frente da vrtr?

Porque bate o bico no vidro.

Ligeirinho do Jardim Chove Balas.

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