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28jan2008
Polícia pensante
Com o advento das novas tecnologias de comunicação, que possibilita qualquer pessoa a escrever e propagar suas idéias, a polícia tem um pepino nas mãos: o que fazer com esses inúmeros policiais que resolveram escrever sobre suas vidas???
A Blogsfera policial (ou "Blogosfera, como alguns preferem) tem aumentado a cada dia, o que significa que está ficando cada vez mais difícil para os governos estaduais se eximirem de suas responsabilidades com o silêncio.
Mas isso também tem feito vítimas. O delegado de São Paulo, Roberto Guerra, editor do blog Flit Paralisante já bastante citado aqui, foi alvo da corregedoria quando resolveu denunciar na internet a máfia policial das maquininhas caça-níqueis. Foi removido compulsoriamente para o outro lado do estado. Em poucos meses, a PM confirmaria suas denúncias, com o episódio do advogado preso com uma lista de policiais beneficiados pelos bingos.
O mais recente policial a ser alvo da censura da administração pública foi o coronel da PM do Rio de Janeiro, Paulo Ricardo Paúl, que em seu blog homônimo, cometeu um ato falho e comentou o quanto os bicos feitos por policiais são desgastantes.
Mexeu com a sagrada hipocrisia brasileira. É público e notório que a maioria dos policiais tem um segundo emprego para poder pagar suas contas (e muitas vezes comprar seus equipamentos ou mesmo pagar seu transporte até as delegacias)
Em São Paulo, o auxílio transporte dado pelo governo é de R$ 50,49, o que só funciona para quem é adotado por algum bispo da polícia e por isso trabalha perto da sua casa, mas mesmo assim, ninguém pode ousar lembrar que existe o famigerado "bico". Ele é tolerado, desde que você não deixe isso público para fora dos quadros policiais. Interna corporis, é aceito, divulgado e apoiado, já que é uma maneira de se manter os policiais calados e longe de reinvidicações sindicais.
A polícia brasileira só existe porque existe, desde que foi criada, o silêncio e a omissão de seus policiais. O modelo de investigação que adotamos não funciona mais. A figura do Inquérito, como procedimento cópia mal feito de processo judicial, é atrasada e inútil, diante de um mundo ágil e interdisciplinar. Manter o delegado como autoridade da verdade criminal é negar a celeridade e menosprezar os demais funcionários, quem realmente detém o controle e as decisões sobre as investigações. É tudo tão óbvio, tão claro... e quando alguém evidencia de maneira tão abrupta, como o coronel e o delegado acima, o governo treme... não estão preparados para mudanças tão repentinas.
Pensar dentro da polícia civil é analisar o estado caótico das coisas. E quando se percebe isso, vê-se que o grande responsável é a administração. O policial, quando ingressou, já encontrou essa estrutura assim. Ele não criou nada. Ele é profissional, como você. Não existe a figura do homem vocacionado. Isso é conversa mole para calar a boca daqueles que estão insatisfeitos com o regime burro que autoritário vigente. É um emprego, como qualquer outro. Emprego que merece dedicação e, quando se tem respaldo, acaba se apaixonando por ele.
Afinal, a homicídios, e entorpecentes, o GOE, o DEIC, e a própria corregedoria, todos são feitos de policiais civis e tiveram o mesmo treinamento. Muitos vão trabalhar de carro importado e tem um segundo emprego depois do expediente (seguranças de luxo, olheiro de loja, e até mesmo exercendo a advocacia, deixando que um advogado fora dos quadros policiais assinem a peça por eles) amplamente divulgado na mídia. Poucos são os investigados. Qual o critério usado para se saber quem merece sofre punição?
Depende do grau de influencia política do policial junto a administração.








Comentários
As vezes penso que entendo a “luta” destes homens, mas no fundo sou apenas uma espectadora intrometida nesses assuntos. Que lê buscando respostas para tantas perguntas, as vezes as respostas são tão obvias que é difícil de acreditar nelas.
O que eles buscam afinal? Compartilhar suas experiências de vida? Descarregar em desabafos o cansaço da profissão que exercem? Preitear melhores condições de trabalho? Mudar um governo? Um país? As pessoas como eu?
Talvez as respostas sejam todas essas perguntas em condições de afirmação.
Somente observo, quem esta de “fora” costuma ver melhor a situação ou, simplesmente, não entende nada do que se passa.
Por Carol | 29/jan/2008 13:42
Faltou falar do seu próprio caso com censura.
Foi proposital?
Por Alexandre de Sousa | 29/jan/2008 15:28
Carol eu falo por mim: destruir a barreira entre o profissionalismo e os vencimentos dignos.
A barreira denomina-se corrupção institucionalizada; na forma de pirâmide invertida.
E não adianta colocar a culpa no governo, hoje tivemos mais um grande exemplo de um "corregedor" , por muitos anos, como ator principal de outro escândalo: ternos superfaturados.
Por roberto conde guerra | 30/jan/2008 00:56
Guerra:
Eu também creio que a profissionalização da polícia é a única saída para não deixar de existir. Acabar com o clientelismo que ainda existe em todos os setores e essa legislação que permite abusos por parte dos delegados.
O governo é culpado, sim, porque é coivente com essas pessoas. Sabemos quem são os lixos da coorporação, mas os únicos com capacidade e legimitimada para extirpá-lo estão nos altos cargos do executivo.
Se não tivesse o rabo tão preso com as falcatruas da polícia civil, o governo poderia fazer o que toda instituição de bem já deveria ter feito: extirpado todos aqueles que se sentem donos da polícia civil paulista.
Por Roger | 30/jan/2008 09:13
Alexandre:
Minha memória fez questão de esquecer coisas abusrdas e surreais como aquele episódio. Há um branco na minha mente, rsrs...
Brincadeiras à parte, não coloquei para não ligar o blog àquele episódio. To juntando material para escrever um livro sobre tudo o que se passou, sem parecer ficção, como as coisas do cultcoolfreak.
Por Roger | 30/jan/2008 09:18
Guerra:
Se a barreira denomina-se corrupção institucionalizada, vai ser difícil de destrui-la, afinal ela é maior que a muralha da china.
Este só é mais um escândalo que vem à tona, quantos mais devem existir longe dos nossos olhos? Eles são como fantasmas que não podemos ver, os que podem ver não falam, pois temem serem tratados como loucos. Apesar de que alguns não estão mais se importando em serem mandados para um manicômio, talvez porque não exista castigo pior que a segurança publica com tanta corrupção.
Por Carol | 30/jan/2008 11:38
Acompanhando de perto os assuntos pertinentes a PMERJ enquanto aguardo meu resultado do concurso 2008, venho parabenizar pela qualidade dos textos produzidos!!! Vocês não imaginam o quanto ajudam o aspirante à vaga da PMERJ a tomar sua decisão!!! Na expectativa de que o governo olhe com melhores olhos pela Policia Militar aguardo minha convocação!!!!! Parabens a todos os blogueiros!!!
Por Rodrigo Viana | 11/mar/2009 15:01