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por Roger Franchini

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29set2008

São Paulo pra quem?

Alguém ontem ecoou a quintessência de São Paulo. É cidade dormitório de sonhos. Todos daqui são passageiros, que vieram de um interior tranquilo e esperam voltar pra algum lugar feliz. Nesse meio tempo são castigados com a maldição do trabalho. Porque trabalho é castigo, e São Paulo é seu sinônimo mais intenso.

A menina classe média da vila madalena passa pela marginal e vê a favela "que vida triste, meu Deus" - ela diz. Segue o caminhando. Tudo aqui aguarda algo melhor. As amizades são por conveniência. Eu deveria falar mais da polícia, mas sinceramente, o paulistano tem a polícia que merece.

Quando era moleque sonhei que havia morrido e sido mandado para o inferno. Um lugar com prédios altos, de ruas cheias de gente estranha andando sem rumo, e eu só podia dormir na rua. Eu não sabia onde ficava a rodoviária.

Cansado de gente sem coragem de compromisso, na defensiva para manter o lugar na baia mais perto da janela... já até pensei em ser sincero. Aqui não se ama. Se tolera.

O rapaz no topo do morro olha a moça de óculos escuros passando de carro na marginal: "caralho, que peitão!"

Comentários

Talvez a coisa esteja tão excessiva hoje em dia que nem o Tom Zé faria "São São Paulo, meu amor".

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