Cultcoolfreak


São Paulo - Brasil

Assine o feed

Ou digite aqui seu e-mail para receber as atualizações do Blog:

Fale conosco


Este Blog faz parte do projeto



Leia no volume máximo


Posts anteriores

Inspetor de quarteirão/Ganso - vegonha alheia
Roberto Conde Guerra
Senhas pra todo mundo da lojinha
São Paulo pra quem?
Final de um domingo em 1981
Lula diz: é preciso ser macho para ser gay
Governo amuado com a greve da policia civil
Ensaio sobre a cegueira
Transporte alternativo para São Paulo
Coming Soon

Arquivo

outubro 2008
setembro 2008
agosto 2008
julho 2008
junho 2008
maio 2008
março 2008

Arquivos mais antigos.

Paro pra ver

Verbeat Blogs

A Day in the Life
Ao mirante, Nelson!
A vida moderna de Jaspion
Brito
Café Com Cana
Caipirinha com Lima
Chips e Chops
El Tiagón!
Fogo nas Entranhas
Forsit
Hedonismos

Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Human Rights Watch

Global Voices Advocacy


Recomendo:

Desumano
Olivia Maia

Operação P2
Olivia Maia

Meias vermelhas & histórias inteiras
Marcos Donizetti

Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone
Branco Leone






04out2008

Inspetor de quarteirão/Ganso - vegonha alheia

listei aqui algumas coisas que teríamos que esquecer, caso quiséssemos nos tornar um país respeitável.

Quero incluir agora uma profissão antiga, que por sua própria natureza envergonha-nos até hoje pela desconexão com princípios básicos da democracia e república: o inspetor de quarteirão.

Hoje em dia a policia paulista precisa de uma figura denominada "ganso". Ele é um pouco diferente do informante, porque normalmente faz serviços junto com o policial. Anda armado, de viatura, faz plantão. Oficialmente ele não existe. Não há registros de sua passagem nos autos. E caso o contribuinte o veja dentro de uma delegacia, não saberá diferenciá-lo do policial. Normalmente ele é remunerado com a arrecadação das investigações. Faz o serviço de infiltração no meio criminoso, porque nenhum policial é idiota o bastante para se arriscar a isso recebendo o salário pago pelo estado. Apesar de ser muito mal visto pelos bons policiais, ele é uma persona necessária.

Ligo suas origens à curiosa pessoa do título. O inspector de quarteirão fazia as vezes de policia na rua, apesar de não ser remunerado. Regulamentado pelo Decreto 6.746, de 16 de setembro de 1975, outra obra prima do legado normativo do estado ditatorial, o dito cujo podia, de acordo com o artigo 3º do dispositivo:

"I - informar a autoridade policial sobre as contravenções e delitos de que tiverem conhecimento, bem como a existência ou permanência de contraventores ou criminosos na sua área de atuação;

II - conter as pessoas embriagadas ou turbulentas que, por palavras ou ações, ofendam a tranqüilidade e o decoro públicos;

III - diligenciar para a prevenção dos crimes e contravenções;

IV - elaborar o cadastro de seu quarteirão e informar à autoridade as alterações julgadas necessárias."

Em tempos de polícia comunitária, essa legislação soa como ridícula. Era o reconhecimento estatal do ganso, que vigiava a população e ostentava uma funcional. Consolidou a estigmatização de Raimundo Faoro, no qual a coisa pública no Brasil é tomada pelos administradores como se fossem particulares. Os cargos públicos são tão vinculados a seus servidores, que ultrapassam o mero interesse público. O inspetor de quarteirão era indicado pelo delegado do município (como ainda é feito hoje com todos os cargos na polícia civil), conseguindo assim o prestígio político junto a comunidade. A lei, apesar de não ter sido claramente revogada, não foi recepcionada pela CF-88, servindo apenas de documento histórico da formação moral da administração pública.

Desta forma, este é outro ítem que deve ser extirpado de nossos anais, entrando para nossa sessão VERGONHA ALHEIA.

Roberto Conde Guerra

flit.pngEsse é o delegado mais interessante que já conheci. E conhecer na concepção nerd do termo. Ele foi o responsável pela melhor revolução já existentes dentro da polícia civil paulista. Com seu blog, o Flit Paralisante, conseguiu fazer nascer em um grande número de policiais a vontade de falar e expôr o que viam de errado na instituição. Corajoso e sem papas na língua, soldado que nasceu com a guerra no nome, desafiou o governo e a alta cúpula de comissionados da polícia paulista, arrancando manifestações de apoio daqueles policiais que não fazem parte do apadrinhamento que trás o sucesso na carreira.

O Flit Paralisante é um modelo anarquista de compartilhamento de informações. É o melhor da blogosfera policial, porque não tem a mínima intenção de ser sucesso. Cada linha ali é a expressão intensa de um policial sufocado pelo sistema de segurança pública patética que o governo do estado insiste em manter, para fazer da investigação criminal a melhor ferramenta de manutenção do poder. Ouvem-se os gritos da loucura de um homem digno, que não tem lugar nas cadeiras corruptas da polícia paulista. Polícia essa que não acha estranho vender a moral e a ética por um lugar agradável em algum departamento. É o delegado modelo que nossa sociedade precisa.

Torço para que consiga superar essa etapa que se avizinha. Vítima de um processo administrativo de cartas marcadas, corre o risco de sair da instituição, por questionar as diretrizes políticas da polícia. É essa nossa melhor manifestação de estado de direito? Qual o comprometimento dessa polícia com a democracia?? Alguém duvida que sua possível demissão será revertida no judiciário, onde a chance de contraditório e defesa é maior?

Enfim. Talvez seja o começo do fim do que se conheça por polícia judiciária paulista.

02out2008

Senhas pra todo mundo da lojinha

Eu me espantei aqui quando percebi que o tiozão que votou no governador não sabia como andava sua polícia. Confesso que fiquei mais assustado quando vejo a greve da Polícia Civil caminhando tão bonita. Mas agora vem a público a confirmação de que seu telefone pode estar sendo vigiado sem nenhum trâmite judicial. E o tiozão com isso? Tá mais preocupado com o destino da Donatella.

29set2008

São Paulo pra quem?

Alguém ontem ecoou a quintessência de São Paulo. É cidade dormitório de sonhos. Todos daqui são passageiros, que vieram de um interior tranquilo e esperam voltar pra algum lugar feliz. Nesse meio tempo são castigados com a maldição do trabalho. Porque trabalho é castigo, e São Paulo é seu sinônimo mais intenso.

A menina classe média da vila madalena passa pela marginal e vê a favela "que vida triste, meu Deus" - ela diz. Segue o caminhando. Tudo aqui aguarda algo melhor. As amizades são por conveniência. Eu deveria falar mais da polícia, mas sinceramente, o paulistano tem a polícia que merece.

Quando era moleque sonhei que havia morrido e sido mandado para o inferno. Um lugar com prédios altos, de ruas cheias de gente estranha andando sem rumo, e eu só podia dormir na rua. Eu não sabia onde ficava a rodoviária.

Cansado de gente sem coragem de compromisso, na defensiva para manter o lugar na baia mais perto da janela... já até pensei em ser sincero. Aqui não se ama. Se tolera.

O rapaz no topo do morro olha a moça de óculos escuros passando de carro na marginal: "caralho, que peitão!"

21set2008

Final de um domingo em 1981


(É só apertar o play)
20set2008

Lula diz: é preciso ser macho para ser gay

Foi no share do Doni que encontrei esse pronunciamento do presidente Lula. Numa breve síntese, ele disse que não se importava com o que o cara faz com o amigo dele, desde que ambos paguem seus impostos.

Com a popularidade que tem, o próprio presidente pode virar gay que ainda assim será reeleito.

Governo amuado com a greve da policia civil

A CUT entrou na parada, e ensinou a polícia a fazer greve de verdade. Agora o governo reage como de costume, ameaçando cortar ponto, concedendo aumento só para a PM e jogando-os contra os policiais civis. O mais recente golpe baixo foi oferecer ao MP as investigações criminais, como se os promotores tivessem estrutura para isso. Então peço à população que quiser registrar boletins de ocorrência em São Paulo que se dirijam ao fórum da barra funda, para efetuar o registro. Se isso for levado à sério, logos os promotores também entrarão em greve.

"Ministério Público de SP recebeu 139 boletins de ocorrência da PM, diz governo
fonte: Folha de São Paulo - 19/09/2008

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo informou que nesta sexta-feira foram encaminhados 139 boletins de ocorrência para o Ministério Público em todo o Estado de São Paulo.

O encaminhamento para os promotores públicos seguiu determinação do secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, para as ocorrências que fossem recusadas nas delegacias, devido à greve da Polícia Civil, deflagrada na terça-feira (16).

A medida foi recebida pelo comando de greve dos policiais civis como uma afronta a Constituição Federal por "desvirtuar" a função da PM, que é a de fazer "o patrulhamento ostensivo nas ruas e evitar que os crimes aconteçam".

O comando de greve da policia civil determinou à categoria para registrar ocorrências apenas casos considerados de emergência, como flagrantes de crimes ou remoção de cadáver. A orientação consta de uma cartilha elaborada pelo movimento grevista.

Nesta sexta-feira, Marzagão prometeu punir os policiais civis que aderirem a greve com desconto no salário dos dias não trabalhados. No caso dos boletins encaminhados ao Ministério Público, o secretário afirmou que será verificado se não houve crime de prevaricação por parte do funcionário público, no caso o policial civil.

Os números sobre a greve apresentados pelo governo do Estado e pelo comando grevista foram bastante divergentes. Segundo os representantes da categoria, a adesão neste quarto dia de greve chegou a 72% nas delegacias da capital. No interior, os grevistas afirmam que 49 das 52 seccionais (94%) participam do movimento.

Já segundo um balanço da SSP, a adesão na cidade de São Paulo foi de menos de 30% das delegacias. No interior do Estado, a paralisação é inferior a 40%."

14set2008

Ensaio sobre a cegueira

dentista.jpgPaguei R$ 18,00 para ver. Ultimamente, com a safra de filmes que tem aparecido, o cineminha tem ficado cada vez mais caro. Desta vez, por exemplo, doeu fundo no bolso para assistir. O Fernando Meirelles é um cara que sabe falar para grandes públicos com sensibilidade, sem cair na tentação do lugar comum. Coisa, por exemplo, que o Bruno Barreto ainda não conseguiu entender. Mas dessa ele vez não foi nada honesto. Como cineasta, comportou-se como um excelente publicitário de campanhas bacanas. Recomendo que volte para a favela. Se Saramago é chato dentro de seu universo católico de redenção por meio de um socialismo ideal, Meireles deveria ter ido além. Perdeu uma grande oportunidade de transformar um livro médio em um filme mundial.

Caiu na inverosimilhança apressada, por não conseguir conduzir a história para além da experimentação de uma narrativa fantástica, com fatos que não cabem na verdade, tampouco se adequam a liberdade poética. Sinceramente, já vi alunos da FAAP fazerem coisas menos pedantes do que isso.

Mas tem a Alice Braga, que cada vez mais tem lembrado a gostosa da tia Sônia, nos seus tempos áureos de homenageada mor da nação onanista.

13set2008

Transporte alternativo para São Paulo

O negócio pode ser calibrado para várias distâncias diferentes. Meu amigo Doni, por exemplo, não teria mais que se preocupar com os horários de ônibus para Embu. Em tempos de lei seca, seria uma saída interessante para aqueles que insistem em dirigir sobre efeito de entorpecentes. Fica a sugestão para que os prédios coloquem fitas adesivas gigantescas em suas paredes, para evitar que o catapultado quique e se esborrache no chão.

Coming Soon


Já falei para vocês que sou formalmente um criminoso político? A corregedoria da Polícia Civil de São Paulo está me processando por ter emitido opiniões que, segundo eles, denegriram a imagem da instituição, do governador e meus superiores. A delegada que preside processo tinha pedido o arquivamento de todo o procedimento, desde a sindicância. Mas o então diretor da corregedoria foi contra, e agora a mesma delegada que não viu qualquer infração na minha conduta, é obrigada a me processar por ordem de seu superior. Ou seja, para segurar a cadeira comissionada qualquer injustiça é aplicada.

Todos os artigos da lei orgânica da polícia paulista referentes à crimes de opinião não foram recepcionados pela constituição federal de 1988. Confira e veja se tenho razão:


"SEÇÃO II
Das Transgressões Disciplinares

Artigo 63 - São transgressões disciplinares:
XXII - divulgar ou proporcionar a divulgação, sem autorização da autoridade competente, através da imprensa escrita, falada ou televisada, de fato ocorrido na repartição.
XXIII - promover manifestação contra atos da administração ou movimentos de apreço ou desapreço a qualquer autoridade;
XXIV - referir-se de modo depreciativo as autoridades e a atos da administração pública, qualquer que seja o meio empregado para esse fim;"

Não custa falar que tal aberração jurídica foi outorgada em 1.979, e é fruto do regime ditatorial que ainda envergonha a todos, e que o secretário de segurança que impôs tal agressão ao artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos foi o nada saudoso coronel Antonio Erasmo Dias.

O absurdo do processo é tão kafkaniano que o Aldo Galiano Júnior, então delegado direitor do DECAP, caiu do posto por ter proibido os delegados de darem entrevistas, de acordo com esta noticia do jornal "O estado de São Paulo". Ou seja, ele, ao aplicar os artigos da Lei Organica, se deu mal.

Será que algum policia civil já foi processado nesses termos? É vergonhoso para um país saber que ainda há instituições que se utilizam da opressão e da força coercitiva de forma ilegítima para impôr suas diretrizes políticas, e contrária aos princípios republicanos de democracia. Afinal, analisando minhas palavras apenas com o liame jurídco, são todas atípicas. A perseguição é puramente de interesse político. O debate não se debruça sobre leis, mas sobre as diretrizes de manutenção de poder.

Mas e essa é a capa do livro aí em cima. Ela é a medida exata de todo o que sonhei para uma capa de livro. Foto minha, e arte final do nosso grande Tiagón, mestre em transformar palavras soltas em imagens fortes. Será no formato pocket, ao estilo dos livros de banca de jornal da Penguim. Barato, chulo e simples, como cabe aos romances policiais.

Deve sair no final de mês, se tudo der certo. Não esperem nada demais. É uma historinha boba, para agradar quem quer diversão. Sem experimentações estéticas ou coisa parecida. Mas o legal é que um monte de delegado é preso no final. Ops!

Confiram no lançamento.