O Mais Que Previsível
Só precisamos ter uma pequena vivência em futebol para afirmar que dois atacantes enfiados não fazem verão. Este é um expediente utilizado por técnicos em situações de desespero, quando precisam virar um jogo e o negócio é meter bola na área. Mesmo nestas circunstâncias, raramente funciona. O futebol brasileiro tem sua magia na aproximação, na troca de passes e nas surpreendentes intervenções individuais de seus muitos craques. Só que isto fica impossível com Kaká do lado direito, Ronaldinho Gaúcho do lado esquerdo e dois atacantes marcadíssimos lá na frente, recebendo longos passes que os encontram invariavelmente de costas para o gol.
Foi o suficiente, mas foi pouco. Admirei a coragem do sonolento Parreira em tirar o ex-intocável Ronaldo. Acho que a substituição por Robinho foi correta e tivemos na frente algo com cara de ataque, apesar da pouca produção. Mas creio que a maioria dos observadores que admiro (Ruy Carlos Ostermann, Veríssimo, Falcão, etc.) concordam que a colocação de Juninho Pernambucano empurraria Ronaldinho Gaúcho e Kaká - principalmente o primeiro - para posições para mais próximas da área adversária, onde seus dribles e surpresas são mais úteis. O estilo de Ronaldinho, jogando mais atrás, parece meio bobo e inútil. Está muito retardado em relação ao ataque, só isso, fazendo lançamentos longos e afastados de sua característica.
A Croácia não era tão ruim quanto a imprensa fazia crer. Preparou-se muito bem para parar o ataque brasileiro e, se não fosse o lampejo de Kaká, teria arrancado um empate. Hoje, digo que, em Condições Normais de Temperatura e Pressão, passam os dois para a segunda fase, pois Austrália e Japão são meros figurantes.
Tenho a esperança de que Parreira tenha colocado o tal Quadrado quadrado apenas para mostrar ao mundo: viram?, não funciona! O que fico meio estarrecido é que poderia ter escrito tudo isso antes do jogo. Quem quiser comprovar pode fazê-lo. Em minha primeira intervenção já criticava o erro de pôr Ronaldo e Adriano juntos. De boa novidade - ao menos para mim - tenho a dizer que Juan surpreendeu positivamente. Esperava muito menos. Este é tipo de erro que fico feliz em cometer. Já o outro...
Bem, e entre Ronaldo e Adriano, sai Ronaldo, é claro.
Comments
Sei não, a mim parece que nem um, nem dez atacantes enfiados fazem nada se estiverem com raízes que os plantam no chão como parecia estar o Ronaldo. Não desgostei da seleção. Também não amei. Dida ainda que vcs pensem diferente me deu mais de uma vez a impressão de insegurança ( dele, claro).
Gosto do Lúcio,já o Ronaldinho pertence a outra estirpe de jogadores, das que têm asas , além de dribles nos pés. Mas nem deus marcado assim joga muito bem, tem lampejos de genialidade, isso tem. Roberto Carlos até me surpreendeu bem. Adriano deve estar com problemas psicológicos : ).
Temos uma questão de excesso de auto estima e quando tudo não vai formidavelmente bem ficam todos mal, jogadores e torcida brasileira. Por falar nisto, vcs viram como torceram os croatas? Durante as horas mais difícies apoiaram seu time. Mesmo depois com a derrota já selada. Impressionante. E nós reclamávamos...
Posted by: Silvia Chueire | junho 14, 2006 03:34 PM
É, Ricardo.
Posted by: Milton Ribeiro | junho 14, 2006 01:21 PM
Milton, a seleção de 94 tinha, além de uma grande defesa e da esperança em Romário, um jogador que fazia a bola chegar redondinha pro baixinho. Na maioria das vezes, esse jogador era o Dunga.
Baita escalação essa do Locão. Muito boa, mesmo.
Posted by: Daniel Chiodelli | junho 14, 2006 12:25 PM
Comentário replicado d'O Biscoito Fino e a Massa:
"Tem que tirar o Ronaldo, colocar o Juninho, adiantar o Ronaldinho Gaúcho, e acabar com essa palhaçada de "quarteto mágico" de uma vez.
Emerson como primeiro volante, Juninho pela direira, Zé Roberto pela esquerda, e o Kaká como "enganche", com Ronaldinho e Adriano no ataque."
Posted by: Ricardo Antunes da Costa | junho 14, 2006 12:07 PM
De acordo, de acordo. Estou chegando á conclusão de que Parreira realmente sabe organizar defesas. O que era a seleção de 94 além de uma grande defesa e a esperança em Romário?
Posted by: Milton Ribeiro | junho 14, 2006 08:44 AM
A defesa também me surpreendeu. Parecia argentina de tão raçuda e certeira.
Posted by: Bender | junho 14, 2006 08:41 AM
Eu também acho que o Parreira colocou esse time em campo só para mostrar que não dá. Vai encarar a Austrália do mesmo jeito para não deixar dúvidas.
Acho que entra Juninho nesse time, mas sai o Adriano. O Ronaldo ainda é, sim, intocável.
Como ninguém vai me impedir, vou dar minha escalação, com esses jogadores que o Parreira levou :)
Dida; Cicinho, Lúcio, Juan e Zé Roberto; Gilberto Silva, Émerson, Juninho Pernambucano e Kaká; Robinho e Ronaldinho.
Não sou retranqueiro, mas a minha opinião sobre essa seleção é a mesma que eu tinha em 98, antes mesmo de ambas começarem a disputa: é muito pior do que imaginam. Com essa escalação que eu sugeri, ninguém entra na defesa e teríamos uma saída para o ataque incrivelmente qualificada e, principalmente, muito mais rápida, com Cicinho, Émerson, Juninho e Zé Roberto.
Eu concordo com relação a ter dois atacantes de área: é impossível jogar assim. Mas eu acredito que com a retranca que todos vão armar contra o Brasil, nem mesmo com um dá.
Só pra acabar: essa retranca que todos vão armar, não é por medo como acham Zagallo e cia., é simplesmente por saberem que o ataque do Brasil é muito habilidoso. Isso não significa medo. O primeiro passo para vencer o inimigo é conhecê-lo, não?
Posted by: Locão | junho 14, 2006 12:53 AM
Concordo com as observações de ordem tática. Apesar disso, acho que o time foi bem no primeiro tempo. Aliás, Argentina, Holanda e Itália também fizeram boas atuações na 1ª etapa e decaíram no final. É recém iníco de competição.
Posted by: Daniel Chodelli | junho 13, 2006 11:24 PM
Idelber. Sei lá porque tenho confiança em Lúcio e em Dida. Compreendo as hostilidades a eles mas, enfim, eu confio. Mas acho que a Alemanha fez bem a Juan. Achava-o omisso.
Leila. Ele estava muito marcado e, PRINCIPALMENTE, isolado e mal assessorado. O falcão acaba de dizer algo interessante. Disse que, quando era jogador e não tinha condições para 90 minutos, dava tudo no primeiro tempo e saía logo. O Rinaldo optou por preservar-se, pela administração de sua má condição. Isto é um erro do nosso gordinho.
Afonso. Somos penta-campeões, somos o gold standard! Acho sempre pouco talvez por esperar sempre muito, ora.
Abraços.
Posted by: Milton Ribeiro | junho 13, 2006 09:16 PM
"Foi o suficiente, mas foi pouco". Terá sido pouco ou a nossa inseparável esperança é que, mais uma vez, "foi muita"? abs
Posted by: D. Afonso XX o Chato | junho 13, 2006 08:42 PM
Eu só pude ver o segundo tempo, mas acho que o Ronaldinho deve ser lembrado pela tentativa de gol de cabeça, e por alguns dribles difíceis. Ele estava MUITO marcado.
bjs
Posted by: Leila | junho 13, 2006 07:51 PM
Taí, falou tudo. Quem sabe, sabe. Eu sou testemunha de que você vem dizendo isso há meses. Há tempos, eu também o disse, e quase fui apedrejado por sugerir que Ronaldo e Adriano não podem jogar juntos. Não se joga com dois centroavantes estilo enfiado, não funciona. Ronaldinho Gaúcho não brilhou? Não brilhou porque está jogando fora da posição dele. Ele é meia-atacante, não meia-armador. Jogar com dois centroavantes e um meia-atacante transformado em armador não é montar um time "ofensivo". É criar um time com compartimentos estanques. Nossa sorte foi que Lúcio, Juan e Dida surpreenderam positivamente.
Posted by: Idelber | junho 13, 2006 07:43 PM