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2010 + última enquete

Antes da opinião, a pergunta: que nota, de 1 a 10, você daria para essa Copa do Mundo?

Não entendo porque tanta gente tem dito que essa Copa foi uma porcaria. Não entendo, mas desconfio: o mau humor da desclassificação, a cara de mula surda do Parreira, a patrulha Global, o Galvão Bueno, o Zagallo fazendo conta etc. Evidentemente, esse tipo de poluição opiniática não se aplica a quem analisa o evento com um pouco mais de boa vontade. Nem o redime totalmente, no entanto.

ITA : FRA, 9 July 2006, Berlin, Germany / ZIDANE Zinedine (FRA), BUFFON Gianluigi (ITA) / Copyright: AFP / afp.comFazendo o caminho inverso: uma Copa que tem final inesperada é, pelo menos, uma boa Copa. Itália x França foi o verdadeiro demolidor de qualquer bolão (ao lado da pífia apresentação da Rep. Tcheca). A surpresa é ruim? De jeito nenhum. Sempre que os favoritos caem, o futebol vence; demonstra a força de sua própria natureza ilógica, ou melhor, prova sua lógica particular. A única maneira de o Brasil não ser o melhor time do mundo era jogando bola.

A média de gols, por pouco, não foi a mais baixa de todos os tempos. Isso é frustrante para qualquer espectador, e também o indicativo global do que se sabe até na Série C do Brasileirão: "não tem mais bobo no futebol". (Talvez a Sérvia, que tomou seis da Argentina, seja menos esperta). As defesas e os volantes, que foram o grande destaque do torneio, evidenciam o que pensam as seleções pelo mundo afora: para ganhar é preciso, primeiro, não perder. E nessa obviedade constatamos que, técnica e taticamente, os zagueiros estão passando por um momento melhor do que os atacantes. A vice-campeã, por exemplo, só tinha Henry na frente. Da Itália, que mesmo amontoando avantes em determinados (mas decisivos) instantes, jamais se poderá dizer que foi um time ofensivo. Portugal sofreu com a zarolhice de Pauleta. E a Alemanha, que contou com o artilheiro Klose e o bom futebol de Podolsky, foi justamente a seleção que mais agradou aos olhos. Contando-se que é um ataque de poloneses naturalizados, imaginamos o quanto o time poderia ser pior.

ITA : FRA, 9 July 2006, Berlin, Germany / THURAM Lilian (FRA), GALLAS William (FRA), TOTTI Francesco (ITA), MATERAZZI Marco (ITA), TONI Luca (ITA) / Copyright: AFP / afp.comMas se os gols foram poucos, a vibração da torcida foi muita. Tivemos grandes espetáculos, inclusive nos jogos do Brasil, onde a torcida adversária deu show. Croatas, alemães, ingleses e franceses cantaram e apoiaram seus times com todo pulmão, e talvez aí tenha sido representada, mesmo que de maneira enviesada, os torcedores da Celeste Olímpica, que outra vez não teve competência para estar na Copa.

A força da torcida apareceu inclusive em momentos de ira, que não foram poucos: os erros de arbitragem. Em que pese o futebol como um jogo "humano", e mesmo dando-se o desconto de que o árbitro não tem o recurso que o telespectador etc, não se pode admitir um juiz de Copa do Mundo dando três cartões amarelos para o mesmo jogador. Nem que permita a carniçaria ocorrida em Holanda x Portugal. Também houve pênaltis duvidosos, e outros ainda mais - o da Austrália sobre os futuros campeões, aos 48' do segundo, muito inexistente, talvez tenha sido o lance capital da Copa. Mas não se lamente demais por isso; em alguns momentos, camisa e tradição ganham o jogo. Isso é um fator já incluído na fórmula do esporte, e evitá-lo (como p. ex. replay de tv para o juiz) pode custar uma de suas características mais belas: a espontaneidade. Isso não significa, evidentemente, que se deva relaxar nessa questão. Não só os zagueiros, também os árbitros tem sido figuras mais importantes do que meias e atacantes. Profissionalizar é a saída?

ITA : FRA, 9 July 2006, Berlin, Germany / TOTTI Francesco (ITA), CAMORANESI Mauro (ITA), MATERAZZI Marco (ITA), CANNAVARO Fabio (ITA), TONI Luca (ITA) / Copyright: AFP / afp.comSentiu-se falta, ainda, do craque. Ele não apareceu nessa Copa, nem deu pistas de quem será em 2010. Zidane? Foi escolhido por pura falta de opção, e talvez porque pensassem ser melancólico demais eleger um defensor como destaque - no caso, Cannavaro, que foi muito mais jogador durante o torneio todo. Em sete jogos, Zidane fez uma exibição estupefaciente (todos sabemos qual), quando não foi marcado e pôde fazer o que quis e sabe. No último jogo da primeira fase, estava suspenso e se dizia que sua carreira poderia terminar ali mesmo, na vergonha de não ter sequer vencido a Suíça ou Togo. Recuperou-se com bravura e acabou sendo o destaque - mas nem pegar sua medalha de vice, pegou.

Foi uma Copa de alguns bons jogos, Argentina 6 x 0 Sérvia, Portugal 1 x 1 Inglaterra, Espanha 4 x 0 Ucrânia, Alemanha 1 x 1 Argentina. Teve o destaque Felipão, que contagiou o mundo, que fez o Brasil inteiro destilar inveja e chorar saudades. Teve aquele gol do Cambiasso. Teve balãozinho do Zizou. Teve o Maradona nas arquibancadas. Teve a sincera alegria alemã com o terceiro lugar. Teve muita porcaria, é verdade, inclusive uma cabeçada bisonha do escolhido craque do torneio, uma vergonha patética e estúpida diante de milhões de espectadores que ganha ares de heroísmo nessa leitura pós-Copa. Mas foi uma Copa do Mundo, e pra quem gosta de Copa do Mundo, tudo isso faz parte. Tudo é do jogo. E a gente fica torcendo pra começar de novo.

Então pra não exagerar demais, dou nota 8. Copa é Copa! Um abraço aos leitores e aos amigos que aqui escreveram, e até 2010!

~.~

O Verbütfussballblogue fica no ar até semana que vem, então dissolve-se no éter

Comments

Nota 6, porque sei lá, Copa do Mundo é um troço tão legal que já começa com 5 de média. Mas na falta de gols memoráveis a gente tem que pensar em antecipações, roubadas de bola e, sim, carrinhos memoráveis! Precisamos, talvez, desenvolver um olhar mais italiano sobre o ludopédio, e ver que um desses lances, se bem executados, demonstra uma noção de timing e precisão impressionantes. Depois que me dispus a ver as coisas assim foi que comecei a admirar profundamente o futebol do Cannavaro, a ponto de indicá-lo como craque da Copa, assim como tinha cá pra mim que o craque da Copa de 94 não foi Romário coisa nenhuma, mas Mauro Silva, o cara que não deixou ninguém atacar o Brasil.

Nota 5, só pra não ser (mais) chato. Como já foi dito, uns poucos jogos salvaram-se - o resto foi uma cavalar dose de sonífero.

Nota 4.
Pouquíssimos jogos memoráveis. As vezes pelas razões erradas. O zero a zero da ucrânia com a suíça por exemplo. Uma das piores partidas de todas as copas ever!

Eu também dou nota 8.
Ah, e foi bom participar aqui. Muito bom.

Nota 7.

Tudo bem, feche mas não delete. Deixe-o aí, como registro. Pode ser?

(Estupefaciente é bom, muito bom.)

(É mesmo! A República Checa...)

Tchau. Eu também curti!

Nota 5. Essa Copa vai ser lembrada como a Copa da cabeçada ridícula de Zidane, e só.

Nas copas anteriores, sempre surgiam novos ídolos, times aparecendo com estratégias diferentes, e pelo menos algum time que se impunha claramente como o melhor. 2006 foi um ano de seleções medíocres.

Também dou nota 8.

Eu gostei dos jogos, com algumas exceções e teve alguns times jogando um futebol fantástico. O massacre que a Argentina impõs à Sérvia foi impressionante.
Assim como foi Brasil X Gana, onde o melhor time em campo foi goleado numa inversão tão ridícula que nunca vai ser esquecida.

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