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12mai2005

Ainda voarei.

Ainda voarei, tal qual ver por através de paredes para ver as meninas no banheiro. Sempre quis dormir 23 horas initerruptas e acordar sem culpa ou dores nas costas. Morrer só pra saber antes de todo mundo para onde vai a luz quando o escuro aparece.

Vejam vocês: preciso escrever uma monografia além de 70 páginas até outubro sobre tributação de fomento à industria audiovisual brasileira. Não acredito que exista indústria, fomento, audiovisual e Brasil. Meu orientador está satisfeito com minha maneira impassivel de escrever. Afinal, um ministro do Tribunal de Justiça de São Paulo deve ter coisas mais interessantes para ler à um punhado de linhas impregnadas de romantismo e sonhos.

Eu deveria ler mais coisas obscuras, sem perder a obssesão pelas palavras reluzentes e parnasianas. A ambição que me ajudou a apanhar tijolinhos pelo caminho é a mesma que uso para destruir o pouco que construo. Sempre quis viver 5000 anos para conduzir a humanidade ao um sintetizar de unidades em totalidades organizadas. Voar, manja? - (preciso ver mais a Olivia apertar os olhinhos olhando para o lado enquanto morde o canto dos labios, numa infinita definição de sossego). Há dias do mês em que acordo equinóide. Entre os dia 10 e 15.

Serei mudo um dia. Calarei aos poucos para não chamar demasiada atenção daqueles que percebem minha voz no cotidiano. Julio Bressane me mostrava seu "São Jerônimo", um absurdo de plasticidade. Cheio de perguntas entaladas, suspirei a ele como conseguia fazer-se entender pela equipe responsável pela realização de suas obras. Não imaginava como conseguia se explicar ao fotógrafo, ao captador de som, ao homem do boom, editor, enfim, aquela tropa de anônimos que esperam ansiosamente as orientaçào do diretor para poderem trabalhar em seus ofícios também mudo:

- Quer saber mesmo saber? O silêncio. O silêncio é o melhor do relacionamento. Só no silêncio nós somos realmente humanos. Esqueça esse negócio de linguistica e linguagem. Todo relacionamento só depende disso, compreensão mútua no silêncio.

Ele precisava dizer isso. E eu ouvir.

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