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outubro 31, 2008

O bom em ser velho

A melhor coisa da velhice é não mais ter que se sujeitar à hipocrisia e poder ser sincero o tempo todo, já que é bem provável que não terá mais chances de catar mulher ou melhorar de emprego. Quer melhor exemplo do que este:

"Os tempos são outros. Aquela advocacia inteligente, ética e cavalheiresca está chegando ao seu fim, como estão pondo fim naquela magistratura paulista que fazia a jurisprudência vigente no país. A proliferação das faculdades de Direito aviltou o próprio Direito, banalizou a Justiça e transformou a advocacia numa mera prática burocrática"

outubro 29, 2008

Finge que funciona

O post sobre o GOE de São Joaquim da Barra me perturbou. Li, reli, li novamente. Ficou claro para mim que a intenção do jornal era realmente instigar comentários como o meu. antes de informar, ele pretendia trazer a polêmica destrutível e perniciosa.

golpe32.jpgLembro-me que quando era criança, jornal era meu sonho de consumo. Ser assinante, então, era coisa de outro mundo. Mas isso pertence a um passado em que o Brasil andava a pé, e para trás. E nessa época a Folha de São Paulo era o estandarte de uma liberdade de informação cumulada com pansamento crítico e libertário das amarras do mercado. Só depois de crescido é que fui descobrir que ela compartilhou os melhores resultados do golpe de 32, e acompanha a casta paulistówiska com fúria. Ano passado fui ao gabinete de um deputado estadual, lá na assembléia, perto do meu antigo DP. Eu queria muito ser policial do DHPP, e não há outra maneira de fazer parte daquela grupinho privilegiado, senão por meios políticos.

O gabinete era minúsculo. E o deputado da oposição. Logo de cara, me perguntou se eu votava na região dele (Campinas). Disse que não, mas lembrei que tivera uma namoradinha no mesmo bairro em que ele morava, durante a faculdade de direito. Foi o suficiente para que ele abrisse o sorriso. Quando á minha ida para o DH, nem fez as promessas de praxe. Foi sincero:

"Rapaz, vá estudar e esqueça a polícia. Eu sou da oposição. A Assembléia toda está nas mãos do governo há quase 15 anos, não temos chance alguma. Tomam o dinheiro da Nossa Caixa, sucateiam a polícia, e não podemos nem questionar os métodos que utilizam, porque a democracia é cruel para as minorias. Olha a merda dessa Assembléia. Está nas mãos dos Franciscanos da USP e dos coronéis do golpe de 32 desde que foi criada. O estado está dividido em sobrenomes. O máximo que você pode fazer é ganhar dinheiro para não morrer de fome. Porque o poder de decisão, meu caro, essse já tem dono."

Uma paulada na cabeça. Saí desolado da reunião. E mais certo do buraco que a polícia civil de São Paulo estava metida. De mãos amarradas entre a justiça e a imprensa. A sociedade? Pouco importa para a administração. Vêem os contribuintes pelos olhos da mídia. Se a imprensa os elogia, é como se a sociedade os aprovasse. Quando há críticas, não se tolera qualquer comportamento que distoe do desejado. E destes olhos, a Folha são os óculos mais embaçado.

Hoje vendem uma imagem de democrático, como se comportasse várias oponiões dentro de um mesmo jornal. Tem até um serviço de ombusdman, que pelas reclamações que tenho ouvido é chapa branca, impossível de institucionalmente incomodar. Mas vivem o mal de toda mídia imprensa mundial. Estão morrendo. E como todo moribundo, as condutas desesperadas beiram o ridículo. Instingam ao debate vazio e anti-ético. É sedutor ceder ao joguinho que nos empurram, como eu mesmo fiz no citado post. Tenho pena dos policiais que concederam a entrevista. Porque foram ingênuos.

pcmotoby.JPG

E hoje, vendo essa capa da Folha, entendo para quem o governo Serra disse: "Finge que funciona!"

outubro 26, 2008

Nóis invade com mais força

Não pretendo fazer coro à sociedade sedenta de sangue coalhado e carne crua em que vivo. Ainda devo muito àqueles que fiz sofrer pela causa republicana e democrática e, se alguns religiosos estiverem corretos, na minha próxima vida serei um oxiúro de porco. Por estas e outras que notícias como um possível erro estratégico do GATE na incursão ao apartamento da moça sequestrada pelo namorado em Santo André não merece ser discutida além dos tribunais. Nivelar essa conversa com blogueiros que só conhecem um cativeiro através do Counter Strike, e a única relação com bocas-de-fumo e bandidos que tiveram foi fumar um baseadinho em uma balada qualquer não os deixa técnico em porcaria nenhuma.

O máximo que conseguem fazer é provocar gente como o GOE de São Joaquim da Barra (???) a conceder uma entrevista anti-ética como essa. Fico me perguntando porquê esse pessoal não está de greve, exigindo do governo as mesmas condições de treinamento que o GATE possuí, ao invés de ficar contando que seu pasto é mais bonito. Notem que ao final da entrevista o policial diz que aprendeu tudo isso com um curso feito no Paraná, o qual foi pago com dinheiro de seu próprio, na vultosa quantia de R$ 3000,00 (mais da metade do seu salário).

Compará-los ao GATE não só é motivo de piada entre quem entende do assunto, como trouxe à polícia civil de São Paulo mais um motivo para fazer parte de nosso projeto "coisas que devemos esquecer para o Brasil crescer".

"GOE USARIA OUTRA TÁTICA NO CASO DE ELOÁ
Delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil diz que invasão deveria ser de manhã, envolveria rapel e cão treinado

Em: Folha de São Paulo - Laura Caproglione, 26/10/2008

sniper-cat.jpgEspecialista em ocorrências de alto risco, resgate de reféns e rebeliões no sistema prisional, o GOE (Grupo de Operações Especiais) faria tudo diferente em uma situação como a que culminou na morte da jovem Eloá Pimentel, 15, assassinada pelo ex-namorado Lindemberg Alves, 22, em um conjunto habitacional de Santo André, na Grande São Paulo.

Na última sexta-feira, o grupo de elite da Polícia Civil sediado em São Joaquim da Barra (404 km de São Paulo) realizou um treino tático. Objetivo: simular a invasão de uma residência ocupada por um seqüestrador com reféns. O ensaio, com 16 homens, foi coordenado pelo delegado Hugo Anselmo Ravagnani, 47 anos e 20 de polícia. A Folha acompanhou a ação com exclusividade.
A experiência de grupos de elite dos principais países que mantêm forças táticas e antiterroristas, como a Swat americana, o GIPN (da França), o GSG 9 (da Alemanha), os Carabinieri (Itália) ou a polícia israelense, mostram que pelo menos dez procedimentos adotados pelo Gate (a força da PM usada no caso de Santo André) foram contrários aos protocolos internacionais.

Segundo Ravagnani, que participou de 60 cursos ministrados por instrutores desses grupos de elite, a condução do resgate das meninas Eloá e Nayara Rodrigues da Silva, 15, seria da seguinte forma:

1. "O GOE não deixaria o seqüestro durar mais do que 24 horas. Pela experiência internacional, a situação psicológica do agressor tende a se agravar com o estresse prolongado."

2. "O GOE não colocaria uma pessoa emocionalmente envolvida com o refém ou o seqüestrador na negociação [tal era a condição da menina Nayara]. A negociação seria conduzida por um policial especialista em resgate. Muitas vezes, este policial define até o posicionamento do agressor dentro da casa. Se ele percebe que a negociação não vai prosperar, então parte para a tática, que implica em obter vantagens para a equipe. Um exemplo? Ele leva o criminoso para mais perto de uma janela, para se tornar visível à mira de um sniper [atirador de elite]. O negociador tem de ser um especialista em tática e também conhecer muito de psicologia para traçar um perfil do criminoso e usá-lo a seu favor."

3. "O GOE não deixaria que o seqüestrador desse entrevistas durante o cativeiro das jovens."

4. "Segundo os manuais do GOE, o "start da invasão" deveria ter sido acionado quando o seqüestrador começou a agredir as reféns. Nunca a partir de um suposto disparo contra as jovens [rojões e bombas de são João lançados por outros atores no cenário de operações, como traficantes do bairro, poderiam ser confundidos com disparos de armas do agressor]." A reportagem da Folha, no local dos acontecimentos, escutou vários estouros de fogos de artifício promovidos por moradores do local.

5. "O GOE não usaria escadas para a invasão do quarto -ainda mais uma escada sem altura suficiente para alçar o policial em segurança. Em vez disso, empregaria um especialista em rapel, que entraria "por cima" da janela, empunhando sua arma, e mais rapidamente."

6. "O GOE evitaria dar o "start da invasão" à tarde, como ocorreu. Preferiria os primeiros instantes depois do amanhecer." Segundo o delegado, é preciso explorar as oscilações do ritmo ciscardiano. "De madrugada, o organismo ainda está em situação de repouso, [uma hora] muito mais adequada a uma abordagem de surpresa do que à tarde, após um dia inteiro de estresse, [com] a adrenalina a mil", diz.

7. "O GOE empregaria um cão treinado para atacar com mais agilidade o agressor durante a invasão." O delegado explicou que a PM tem os cães mais bem treinados do país. Se usados na operação, atacariam o agressor armado com velocidade muito maior do que a possível a um agente humano.

8. "O GOE posicionaria um atirador especialista em rapel, de cabeça para baixo, logo acima da janela em que o agressor aparecia para um possível tiro de imobilização. Para que [ele] não visse a preparação da ação, cortaria, por exemplo, a luz."

9. "O GOE usaria um estetoscópio para auscultar, a partir de um apartamento vizinho, o que ocorria no local do seqüestro. Também empregaria microtransmissores, que faria chegar ao apartamento onde estava Eloá por intermédio dos condutores elétricos da casa. Jamais o GOE usaria um copo como foi feito na operação."

10. "O GOE usaria munição letal em vez dos projéteis de borracha empregados na ação de resgate. Balas de borracha são capazes de machucar, mas não impedem o agressor de reagir, inclusive atirando nas vítimas. No limite, as forças de elite internacionais usam "balotes", balas de 1,5 centímetro de diâmetro arremessadas por uma espingarda calibre 12, ultraletais. Um tiro do gênero é capaz de decepar a cabeça de um seqüestrador."

Tiro de espoleta
Foram necessários 12 minutos para três policiais colarem o chamado "cordão detonante" em todo o batente da porta da casa escolhida para o treinamento, em um sítio abandonado na zona rural de São Joaquim da Barra. O mesmo material foi usado na tentativa de resgate da adolescente Eloá.

O "cordão detonante" nem parece bomba. Um desavisado diria que se trata de um fio elétrico, com cobertura de plástico vermelha. Só que, dentro dele, existe um pó branco explosivo, com o nome químico de nitropenta. Um pedaço de 10 cm enrolado no pulso tem o poder de arrancar a mão de uma pessoa. No caso de uma porta, o efeito do cordel é cortar, com uma incrível precisão, todo o perímetro dela.

Mas o cordel não é simples de ser detonado. Ele não estoura, por exemplo, com fogo. Necessita de duas espoletas acionadas por comando elétrico ou pirotécnico. Esta última foi a escolhida para a ação na velha casa que simulava um esconderijo de seqüestro.
As duas espoletas foram conectadas a uma das extremidades do cordel detonante. Em seguida, o comandante da operação ordenou que os policiais se posicionassem para a invasão e acionou o explosivo: Pá-Pá-Puuuuuuuuum.

Ao todo escutaram-se três estampidos. Dois menores, parecidos com tiros, e o terceiro, que lembrava a explosão de um botijão de gás. No caso de Eloá, alguns observadores relataram ter escutado um estampido antes da explosão do cordão detonante, que atribuíram a um tiro da arma de Lindemberg. O delegado Ravagnani acha que pode ter sido apenas o barulho do estouro da espoleta.

Passagem liberada, cinco policiais entraram. Toda a ação de invasão não durou 15 segundos, ao fim dos quais três alvos de papel jaziam no chão com buracos de 3 centímetros de diâmetro -o estrago da calibre 12. Alvos eliminados, escutaram-se gritos: "Limpo! Limpo! Limpo!", seguidos por outros que diziam "Extração! Extração!"
Era a ordem para o ingresso no local de equipes de paramédicos e de retirada de cadáveres. Mais um treinamento do GOE estava concluído. No caso de Santo André, não custa lembrar, a porta não cedeu com a explosão por estar "ancorada" em uma mesa de vidro, encostada nela por Lindemberg poucos minutos antes do desfecho trágico.

"Bastava ter colado à porta quatro saquinhos de leite enrolados em um cordão detonante", conta o delegado Ravagnani. Ele fez o curso de "explosivista" no Tees (Tactical Explosive Entry School) do Paraná. Pagou, do próprio bolso, R$ 3.000. Seu salário mensal é, bruto, R$ 5.000. A porta que ele explodiu no ensaio saiu inteira do batente, diferentemente do que ocorreu em Santo André."

outubro 17, 2008

Combate no Palácio dos Bandeirantes

261224223304.jpgSabe aquela sensação de quando você vai para uma balada muito ruim, enche a cara para esquecer que já se deu mau ali e vai embora bêbado, e só depois que você tá em casa é que fica sabendo que a festa pegou fogo e ficou ótima?
É a sensação que tenho agora com essa batalha. O comando de greve falhou ao não conseguir impedir o confronto. Quem achou que a PM conseguiria impedir os policiais civis de fazerem piquete não conhece a categoria. Fato lamentável é ver o GOE avançando com a viatura sobre o paredão do CHOQUE.

Se queriam humilhar os policias militares, era só colocar no carro de som a música da piriquita e o mambo que tanto gostam.

outubro 10, 2008

Durante a greve, DEIC prende Gansopol

Será verdade que o paulista acredita em historinhas como essa? O pobre do ganso foi preso porque estava fazendo o que sempre fez, o que sempre lhe permitiram fazer. Alguém se perguntou o quê diabos uma viatura estava fazendo toda a noite no estacionamento de um hotel "limpa e com tanque cheio" ?? O fato de terem rejeitado o Alckimim não é motivo suficiente para a redenção. E no mais, continua a queda da polícia civil, sedimentando nosso projeto de "coisas que devemos esquecer para o Brasil crescer".

"Preso falso policial que furtava viatura do Deic em SP
Estudante de Direito usaria carro do Deic durante a madrugada para levar vantagens em bares e boates - Jornal O Estado de São paulo, em 10/10/2008.

SÃO PAULO - O mistério que envolvia uma Blazer do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) foi desvendado às 5 horas de domingo, dia das eleições. Deixada à noite limpa e com tanque cheio em um estacionamento pelos investigadores do departamento, ela aparecia suja e quase sem combustível quando os policiais iam apanhá-la de manhã. O responsável pela mudança era um estudante de Direito que tinha distintivo, algema e uma pistola calibre 45 de policial. Faltava a viatura, que ele apanhava à noite e devolvia antes de amanhecer. A polícia desconfia que o estudante se passava por policial para fazer achaques ou obter vantagens com "carteiradas" em bares e boates. "O rapaz tem vontade de ser policial, mas não passa no concurso e faz isso", disse o delegado Marcos Manfrim, do Deic.

Quando perceberam que algo de estranho acontecia com a Blazer, os policiais da Delegacia de Roubos do Deic resolveram instalar no carro um rastreador. Eles deixavam o carro no estacionamento de um hotel na Avenida Zaki Narchi, perto do departamento, e apanhavam a viatura de manhã. Por volta das 23 horas de sábado, o rastreador mostrou que a Blazer estava em movimento.

Os policiais foram ao hotel e ficaram esperando. Às 5 horas do dia seguinte, o estudante de Direito Emerson Ernande Domingos Ruvenal, de 30 anos, apareceu com a viatura. Depois de desligar o carro e fechar a porta, o estudante foi preso. Com ele foram achados um distintivo e um colete da Polícia Civil, além de algemas e uma pistola calibre 45. A arma foi roubada há um ano de um investigador do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), que afirmou na época ter sido assaltado por dois ladrões com capacetes de motociclistas na saída de um caixa eletrônico. Os policiais do Deic investigam se Ruvenal seria informante de algum policial.

Autuado em flagrante sob as acusações de furto, porte ilegal de arma e usurpação de função pública, o estudante se recusou a depor. Na última noite em que deu uma volta com a viatura do Deic, o estudante rodou 60 quilômetros. Ele usava uma chave falsa para abrir o carro e dar a partida.

Não foi a primeira vez que Ruvenal foi preso se passando por policial. Em 2006, foi detido na Vila Rica, na zona leste. Na época, ele tinha até cartão para abastecer o carro - uma viatura dublê - nos postos de gasolina da polícia."

outubro 4, 2008

Inspetor de quarteirão/Ganso - vegonha alheia

listei aqui algumas coisas que teríamos que esquecer, caso quiséssemos nos tornar um país respeitável.

Quero incluir agora uma profissão antiga, que por sua própria natureza envergonha-nos até hoje pela desconexão com princípios básicos da democracia e república: o inspetor de quarteirão.

Hoje em dia a policia paulista precisa de uma figura denominada "ganso". Ele é um pouco diferente do informante, porque normalmente faz serviços junto com o policial. Anda armado, de viatura, faz plantão. Oficialmente ele não existe. Não há registros de sua passagem nos autos. E caso o contribuinte o veja dentro de uma delegacia, não saberá diferenciá-lo do policial. Normalmente ele é remunerado com a arrecadação das investigações. Faz o serviço de infiltração no meio criminoso, porque nenhum policial é idiota o bastante para se arriscar a isso recebendo o salário pago pelo estado. Apesar de ser muito mal visto pelos bons policiais, ele é uma persona necessária.

Ligo suas origens à curiosa pessoa do título. O inspector de quarteirão fazia as vezes de policia na rua, apesar de não ser remunerado. Regulamentado pelo Decreto 6.746, de 16 de setembro de 1975, outra obra prima do legado normativo do estado ditatorial, o dito cujo podia, de acordo com o artigo 3º do dispositivo:

"I - informar a autoridade policial sobre as contravenções e delitos de que tiverem conhecimento, bem como a existência ou permanência de contraventores ou criminosos na sua área de atuação;

II - conter as pessoas embriagadas ou turbulentas que, por palavras ou ações, ofendam a tranqüilidade e o decoro públicos;

III - diligenciar para a prevenção dos crimes e contravenções;

IV - elaborar o cadastro de seu quarteirão e informar à autoridade as alterações julgadas necessárias."

Em tempos de polícia comunitária, essa legislação soa como ridícula. Era o reconhecimento estatal do ganso, que vigiava a população e ostentava uma funcional. Consolidou a estigmatização de Raimundo Faoro, no qual a coisa pública no Brasil é tomada pelos administradores como se fossem particulares. Os cargos públicos são tão vinculados a seus servidores, que ultrapassam o mero interesse público. O inspetor de quarteirão era indicado pelo delegado do município (como ainda é feito hoje com todos os cargos na polícia civil), conseguindo assim o prestígio político junto a comunidade. A lei, apesar de não ter sido claramente revogada, não foi recepcionada pela CF-88, servindo apenas de documento histórico da formação moral da administração pública.

Desta forma, este é outro ítem que deve ser extirpado de nossos anais, entrando para nossa sessão VERGONHA ALHEIA.

Roberto Conde Guerra

flit.pngEsse é o delegado mais interessante que já conheci. E conhecer na concepção nerd do termo. Ele foi o responsável pela melhor revolução já existentes dentro da polícia civil paulista. Com seu blog, o Flit Paralisante, conseguiu fazer nascer em um grande número de policiais a vontade de falar e expôr o que viam de errado na instituição. Corajoso e sem papas na língua, soldado que nasceu com a guerra no nome, desafiou o governo e a alta cúpula de comissionados da polícia paulista, arrancando manifestações de apoio daqueles policiais que não fazem parte do apadrinhamento que trás o sucesso na carreira.

O Flit Paralisante é um modelo anarquista de compartilhamento de informações. É o melhor da blogosfera policial, porque não tem a mínima intenção de ser sucesso. Cada linha ali é a expressão intensa de um policial sufocado pelo sistema de segurança pública patética que o governo do estado insiste em manter, para fazer da investigação criminal a melhor ferramenta de manutenção do poder. Ouvem-se os gritos da loucura de um homem digno, que não tem lugar nas cadeiras corruptas da polícia paulista. Polícia essa que não acha estranho vender a moral e a ética por um lugar agradável em algum departamento. É o delegado modelo que nossa sociedade precisa.

Torço para que consiga superar essa etapa que se avizinha. Vítima de um processo administrativo de cartas marcadas, corre o risco de sair da instituição, por questionar as diretrizes políticas da polícia. É essa nossa melhor manifestação de estado de direito? Qual o comprometimento dessa polícia com a democracia?? Alguém duvida que sua possível demissão será revertida no judiciário, onde a chance de contraditório e defesa é maior?

Enfim. Talvez seja o começo do fim do que se conheça por polícia judiciária paulista.

outubro 2, 2008

Senhas pra todo mundo da lojinha

Eu me espantei aqui quando percebi que o tiozão que votou no governador não sabia como andava sua polícia. Confesso que fiquei mais assustado quando vejo a greve da Polícia Civil caminhando tão bonita. Mas agora vem a público a confirmação de que seu telefone pode estar sendo vigiado sem nenhum trâmite judicial. E o tiozão com isso? Tá mais preocupado com o destino da Donatella.