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07ago2008
Flora intestinal
Há muito tempo não via tantos comentários sobre uma novela. Até então eu nem sabia o nome da história. Para mim novelas se dividem em: (i) de imigrante italiano; (ii) de cidade grande; (iii) cotidiano nordestino ou (iv) o dia a dia de um caipira. Na terça à noite, no twitter, a Rosana Herman vibrava com uma tal de Flora, pontuando minuto a minuto a variação do Ibope, que foi de 51.3 à 24, quando começou o Caceta e Planeta. E o Doni esbravejava "eu sabia, eu sabia!". Hoje, no metrô, as mulheres ainda duvidavam do caráter da Donabela (Donatela?). Afinal, quem diabos é essa Flora?
Pois bem, diligente que sou, descobri que houve um plot point na trama da actual novela das oito da rede globo, e quem era o bonzinho acabou virando o mau.
Seria uma mudança nos ares, já antecipando palestra que o David Lynch daria para os Autores da Rede Globo? Não me lembro de uma mudança tão brusca na engessada teledramaturgia nacional, desde a "Anastácia, a mulher sem destino", de 1.967, quando a Janete Clair, não satisfeita com o resultado da audiência, meteu um terremoto no Brasil escravocrata do século XVII, e trocou personagens e trama. Também houve uma explosão no shopping de Torre de Babel, de 1.999, mas isso é coisa que se vê todo dia.
Resolvi prestar atenção na história de ontem. A Patrícia Pillar (o Ciro Gomes se deu mal) segurava uma arma de chassi preto e ferrolho prateado (o diretor de arte da Globo precisa estudar mais sobre balística, e ver que isso é coisa de bandido cafona que nunca atirou na vida), e matou o Walmor Chagas, já sem pescoço. Aí a CláudiaRraia saiu andando por uma São Paulo úmida. Depois a assassina sentou-se em uma mesa de restaurante com outro bandido e um velho (o qual era a cara do Pingüim do Batman).
"Como foi o espetáculo?
-Ótimo. A platéia adorou, e a crítica também ficou feliz.
- O senhor também estava assistindo ao show?
- Sim, eu estava."
E segue a Débora Seco pelada de costas, com uma calcinha mordendo a bunda, e arranhando as costas de uma bicha, para fazer o pai dele pensar que era homem. Pior foi a cena seguinte, em que a Juliana Paes estava de roupa.
Parei de fumar numa péssima hora.




