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01mai2008
O Caso Isabella e o 9º DP do DECAP
Para que se entenda a bagunça do caso Isabella, é bom entender como funciona a polícia civil de São Paulo. O quadro aí em baixo nos ajudará. Ele é a hierarquia política que funciona dentro da instituição:

Ele foi construído para o breve leitor compreender quais as pressões que se fizeram sobre a cabeça dos delegados responsáveis pelo inquérito deste caso, no 9º DP. Primeiro compreenda o que é um departamento de polícia. O DHPP, o DENARC, entre outros, fazem parte dessa denominação. São órgãos que gerenciam grandes valores e influencia política, já que são responsáveis por trabalhos específicos.
Ao contrário do DECAP - DEPARTAMENTO DE POLÍCIA JUDICIÁRIA DA CAPITAL - que é o órgão de polícia civil responsável pela administração de todos os distritos policiais da capital do estado.
E cada um destes departamentos estão sob a influência política do grupo que colocou seus diretores administrativos na liderança. Assim, quem é funcionário do DHPP precisa, necessáriamente, estar nas graças do direitor daquele departamento. Não importa se é um bom funcionário ou não, o que importa, para ser um investigador, delegado ou escrivão de delegacias especializadas, é seu grau de influência interna.
Tradicionalmente o DECAP é tratado como um departamento de rescaldo. Além disso, seus funcionários não tem as mesmas chances de promoção dentro da carreira como os de departamento, e suas férias são restritas. Ele tem os piores horários de trabalho, e a pior qualidade de ambientação, pois trabalha-se diretamente com o público.E público de polícia não é nada agradável. Ou é o bandido, ou a vítima chata.
Por isso, quem trabalha em distritos são os funcionários que não conseguiram se alocar em posições melhores dentro da instituição. Ou aqueles que foram expulsos dos departamentos e caíram no ostracismo da vala comum, longe dos privilégios que um departamento pode oferecer, como trabalhar dois dias por semana, ou acesso a valores inimagináveis.
O DECAP, portanto, é o castigo da polícia civil. Estranhamente, pois é o único departamento que trabalha diretamente com o cidadão no dia a dia. Todos querem sair do DECAP, cujo diretor é o delegado Aldo Galeano.
O DECAP dividiu suas delegacias em outros órgãos menores, chamados seccionais de polícia. O nosso 9º DP pertence à 4ª seccional, norte, cuja diretora é a delegada Elisabete Sato.
Todos aqueles que estão em departamentos anseiam ficar o máximo possível em suas cadeiras. Mas para isso, não basta apenas ser um bom profissional. Acima de tudo, o policial não deve desagradar a seus superiores. Ou rezar para que o status quo político que o colocou alí não se defaça. Para manterem-se fortes o suficiente, e escolherem em quais departamentos poderão trabalhar, apela-se a tudo. Até à irresponsabilidade com a liberdade de pessoas que não se pode comprovar que tiveram participação em algum crime. Voltemos ao 9º DP.
Por se tratar de um caso de homicídio, tecnicamente o inquérito deveria ter sido enviado para alguma equipe do DHPP, especializado no assunto. Entretanto, como vimos, isso não ocorreu. Houve uma briga ferrenha na cúpula da polícia civil para se resolver com quem ficaria as investigações. Um bom resultado neste caso, traria prestígio e força para tomar decisões. Foi pensando nessa hipótese que os delgados diretores do DECAP e da 4ª seccional fizeram das tripas coração para deixarem o IP onde estava. Imaginavam que, assim, demonstrariam o quanto eram capazes de administrar um órgão policial.
Mas se esqueceram que os DPs de São Paulo não funcionam. Todos que já precisaram registrar um boletim de ocorrência sabe o que quero dizer. Ninguém sai de lá em menos do que 2 horas de espera. (O delegado geral até já se pronunciou, dizendo que o permitido para a espera eram 30 minutos, mas acho que ele nunca colocou os pés dentro de uma delegacia de polícia para saber como aquilo funciona)
E tanto que brigou, que as investigações ficaram onde estavam. Decretada sigilosa pela delegada responsável, diariamente víamos as páginas do IP vazando na mídia. Algum funcionário deve ter levado uma grana considerável para que estas peças do inquérito fossem parar nas mãos de jornalistas. Mesmo assim, não se soube que a corregedoria abriu qualquer tipo de procedimento para responsabilizar a incompetência da delegada por não conseguir deixar as investigações sobre segredo. E pior, soubemos por meio da rede globo que foram feitas perguntas às testemunhas baseadas em fantasias subjetivas, do tipo que faria Torquemada parecer um homem doce e meigo. Manchas amarelas viraram vômito, nas palavras dos inquisidores. Soma-se a isso a surpresa da descoberta de um ministério público míope, que corrobora abusos institucionais.
Todo mundo quer matar os pais. Não sei quem fez essa barbaridade com a criança. Gostaria muito de saber. Mas isso não pode passar por cima da garantia de não ser preso sem prova alguma de se ter cometido um crime. Achar não é suficiente. Se assim o fosse, não precisaríamos de um sistema judiciário. Bastaria a mídia para decidir quem deveria ser preso.

Comentários
O caso em epígrare, na verdade começou a ser tratado com imenso estrelismo pelos responsáveis pela apuração, que no curso das investigações foram se vendo em dificuldades, até mesmo a defesa tendo em vista o caráter de comoção que foi dado ao caso pela imprensa, que considero como o "advogado de Deus e do Diabo ao mesmo tempo", (que Deus me perdoe pelo uso indevido de seu nome). O que se viu no início foi um verdadeiro "circo mal armado". Quem paga o "pato" são aqueles que realmente "amavam" a "pequena". O ato praticado, foi de estrema maldade, e se fosse nos tempos da "ditadura", uma confissão já existiria, fosse ela verídica ou não. E agora José??????
Por Ademar | 07/mai/2008 10:55