Cultcoolfreak

Ponto Quarenta
por Roger Franchini

Já à venda


São Paulo - Brasil

Assine o feed

Ou digite aqui seu e-mail para receber as atualizações do Blog:

Fale conosco


Social


Últimos posts

Reincidência
Abaixo-assinado contra a lei da mordaça na PCSP
A sorte da sociedade são os bandidos
Morte civil
Novamente, o judiciário cala blog policial
Corregedoria investiga 800 dos 3.313 delegados da PCSP
Lei antifumo de São Paulo é suspensa
funcionou?
DELERRUPTO
Nota de Repúdio à UNIBAN (Universidade Bandeirantes)

Arquivo

março 2010
janeiro 2010
novembro 2009
outubro 2009
agosto 2009

Arquivos mais antigos.

Recomendações

Desumano
Olivia Maia

Operação P2
Olivia Maia

Meias vermelhas & histórias inteiras
Marcos Donizetti

Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone
Branco Leone

« Todas as vezes que volto | Principal | Técnicas de entrevista e interrogatório. »

23abr2005

O nascimento de uma nação.

Não acreditava que ele pudesse ser realizado. Definitivamente, sete anos de produção, entre falta de grana, descrédito por parte de patrocinadores, falta de capacitação técnica dos operadores, enfim, tudo parece que começou a andar. Na verdade, já havia abandonado esse filme há pelo menos quatro anos. Eu filmara, no início, após ler uma carta da Olivia (então com treze anos), em super 8, porque era barato e um camarada da faculdade tinha o estudio de revelação.

Captei cerca de 7 horas nessa midia, mas tudo em vão. Guilherme, o dono do estudio, morreu numa bad trip em São Carlos, junto morreu seu estudio. Primeira derrota. Continuei com o digital, mais barato. Perdi meu iluminador num acidente de carro em Ribeirão Preto e meu editor foi preso por corrupção de menores. Consegui juntar mais quatro horas de gravação, e não tinha dinheiro pra edição.

Com o meu salário, era o suficiente para bancar as despesas pequenas do dia durante as gravações (comida, bebida e tal). Somava-se a relação ódio/amor/tsão que comecei a sentir pela Olivia, que a essa altura ja estava com seus 18 anos. Depois que ela largou do namorado, começamos a repensar o roteiro, e acabamos por defini-lo, o que entusiasmou toda a equipe (leia-se eu, olivia e ulisses, o dono do adobe premier).

Depois de uma noite de porre e desanimo, conversando com uma amiga no MSN, amiga esta da Dinamarca, contei toda a historia do filme a ela via audio, com toda a retórica que aprendi na faculdade de Direito. Ela gostou, e disse que iria falar com uns amigos sobre isso. Eu deitei e dormi.

Quinze dias depois recebo um telefonema de um homem na Delegacia com um inglês péssimo, pior que o meu. Dizia ser sócio da Zootrope, produtora dinamarquesa, e estaria interessado no meu projeto. Obviamente, achei ser piada de algum amigo insensivel com minha condição de cineasta atormentado. Só comecei a levar a sério quando, no meu MSN, apareceu uma sala de reunião com tres homens, um deles ninguem menos que Lars Von Trier. Queriam que eu mandasse o roteiro e o que eu ja tinha filmado. Pagaram até o fedex dos CDs.

Um mes depois, desembarco em Copenhague, escolho equipe e volto para o Brazil para acabar de filmar, agora em super-35, o que restou de minha historia. O resto é isso que vocês estão vendo. Ainda não me dei conta do absurdo que é isso tudo. Tive até que arrumar uma secretaria para ficar controlando meus horarios. Meu delegado ja avisou que vai abrir outra sindicancia contra mim se continuar recebendo ligações de L.A.

E eu só quero dormir. O que mais queria agora.

22:10 || Contos || livro || policia

Escreva seu comentário

As opinões manifestadas nos comentários são de responsabilidade de seus autores. Sua mensagem pode demorar alguns minutos para ir ao ar



*Obrigatórios

Digite o código:


Type the characters you see in the picture above.